Maria Bonita | Erika Palomino

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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011 Sem categoria | 20:03

Top 10 SPFW inverno 2011

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Passada a tormenta dos últimos seis dias de São Paulo Fashion Week inverno 2011, segue um top 10 com os melhores desfiles, na modesta opinião desta que vos escreve. Como se sabe, gosto não se discute, mas fiquem à vontade para comentar, sempre com a elegância e a finesse que solicitam as boas maneiras na web. ;-)

1)   Reinaldo Lourenço

De tirar o fôlego esta coleção do estilista, que trabalhou o universo do luxo em proporções anos 30 e extremo bom gosto. RL criou de modo livre, com sacadas no vaivém do masculino/feminino que ele adora, ousando nas proporções, volumes e comprimentos. Vontade de ter tudo deste inverno em preto e branco. Destaque para os vestidos-t-shirt com degradê em tiras de couro e transparência, e para os looks com micropérolas bordadas.

A modelo Débora Muller desfila para Reinaldo Lourenço: pérolas da noite

2)  Huis Clos

O desfile que os editores de moda mais amaram. Um inesperado mix de superfícies e materiais define o novo luxo da marca, que vem mais jovial nas mãos da estilista Sara Kawasaki, neste triunfal retorno da grife ao line-up do evento, após ausência na última estação. Desfile intenso e misterioso, com excelente trilha sonora garantindo a tensão necessária para se observar o requinte e os detalhes de cada look. Síntese perfeita entre o chic e o esportivo, oposição mais que adequada no peso dos materiais. Destaque para o uso da trama de pele, pontuando a coleção. [leia resenha completa em post anterior.]

A sport-couture em náilon da Huis Clos de Sara Kawasaki: os editores amaram

3)  Alexandre Herchcovitch feminino

Austeridade, sexo, rigor, experimentações formais. [leia a resenha completa no post anterior].

Lea T. @ Herchcovitch: a transex que veio para confundir, não para explicar

4)  Alexandre Herchcovitch masculino

Exercícios sobre o vestuário para sobrevivência e resgate em catástrofes naturais, com pegada pós-industrial e apocalíptica, mas muito fashion. As máscaras e óculos garantem o impacto necessário ao desfile, que não descuidou do comercial que atende aos fiéis consumidores do masculino do estilista. Fragmentos de diferentes tecidos conferem sofisticação aos looks, que trazem um delicioso xadrez desgastado e pretos com texturas diversas. Acessórios matadores, como coturnos, tênis com pêlo, luvas e botas em python já são hit. Os quatro últimos looks do desfile, elaborados e ricos, estão entre os melhores e mais amadurecidos já apresentados por Herchcovitch no masculino.

Pra gente grande: o masculino de Herchcovitch, desdobramento apocalíptico do feminino

5)  Cori

Surpresa da semana, a Cori entra no trilho com uma coleção moderna e mais jovial, conseguindo bom equilíbrio entre o comercial e o fashion, nesta coleção inspirada nas linhas da arquitetura de Frank Lloyd Wright. Ponto para Gisele Nasser e Andrea Ribeiro, no estilo da marca. [leia resenha completa em post anterior.]

Malu Bertholini na Cori com vestido de efeito de pastilhas metalizadas

6)  Osklen

A coleção é um verdadeiro playground para quem gosta do conforto fashion da marca de Oskar Metsavaht, em remix 2011. Deliciosas proporções aumentadas e máxi comprimentos. Destaque para as cores intensas em looks monocromáticos, e na sensível combinação de couro marrom com amarelo; do cinza mescla com bege… [leia resenha completa em post anterior].

Bruna Tenório em look da Osklen em lã cinza que já vem amarrado: fashion & cozy

7)   Maria Bonita

Danielle Jensen se despoja ainda mais de rebuscamentos estilísticos na coleção que se inspira no vestir simples dos operários que construíram Brasília, num desfile de pegada social e política, dirigido com maestria por Daniela Thomas. Destaque para os padrões geométricos na estamparia e para a silhueta alongada e confortável.

A modelo russa Uliana Tikhova com megaultra cárdigan em lã Maria Bonita

8)  João Pimenta

O estilista não decepciona em sua segunda participação no SPFW, com uma coleção que traz elementos do vestuário litúrgico com pitadas de militarismo e feminino numa coleção que trabalha a silhueta trapézio e lida com muita política sexual. Nada fácil juntar tudo isso. E se João Pimenta não conseguiu todo o tempo, ao menos se arriscou e tirou lindas imagens de passarela _e roupas muito bacanas também. Ponto pros meninos.

O inverno monástico e inteligente de João Pimenta, um dos destaques do SPFW

9)  Ronaldo Fraga

Na coleção inspirada na vida de Athos Bulcão, que adorna Brasília, o estilista mineiro acerta nas proporções e faz bom uso dos grafismos e da estamparia, emocionando mais uma vez a platéia. Destaque para os vestidos de padrões geométricos do início, remetendo ao famoso trabalho em azulejos do artista plástico, e para as calças confortáveis e cheias de personalidade, juntamente do uso de paetês e transparências. [leia resenha completa em post anterior.]

