BYNUM E PHIL JACKSON NÃO SE ENTENDEM | Fábio Sormani

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quinta-feira, 4 de dezembro de 2008 NBA | 13:02

BYNUM E PHIL JACKSON NÃO SE ENTENDEM

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Na terça-feira foi Andrew Bynum quem criticou Phil Jackson. Ontem, o treinador devolveu a censura.

Se você precisa de maiores explicações para entender o caso, vamos a elas.

Anteontem, quando o Lakers perdeu melancolicamente para o Indiana, de virada, por 118-117, na última bola, o jovem pivô do Lakers não recolheu a língua no vestiário derrotado. Com todas as letras, disse que o treinador errou ao tirar os reservas da quadra (ele era o único titular entre eles, é bom que se diga), pois esses jogadores é que colocaram o time na frente em 16 pontos.

O pivô, durante a entrevista da terça, disse que gostaria de saber por que o treinador tomou aquela decisão. Jackson, informado, limitou-se a dizer: “Isso não é da conta dele. Ele tem que entrar na quadra e jogar. Este é o seu trabalho”.

Rude, mas necessário; afinal, Phil é o treinador.

Ficou nisso?

Ontem, o Lakers conseguiu se reabilitar. Bateu o Sixers, na Filadélfia, por 114-102. Mas Jackson aproveitou para mostrar seu inconformismo com a defensiva californiana. Permitiu 102 pontos ao 24º. ataque da competição, que tinha média de 94.3 pontos por partida.

Depois, falando aos rebotes, deu-se razoavelmente satisfeito pelo fato de o time ter sido mais eficiente do que o Philadelphia 41-37. Mas criticou um jogador em especial: Andrew Bynum (foto Reuters).

Em meia hora na quadra, o principal pivô do Lakers pegou apenas três. “Nossos armadores levaram a melhor sobre Andrew esta noite”.

Deboche e tanto.

Mas pura verdade.

Derek Fisher fisgou cinco, enquanto que Kobe Bryant pegou seis.

Bynum, no entanto, devolveu a pedrada: “Eu poderia ter pego mais rebotes se tivesse ficado mais tempo em quadra”. O jogador de 21 anos referia-se ao fato de que foi mandado para o banco quando faltavam 5:34 minutos para o final da partida.

Não mais voltou ao jogo.

Quando todos se preparavam para encerrar a entrevista com o treinador, um repórter quis saber se ele tinha conversado com o jogador sobre o assunto. Disse Phil: “Ele é um garoto; pouco sabe das coisas”.

Esta picuinha está nas páginas do “Los Angeles Times”, o diário de maior circulação na Califórnia. O jornal, no entanto, garante que não há qualquer animosidade entre as partes.

Será?

O texto, assinado pelo repórter Mike Bresnahan, encerra-se de maneira brilhante, a meu ver. Escreveu ele: “That’s the Lakers: 15-2 and still finding ways to nudge each other.” (Este é o Lakers: 15-2 e ainda procurando um jeito de um cutucar o outro).

Não vai ser dessa maneira que o Lakers vai dobrar o Boston em uma possível final da NBA. Disse possível porque se a pirraça for o tom predominante na intimidade do grupo, nem na final da conferência o time chega.

CRIANCICE

Phil Jackson disse que Andrew Bynum é uma criança. Mas eu pergunto: quem é que se comportou como tal?

É certo que Bynum não deveria ter dito o que disse publicamente. Phil reagiu à altura, no momento exato, ao dizer que a escalação do time não é da conta do jogador.

Mas errou ao devolver crítica pela imprensa um dia depois. O assunto deveria ter morrido dentro do ônibus que levou a delegação de volta para o hotel, em Indianápolis.

O treinador poderia ter se sentado ao lado do garoto e dito a ele tudo o que teria que ser dito naquele momento. Mostrar que manifestações desse tipo não ajudam em nada. Aliás, é tudo o que o time não precisa depois de uma derrota daquelas.

E morreu o assunto.

Ao criticar via imprensa o desempenho de Bynum nos rebotes, Jackson foi mais criança do que o jogador.

FREGUESIA

O Phoenix virou freguês de caderneta do New Orleans. Perdeu seu sexto jogo seguido para o Hornets. Ontem, por 104-91.

Desta vez há um atenuante e tanto. Na verdade dois: Steve Nash e Shaquille O’Neal não jogaram. Nash nem saiu do hotel, gripadíssimo; Shaq, com dores no joelho esquerdo, foi à New Orleans Arena; trajava um elegante terno cinza, gravata da mesma cor e camisa branca.

