Publicidade

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009 NBA | 14:09

BOSTON ENTRA EM PARAFUSO

Compartilhe: Twitter

O Boston começa a preocupar seus torcedores. Depois de um início avassalador, quando esteve na dianteira do campeonato por várias rodadas, faz agora um vôo de Ícaro preocupante.

Tudo estava indo de vento em popa até o dia de Natal. Naquele 25 de dezembro, com um recorde de 27-2, o Celtics foi visitar Los Angeles.

Deveria ter ficado em casa.

Perdeu o jogo e ali começou a embicar.

Chegou pomposo com seu recorde de 10-1 “on the road”. Mas deu-se mal.

Somou naquela tarde californiana sua segunda derrota fora de casa e a terceira no geral. E entrou em parafuso.

De lá para cá o time jogou mais seis jogos. Ganhou dois e perdeu outros quatro.

Do Natal até hoje, foram cinco derrotas em sete partidas.

Ontem para o Charlotte, na Carolina do Norte, com direito a prorrogação. Nela, os anfitriões fizeram 15-9 em cinco minutos e sepultaram de vez o sonho do Celtics em ganhar mais uma.

Perdeu porque no duelo do “backcourt” o Bobcats fez bonito. Seus dois armadores, Raymond Felton (25) e D. J. Augustin (20), deitaram e rolaram com 45 pontos.

Além da pontuação alta, Felton (8) e Augustin (5) distribuíram 13 assistências das 25 da equipe durante a partida, contra 16 do Celtics.

Os dois estiveram em todos os cantos da quadra. Torturaram os oponentes com chutes à meia distância, infiltrações que terminavam em bandeja ou em um passe para um jogador aberto poder pontuar.

Augustin arremessou menos do que Felton (foto Reuters) na partida: oito contra 12. Mas visitou mais vezes a linha do lance livre, invertendo os números: 12-8. Dessa dúzia de arremessos livres, oito foram na prorrogação, sem ter perdido nem um sequer.

Com a derrota de ontem por 114-106, o Boston tem agora uma campanha de 29 vitórias e sete derrotas. Foi líder, como disse, um tempão.

Hoje é apenas o terceiro colocado.

MENTALIZAÇÃO

O preço de ser campeão é alto. Você é o time a ser batido a todo o instante. O adversário – especialmente os times pequenos, como o Charlotte – entram em quadra como se fosse o último dia de suas vidas.

Jogam tudo e mais um pouco.

Hoje, se não tivessem que jogar contra o Cleveland, fora de casa, os jogadores do Cats iriam passear, às compras, ao cinema, ao shopping com a alma lavada. Dariam autógrafos em cada passo completado; acompanhado de uma fotografia, por favor.

Seria o melhor dia, até aqui, na vida desses jogadores nesta temporada.

Tudo porque bateram o campeão da NBA.

Disse Ray Allen sobre isso: “Os treinadores adversários preparam seus times para jogar contra nós. E nós adoramos este desafio. É parte da vida de um campeão. Nós sabemos que cada jogo contra a gente está marcado no calendário adversário e por isso nós temos que jogar sempre num nível mais alto”.

Sábias palavras.

É por isso que muitos dizem: chegar ao topo é mais fácil do que manter-se lá.

REALEZA

Michael Jordan (foto Reuters), o Pelé do basquete, esteve ontem na Time Warner Cable Arena de Charlotte. Parecia um torcedor de arquibancada ao final da prorrogação, na vitória do Cats sobre o Celtics.

Torceu feito um maluco.

Foi até lá dar seu apoio aos jogadores e principalmente ao técnico Larry Brown, produto da universidade de North Carolina, como ele.

Ah, que saudades…

FREGUÊS?

Quem disse que o New Orleans não é capaz de ganhar do Lakers? Quem afirmou isso quebrou a cara.

O Hornets foi a Los Angeles e sapecou os amarelinhos por 116-105. Derrota que pode ter um significado importante para o Lakers lá na frente.

É certo que o New Orleans não é o Oklahoma City, mas quem busca a liderança geral para ter conforto nos playoffs tem que ganhar estas partidas, pois elas são embates de seis pontos, como se costuma dizer no futebol.

O time da terra do jazz resume-se, a grosso modo, a dois jogadores: Chris Paul e David West. Por mais que se queira colocar Tyson Chandler para formar um triunvirato, o pivô não tem o nível dos outros dois.

Portanto, o negócio é concentrar a marcação em CP3 (foto Reuters ao lado de Kobe Bryant) e em West e pronto. Pronto?

Pois é, isso, todo mundo sabe, mas a questão é: como marcá-los?

Eles, principalmente Paul, são grandes jogadores e sabem encontrar atalhos para a cesta inimiga e resposta para a marcação adversária. Ontem fizeram isso.

