Imprensa | Blog Espírito Olímpico, por Marcelo Laguna - iG

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domingo, 21 de abril de 2013 Imprensa, Isso é Brasil, Olimpíadas, Ídolos | 20:43

O desabafo de Zanetti é uma vergonha para o Brasil olímpico

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Arthur Zanetti, o 1º brasileiro campeão olímpico na ginástica. Brasileiro por quanto tempo?

Muita atenção para a reprodução abaixo dos seguintes posts do Twitter neste domingo, repercutindo reportagem do programa “Esporte Espetacular”, da Rede Globo, sobre o ginasta campeão olímpico Arthur Zanetti:

Acima estão representadas opiniões de importantes atletas do movimento olímpico brasileiro. Um deles, o ex-jogador Nalbert, campeão olímpico e mundial com a seleção brasileira masculina de vôlei. Portanto, são opiniões de respeito.

Todos revoltados (e com razão) após a exibição da reportagem com o ginasta brasileiro Arthur Zanetti, ouro nas argolas nas Olimpíadas de Londres 2012, mostrando as condições precárias que ele tem para se preparar, em São Caetano do Sul. Um ginásio com equipamentos velhos, sem alojamento para descansar entre os treinos e precisando recorrer a marmitas para almoçar. Um campeão olímpico se submete a isso, é bom deixar claro.

Veja também: O Brasil olímpico que o ministro Aldo não conhece

O leitor do iG Esporte nem se surpreende com as imagens exibidas, pois no dia 15 de março, reportagem do companheiro Maurício Nadal já trazia cenas constrangedoras a respeito das condições de trabalho de Zanetti.

A surpresa no desabafo do ginasta ao Esporte Espetacular foi a possibilidade aberta por ele mesmo de não mais competir como brasileiro. “Eu já coloquei na minha cabeça que se surgir uma oportunidade legal, não só para mim, mas para o grupo de profissionais que vão me ajudar, eu pensaria, sim, em competir por outro país”.

É simplesmente impossível apenas imaginar essa possibilidade. Pior é ver o jogo de empurra-empurra entre todas as entidades responsáveis pela situação vexatória a qual Zanetti está passando: CBG (Confederação Brasileira de Ginástica), COB (Comitê Olímpico Brasileiro), Ministério do Esporte, todos procurando justificar o injustificável.

Sinceramente, não acho que Arthur Zanetti colocará em prática essa ameaça, que nem é inédita, especialmente na ginástica (outros atletas já competiram em Jogos Olímpicos por nacionalidades diferentes). Mas se esse absurdo acontecer, a fatura dessa conta precisará ser dividida entre as seguintes pessoas: Carlos Nuzman, Aldo Rebelo, CBG, COB, Ministério do Esporte.

A culpa será toda de vocês.

Notas relacionadas:

  1. O desabafo de Joanna Maranhão é um exemplo ao Brasil
  2. Números comprovam que Arthur Zanetti é candidato a medalha nas Olimpíadas de Londres
  3. Dois tristes retratos do Brasil Olímpico
Autor: Marcelo Laguna Tags: , , , , , , , , , , ,

quarta-feira, 10 de abril de 2013 Geração 2016, Imprensa, Isso é Brasil, Olimpíadas, Política esportiva, Seleção brasileira | 21:40

O Brasil olímpico que o ministro Aldo não conhece

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Na última segunda-feira, no programa “Roda Viva”, da TV Cultura, o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, deu exemplos claros sobre o quanto sua pasta desconhece os reais problemas do esporte brasileiro. Obviamente que o maior foco dos jornalistas que estavam na bancada para entrevistar o ministro era a organização da Copa do Mundo do ano que vem, cujos estádios ainda sofrem com inúmeros atrasos em suas obras.

Mas Aldo Rebelo também pouco saber sobre a realidade do esporte olímpico brasileiro. Ao ser indagado sobre a falta de uma política esportiva pública, voltada para o esporte de base, em contrapartida com a obsessão do governo sobre o desempenho nas Olimpíadas do Rio 2016, Aldo saiu em defesa do governo. Disse que está em andamento um investimento no esporte escolar, na qual há um programa para construir 5 mil quadras em escolas, além de aprovar a construção de 300 centros de iniciação do esporte, com espaço para a prática de judô, ginástica e esgrima.

