BULLS AFINA E LAKERS VENCE
A afinada que o Chicago deu para o Lakers no último quarto constrangeu seguramente os 23.011 torcedores que ocuparam todos os lugares do United Center; sem contar os milhões de fãs espalhados pelos EUA e em todo o planeta.
Com Kobe Bryant descansando no banco de reservas, o Lakers fez uma corrida de 21-6 e liquidou o Bulls em 117-109. Constrangedor, como eu disse.
Jogadores que eu imaginava estarem preparados para levar a franquia a fazer aquele “upgrade” rumo ao amadurecimento mostraram que ainda são adolescentes. Falo de Derrick Rose (e nem poderia ser diferente, afinal é o primeiro ano dele como profissional), Ben Gordon e John Salmons.
São atletas importantes para jogos em um nível menor. Nas partidas onde o emocional fala tão ou mais alto que o lado técnico, eles mostraram claramente que não têm estofo para suportar a pressão.
Isso ficou visível no último quarto, quando o Chicago, que tinha o controle do jogo até aquele momento (vencia por 87-81, sendo que a última vez que ficou atrás no marcado foi a 4:52 minutos do primeiro quarto, quando o Lakers marcou 18-16), não resistiu ao emocional e sucumbiu diante de um time que tinha em quadra Jordan Farmar, Sasha Vujacic, Luke Walton, Lamar Odom (foto AP) e Josh Powell.
A 6:24 do fim, Kobe voltou ao jogo no lugar de Lamar e Pau Gasol na vaga de Walton, com o marcador em 102-93 para os angelinos. A diferença, que era de nove pontos, pulou para 16, caiu um pouco, mas os californianos não foram ameaçados em momento algum da metade do último quarto até a buzinada final.
EXCURSÃO
O Lakers começa com o pé direito sua excursão de sete pelejas longe de casa – mas não dos fãs, porque não importa onde o time joga, sempre há torcedores. Não foi diferente ontem em Chicago.
Na próxima terça-feira enfrenta o Oklahoma City; na quinta, sobe e vai até Detroit. No dia seguinte, encara o New Jersey. Descansa um dia e no domingo visita o Atlanta – este o jogo mais difícil “on the road”. No dia 31, pega o Charlotte e em primeiro de abril (sem piadinhas, por favor) mede forças com o Milwaukee.
Disse que o enfrentamento diante do Hawks é o mais difícil, mas a gente não pode desprezar o Detroit. A camisa dos “bad boys” ainda assusta.
Não digo que Kobe Bryant e companhia vão se deixar intimidar por ela e nem pelos fanáticos torcedores de Auburn Hills. Mas Kobe sabe muito bem que respeito é bom e todos gostam.
Meu balanço nesta excursão do Lakers: vence todos os jogos.
DESCANSO
Derek Fischer ficou de pernas cruzadas durante o último quarto. Não em quadra, óbvio, mas no banco de reservas.
Sentou-se, aliás, antes disso. Faltavam 4:35 minutos para o final do terceiro quarto quando cedeu seu lugar para Jordan Farmar.
Na vitória diante do Golden State, aconteceu o mesmo. Fish deixou o embate quando o cronômetro indicava que havia ainda 2:50 minutos para o final do penúltimo quarto.
Fish não é mais nenhuma criança. Idoso (34 anos), precisa repousar mais que os outros – principalmente quando está com o pé na estrada; o que é o caso.
Phil Jackson conta com seu jogo e sua experiência nos playoffs. Quando for possível, o armador ficará de pernas cruzadas no banco de reservas.
Quando for necessário, vai descruzá-las e vai para a quadra ajudar os colegas.
Ontem foi o dia em que P-Jax pôde deixá-lo zen, no banco. Jordan Farmar fez um período de jogo excelente e o adversário, ainda por cima, ajudou.
VANTAGEM
Ao final da vitória por 102-96 diante do Atlanta, LeBron James, já dentro do vestiário do Cleveland, declarou: “Nós queremos proteger nossa vantagem de quadra. Fomos capazes de fazer isso [diante do Hawks]. Tivemos muita energia [em quadra]”.
Pois é, ao contrário do que muitos imaginam e defendem, campeonato com playoff não cai no marasmo em sua parte final quando temos times já classificados. Os fanáticos pelos campeonatos de pontos corridos defendem essa tese – que é falsa.