Seria mais útil com a camisa 32 do Suns.

O time tomou uma lavada nos rebotes: 46-30 para o New Orleans.

Com um aproveitando desses, fica difícil ganhar.

Pat Head Summitt, técnica da universidade do Tennessee, a treinadora com o maior número de vitórias na história do basquete feminino escolar nos EUA, medalha de ouro nos Jogos de Montreal, em 1976, declarou certa vez: “Ataque vende ingressos. Defesa vence partidas. Rebote ganha campeonatos”.

DESVIO DE ROTA

O Phoenix perdeu seus últimos três jogos. Dois deles com Nash do lado de fora. A última vez que isso aconteceu foi em fevereiro do ano passado. O canadense também não pôde jogar naquela época.

Isso mostra a dependência do time em relação a ele. Mas não é privilégio do Phoenix. Quando estrelas não jogam, suas equipes sofrem; e quase sempre perdem.

Computando-se as últimas dez partidas, o Suns fez cinco vitórias. O time do brasileiro Leandrinho já foi segundo colocado na Conferência Oeste. Hoje está na sétima posição, com um recorde de 11-8 (57.9%).

Segue “on the road” e esta noite enfrenta o Dallas. Shaq e Nash devem jogar. Boa oportunidade para se reabilitar e abrir uma diferença em relação ao oponente, o oitavo colocado.

Em caso de derrota e o San Antonio bater o Denver, no Colorado, o Phoenix despenca na tabela e sai da zona de classificação, deixando o sétimo lugar e aportando no nono.

LEANDRINHO

A ausência de Steve Nash deu a Leandrinho a oportunidade de jogar como armador. Não é a dele; o brazuca joga de ala/armador. Ali ele se dá melhor.

Mas a emergência pediu e ele acatou o que Terry Porter determinou. Leandrinho terminou a partida com 19 pontos (7-15, 46.6%), quatro rebotes (um de ataque) e três assistências.

Agora, o que chamou a atenção foi a atitude do treinador. O Phoenix buscava tirar a diferença e Leandrinho ditava o ritmo ofensivo do time. Era ele, inclusive, que batia os lances livres que o Suns recebia por uma técnica dada ao New Orleans.

Mas Porter queria melhorar a defesa. Faltavam 5:22 minutos e o Phoenix perdia por 12 pontos: 91-79. O brazuca foi sacado para a entrada de Raja Bell, que grudou em Chris Paul.

Não adiantou.

2:22 minutos depois, Porter colocou Leandrinho no jogo novamente. O Phoenix não deu nenhum passo adiante sequer, pois continuava atrás em 12 pontos: 96-84.

A defesa é a sustentação de um time de basquete. Todos nós sabemos. Mas quando se está atrás, só defesa não vai adiantar, pois é preciso pontuar.

Porter deveria mesmo se preocupar com a defesa. Deveria mesmo ter colocado Raja Bell na quadra para grudar em CP3, como fez. Mas Leandrinho, pelo que estava jogando, não poderia nunca ter ido para o banco naquele momento.

Sem ele, o time morreu ofensivamente.

UM SÓ

Vestindo a camisa 17 de um uniforme retrô do Cleveland, Anderson Varejão foi bem na vitória sobre o New York. Jogou só 20 minutos – por que não ficou mais tempo em quadra, meu Deus! – e por um pontinho apenas não fez seu segundo “double-double”. Anotou nove pontos e apanhou dez rebotes (dois no ataque) no triunfo de 118-82.

O técnico Mike Brown resolveu poupar a galera porque o jogo estava uma teta, mas Varejão poderia ter ficado mais tempo em quadra. Ele precisa disso, até para melhorar seus números.

O basquete é um jogo coletivo, onde a individualidade tem parte importante. Não fosse assim, não haveria Michael Jordan, Magic Johnson, Bill Russell, Wilt Chamberlain…

SOVA

Aliás, o Cleveland deu uma lavada de 36 pontos no New York. A maior diferença em toda a história deste confronto, que já conta com 171 enfrentamentos. Foi a 71ª. vitória do Cavs contra 100 do Knicks.

Foi também a décima vitória em dez jogos realizados pelo Cavs em casa. A melhor marca em toda a história da franquia. E a melhor entre todas as 30 equipes nesta temporada na NBA.

Em suas últimas seis conquistas domésticas, a vantagem foi de 20.5 pontos sobre o oponente. No geral, o Cleveland está com um recorde de 15-3 (83.3%), o melhor início em toda sua história.