Veja a partir da faixa dos 5min:

O negrito na palavra esgrima, no parágrafo acima, apenas reforça que o ministro Aldo Rebelo – a quem considero uma pessoa honesta e digna, porém totalmente fora de sintonia com o cargo que ocupa – não conhece totalmente a realidade do esporte olímpico do Brasil. Reportagem publicada nesta quarta-feira pelo iG Esporte mostrou as condições pelas quais a gaúcha Gabriela Cecchini, de somente 15 anos, conquistou um feito histórico, a segunda medalha brasileira em Mundiais de esgrima.

Sem nenhum apoio da CBE (Confederação Brasileira de Esgrima), Gabriela – além de outros 20 atletas da equipe brasileira que participa do Mundial da Croácia para cadetes e juvenis – precisou contar com a ajuda financeira dos pais ou de seus clubes (no caso de Gabriela, o Náutico União-RS) para disputar a competição.

Gabriela Cecchini comemora a vitória sobre a alemã Leandra Behr durante o Mundial

O que é pior: trata-se de uma prática comum nas categorias de base da esgrima (e na maioria absoluta das modalidades olímpicas brasileiras), pois a CBE argumenta ter recursos, provenientes da Lei Agnelo/Piva e do próprio Ministério do Esporte, apenas para bancar os atletas de alto rendimento. Mesmo Gabriela sendo considerada pelo técnico da seleção, o ex-atleta olímpico Regis Trois, como um diamante bruto da esgrima brasileira. Para evoluir, segundo ele, ela precisa de mais experiência e, principalmente, apoio.

LEIA TAMBÉM: Revelação da esgrima tem resultado histórico sem ajuda da Confederação

Não serão as cinco mil quadras que o governo promete construir (se é que serão construídas de fato) que irão evitar que jovens talentos como Gabriela Cecchini precisem recorrer ao velho “paitrocínio” para tentar seguir uma carreira no esporte.

Enquanto não se criar uma política esportiva pública VERDADEIRA, jamais qualquer autoridade poderá chamar o Brasil de país olímpico.

Notas relacionadas:

  1. O calendário pré-olímpico do Brasil em 2012
  2. Esporte brasileiro ficará mais rico para evitar mico nas Olimpíadas de 2016. Mas vai dar tempo?
  3. Dois tristes retratos do Brasil Olímpico
Autor: Marcelo Laguna Tags: , , , , , , , ,

quinta-feira, 4 de abril de 2013 Imprensa, Isso é Brasil, Política esportiva | 11:10

Briga entre Coaracy e Nuzman deve terminar em pizza

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Nuzman foi duramente atacado por Coaracy. Mas calma, logo ficarão de bem

A edição desta última quarta-feira da “Folha de S. Paulo”, em reportagem assinada por Fábio Seixas, trouxe uma informação surpreendente para quem acompanha os bastidores do esporte olímpico brasileiro. Revoltado com o fechamento do Parque Aquático Júlio Delamare, por causa das obras da reforma do estádio do Maracanã, o presidente da CBDA (Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos), Coaracy Nunes, criticou, de forma dura e surpreendente, Carlos Nuzman, presidente do COB (Comitê Olímpico Brasileiro). “O COB não ajudou em nada. O Nuzman não ajudou em nada. Eu tinha a maior admiração por ele, mas agora isso mudou”, disse Coaracy à “Folha”.

À primeira vista, as palavras do dirigente, reeleito recentemente por conta de um pleito polêmico, no qual impediu a presença da chapa de oposição encabeçada por Julian Romero por meio da Justiça, soam quase como revolucionárias. Não se trata de qualquer federação de fundo de quintal a peitar o COB, mas sim a CBDA, que vem colecionando medalhas olímpicas nas cinco das últimas seis edições dos Jogos. Mas ao menos para duas pessoas que acompanham o movimento olímpico brasileiro, a briga não será tão duradoura assim.

“Será muito difícil de haver um rompimento entre essas duas figuras da cartolagem desportiva. Um depende do outro, queiram ou não. É uma “simbiose do mal”. Quando um precisar do outro de novo, veremos sorrisos e abraços. Lembrando que o atual contrato CBDA x Correios termina em 2014. Se não renovar, a CBDA vai depender de quem, já que não criou mais nada para se auto-sustentar financeiramente?”, disse Julian Romero, criador do movimento “Muda, CBDA”, que lançou a frustrada chapa na última eleição da entidade.

