Herchcovitch inverno 2011: pra quem gosta
O inverno 2011 de Alexandre Herchcovitch é para quem gosta de Alexandre Herchcovitch. Aqui, ele parece não querer provar nada nem agradar ninguém. Está fazendo aquilo que gosta. E pronto.
E daí que é sombrio, fechado, sóbrio, austero, quase melancólico ou mesmo triste? O bom estilista serve de antena para o mundo a seu redor, e Alexandre Herchcovitch se diz inspirado nesta coleção por desastres naturais, rochas, vulcões. E a bem da verdade, quem teve um 2010 ma-ra-vi-lho-so que atire a primeira pedra.
Na coleção estão fundamentos do estilo Herchcovitch, como as rendas, a alfaiataria elaborada, a religiosidade, o mundo do fetiche (coisa mais linda as restrições de movimento nos acessórios nos braços), o látex, o amarelo enxofre como cor difícil pontuando cinzas e muito, muitos pretos (do jeito que a gente gosta para o inverno), em diferentes pesos e texturas de materiais.
Como sempre, peças cheias de detalhes e histórias, com sofisticação pouco óbvia. Ainda arriscando-se em exercícios de proporções, volumes e ousados panejamentos (foto acima) _e acertando mais nas silhuetas mais perto do corpo_, Herchcovitch com isso apresenta vontade quase de iniciante.
Quem esperou por Lea T o tempo inteiro foi bobo (deixou de aproveitar a beleza do desfile, muito bem orquestrado pelo conhecedor máximo do vocabulário de Herchcovitch, o artista plástico e stylist Mauricio Ianes). Sua entrada, inteira coberta _braços longos, mãos enormes, rosto indefinível_, foi mais um dos statements desse desfile cheio de tensão sexual e política.
Notas relacionadas:
- Fashion Rio, primeiro dia
- Printing: um inverno ultracolorido
- Animale: + simples, mas ainda verborrágica











