
Que dia especial para o torcedor do Green Bay Packers! Depois de vencer os Steelers por 31 a 25, o Pack levantou o troféu Vince Lombardi pela quarta vez na sua história. Os Packers estavam na fila há 14 anos (venceram os Patriots no Super Bowl 31 por 35 a 21). Foi uma caminhada e tanto para um time que perdeu 16 jogadores por causa de contusão na temporada. Ryan Grant, Jermichael Finley, Nick Barnett, Morgan Burnett, etc., todos perderam a grande maioria da temporada. Imagine quantos jogos Green Bay teria vencido durante o ano caso não teria sofrido com tantas lesões.
O dia também foi especial para a nossa equipe. Essa foi a minha terceira cobertura do Super Bowl e a primeira como repórter. Esse ano, a ESPN não tinha os direitos de transmissão mas mesmo assim fui pra cobrir o evento. Eu já esperava ver algumas coisas. Chegamos ao Cowboys Stadium por volta do meio-dia (5 horas e meia antes da partida começar). Já tinha muita movimentação ao redor do estádio. Torcedores do Pittsburgh Steelers e Green Bay Packers se direcionavam (juntos) ao estádio. Todos estavam empolgados, mas respeitando o espaço do outro (assim como vimos nos grandes clássicos aqui no Brasil como Palmeiras x Corinthians). Policiais marcavam presença com muita tranquilidade mas estavam preparados caso algo fora do normal acontecesse. Na entrada do estádio um cão varejador vez a inspeção do nosso equipamento pra ver se tínhamos drogas ou se pretendíamos soltar alguma bomba durante o jogo, um procedimento normal.
Ao entrarmos, fomos direto para a “media work room” uma área grande reservada para a mídia. Eu vou te falar que é muito fácil se perder no Cowboys Stadium. O lugar é um labirinto gigantesco (capacidade pra receber 105 mil torcedores) e tivemos que ser direcionados várias vezes por diversos funcionários do evento antes de chegarmos na sala de imprensa. Eu precisava gravar um boletim para o programa “Bate-Bola” e estava pautado pra fazer uma matéria sobre a movimentação fora do estádio durante o jogo para o “Sportscenter”. (Você acredita que vi o primeiro tempo inteiro junto com torcedores de Packers e Steelers, na frente de dois telões no lado de fora do estádio? Alguém tem que trabalhar, né? Pelo menos eu não tive que pagar 200 dólares, preço que os fanáticos pagaram pra se reunir debaixo de um chuvisco e temperatura gelada.)

Pessoal assistindo ao jogo na parte de fora do estádio.
Tem uma coisa que me chama bastante a atenção no Super Bowl. O evento tem muita segurança e sabemos que os americanos muitas vezes, são considerados “cricri”. Mesmo assim, num evento de segurança máxima é possível ter acesso ao campo e várias outras coisas do estádio. Eles equilibram isso muito bem. Tive a oportunidade de gravar meu boletim e outras coias (que estou reservando para futuros programas, então não posso falar) no meio do campo. Enquanto eu gravava, jogadores dos Steelers e Packers faziam o reconhecimento do campo. O ator Owen Wilson (Penetras Bons de Bico) corria várias rotas e recebia passes (do meu lado) do lendário Kurt Warner (quarterback que levou os Cardinals ao Super Bowl dois anos atrás e agora está aposentado). Parei pra bater um papo com Joe Buck, narrador do jogo pela Fox. Perguntei sobre a preparação dele e ele me disse que no dia do jogo ele tenta relaxar. Joe ficou bastante antenado nos noticiários durante a semana pra se preparar. Mas, você não vai encontrar 10 mil anotações na cabine da Fox durante o jogo (coisa que você encontra na cabine da ESPN na frente do Paulo Antunes durante as transmissões). segundo ele, “se eu não lembrar de alguma coisa durante a partida é porque a informação provavelmente não é tão relevante.”