O Cleveland, já classificado para os playoffs, luta com todas as forças para acabar em primeiro lugar na classificação geral. Para ter vantagem em todas as séries decisivas.
O Lakers faz o mesmo, embora às vezes dê a impressão de estar desinteressad0 – o que não é verdade.
O Boston ainda sonha com o primeiro lugar no Leste, mas está mais preocupado, no momento, com o Orlando em sua cola – ambos têm 18 derrotas. Se ficar para trás, jogará em desvantagem diante do Magic numa possível semifinal. E pode ser eliminado.
No Oeste, se o Lakers já se garantiu em primeiro lugar na conferência – embora não matematicamente –, San Antonio, Houston, Denver e New Orleans brigam pela segunda posição na conferência.
Por que isso ocorre na NBA e não ocorre no futebol? Simples, porque playoff é diferente do mata-mata.
No esporte bretão, com apenas dois confrontos, a surpresa pode acontecer. Até porque o primeiro jogo sempre é na casa do time com pior campanha.
Vencendo-o (e a chance de ganhar em casa é sempre maior, certo?) joga-se a segunda partida pelo empate diante de um adversário pressionado pela necessidade da vitória.
Uma estupidez.
Aliás, o futebol é um dos esportes mais estúpidos e incrivelmente o mais popular.
Isso me faz lembrar do genial Nelson Rodrigues, que dizia: “Toda unanimidade é burra”.
ENERGIA
O Cleveland matou o Atlanta no primeiro tempo. Quando o relógio marcava 8:56 minutos para o final do período inicial, o Joe Smith encestou uma bola dupla e levou o placar a 40-16 em favor do Cavs.
Ali, praticamente, acabou o embate.
Sim, pois o Atlanta teve de correr o tempo todo atrás da vitória (por favor, não digam atrás do prejuízo porque nenhum ser humano normal corre atrás do prejuízo, todos correm atrás do lucro) e o desgaste foi muito maior do que seria.
Mike Woodson, técnico dos visitantes, reclamou muito da arbitragem. Tomou duas faltas técnicas e, por isso, acabou expulso.
Ao final, ainda com o sangue quente, temendo falar bobagens e ser punido por isso, mandou seu auxiliar, Larry Drew, conversar com a mídia.
Al Horford, no vestiário, deu uma cutucada, talvez sem querer, no treinador. Disse ele: “Nós não deveríamos ter conversado com os árbitros [Mike Bibby e Josh Smith também foram punidos com faltas técnicas]. Deveríamos ter jogado bola”.
Palavras sábias que saíram da boca de um jovem jogador, mas que deveriam ter sido as primeiras que Woodson deveria ter dito aos seus atletas antes de o time entrar em quadra.
Há muitos treinadores “pilhados” nesta temporada. Isso não ajuda nada; ao contrário, alguns, como Woodson, acabam deixando o time na mão, sozinho em quadra, diante de um adversário faminto, como é o caso do Cleveland.
Isso foi fatal.
LeBron James (foto AP) foi discreto no jogo de ontem. Marcou apenas 22 pontos, apanhou sete rebotes, deu cinco assistências e roubou três bolas.
Discreto?
Para um jogador comum, claro que não; para LBJ, claro que sim.
(Anderson Varejão contribuiu com seis pontos e oito rebotes)
BALEINHA
E não é que Glen “Baleinha” Davis tem-se mostrado eficiente com a bola nas mãos? Pois é; ontem, na vitória do Boston sobre o Memphis, no Tennessee (105-87), o balofo jogador do Celtics fez 24 pontos, seu melhor desempenho até hoje na NBA.
Acertou oito de seus 11 arremessos. Muito bom.
“A career night. Whoop-de-do. I hope I get another one soon”, disse Davis após a partida ao ser informado pelos jornalistas sobre sua pontuação recorde. Humilde, como vimos, ele disse esperar reproduzir, brevemente, esta performance.
Doc Rivers também; e espera ela que seja diante de um adversário mais gabaritado.
CHEERLEADER
Kevin Garnett jogou apenas 15 minutos na vitória do Boston sobre o San Antonio, na sexta-feira. Ontem, ficou em quadra dois minutos mais.
Está voltando aos poucos. Mas não se mostra menos feliz por isso.
Ao contrário; ele sabe que uma contusão no joelho pode trazer consigo sequelas, às vezes irreparáveis num curto espaço de tempo.