E Romero ainda lembrou que a CBDA – cuja sede também fica no Júlio Delamare – nem pode ser acusada de ter sido pega de surpresa com o fechamento do complexo. “O COB não tem muito o que fazer nesse caso. Já se sabia há seis anos que o Brasil iria sedia a Copa do Mundo. Há dois anos começou o burburinho quando disseram que o Delamare iria fechar. Há um ano fizeram protesto, que na verdade só adiou. E hoje estão todos indignados, mas na hora que o governo brasileiro assinou o contrato com a FIFA para sediar a Copa, todos imaginaram a festa, os jogos, as seleções, os estádios e as maravilhas. Mas passada a Copa, teremos uma ótima piscina a menos e uma promessa política de que outra piscina será construída”, comentou.

Leia também: COB realiza eleição inútil

Para o advogado Alberto Murray, ex-membro da Assembleia Geral do COB e opositor declarado da gestão de Nuzman frente à entidade, o corporativismo entre os cartolas pode fazer com que a briga termine mais rápido do que se pode imaginar. “O Coaracy sempre teve ambições maiores. Quando eu ainda frequentava o COB, falava-se que se o Nuzman desse brecha, ele, Coaracy, tentaria assumir a entidade. Para aplacar essa ânsia, o Nuzman sempre deu ao Coaracy tudo o que ele pediu. Agora, talvez vendo que este deve ser o último mandato do Coaracy, e sabendo que ele está enfraquecido, é possível que o Nuzman tenha virado as costas. E o Coaracy revoltou-se. Mas acho que eles se acertam. Esse é um meio corporativista. Um tem o outro na mão”

Notas relacionadas:

  1. Cartola do tênis de mesa pode ser a solução para Nuzman
  2. Justiça nega liminar e eleição na CBDA não deve ter oposição
  3. Novo recurso é negado e Coaracy será reeleito na CBDA
Autor: Marcelo Laguna Tags: , , , , , , , , , ,

segunda-feira, 25 de março de 2013 Imprensa, Olimpíadas | 08:00

O legado de Nicolau Radamés Creti ao jornalismo poliesportivo

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Capa do livro "Vitória", que conta a história do primeiro ouro olímpico do vôlei brasileiro

É difícil demais falar algo sobre alguém tão querido e que partiu cedo demais. A tela do computador vira um branco total. Por isso, não é fácil escrever sobre a morte de Nicolau Radamés Creti, um dos melhores amigos que fiz no jornalismo, desde que entramos juntos na Faculdade Cásper Líbero, há exatos 30 anos.

A dor pela partida precoce de um grande companheiro, ocorrida no último sábado (23/3), após uma dura batalha contra um câncer, dificulta ainda mais essa tarefa. Outros colegas fizeram com mais talento e competência tocantes relatos a respeito da convivência e de suas recordações com o Nicolau, como o Luís Augusto Simon, o Menon, em seu blog no UOL, o Daniel Bortoletto, em sua coluna no Diário Lance!, ou o Diário de S. Paulo, jornal onde ele trabalhou por 19 anos.

Se falar da perda pessoal é quase impossível para mim, é mais fácil tentar analisar o que o adeus do Nicolau deixará para o jornalismo poliesportivo do Brasil. Nicolau Radamés foi uma dos maiores repórteres esportivos que conheci. Tornou-se uma referência na cobertura dos esportes poliesportivos (termo moderno para o que a gente costumava chamar antigamente nas redações de “esporte amador”, ou seja, tudo o que não era futebol), mais especificamente no vôlei, no qual foi setorista por anos.

E é justamente nesse ponto que o Nicolau fez a diferença, algo que não vejo com muita frequência nas redações atuais. Em um tempo onde não havia celular ou internet, ele ia a treinos, ficava horas fazendo uma “ronda” no telefone assim que chegava na redação, ligando para TODOS os clubes ou dirigentes atrás de informação, e nunca terminava o dia sem uma matéria. Muitas vezes, furando a concorrência. Era um “farejador de furos”, como definiu certa vez o Menon.