Terceira melhor campanha da NBA até o momento.

REPOUSO

O Cleveland está sobrando em relação aos seus adversários de momento. Tanto assim que mais uma vez o técnico Mike Brown deixou LeBron James no banco todo o último quarto da partida.

Saiu, aliás, quando faltavam dois minutos e meio para acabar o terceiro quarto.

Marcou 21 pontos.

É por causa disso que sua média de pontuação diminuiu um pouco. King James chegou a liderar a artilharia da NBA com média de 30 pontos. Hoje está com 27.4, na segunda posição, atrás de Dwyane Wade que anotou em média 28.4.

Fico imaginando se num jogo desses contra o New York LeBron ficasse 40 ao invés de 28 minutos atuando. Poderia ter pontuado muito mais. E estaria sobrando em relação aos adversários na briga pela artilharia.

Mas isso parece não importar neste momento para LeBron. A ele e ao time.

Todos estão de olho em um anel.

DE DAR DÓ

A situação do New York é dramática.

O time tem uma campanha de 8-10 (44.4%), vem de duas derrotas seguidas e nos últimos dez embates venceu apenas três.

Ontem, em Cleveland, o Knicks dava um dó só. O técnico Mike D’Antoni só pôde contar com oito de seus 15 jogadores inscritos. Eddy Curry, Jared Jeffries e Nate Robinson estão machucados; Cuttino Mobley afastado foi por causa de problemas cardíacos; Jerome James não joga nem a pau com o treinador; e Stephon Marbury curte um exílio não se sabe por quanto tempo.

Para piorar, no segundo quarto do jogo de ontem, Quentin Richardson foi expulso. Sobraram sete jogadores.

Daí o placar tão avantajado para o Cavs, mesmo com o time de Ohio jogando com seu time reserva. Vantagem esta que chegou a 42 pontos no último quarto.

De dar dó.

FRUTA PODRE

Stephon Marbury desceu a lenha nos companheiros e no técnico Mike D’Antoni. Chamou a todos de mau caráter, para dizer o mínimo.

Agora parece estar recuando. Mudou o discurso ontem e disse que se não chegar a um acordo com a franquia, está disposto a jogar.

Resta saber se os jogadores e o treinador estão dispostos a ter um cara desses dentro do elenco.

DE OLHO NELE

O Boston venceu mais uma. A vítima da vez foi o Indiana: 114-96.

Mas o que os 18.624 torcedores que estiveram ontem no TD Banknorth Garden mais aplaudiram foi o primeiro “triple-double” da carreira do armador Rajon Rondo. O moleque marcou 16 pontos, deu 17 assistências e apanhou 13 rebotes (dois na frente).

“Parecia que havia três Rajon Rondos em quadra”, disse Kevin Garnett. “Ele estava em toda parte”.

Rondo (foto Reuters) será a pedra no sapato de Nenê na briga pelo troféu de “Most Improved Player”.

INVENCIBILIDADE

O triunfo de ontem foi o décimo seguido do Boston. O desempenho de 18-2 até agora é o mesmo da temporada anterior.

Quando o time foi campeão.

RUA!

Com um “frontcourt” contando com jogadores com o Chris Bosh e Jermaine O’Neal, muitos apostavam que o Toronto seria uma das sensações do Leste. A previsão não se confirmou.

Com uma campanha de oito vitórias e nove derrotas, o Raptors é o oitavo na classificação da conferência, com um aproveitamento de apenas 47.1%. Vem de duas derrotas consecutivas. Venceu só cinco de seus últimos 14 embates.

Resultado: o técnico Sam Mitchell foi demitido. A terceira demissão na temporada. Antes dele foram mandado embora P.J. Carlesimo (Oklahoma City) e Eddie Jordan (Washington).

Por ter sido eleito o melhor treinador da NBA na temporada retrasada, Mitchell assinou um contrato de quatro anos com a franquia canadense em troca de US$ 12 milhões.

Onde está o erro?

Na minha opinião, na franquia, que se empolgou com um resultado falso numa eleição bem discutível, onde Phil Jackson, nove títulos de campeão, só ganhou uma vez o galardão.

Mitchell é um treinador comum, nada além disso. Seu desempenho no Raptors foi ruim: 159-189, abaixo dos 50% de aproveitamento. Reprovado, portanto.

Será substituído por Jay Triano, velho conhecido dos brasileiros, pois ele comandou a seleção canadense por muito tempo.

