NOVA ERA PARA NOSSAS MENINAS | Fábio Sormani

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sábado, 27 de junho de 2009 basquete brasileiro | 12:49

NOVA ERA PARA NOSSAS MENINAS

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Assim que Carlos Nunes foi eleito presidente da CBB, muitos questionaram a mudança. Ex-homem forte de Gerasime Bozikis, o Grego, Nunes seria, no entender dessas pessoas, apenas uma extensão da administração passada.

Eu pedi calma a esses desconfiados torcedores. E contei a história do antecessor de Grego, Renato Britto Cunha, que no final de seu mandato tirou o basquete do lodo com ótimos acordos – entre eles com o SporTV –, todos capitaneados por João Henrique Areias, então responsável pelo marketing da entidade.

Dizia eu que o fato de Nunes um dia ter estado ao lado de Grego não significava que ele não pudesse dar uma guinada em seu comportamento – como fez Britto Cunha.

Os últimos efeitos da administração passada foram sentidos pela seleção brasileira masculina sub-16. Dirigido pelo ex-armador Raul Togni, o time nacional acabou num absurdo quinto lugar no Sul-americano da categoria disputado na cidade de Mendoza, Argentina.

Nossa seleção ficou atrás dos EUA (ouro), Argentina (prata), Canadá (bronze) e Venezuela. Com o resultado, está fora do Mundial da Alemanha Sub-16, que será jogado no ano que vem.

A gente torce para que este tenha sido o último golpe de Grego ao basquete brasileiro.

Disse tudo isso para falar da convocação da seleção feminina adulta que vai disputar a Copa América em Cuiabá (MT) de 23 a 27 de setembro. O torneio vai qualificar os três primeiros colocados para o Mundial do ano que vem na República Tcheca.

Pois bem, comandado por Hortência, nosso time continuará sendo dirigido por Paulo Bassul – o que eu acho muito bom, pois Bassul é competente e experiente. A primeira convocação da era Hortência foi feita ontem; e com duas, talvez três, surpresas.

Alessandra Oliveira, 35, foi convocada novamente depois de um hiato de três anos. Pra quem não se lembra, a pivô jogou pela última vez com a camisa brasileira no Mundial de 2006 disputado em São Paulo.

De lá para cá, nunca mais foi chamada, por ordem de Grego, pois a jogadora movia – como ainda move – uma ação na justiça contra a entidade. Motivo: ela teve uma séria lesão no ombro e a CBB não fez o seguro que tinha prometido.

A jogadora ficou meses afastada das quadras – e desempregada por isso mesmo – e acionou a entidade por perdas e danos. Eu faria o mesmo.

Começa agora a resolver esta pendência com a CBB. Melhor ainda: está de volta ao time brasileiro.

Alguns podem se espantar: aos 35 anos?!?!?! Sim, aos 35 anos; e em forma.

Não tenho visto Alessandra jogar, mas ela está em atividade no basquete francês. Não para nunca.

Sempre foi arrimo de família e não pode abandonar as quadras, pois muitos dependem de seu esforço. Por isso mesmo, não se descuida; está em plena forma garantem quem está próximo a ela.

Além disso, é sempre bom lembrar: Lisa Leslie completa 37 anos em sete de julho próximo e continua em atividade com a camisa 9 do Los Angeles Sparks. Anunciou que vai se aposentar ao final desta temporada, mas ano passado, em Pequim, com 36 anos, ajudou o time dos EUA a faturar o ouro olímpico.

Alessandra continuará sendo útil para a nossa seleção e sua convocação foi uma ótima sacada de Hortência, que ligou para a amiga e pediu para ela voltar.

Alessandra, diante da nova realidade do basquete brasileiro, disse sim.

Outra que chacoalhou a cabeça positivamente foi Helen Luz. A ala/armadora, que também está na Europa, tinha se aposentado, voluntariamente, da seleção também em 2006.

Mas ao receber também uma ligação telefônica de Hortência, Helen balançou com os argumentos da Rainha e resolveu voltar. E ainda usou como argumento para seu retorno a mudança no comando da CBB.

Helen está com 36 anos, um a mais que Alessandra. Vale para ela o que falei anteriormente sobre a Alessandra.

São duas jogadoras de alto calibre que voltam ao time nacional. Irão se juntar a muitas meninas que não têm experiência e/ou não estão acostumadas a decisões.

Serão extremamente importantes neste processo de recondução do basquete feminino ao topo do ranking.

E isso acontece porque Carlos Nunes convidou Hortência Marcari para comandar o basquete feminino brasileiro.

Como eu disse há alguns meses, era importante não fazer pré-julgamentos por causa do passado do atual presidente da CBB.

Assim como Britto Cunha, Nunes parece ter mudado de rumo.

Que ele tenha encontrado o caminho certo, pois o nosso basquete feminino merece coisa melhor.

RESPOSTA

Como eu disse acima, a primeira convocação da era Hortência apresentou duas, talvez três, surpresas.

A terceira surpresa foi o recrutamento da ala Iziane Marques.

