O TRIÂNGULO DO BOSTON É EQUILÁTERO
A mídia bajula Kevin Garnett e Paul Pierce. Os torcedores também. Mas Ray Allen, um dos vértices deste triângulo recebe um tratamento menor.
Esse triângulo bostoniano, poucos percebem, é eqüilátero – e não isósceles. Os ângulos formados por Garnett, Pierce e Allen são equivalentes.
Ou seja: os três jogadores são importantes para o esquema do time do técnico Doc Rivers. Para cair no lugar comum, um completa o outro.
Para meu espanto, no entanto, não é assim que Ray Allen (foto AP) é visto pela maioria – é bom que se diga.
Ontem na vitória do Celtics sobre o Indiana por 122-117, com uma prorrogação, Allen foi sensacional. Anotou 35 pontos (sete deles no tempo extra, terminando como cestinha). Teve um desempenho fabuloso nos arremessos: 13-21 (62%). Bateu apenas dois corretos lances livres, deu só um par de assistências e apanhou igual número de rebotes.
Mas nem precisava mais do que isso.
Deixou a quadra exaurido, com cinco faltas. Teve de conter Marquis Daniels, melhor jogador do Pacers, que mesmo assim ainda conseguiu 26 pontos em 50 minutos de jogo.
Allen atuou 41 dos 53 minutos que durou a partida. Mas foi como se ele tivesse ficado em quadra o tempo todo.
Marquis que o diga.
THE TRUTH
Paul Pierce foi fundamental também na vitória do Boston. A sete segundos do final da partida, meteu uma bola de três no aro do Indiana e levou o confronto para a prorrogação.
105-105.
Salvou, é bom que se diga, a pele de Ray Allen, que tinha errado o arremesso triplo. Eddie House, para sorte do Boston, pegou o rebote e entregou a bola para Pierce. Ao recebê-la, viu os 2m03 de altura Danny Granger dobrar diante de seu campo de visão. Mas não se afobou. Fez o arremesso, preciso, como só os grandes jogadores sabem executar.
“The Truth” (A Verdade) anotou só 17 pontos (4-12, 33.3%). Mas com eles transformou-se no quarto maior cestinha da história do Celtics. Tem agora 17.346 pontos, ultrapassando os 17.335 de Kevin McHale, que ao lado de Robert Parrish e do aniversariante de ontem Larry Bird compunha um dos vértices de um triângulo eqüilátero que os torcedores mais velhos jamais irão se esquecer.
Mas Paul Pierce é o nosso tema de abordagem. Esqueçamos, pois, os veteranos. Já disse aqui em nosso botequim: Pierce é candidatíssimo ao MVP desta temporada regular.
RECORDE 1
A campanha do Boston é a melhor entre todos os 30 times da NBA: 20 vitórias e apenas duas derrotas – uma delas para este mesmo Indiana; a outra foi para o Denver de Nenê.
O time vem de 12 vitórias consecutivas. É sua maior série invicta desde a temporada 1985-86, quando fez uma corrida de 14 triunfos seguidos.
Tem mais “milestone” na parada: esses 20-2 equiparam o mesmo início de temporada do time de 1963-64, que tinha Bill Russell em seu pivô e Bob Cousy na armação das jogadas.
Falamos de antigos alviverdes campeões.
Do jeito que a carruagem desliza atualmente pelas quadras da NBA, acho que a história terá o mesmo final.
AGORA SIM
Ontem a defesa do Lakers funcionou. Tudo bem que o adversário foi o fraco Milwaukee, e que Michael Reed e Richard Jefferson, suas duas estrelas, tiveram problemas, especialmente Jefferson, que se carregou em faltas e atuou apenas nove minutos e contribuiu com apenas três pontos (1-4, 25%).
Mas Reed jogou mais: 21 minutos. Fez só dois míseros pontinhos, pois errou cinco de seus seis arremessos (16.6%). A metade desses chutes foram triplos; todos errados.