Juntos, marcaram 72 pontos. West fez 40; CP3 anotou 32.

Mais uma vez o melhor armador do mundo deixou a quadra com um “double-double”, o seu 25º. da temporada. Foram 15 assistências.

West, além dos 40 pontos, pegou também 11 rebotes, três no ataque. Foi apenas seus quinto duplo-duplo desta temporada, mostrando como é difícil fazê-lo (por isso mesmo não podemos cobrar tanto do Nenê).

FRÁGIL

Falei no post retrasado sobre a dificuldade de Pau Gasol em conter seu adversário. Na partida contra o Portland, domingo passado, LaMarcus Aldridge deitou e rolou pra cima do espanhol.

Ontem foi a vez de David West.

DUPLA DERROTA

Lamar Odom deixou a quadra com uma contusão no joelho direito. Poderá fazer companhia a Jordan Farmar e Luke Walton no DM do Lakers.

Ou não; hoje fará um exame mais detalhado do local. Se tudo correr bem, pode até estar em quadra contra o Golden State na Oracle Arena da Bay Area.

Odom jogou só 13 minutos. Até por isso David West fez 40 pontos. Lamar é importante para o descanso dos pivôs.

Sua ajuda foi demais sentida. Se a extensão do machucado for maior do que se prevê e ele tiver de ficar de fora alguns jogos, o prejuízo será imenso.

ELE VOLTOU

Bastou Drew Gooden voltar para o Chicago mostrar consistência de jogo. O ala/pivô do Bulls ficou oito partidas do lado de fora por causa de uma lesão no tornozelo direito.

Com Gooden ausente, o Chicago viveu um de seus piores momentos nesta temporada. Ganhou apenas dois dos oitos enfrentamentos. Chegou ao cúmulo de ser dobrado dentro de seu United Center pelo Minnesota, um dos piores times do campeonato.

Gooden jogou ontem 33 minutos. Marcou 18 pontos e apanhou dez rebotes (três de ataque). Foi seu oitavo “double-double” da temporada.

Saiu do banco e jogou com intensidade o tempo todo, sem dar pinta de que o tornozelo o incomodava ainda. Visitou 12 vezes a linha do lance livre. Acertou uma dezena deles.

Foi o destaque da vitória do Bulls sobre o Sacramento por 99-94.

MELHORA

Com Drew Gooden em quadra, o Chicago mudou a personalidade. Tornou-se um time mais confiante. Teve jogo interior, coisa que não acontecia sem ele.

Tyrus Thomas fez 14 pontos; embora os dois pivôs do time, Aaron Gray e Joakim Noah tenham marcado, cada um, um par de pontos. Gray foi uma negação, pois no rebote pegou apenas um. Desconto pra ele: jogou só seis minutos.

Noah apanhou meia dúzia de ressaltos, quatro deles ofensivos.

No total, o Chicago bateu o Sacramento nos rebotes de frente por 17-5. Isso possibilitou 17 oportunidades para o time tentar a cesta novamente.

TEIMOSIA

Andres Nocioni (foto AP) deu nos nervos na partida de ontem. Errou seus dez primeiros arremessos. Acertou apenas o 11º., uma bola tripla. Foram seus únicos pontos durante a partida.

Não visitou nenhuma vez sequer a linha do lance livre. Pegou só um rebote ofensivo e fez um desarme.

Ficou 12 minutos em quadra.

Muito para quem não está jogando nada.

O Chicago tem que dar um jeito de se livrar do argentino. Falou-se muito, ontem, depois do jogo, que Brad Miller, pivô do Kings, poderia voltar.

Uma troca com Noce não seria mau negócio.

MELO

Carmelo Anthony fraturou o dedinho da mão direita na vitória sobre o Indiana. Um mês de fora.

O bom é que não vai ter que passar por cirurgia.

Vai fazer falta, embora, muitas vezes durante o jogo, mostre-se individualista e jogue de olho apenas no umbigo.

Melo tem média de 21.1 pontos por jogo e 7.3 rebotes.

George Karl disse que não sabe ainda quem vai colocar no lugar do Anthony, que vai perder cerca de 14 partidas, oito delas em casa, o que dá um certo alívio, pois ao lado dos torcedores todo time cresce de produção; e não é diferente com o Nuggets.

Duas são as opções: Linas Kleiza e J. R. Smith

Kleiza funciona muito bem vindo do banco. Mostra-se importante com suas cestas de três e nos rebotes.

Tem médias de 9.7 pontos e 3.7 rebotes. Nas bolas de três, seu carro chefe, está com um acerto de 35.7%.

Smith é mais pontuador. Tem 13.5 de média. Nos rebotes, 2.3 por partida.

Kleiza é mais forte e ajudaria no garrafão; Smith é um tormento para o adversário com seus arremessos.