Com toda essa dedicação, não foi à toa que após cobrir “in loco” as Olimpíadas de Barcelona 1992, ele escreveu, ao lado de Cida Santos, outra grande repórter, o livro “Vitória”, contando a saga da conquista da medalha de ouro da seleção masculina de vôlei, a primeira do Brasil em esportes coletivos na história olímpica. Este é, sem dúvida alguma, o melhor livro já escrito no país sobre esportes olímpicos até hoje, com depoimentos emocionantes dos 12 jogadores daquela seleção e do técnico José Roberto Guimarães.

E não foi apenas no vôlei que o Nicolau mostrou seu talento. Cobriu como poucos o esporte olímpico, “cavando” ótimas reportagens em modalidades que ninguém dava atenção, como a ginástica rítmica desportiva (GRD) ou o hipismo CCE, sempre trazendo ótimos personagens e informações precisas. E quando precisava, também sabia ser contundente. Não foram poucas as ocasiões em que o vi debatendo de forma dura com Carlos Nuzman, desde os tempos em que ele presidia a CBV. Mesmo assim, Nuzman sempre o respeitou.

Ainda tentando digerir a realidade de não ter mais este velho amigo ao meu lado, tenho uma única esperança: que os jovens jornalistas, espalhados pelas redações deste Brasil e que apreciam a cobertura do poliesportivo, se inspirem e repitam o exemplo de Nicolau Radamés Creti. Ele foi um dos grandes, tenham certeza disso.

Notas relacionadas:

  1. Vitória contra o preconceito. Mas a luta só começou…
  2. Será que quebrou o encanto do vôlei brasileiro?
  3. Está para acontecer mais um duro golpe no esporte do Brasil
Autor: Marcelo Laguna Tags: , , , , , ,

segunda-feira, 18 de março de 2013 Imprensa, Isso é Brasil, Olimpíadas | 16:15

O que restou do Estádio Célio de Barros

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O Estádio Célio de Barros, que virou um verdadeiro canteiro de obras, ao lado do Maracanã

Observe bem a imagem acima. A foto, registrada em oportuna reportagem do portal ahe!, novo parceiro para a cobertura de esportes olímpicos do iG, exibe o que restou do tradicional Estádio Célio de Barros, palco que durante muitos anos recebeu algumas das mais tradicionais competições do atletismo brasileiro. Aquela pista que já viu Adhemar Ferreira da Silva, Aída dos Santos, João Carlos de Oliveira (o João do Pulo) e Joaquim Cruz, só para ficar em alguns dos monstros sagrados do atletismo brasileiro, competiram lá.

O Célio de Barros já teve sua morte decretada pela própria prefeitura do Rio, justamente no período que antecede a realização dos Jogos Olímpicos de 2016. Em seu lugar, será erguido um estacionamento para atender ao público que comparecerá ao Maracanã durante a Copa do Mundo de 2014. Hoje, ao invés de receber atletas, tornou-se um grande canteiro de obras.

A CBAt (Confederação Brasileira de Atletismo) vem tentando de todas as formas impedir a demolição do Célio de Barros. O novo presidente da CBAt, Toninho Fernandes, assumiu na última sexta-feira e encaminhou um documento ao governador Sérgio Cabral, assinado por atletas, alguns deles medalhistas olímpicos, treinadores e dirigentes, solicitando a revisão dos planos.

Veja trecho da carta da CBAt enviada ao governo do Rio:

“…Como é sabido, o Governo do Rio de Janeiro anunciou a demolição do histórico estádio, para construir em seu lugar, um estacionamento ou algo similar. Ao mesmo tempo, em resposta a um apelo do presidente da IAAF, o governador respondeu que o Atletismo ganharia uma nova praça, mais moderna, próxima ao Maracanã.

No entanto, o Governo do Estado não apresentou nenhum projeto para o novo estádio, nem informou o prazo em que esta nova praça estaria à disposição dos atletas e treinadores, que não têm outro espaço para fazer sua preparação à Olimpíada do Rio 2016.

Por outro lado, chegou ao conhecimento da CBAt que a área citada pelo Governo do Rio para novo estádio não é a adequada. Assim, continuam os movimentos da comunidade atlética, principalmente a carioca, em prol do ‘Célio de Barros’.

A CBAt, as seis associações continentais de atletismo e o presidente da IAAF, Lamine Diack, já alertaram o Governo do Estado para os prejuízos que sofrerá a cidade-sede dos próximos Jogos, por conta desse sério problema enfrentado pelo principal dos esportes olímpicos.

