Samuel Cirnansck: kink on demand!
Samuel Cirnansck fez um desfile divertidíssimo. O tanto que era divertido ver as expressões em choque do povo da primeira fila, algumas modelos meio jovenzinhas apavoradas, amarradas, com suas bocas presas em cabrestos, buquês prendendo-lhes as mãos, noivas nada castas. Românticas? Sim e não. Tudo isso enquanto Lady Gaga cantava acapella “Born This Way” e depois “Speechless: I’ll never talk again, you’ll left me speechless, and I’ll never love again”.
Como se sabe, ofetiche é algo muito pessoal. Porém, a todos que estavam meio passados, um alento, a título de informação: no universo do bondage, só é amarrado quem quer. E quiser.
Goste ou não, Samuel Cirnansck construiu uma trajetória consistente de ateliê que decidiu nesta temporada trazer à passarela. Cansado, talvez, de tentar encontrar um hibridismo falseta entre o que não faz e o que realmente faz, decidiu jogar limpo com a gente.
Tanto melhor. Basta sairmos do perigoso gosto versus não gosto e do preconceito. E se ele desfilasse em Paris, hein? Colonizados que somos, será que iríamos achá-lo “transgressor”???
Além disso, antes das noivas, do final, havia os vestidos em latex, em tons pastel, e os bordados, muito bonitos e (quase) simples. Contemporâneos até. Bons para uma festa causativa. Mas não para qualquer mulher.
No GNT ao vivo, ontem à noite, Samuel Cirnansck defendeu-se de comentários irônicos com tranquilidade, dizendo que achava que teria sido chato colocar uma parada de vestidos de noiva sem nenhum “plus a mais”. Concordo. Assim, ele trouxe sexo.
Num verão que talvez nem se fale disso (vamos ver até o final da estação). Só por isso, pela coragem, pela vontade de sacudir, por desafiar o gosto e não medir as palavras (na moda elas são imagens), aqui já conta com minha sempre subversiva simpatia.
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