Depois da partida contra o Spurs, quando ficou quase que o tempo todo no banco, ele declarou: “Sou o melhor ‘cheerleader’ da liga. Só faltaram os pompons”.
Essa alegria é extremamente positiva num ambiente de trabalho de sucesso.
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5 Peterson 22/03/2009 15:19
Se o Bulls tivesse técnico e banco ganhava o jogo ontem [2].
Sormani, é como eu sempre repito: Rose tem td pra ser um dos gdes nomes da NBA, mas pra isso ele necessita de alguém gde ao seu lado tbm, afinal uma andorinha sozinha num faz verão… Gosto do Salmons, mas num é ele que vai decidir algo e sim contribuir para que isso aconteça… E Gordon pra mim num passa de um crazy shooter, qdo a bola cai é uma blz e qdo não cai vc já viu né!!!
RESPONDIDO POR FÁBIO SORMANI
Peterson
Às vezes eu tb penso como vc: Gordon não dá.
Abs.
Fábio Sormani
4 Marcelo 22/03/2009 14:54
Se o Bulls tivesse técnico e banco ganhava o jogo ontem.
Estupidez foi passar o Campeonato Brasileiro pra pontos corridos ,mata mata com final era bem melhor.
RESPONDIDO POR FÁBIO SORMANI
Marcelo
Eu acho que ficou bem legal com ptos corridos — embora tb prefira aquele sistema dos campeonatos de 1998 e 1999, qdo o Corinthians foi bicampeão, diferente do mata-mata, que traz injustiças.
Abs.
Fábio Sormani
3 jzanette 22/03/2009 14:42
olha cara, dizer que o futebol é o esporte mais estúpido é uma estupidez ainda maior… estúpidos são nossos dirigentes e não o esporte. Declaração infeliz a sua, e lamento, pois você é um dos melhores colunistas do ig.
RESPONDIDO POR FÁBIO SORMANI
Jzanette
Obrigado pelo elogio e por acessar o blog.
Agora, por favor, não me agrida, pois eu não agredi ninguém. Só disse que o futebol é um esporte estúpido, pois eu o considero de poucas emoções e retrógrado, parado no tempo. Mas eu tb sou absolutamente apaixonado por ele. Mas que é um esporte estúpido, isso é.
Abs.
Fábio Sormani
2 Wagner 22/03/2009 14:06
Sormani, acho que o Lakers não vencerá todos esses jogos… pelo menos uma derrota deverá ter, contra Hawks ou Piston. Se o Bulls tivesse um pouco mais de experiência, teria levado a partida de ontem com facilidade.
Sobre o Fisher, bem, é a posição que mais me preocupa no Lakers, é óbvio que ele não tem mais o pique de antes, mas sua produção em quadra está muito ruim… e pior, seu reserva imadiato é Farmar, que não inspira nenhuma confiança. A carência nessa posição pode custar caro, aliás, já vem custando com as derrotas bestas.
Bem, o Cavs vai a passos largos rumo as finais, e no momento é disparado o melhor time.
RESPONDIDO POR FÁBIO SORMANI
Wagner
Concordo: neste momento o Cavs está mesmo melhor que o Lakers.
Abs.
Fábio Sormani
1 Alessandro 22/03/2009 13:39
Sormani,
Só assim mesmo pro banco do Lakers conseguir dar uma ajuda, finalmente! Não vi o jogo ontem, por isso nem posso opinar mto. E qto ao balanço da excursão, vou dar um pitaco: gostaria de ter a sua convicção pra afirmar tbm q o Lakers vence todos os jogos. Tomara q vc esteja certo :D. Segue o q eu penso:
Thunder (tipo do jogo q o Lakers ama, se vc fizer um censo da torcida durante a partida e o fizer novamente faltando 1:35 pra acabar, vc notará q pelo menos metade dela morreu do coração); Pistons (osso duro, sem mais delongas, ganharam da gente em LA); Nets (imprevisível), Hawks (imprevisível), Bobcats (TIME MALDITO! Só falta ter Vlad´s revenge) e Bucks (Lakers ganha).
Repito: se jogar 30% do q joga contra Celtics, Cavs, etc e etc, sai invicto dessa série.
[]’s
RESPONDIDO POR FÁBIO SORMANI
Alessandro
Fique tranquilo: o Lakers voltará invicto para LA.
Abs.
Fábio Sormani