Apelamos ao Governo do Rio de Janeiro para que repare essa injustiça à modalidade que inúmeras glórias trouxe ao Rio de Janeiro, entre tantas outras, as medalhas olímpicas de José Telles da Conceição, Robson Caetano da Silva e Arnaldo de Oliveira Silva.

Manaus, AM, em 15 de março de 2013.”

Pena, ao menos para a CBAt e toda a comunidade do atletismo, que a carta enviada ao digníssimo governador do Rio terá efeito ZERO para evitar o fim do Célio de Barros.

Notas relacionadas:

  1. Está para acontecer mais um duro golpe no esporte do Brasil
  2. Movimento faz hino para defender Célio de Barros de demolição
  3. ‘Arrependimento’ de Armstrong, Célio de Barros, CBDA e até estádio para pentatlo. E 2013 começa no pique total
Autor: Marcelo Laguna Tags: , , , , , , , , ,

sexta-feira, 15 de março de 2013 Imprensa, Isso é Brasil, Olimpíadas, Ídolos | 21:41

Dois tristes retratos do Brasil Olímpico

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Peço atenção para as duas fotos que serão colocadas abaixo e que servem para ilustrar bem o país que será a sede das Olimpíadas de 2016:

Lagoa Rodrigo de Freitas, local da seletiva da seleção de remo, infestada de peixes mortos

A imagem, exibida em sites e jornais brasileiros, além de portais estrangeiros, como o do jornal inglês “The Guardian”, exibindo as águas da Lagoa Rodrigo de Freitas repleta de peixes mortos, coincidentemente mesmo local onde etsá sendo realizada a seletiva da seleção brasileira de remo, é daquelas cenas que envergonha qualquer um.

A campeã mundial Fabiana Beltrame, por exemplo, disse que mal conseguia competir por causa do cheiro insuportável. Detalhe: a Lagoa Rodrigo de Freitas será a sede das provas de remo nas Olimpíadas do Rio, em 2016. Será que em três anos o poder público do Rio de Janeiro conseguirá evitar que cenas bizarras como essa se repitam em plenos Jogos?

Ginásio onde o campeão olímpico nas argolas Arthur Zanetti treina, em São Caetano do Sul

Já a foto acima demonstra bem como é a estrutura que os atletas brasileiros têm à disposição. No caso, um campeão olímpico. Excelente reportagem do companheiro Maurício Nadal, do iG Esporte, mostra o local de treinamento de Arthur Zanetti, o primeiro ginasta brasileiro a conquistar uma medalha de ouro, em Londres 2012, em São Caetano do Sul. As imagens são impressionantes. Um ginásio velho, com equipamentos caindo aos pedaços e muito apertado.

Depois de Zanetti e seu técnico, Marcos Goto, reclamarem muito, o Ministério do Esporte e a prefeitura de São Caetano resolveram se mexer e irão ao menos construir uma nova academia de musculação, enquanto um novo ginásio não é erguido.

É de se espantar como num lugar como esse pôde sair um campeão olímpico. Só o talento e a força de vontade de Zanetti e  de seu treinador explicam esse milagre.

E ainda vem dirigente querendo bater no peito e dizer que o Brasil será em breve uma potência olímpica….

Notas relacionadas:

  1. De olho em Londres 2012, mundiais agitam esporte olímpico
  2. Brasil só classifica um para o Pré-Olímpico de trampolim
  3. O calendário pré-olímpico do Brasil em 2012
Autor: Marcelo Laguna Tags: , , , , ,

terça-feira, 12 de março de 2013 Imprensa, Isso é Brasil, Olimpíadas, Pan-Americano, Seleção brasileira, Ídolos | 17:41

Um herói cinquentão que orgulha o Brasil

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Getty Images

Joaquim Cruz comemora a conquista do ouro dos 800m nas Olimpíadas de Los Angeles, em 1984

Quando este blog nasceu, há pouco mais de dois anos (mais precisamente dois anos e 11 dias), a foto que ilustrava o post era justamente a do cidadão que nesta terça-feira completa 50 anos. Graças à uma oportuna lembrança do companheiro Luís Araújo, aqui do iG Esporte, a efeméride não passou em branco, registrando desta forma o aniversário de Joaquim Cruz, o único brasileiro campeão olímpico no atletismo em uma prova de pista.