O jogo começou, e saí pra fazer minha matéria. Fomos na área fechada (mas não coberta) onde ficavam dois telões reservados para os fanáticos. Perto de 3 mil pessoas estavam reunidas. Um cara pagou 1000 dólares (comprou de cambista), outro viajou 20 horas já sabendo que não entraria no estádio e vários tremiam de frio mas não tiravam os olhos do telão. Isso que é fanatismo! Pagar mil dólares pra ver um jogo num telão fora do estádio! Uau. (Pena que o cara era torcedor do Pittsburgh Steelers).
No intervalo do jogo, voltamos para o estádio. Que alívio! Estava muito frio lá fora. Logo em seguida meu telefone tocou, era o Everaldo Marques querendo que eu entrasse ao vivo num “tweetcam” da ESPN pra falar sobre o jogo. Eu queria ter tido a oportunidade de sentar e assistir ao jogo podendo dissecar cada momento, mas não tive como. Acompanhei o jogo, mas a matéria era de grande preocupação também. Mesmo assim, entrei no ar e deixei meu comentário. Logo depois, fui tentar ver o show do Black Eyed Peas (show do intervalo). Não tínhamos assentos no estádio, então tivemos que encostar no lado de um corredor de acesso às arquibancadas pra ver o show. Adorei! A Fergie estava ótima (especialmente quando ela cantou “Sweet Child o’Mine” com o ex-guitarrista do “Guns ‘n Roses”, Slash.

Fergie e Slash no telão do Cowboys Stadium.

Nossa visão do show do Black Eyed Peas.
Depois do show, voltamos para a sala de imprensa que ficava ao lado do campo, na frente do vestiário dos Steelers. Estávamos tão perto, mas ao mesmo tempo tão longe. Não dava pra ver o campo e nossos credenciais não davam acesso às arquibancadas ou campo durante o jogo. Mas, entretanto, porém e toda via, quem tem boca “VAIa Roma” e quem tem amigos, VAI mais longe ainda. Hello, Curt Johnson! Conheci Curt no Super Bowl do ano passado em Miami. Depois do jogo, ele nos pediu uma carona para o hotel da ESPN. Ele tinha se perdido do pessoal dele, e pediu uma força. De lá pra cá, conversamos algumas vezes por email e nos reencontramos agora em Dallas. Curt estava sentado perto da linha de 40 jardas, numa altura perfeita (não estávamos lá em baixo, mas também muito longe da última fileira). Tinha dois assentos sobrando E Curt nos chamou. Eu e Pedro Oliveira, meu colega de trabalho, seguimos o Curt. Aproveitamos e assistimos ao jogo de lá.

Eu com o Curt Johnson da ESPN americana.
Depois da partida, todo mundo queria falar com Aaron Rodgers, o MVP do Super Bowl. O pessoal da imprensa se aglomerou em volta do jogador e eu consegui uma vaguinha estratégica no lado direito dele. Estiquei meu braço (que começou a tremer depois de alguns minutos) e aproximei o microfone ao máximo. Eu tentei fazer uma pergunta duas vezes, mas era cortado por outro jornalista. Finalmente, na terceira, eu consegui. Não há nada mais prazeroso do que estar perto dos melhores atletas do mundo e ter a oportunidade de interagir com eles. Não posso falar por outros jornalistas, mas pra mim, a parte mais prazerosa do meu trabalho é poder entrevistar um grande atleta. Dá muita energia.
A sonora que o Aaron Rodgers me deu foi ótima e contribuiu muito para a finalização da minha matéria. Ficamos no estádio trabalhando mais um pouco e depois voltamos para o hotel. Mandamos a matéria para o Brasil e fomos dormir. Mais uma cobertura do Super Bowl no nosso currículo. Pena que não tivemos o direito de transmissão, problema que não teremos nos próximos 3 anos.
E você? Aonde viu o jogo? O que achou?