TORCIDA

Três votos apenas. Mas atingimos a casa dos 112. Nenhuma mudança, mas apareceu um internauta torcedor do Milwaukee.

O quadro está assim:

1)    Lakers – 27.6%
2)    Chicago – 16.1%
3)    New York – 8.9%
4)    Boston – 7.1%
5)    Detroit – 7.1%
6)    Phoenix – 6.2%
7)    San Antonio – 5.3%
8)    Cleveland – 3.5%
9)    Denver – 1.8%
10)    Houston – 1.8%
11)    Indiana – 1.8%
12)    Miami – 1.8%
13)    Toronto – 1.8%
14)    Dallas – 0.9%
15)    Milwaukee – 0.9%
16)    Minnesota – 0.9%
17)    New Jersey – 0.9%
18)    Orlando – 0.9%
19)    Philadelphia – 0.9%
20)    Portland – 0.9%
21)    Utah – 0.9%

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Autor: Fábio Sormani Tags: , , , , , , , , , , , , , , , ,

24 comentários | Comentar

  1. 4 Lucas Scussel 04/12/2008 13:32

    Esse Andrew Bynum até pode ter talento, mais precisa amadurecer. Vai querer bater de frente com dr. phil? complicado hein.. recentemente já tinha visto um video na internet dele caindo na gandaia em um club de L.A, jogando Dóllares para o alto, entre outras coisas.. Precisa aprender, e muito.. agora é a hora, com phil, kobe e cia, melhor oportunidade não há.
    Abraçoss

    RESPONDIDO POR FÁBIO SORMANI

    Lucas
    Agora é a hora de se enquadrar o moleque. Se não der um jeito agora, mais pra frente fica difícil. Essa é uma das funções de um gde treinador. Mas, sinceramente, não sei se o PJ tem esse perfil de disciplinar jogador, até pq ele é mto “paz e amor”.
    Abs.
    Fábio Sormani

    Responder
  2. 3 Henrique Moura Braga 04/12/2008 13:30

    Sormani, muito fala de Lakers, mas o time está com uma defesa que é uma peneira. Você sabe que não se arruma defesa de uma hora pra outra, exemplo o Suns, por isso aposto que dá Boston novamente, que terá como principal adversário para chegar ao título o time Varejão., depois que passar por este time, não vejo grandes dificuldades para ganhar do time de Kobe.

    RESPONDIDO POR FÁBIO SORMANI

    Henrique
    Acho que o Lakers vai se arrumar defensivamente. O Kobe é um dos melhores defensores da NBA na atualidade, mas, sozinho, não pode fazer mto. Mas vejo espaço para o time crescer defensivamente. Mas se isso não ocorrer, babau, fica mesmo no meio do caminho.
    Abs.
    Fábio Sormani

    Responder
  3. 2 Fabio Pires 04/12/2008 13:28

    Sormani assisti ao jogo do Lakers contra o Sixers e fiquei impressionado pela má colocação defensiva dos pivôs e nisso incluo os reservas também. O Dalembert que sabemos que não é nenhuma sumidade do basquete(apesar de voluntarioso e inteligente) jogou com liberdade que só vejo na pelada de veteranos do meu bairro. Parecia soberba mesmo…tipo: ‘Ganharemos quando quisermos…” Agora até vai, isso em playoff significa desclassificação concorda?.

    Rajon Rondo vai calando minha boca….maldita hora que fui falar do rapaz…..

    E o Cleveland hein? aonde será que pode chegar? Tem um bom elenco e que foi montado de acordo com sua estrela-mor e com jogadores que sabem para quem tem que passar a bola…..
    acho que vai longe.

    RESPONDIDO POR FÁBIO SORMANI

    Fábio
    Realmente, mentalidade dessas em playoff não funciona. O Lakers precisa melhorar a intensidade defensiva dele. Sua observação sobre os pivôs é correta. Rondo: o moleque joga mto. Cleveland: ainda acho que o LeBron sozinho não conseguirá levar esse time ao título. Mas a gente não pode fechar os olhos para o Mo Peterson, que tem jogado mto.
    Abs.
    Fábio Sormani

    Responder
  4. 1 Fabio Pires 04/12/2008 13:25

    Sormani assisti ao jogo do Lakers contra o Sixers e fiquei impressionado pela má colocação defensiva dos pivôs e nisso incluo os reservas também. O Dalembert que sabemos que não é nenhuma sumidade do basquete(apesar de voluntarioso e inteligente) jogou com liberdade que só vejo na pelada de veteranos do meu bairro. Parecia soberba mesmo…tipo: ‘G

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