Joaquim Cruz assombrou o mundo ao derrotar os favoritos britânicos Sebastian Coe e Steve Ovett e faturar o ouro em Los Angeles 1984. Só isso já seria o bastante para que ele fosse reverenciado em todas as praças esportivas deste país pela eternidade. Um garoto pobre, nascido em Taguatinga, cidade sem tradição alguma em atletismo, derrubando dois monstros sagrados das provas de meio fundo. Mas eis que Cruz foi para Seul 1988 e se não fosse um erro estratégico seu e de seu compatriota Zequinha Barbosa, acabou perdendo o ouro para o queniano Paul Ereng. Ainda assim, ganhou uma medalha de prata.

Duas medalhas olímpicas. Ainda assim, Joaquim Cruz nunca recebeu a devida consideração aqui no Brasil, em minha opinião. Pelo contrário, foi taxado maldosamente de “bichado” por algumas pessoas. Na verdade, ele sofreu com diversas contusões no calcanhar de aquiles e também por alergias, que o tiraram de ação em inúmeras provas. Não fosse isso, talvez Cruz tivesse um currículo ainda mais brilhante.

Na dúvida, basta consultar a lista das melhores marcas de todos os tempos nos 800 m no site da Iaaf (Federação das Associações Internacionais de Atletismo) e verá o nome de Joaquim Cruz com o 13º melhor tempo da história, 1min41s77, obtido no meeting de Colônia, em 1984, quando ficou a míseros quatro centésimos do então recorde mundial de Sebastian Coe.

Entrevistei Joaquim Cruz algumas vezes ao longo de minha carreira. Sempre rendeu ótimos papos. Embora meio arredio, nunca se furtou em dar sua opinião sobre as precárias condições do atletismo brasileiro ou mesmo sobre temas mais delicados. Em Seul, por exemplo, ele deixou claro que estranhava a performance assombrosa de Florence Griffth-Joyner, que naquelas Olimpíadas ganhou o ouro nos 100 e 200 m e ainda bateu o recorde mundial nas duas provas. Nas entrelinhas, Cruz achava que Florence obteve seus feitos graças ao doping. Pressionado pela repercussão de sua entrevista, acabou recuando. Apenas dez anos depois, em 98, a velocista americana morreu de ataque cardíaco, com somente 39 anos, sob circunstâncias nunca esclarecidas. Apenas coincidência ou o brasileiro sabia do que falava?

Pude ainda acompanhar o último grande feito de Joaquim Cruz nas pistas. Sem expectativa, ele chegou para disputar os Jogos Pan-Americanos de Mar del Plata, em 1995. Como de costume, estava retornando após uma temporada em que ficou boa parte afastado cuidando de suas lesões. Inscrito para a prova dos 1.500 m, Cruz largou bem, mas não conseguiu se distanciar dos adversários. Apenas nos últimos 200 m que ele conseguiu dar uma arrancada decisiva, conquistando a medalha de ouro com direito a recorde pan-americano e emocionando a todos que estavam no estádio.

Com toda esta história, Joaquim Cruz deveria ser figura obrigatória em qualquer projeto que envolvesse a organização das Olimpíadas do Rio, em 2016, ou mesmo na preparação das seleções brasileiras de atletismo. Por incrível que pareça, isso nunca aconteceu. Hoje, Joaquim Cruz trabalha na formação de novos atletas do atletismo para o comitê olímpico americano. Sorte deles, azar o nosso.

Notas relacionadas:

  1. Joaquim Cruz e uma análise pessimista para Londres-12
  2. Atletismo classifica mais uma para o Pan-11
  3. Erro de planejamento?
Autor: Marcelo Laguna Tags: , , , ,

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013 Imprensa, Isso é Brasil, Olimpíadas | 14:36

Novidade na (des)organização do Rio 2016: esportes sem teto

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Imagem da provável arena provisória para os saltos ornamentais de 2016, no Forte de Copacabana

A recente visita da comissão de coordenação do COI (Comitê Olímpico Internacional) para as Olimpíadas de 2016,  que se encerra nesta quarta-feira, no Rio, ganhou de presente uma desagradável notícia: cinco modalidades que serão disputadas nas próximas Olimpíadas ainda estão com seus locais de competição indefinidos. A 1.262 dias para a abertura dos Jogos, estes esportes estão, literalmente, sem teto.