No geral, o Lakers limitou o Milwaukee a apenas 38% de acerto em seus arremessos (35-92). Nas bolas de três, o aproveitamento foi lastimável: 25% (4-16). Levou o adversário a cometer 19 erros.
Esta boa defensiva fez do Lakers o vencedor em 105-92.
JÁ O ATAQUE…
A ofensiva do Lakers, em contrapartida, foi um desastre. O time cometeu 25 erros – a maioria deles bobos, não-forçados, como se diz no tênis.
Lamar Odom, com cinco, e Kobe Bryant, com quatro, foram os jogadores que mais equívocos cometeram ontem.
Graças à defesa, como disse acima, o time venceu.
Lembram-se do que Adolph Rupp disse? “A defesa te salva nas noites em que seu ataque não funciona”.
Foi o que aconteceu ontem no Staples Center de Los Angeles.
RECORDE 2
O Lakers, como o Boston, perdeu apenas duas partidas. O Celtics só está na frente porque fez três partidas a mais: 22 contra 19. Isso dá ao time de Massachusetts um aproveitamento melhor: 90.9% contra 89.5%.
O time tem agora cinco jogos, sendo que quatro deles são fáceis. O Phoenix é o embate mais complicado.
Não que o Suns seja um primor de equipe. É que o Lakers não tem jogador tão bem.
Mas se repetir o mesmo obstinado desempenho defensivo de ontem, tudo vai melhorar. Agora, mesmo que cambaleie sem a bola, dá para vencer Sacramento (duas vezes, uma em casa e outra fora), Minnesota e New York.
O Lakers é muito mais time.
Cinco vitórias em cinco jogos. Com as três seguidas que a equipe já somou, pode fazer uma corrida invicta de oito partidas.
E quem sabe ultrapassar o Boston.
Sim, é bom fazer algo diferente do que aconteceu na temporada 1985-86, quando o time também começou com um 17-2. Como vimos, acima, naquele campeonato, o Celtics foi campeão.
MODERAÇÃO
Jogue com moderação. Ou melhor, seja moderado com o tempo em quadra de seus jogadores.
É assim que a comissão técnica do Lakers vem tratando esta temporada. Na vitória de ontem diante do Bucks, apenas Kobe Bryant jogou mais do que meia hora. Ficou exatos 30:36 minutos em quadra.
Os outros titulares atuaram menos de 30 minutos:
Derek Fisher = 24:03
Vladimir Radmanovic = 24:02
Pau Gasol = 29:27
Andrew Bynum = 29:16.
Os reservas importantes:
Lamar Odom = 22:21
Sasha Vujacic = 17:24
Trevor Ariza = 22:06
Jordan Farmar = 20:35
Desculpe, mas não vou tomar o seu tempo falando sobre a permanência em quadra de Josh Powell, Chris Mihm e do chinês Sun Yue – eles que me perdoem.
Bem, voltando ao que interessa, já conversamos aqui sobre esse tema: Phil Jackson não quer ninguém se matando em quadra. Fez uma projeção com sua comissão técnica e todos chegaram à conclusão de que o máximo que um jogador tem que ficar em quadra é 34 minutos.
A temporada é longa, muitos jogos são seguidos e em muitas situações não há tempo para se recuperar de uma lesão. Portanto, nada de dar sopa para o azar.
CHINA
Ok, ok, vamos traçar algumas linhas para Sun Yue (foto AP). Afinal de contas, trata-se de um chinês na NBA. E depois que estive em Pequim nos Jogos Olímpicos, vou sempre me derramar em elogios e ternura para com os chineses.
Fui tratado muito bem por aquelas bandas. Povo bom de coração, educado, sempre disposto a te ajudar.
Por isso, vamos a Sun Yue: o chinês fez seu primeiro jogo na NBA. Jogou com a camisa 9, marcou quatro pontos em 5:14 minutos de partida. Mas cometeu também quatro faltas.