O que eu faria?

Iniciaria com Smith e colocaria Kleiza durante a partida.

MUSA

Olha só quem esteve ontem no Staples Center de Los Angeles. Sim, ela mesma: Maria Sharapova (foto Reuters).

Ao lado de seu novo namorado, Charlie Ebersol, filho de um dos donos da NBC, Maria, musa do tênis feminino, foi ver o jogo do Lakers contra o Hornets. Luta contra uma contusão no ombro para poder voltar cem por cento ao circuito nesta temporada.

Faz muita falta; dentro e fora das quadras.

Dentro, pela qualidade de seu jogo, muito embora os críticos apontem o dedo para ela dizendo que a russa se limita apenas a bater na bola. Não concordo, ela tem qualidades, muito embora não seja tão eficiente quando tem que ir à rede; e “top-spin” e “slice” sejam efeitos dos quais ela nunca ouviu falar.

Fora delas… bem, aí eu nem preciso dizer por que ela faz tanta falta.

Volta, Maria, porque a gente está com saudades. Até mesmo de seus gritinhos.

Notas relacionadas:

  1. O TRIÂNGULO DO BOSTON É EQUILÁTERO
  2. FREGUÊS DE CADERNETA, BOSTON PERDE OUTRA
  3. MARBURY COM UM PÉ NO BOSTON
Autor: Fábio Sormani Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

24 comentários | Comentar

  1. 4 Niésio Adriano 07/01/2009 14:38

    CP3 Jogou muito… mas foi muito mesmo! esse cara não pode ficar de fora do All-Star 2009.

    RESPONDIDO POR FÁBIO SORMANI
    Niésio
    O ASG é uma farra. Nada além disso. CP3 fará parte do quinteto ideal desta temporada — isso é o que conta.
    Abs.
    Fábio Sormani

    Responder
  2. 3 Marcel 07/01/2009 14:28

    Que feio pro Boston… Perder pro Bobcats…

    RESPONDIDO POR FÁBIO SORMANI
    Marcel
    Mais um exemplo de que em basquete tem zebra.
    Abs.
    Fábio Sormani

    Responder
  3. 2 Pedro Mota 07/01/2009 14:24

    senhor fábio,ainda no outro dia lhe perguntei o que achava dos cats,pois achava que eles estavam muito melhores,mas nem eu esperava esta vitória,pode ser que eles ganhem moral e lutem pela posição 8 de Este,apesar de ser muito dificil,pois são 7 cães a um só osso…quanto a chicago,a ser verdade a troca com sacramento, seria fantástico,pois brad miller é bom jogador,apesar o ideal seria o Big Al,tal como já tínhamos falado…quanto aos hornets,estão muito fortes,no seguimento da temporada passada e com cp3 a carburar ,imagina que ele ontem fez 15 assistências,sem nenhum TO,é absolutamente incrível…Cp3,se não tiver nenhuma lesão vai ficar na história como um dos melhores bases de sempre,ele é mesmo bom…por fim,e com muita pena minha os rockets perderam outra vez…abraço ps-gostei da fotografia do maradona da basquetebol lol.

    RESPONDIDO POR FÁBIO SORMANI
    Pedro
    O Cats não me passa segurança. Do mesmo jeito que ele fez esta belíssima vitória diante do Celtics, perde um jogo fácil. Falta consistência, um jogador que desequilibre. O time está cheio de “role players”. Falta o “factor”.
    Vc observou mto bem: nenhum TO para o CP3 — e num jogo desses é mto significativo.
    MJ, já disse, é o Pelé; Bill Russell é o Zidane. Maradona, sinceramente, não sei, porque Magic Johnson é o Gullit, que engolia o Maradona sempre que Milan e Nápole se encontravam. O retrospecto mostra isso, não se trata de “achismo”.
    Abs.
    Fábio Sormani

    Responder
  4. 1 Sergio Viana 07/01/2009 14:21

    Sormani,

    Voltou em grande estilo hein…Parabéns…

    E o meu Houston…Socorro…Será que não vai encaixar nunca aquele time???

    Sérgio.

    RESPONDIDO POR FÁBIO SORMANI
    Sergio
    É inacreditável o que se passa com o Houston. Às vezes eu acho que o T-Mac é pé-frio.
    Abs.
    Fábio Sormani

    Responder
  1. Primeira
  2. 1
  3. 2
  4. Última
  5. ver todos os comentários
 

Antes de escrever seu comentário, lembre-se: o iG não publica comentários ofensivos, obscenos, que vão contra a lei, que não tenham o remetente identificado ou que não tenham relação com o conteúdo comentado. Dê sua opinião com responsabilidade!

* Campos obrigatórios


 

Responder comentário


* Campos obrigatórios