Rio Moda Hype | Erika Palomino

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terça-feira, 11 de janeiro de 2011 Sem categoria | 16:20

Rio Moda Hype, parte 2

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Vamos agora às resenhas dos desfiles da segunda parte do Rio Moda Hype Inverno 2011, que rolou ontem (10.01.2011) no Fashion Rio, lembrando que o tema geral com que os estilistas trabalharam era Fashion Fantasy. Os destaques: o streetwear cool da marca baiana Soddi e o arroubo fashionístico do piauiense Martins Paulo.

Alisson Rodrigues, do Paraná, faz moda masculina, e abriu com um look all white (“uma página em branco”, ele escreveu, no seu confuso material à imprensa), bom canvas de onde partiu para uma gama variada até demais. Tá certo que é difícil mostrar coerência de coleção em 12 entradas. Mas possível. O estilista escorregou no mix dos materiais e propostas _pelúcia (?), náilon, malha, tricô, lã xadrez e não soube lidar com proporções, sobreposições e com o uso de seu azul. Ficou tudo meio solto.

Máxi proporções em Alisson Rodrigues

Sobreposições de Alisson Rodrigues

No Estúdio Frame, de São Paulo, a estilista Patricia Brito trabalha sobre malhas e moletons, com casacos e coletes desenhando silhuetas fluidas, um modernismo confortável, sem muitas novidades, entretanto. Linda cartela, com azuis apagados, turquesa lavado matte e grisês, e o preto encerado (no interessante quase-trench). O salmão/coral no final ficou perdido, e até poderia ter sido um  caminho mais explorado. As amarrações de cordinhas claras imprimem verão e também não se justificam. Falta uma cara à moldura do Estúdio Frame.

Look da Estúdio FrameModernismo cozy (Estúdio Frame)

Grisês e turquesa matte (Estúdio Frame)

Entrada coral perdidona (Est. Frame)

A Soddi vem da Bahia, coleção masculina inspirada em andarilhos, desenhada por Solon Diego. A pegada é streetwear + pauperismo + armadura urbana, com tempero medieval com o styling de acessórios dourados e boa cartela de ocres, marrons, cinzas e pretos, e sacadas como gilets e zíperes bem empregados. O designer mostra senso de proporção, coisa de quem sabe o que está fazendo _o que é bastante para jovens criadores. É bom. E é isso. Olho nele.

Urbanidade e pauperismo na Soddi

Ocres e marrons (Soddi)

O lado + comercial da Soddi

Versão cool e sexy da marca baiana Soddi

A Sampler, de Minas Gerais, é pós-Ronaldo Fraga, com escritos nas roupas pretensiosamente conceituais. Mas chatinha… Tênis prateados, riscas na perna desenhando meias-calças. Fica melhor quando parece mais a Osklen, nos looks de moletom com zíperes na bainha (no vestido feminino e no macacão feminino). Ou seja: falta identidade. Ao final, até os estilistas Aderlize Martins e Daniela Escobar pareciam entediados. Imagina a gente.

Abertura da Sampler, de MG

Vestido solto da Sampler

Martins Paulo se jogou nesta estação. O que é muito bom, até mesmo pra acordar o público da sala de desfile. Suas heavy-chicks meio motocross meio Versace são intensas, provocadoras. Usam tachas e pelúcia; misturam roxo com turquesa, tem pernas para que te quero. Martins Paulo (seria Paulo Martins?) brinca de recortes e texturas e chega chegando. Não passou batido.

Todo um mistério: Martins Paulo

Look heavy-chick de Martins Paulo, estilista do Piauí

A cartela: vermelho, roxos e preto

Azul drama: sem passar batido

FOTOS: FOTOSITE (CORTESIA FFW.COM.BR)

Notas relacionadas:

  1. Rio Moda Hype, parte 1
Autor: Erika Palomino Tags: , , , , , ,

Sem categoria | 12:01

Rio Moda Hype, parte 1

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Sob o tema Fashion Fantasy, o Rio Moda Hype mostrou os trabalhos dos novos estilistas, dentro da programação do Fashion Rio Inverno 2011, acertadamente na véspera do início dos desfiles oficiais (e não entre um desfile e outro), e para alegria dos fashionistas começando no horário.

Confira aqui as resenhas da primeira parte dos desfiles da noite (10.01.2011), que teve Julia Valle e Akihito Hira como destaques.

Akihito Hira traz samurais urbanos, com pitadas de gótico e de esportivo, com um tailoring esperto, uma elegância smart feita de recortes, boa lida de texturas na mistura de materiais e nos tons de cinzas e pretos. Hira mostra ainda senso oportuno de proporções e de usabilidade, comprovados pela simpática entrada final do estilista, num costume de casimira, conquistando a simpatia do público presente à sala 3 do píer.

Look de Akihito Hira, de Brasília

A segunda marca a desfilar, a Dobra, de Antonio Guedes e Raquel Alvarez, veio mais bruta, abrindo com uma calça preta de vinil com uma malha de capuz amarelo mostarda doendo nos olhos. Demonstra menos coerência, com um masculino “sujo” e street e o feminino meio posh, porém a grife acerta no delicado trabalho de estamparia. Podem explorar mais esse caminho e refinar um pouco o olhar e as proporções. É possível que o styling pesadão e datado tenha atrapalhado um pouco o desfile.

Abertura do desfile da Dobra

Lucas Magalhães, de Minas Gerais, trouxe um interessante trabalho optical, que quase ficou repetitivo. Porém, embarcando na viagem do estilista, deu para se deliciar com os prints em tule e malha que desafiavam o olhar, sobretudo com a brincadeira com as botinhas também estampadas. Volumes nas calças, variações nas silhuetas das segundas peles e o interessante uso do degradê nas mangas complementam as ilusões de ótica propostas pelo designer. Tem pesquisa e conceitualismo, OK, mas Lucas Magalhães deverá nas próximas oportunidades mostrar outras facetas para se provar um designer mais completo.

O optical do mineiro Lucas Magalhães

Na sequência veio a Blash, dos pernambucanos Beto Lima e Renata Ramos, no que parecia uma pegadinha da direção do evento: uma coleção boa, uma mais ou menos, uma boa, uma mais ou menos. Depois iria complicar mais, na segunda leva de desfiles do Rio Moda Hype (separada por um longo intervalo). Começando com um vestido-casulo de matelassê curto, vieram uns looks meio super-heróis, meio “bem-humorados”. Mas depois melhorou um pouco, com as estampas respingadas seguidas de um quase Stephen Sprouse em preto sobre branco. No geral, um new wave algo deslocado, sem nuances e sem a ironia necessária à estética apresentada.

Look final da marca Blash

Ainda bem que viria para encerrar este primeiro bloco a delicada moda conceitual de Julia Valle, com uma imagem feminina e adulta. A coleção é batizada TNWMLC, inspirada na desconstrução de frases sobre o teclado QWERTY de uma antiga máquina de escrever Smith Corona, de 1956. Como coleção boa não precisa de release, temos na passarela vestidos em que a desconstrução é o denominador, numa silhueta orgânica e essencial. Drapeados, moulages, plissados, pespontos; colares de letras de máquina e sapatos Oxford nas pernas nuas criam oportunidades instigantes para mulheres inteligentes. Julia Valle trabalha direito com diferentes pesos de tecidos e com as cores (cinzas e o azul envelhecido). Foi o melhor trabalho da noite, ainda que a jovem designer deva pesquisar um pouco mais a equação forma e função, afiando também seus comprimentos.

Isabel Hickmann para Julia Valle

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