Ainda não pegou o “time” do jogo norte-americano. Pelo pouco que mostrou, pode ser útil no futuro.
Foi aplaudidíssimo pelos 18.997 torcedores que foram ao Staples Center. Deve ter ligado para a família, assim que o jogo terminou.
TORCIDA
Chegou apenas mais um voto. Foi do Pedro Barros, torcedor do Lakers. Atingimos a marca de 131 internautas que aqui declinaram seu voto.
Penso que estamos perto de encerrar este escrutínio e fazer um quadro definitivo da preferência dos brasileiros que freqüentam este botequim. Vou aguardar até o final desta semana.
No início da outra, vamos lançar nova campanha. Na segunda-feira próxima eu digo qual será.
O novo atual quadro é este:
1) Lakers – 25.2%
2) Chicago – 14.5%
3) Boston – 7.6%
4) Detroit – 7.6%
5) New York – 7.6%
6) Phoenix – 6.1%
7) San Antonio – 4.6%
8) Milwaukee – 3.8%
9) Cleveland – 3.0%
10) Denver – 2.3%
11) Houston – 2.3%
12) Indiana – 2.3%
13) Utah – 2.3%
14) Dallas – 1.5%
15) Miami – 1.5%
16) Toronto – 1.5%
17) Golden State – 0.7%
18) Minnesota – 0.7%
19) New Jersey – 0.7%
20) Orlando – 0.7%
21) Philadelphia – 0.7%
22) Portland – 0.7%
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23 comentários | Comentar
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3 Bruno Araújo 08/12/2008 14:29
Sormani,sinceramente não vejo hoje nenhum time que possa vencer o Boston.Talvez o Lakers,se arrumar a defesa,ou o Cleveland,se Ben Wallace não pipocar de novo(Não sei se você lembra,contra o Boston nos Playoffs,qndo ele recebeu uma bola embaixo da cesta e não teve coragem de arremessar,jogando uma bola na fogueira para LeBron).Aproveito para alertar sobre um time:PORTLAND TRAILBLAZERS…Os caras tão jogando mto,principalmente Brandon Roy,e quando Greg Oden engrenar,acredito que possam ser o “New Orleans” desta temporada
Abs Mestre Sormani
A propósito,seu Santos contratou Madson,do rebaixado Vasco
RESPONDIDO POR FÁBIO SORMANI
Bruno
Tb acho que o Boston, neste momento, está sobrando em relação aos demais. Portland é para o futuro, não para agora.
Qto ao meu time, é o Noroeste de Bauru e não o Santos. Anote aí.
Abs.
Fábio Sormani
2 João Paulo Martins de Andrade 08/12/2008 14:27
Sormani, e o triângulo do Lakers na sua opinião, é Isósceles, Escaleno ou Eqüilátero?
Avisa ao time da American Airlines Center que, seu aproveitamento em casa vai cair para 50% depois da partida de amanhã!
Abs.
RESPONDIDO POR FÁBIO SORMANI
JP
Como está no texto, é equilátero.
Abs.
Fábio Sormani
1 Cassio Luan 08/12/2008 14:03
Sormani, excelente post! Quanto ao triangulo equilatro do Boston, eu creio q vc esteja certo e q este triangulo até o final da temporada vai virar um quadrado com as grandes partidas q Rajon Rondo vem fazendo.
Como ontem já escrevi sobre os jogos não tenho mto q acrescentar, apenas fazer uma pergunta. O q significa aquele +/- no scoutt da Nba q esta entre os lances livres e os rbs de ataque?
Abs.
Cassio
RESPONDIDO POR FÁBIO SORMANI
Cassio
Obrigado pelo elogio. Tb concordo com vc: de triângulo a quadrado, brevemente. Sobre o +/- eu sabia, mas me esqueci. É algo sem importância, mas vou me informar e volto com a resposta brevemente. Mas se algum internauta souber, manda bola e explica pra gente. Lembro-me que era algo complicado e, como disse, de pouca importância.
Abs.
Fábio Sormani