Todos se lembram do comportamento egoísta da jogadora no Pré-Olímpico da Espanha no ano passado quando, feito garota mimada, teve chiliques porque foi conduzida ao banco de reservas pelo técnico Paulo Bassul.

Chamada a voltar ao jogo, disse não. E criou-se uma situação constrangedora que todos aqui se lembram muito bem.

E mais: disse que não jogaria com a camisa brasileira enquanto Bassul tivesse no comando da equipe.

Pois bem: ela foi chamada novamente; mas ainda não decidiu se aceita a convocação ou não.

Hortência, paciente, tem conversado com a jogadora por telefone e por e-mail. Disse que Iziane pode voltar, mas afirmou também que se sentir que ela vai dizer não, pega um avião e vai até Atlanta (EUA) conversar pessoalmente com a atleta.

Vale tudo isso?

Sinceramente, eu acho que não, pois está claro que Iziane ainda está ressentida com o que aconteceu e guarda rancor do técnico brasileiro.

Com esse espírito, a fogueira pode se acender a qualquer momento se houver uma discordância de trabalho entre eles. Iziane tem personalidade forte e parece-me imatura. Além disso, não é “coachable”, como dizem os americanos.

Que ela joga muito bem a gente não discute. Mas ela não é Hortência, Paula ou Janeth.

Por isso mesmo, não vale tanto esforço assim.

O grupo, para mim, em primeiro lugar.

Notas relacionadas:

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Autor: Fábio Sormani Tags: , , , , , ,

6 comentários | Comentar

  1. 6 carmen neto 29/12/2009 15:38

    Em primeiro lugar a CBB deveria estudar um calendário para as competições de base, pois este influencia muito no apoio dos pais as novas gerações. Lembrem-se, que antes de serem atletas, estes futuros jogadores são estudantes e tem pais que se preocupam antes de mais nada com o futuro dos filhos, e sem o apoio dos pais o basquete não vai dar bons frutos.
    As federeções deveriam realmente usar a verba do Basquete do Futuro para o devido fim e quem sabe aparecesse um jovem brilhante na periferia.
    Obrigada

    Responder
    • Fábio Sormani 29/12/2009 17:47

      Carmen
      Mto bom o seu comentário. Comungo com sua opinião.
      Valeu.
      Abs.

  2. 5 Alexandre 30/06/2009 13:33

    fala ai Fabio beleza?

    voce nao acha que esse flashback seria prejudicial ao basquete feminino, não desmerecendo as meninas, como Alessandra tem muita lenha pra queimar mas, se for assim Hortencia, Paula Janeth e Martão(Marta a jogadora mais raçuda particularmente da seleça) tem que jogar ou melhor, fazer como fazem no USA que valorizam os grandes astro do basquete que sempre fazem como insentivo os antigos falarem com os novos ou darem palestras entende? sempre sincronizados com a autalizade do esporte. abs

    RESPONDIDO POR FÁBIO SORMANI
    Alexandre
    Penso que se o Brasil estivesse bem servido a Hortência não iria chamar a Alessandra e a Helen. Infelizmente, temos problemas de renovação em nossas seleções, não apenas no feminino, mas no masculino tb. Tudo fruto do “trabalho” do Grego.
    Abs.
    Fábio Sormani

    Responder
  3. 4 Rubens Hurtado 28/06/2009 9:58

    Sormani
    O que existe de verdade na história de uma eventual troca envolvendo Amare Stoudamire e Leandrinho indo para o Boston por Garnett em PHX ???
    Ah.. fala pra Hortencia recrutar a Lauren Jackson… o jogo dela é melhor e mais estético (em todos os sentidos..hehehe) que o da Iziane..
    Abs

    RESPONDIDO POR FÁBIO SORMANI
    Rubens
    Por enqto, só especulaçÕes.
    Abs.
    Fábio Sormani

    Responder
  4. 3 Sinuhe Daniel Preto 27/06/2009 19:01

    Caro Sormani, que o basquete volte a ser forte! Sou professor de Língua Portuguesa e há um erro ortográfico na chamada do IG , onde se lê TRAZ é TRÁS! Abraço!

    RESPONDIDO POR FÁBIO SORMANI
    Sinuhe
    Valeu, já arrumamos o erro.
    Abs.
    Fábio Sormani

    Responder
  5. 2 Cassio 27/06/2009 17:24

    Se o Brasil tiver um time copeiro, a Iziane não fará falta nenhuma.

    RESPONDIDO POR FÁBIO SORMANI
    Cassio
    Concordo.
    Abs.
    Fábio Sormani

    Responder
  6. 1 Fabio Pires 27/06/2009 17:20

    Pena que a minha Lauren Jackson não jogue pela seleção brasileira….torceria pelas meninas com muito mais afinco….
    Enfim que as meninas se ajeitem porque os rapazes vão precisar de reza forte!

    RESPONDIDO POR FÁBIO SORMANI
    Fabio
    Já pensou a Laureen jogando com a camisa do Brasil? Seria maravilhoso, em todos os sentidos.
    Abs.
    Fábio Sormani

    Responder
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