Reportagem desta quarta-feira do jornal Folha de S. Paulo mostra que o Rio 2016 ainda não sabe onde ocorrerão as disputas do basquete, esgrima, hóquei na grama, rúgbi e saltos ornamentais. Este último, por exemplo, tem como sugestão proposta pelo comitê organizador ser disputado em uma arena provisória, montada no Forte de Copacabana. Isso porque a Fina (Federação Internacional de Natação) solicitou que o complexo do Maria Lenk – aquele que custou R$ 85 milhões na época de sua construção, no Pan 2007, para ter “padrão olímpico” – receba somente os jogos do polo aquático.

Detalhe importante: o valor desta arena provisória não foi orçado ainda…

O basquete, segundo o Rio 2016, precisaria ter alguns de seus jogos marcados na arena que será construída no Parque Olímpico transferidos para o ginásio do Complexo de Deodoro, a 19 km de distância. Só que esta mudança atrapalharia a disputa da esgrima, que precisaria ser acomodado de acordo com o calendário.

O hóquei na grama está num impasse. Originalmente, a disputa ocorreria em Deodoro, mas a federação internacional da modalidade quer que seja realizado no Parque Olímpico, para ter mais visibilidade, pedido negado pelos organizadores. Ou seja, impasse à vista. Pior ainda está o rúgbi seven, modalidade que estreia no programa olímpico em 2016. Inicialmente, as partidas aconteceriam em São Januário, mas o local foi vetado por não apresentar garantias financeiras para as reformas. O Rio 2016 ofereceu o estádio do Bangu, em Moça Bonita. Os dirigentes ainda não se manifestaram a respeito.

E sempre vale recordar que há ainda uma bela indefinição a respeito do local de construção do campo de golfe. O atraso no início das obras envolve inclusive uma complicada disputa judicial.

O tal cartão amarelo que o Jacques Rogge disse não esperar dar ao Rio 2016, pelo jeito, poderá ser mostrado mais cedo do que se imagina.

Notas relacionadas:

  1. Primeiro puxão de orelhas na organização da Rio 2016
  2. Mais uma trapalhada no caminho do Rio 2016
  3. Rio 2016 será cobrado por atraso nas obras do golfe
Autor: Marcelo Laguna Tags: , , , , , , , , , ,

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013 Imprensa, Isso é Brasil, Olimpíadas | 19:47

Rio 2016 será cobrado por atraso nas obras do golfe

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O campo de golfe de 2016 será construído na Barra da Tijuca, na reserva de Marapendi

Começou nesta segunda-feira a quarta visita da comissão de coordenação do COI (Comitê Olímpico Internacional) para as Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro. Até a próxima quarta-feira, os integrantes do CoCom (sigla do órgão em inglês) discutirão com os integrantes do comitê organizador brasileiro, o Rio 2016, o andamento dos preparativos para os Jogos. Mas haverá na pauta um tema que deverá ser tratado e será bastante espinhoso: explicações para o atraso nas obras do campo de golfe, modalidade que volta ao programa olímpico justamente no Rio de Janeiro.

Segundo o site “Around the Rings”, portal que acompanha de perto tudo o que acontece no movimento olímpico, as indefinições para o começo da obra já estão preocupando tanto o COI quanto a IGF (Federação Internacional de Golfe).  ”Estamos muito preocupados com o atraso na construção do campo de golfe para os Jogos. O tempo é curto para que se construa um campo dentro dos padrões adequados”, disse ao site Antony Scanlon, diretor-executivo da IGF. Sacanlon disse ainda que o COI já está ciente dos temores da entidade e que a sua entidade espera que a comissão do COI cobre uma explicação dos organizadores brasileiros.

Não será uma tarefa fácil conseguir algum prazo mais exato para que as obras saiam do papel. O campo de golfe de 2016 será construído em uma área na reserva de Marapendi, na Barra da Tijuca, em um terreno onde existe uma longa disputa judicial. A Elmway Participações alega ser dona do local, mas a prefeitura diz que o terreno pertence ao empresário Pasquale Mauro.

Em outubro do ano passado, a empresa conseguiu uma liminar para impedir o início das obras antes que uma decisão definitiva do caso seja conhecida.

O “estranho” no caso é que o Rio já possuí dois campos aptos para receber competições internacionais, o Itanhangá Golf Club e o Gávea Golf Club, mas ambos foram vetados por não terem instalações de nível olímpico e que também que haveria um alto custo para realizar as adaptações necessárias.

E para refrescar a memória de todos:  semana passada, o presidente do COI, Jacques Rogge, disse que espera não ter que fazer com o Rio o mesmo que recomentou ao ex-presidente da entidade, Juan Antonio Samaranch, ao dar um “cartão amarelo” para os organizadores de Atenas 2004 em razão do atraso das obras.

Vamos aguardar…

Notas relacionadas:

  1. Primeiro puxão de orelhas na organização da Rio 2016
  2. Denúncias de Romário contra Rio 2016 precisam ser apuradas
  3. Nova bronca do COI liga sinal amarelo no Rio 2016
Autor: Marcelo Laguna Tags: , , , , , ,

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013 Histórias do esporte, Imprensa, Olimpíadas, Vídeos, Ídolos | 07:19

As mentiras de Armstrong e o ciclismo sob suspeita

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Lance Armstrong, durante a entrevista histórica para a apresentadora Oprah Winfrey

Bem, havia dito que passaria por aqui no caso de algo extraordinário. E dá para falar algo diferente após a entrevista concedida pelo ciclista americano Lance Armstrong à apresentadora Oprah Winfrey, exibida no Brasil pelo canal Discovery, no começo da madrugada desta sexta?

Ninguém pode dizer que ficou surpreendido com a confissão do ciclista americano Lance Armstrong de ter usado doping ao longo de sua vitoriosa carreira, especialmente nas conquistas de seus sete títulos da Volta da França, durante a sensacional entrevista à Oprah Winfrey – que deu um show de jornalismo, vale ressaltar. A segunda parte da conversa, inclusive, será exibida nesta sexta-feira, novamente pelo Discovery.

Mas embora sem surpresas, diante das evidências que o caso tomou desde setembro do ano passado, quando a Usada (sigla em inglês para agência antidoping dos EUA) declarou a culpa do ciclista, as palavras de Armstrong surpreenderam, sim, pela dura sinceridade. Sem pensar duas vezes, o ciclista admitiu ter participado (e sido o grande mentor) de um esquema de doping que o acompanhou ao longo de sua carreira.

Aquele cara que conquistou a admiração do mundo inteiro, por ter vencido um câncer e chegado à glória do esporte, era na verdade um grande charlatão, um embuste, uma mentira!

E nesse ponto é que se concentra o grande prejuízo que Lance Armstrong trouxe ao esporte, mas principalmente a si próprio: a imagem de não passar de um grande mentiroso. As imagens que Oprah e sua equipe de produção resgataram de entrevistas antigas do ciclista, defendendo o médico Michele Ferrari, que foi banido do ciclismo, isentando-o de qualquer culpa em esquemas envolvendo doping, chocam pelo cinismo.

Mas se a reputação de Armstrong sai irremediavelmente arrasada deste episódio – parece-me quase impossível que ele consiga reconstruir sua imagem depois de tudo o que aconteceu -, também não é nada confortável a situação do ciclismo de modo geral. O próprio Lance deixou claro que existe uma “cultura” que estimula o uso de doping no ciclismo e que outros integrantes de sua equipe confessaram o uso de substâncias proibidas.

O caso é tão sério que um membro do COI (Comitê Olímpico Internacional), Dick Pound, ex-presidente da agência mundial antidoping, chegou a dizer que o ciclismo pode ficar ameaçado de permanecer no programa das Olimpíadas, após a confissão de Armstrong. E mesmo no Brasil a situação não é muito confortável para a modalidade. Em 2011, a ESPN Brasil, em seu programa “Histórias do Esporte”, mostrou uma reportagem relatando diversos casos de doping que estranhamente não foram divulgados pela CBC (Confederação Brasileira de Ciclismo).

No ciclismo, pelo jeito, é mais fácil você encontrar os vilões do que os mocinhos.

Notas relacionadas:

  1. Ciclismo olímpico em clima real
  2. Doping volta a envergonhar o esporte brasileiro
  3. ‘Arrependimento’ de Armstrong, Célio de Barros, CBDA e até estádio para pentatlo. E 2013 começa no pique total
Autor: Marcelo Laguna Tags: , , , , ,

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