Laís Ribeiro e o jogo de sombra com paetês na nova silhueta alongada de Ronaldo Fraga

10)  Amapô

O feminino é meio ingênuo, mas o masculino tem verdadeiras pérolas de moda anticaretice, essenciais ao line-up do São Paulo Fashion Week. Destacam-se o bom uso do tricô e de texturas e padronagens, a camisaria desconstruída,o styling loucurinhas com cachecol de cabelos. [leia a resenha completa em post anterior.]

Subversão fashion: tricô, paetês e python na deliciosa confusão da Amapô

* Duas marcas merecem menção honrosa: a Ellus, pela iniciativa tecnológica, e a Ghetz, pela junção da indústria com o talento de Lucas Nascimento.

fotos divulgação: agência FOTOSITE

Notas relacionadas:

  1. Printing: um inverno ultracolorido
  2. Amapô e Neon: loucura, loucura, loucura
  3. Herchcovitch inverno 2011: pra quem gosta
Autor: Erika Palomino Tags: , , , , , , , , , , , ,

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011 Sem categoria | 11:54

Maria Bonita e Ronaldo Fraga: Brasília feelings

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Na segunda-feira do São Paulo Fashion Week Brasília foi o denominador comum de duas coleções, da Maria Bonita e de Ronaldo Fraga. Se a primeira se inspirou nos candangos que construíram a cidade, o estilista mineiro olhou para a obra e a trajetória de Athos Bulcão.

Ronaldo Fraga: lidando bem com o crash de estampas e cores

Ao som do violão de Baden Powell, Ronaldo Fraga desfilou mais conectado com a vontades da moda, com proporções, comprimentos e silhuetas atuais, sem com isso perder sua identidade.

Laís Ribeiro para Ronaldo Fraga

Estão aqui suas características, as que fazem a alegria de suas consumidoras, como o olhar irônico, o gosto pela estamparia, o uso franco das cores e uma certa excentricidade.

Pegada naif e otimista da estamparia de Ronaldo Fraga

Vestidos gostosos, longe do corpo, calças soltas confortáveis, o uso de transparências, o jogo de luz dos paetês, o bem-feito trabalho de placas metálicas e as boas sobreposições do styling de Daniel Ueda estão entre os melhores momentos da coleção.

Jogo de sobreposições no styling de Daniel Ueda para Ronaldo Fraga

Ao acionar com sensibilidade e pegada modernista os impecáveis grafismos e geometrias de Athos Bulcão, desde os azulejos até os desenhos, Ronaldo garante seu lugar como player nesta estação.

Transparências e proporções corretas no inverno de Fraga

Ainda que tentasse uma narrativa sobre a própria trajetória de Athos Bulcão, como se contasse um enredo, tanto desfile quanto coleção escapam felizmente do decorativismo e mesmo da alegoria.

Na Maria Bonita, o discurso vem menos literal, como impõe o estilo da designer da marca, Danielle Jensen. A azulejaria de Bulcão também aparece aqui, mas a coleção se concentra na simplicidade do vestir dos trabalhadores que erigiram a capital do Brasil.

Daiane Conterato com look-bolsa da Maria Bonita

A música é um loop de “Construção”, de Chico Buarque, o cenário de madeira compensada, na direção de Daniela Thomas, imprimindo cunho social também com as entradas em duplas e trios, nos dois looks finais em preto, com verde e amarelo pintados (a Brasília de hoje), e a saída das modelos em grupo _um bonito momento de passarela.

Ladrilhos de cerâmica Swarovski

O inverno 2011 de certa forma Dani Jensen cita sua coleção mais icônica, aquela sobre o livro “Modos de Homem, Modos de Mulher”, de Gilberto Freyre, quando arrebatou o São Paulo Fashion Week. As silhuetas são alongadas, de estrutura essencial, tendo como principal recurso estilístico as bolsas acopladas nos vestidos (nem tão novidade assim). Há que se prestar atenção aos detalhes do corte, sobretudo, como as cavas, os recortes e as transparências.

Silhueta alongada e grafismos

Daí que fica com a cartela de cores (o azul do céu, o cinza do concreto, o marrom da terra) a missão de encantar na passarela _a consumidora da marca certamente vai gostar do que vai chegar às lojas.

Máxi suéter e vestido em feltragem de seda pura: conforto e elegância

Chapéus de obra e tênis vazados completam os looks, com boas bolsas gigantes. Destacam-se ainda as peças com os ladrilhos de cerâmica Swarovski e os vestidos em feltragem de seda pura, lidando com transparências. Há sem dúvida um senso de elegância vindo de tudo isso, mas simplicidade é território difícil de trabalhar. Exige esforço redobrado, e cobra o triplo no final.

Look em preto do final do desfile

Notas relacionadas:

  1. Maria Bonita Extra
  2. Cantão: mais artsy
  3. Ju Jabour e Cori: pequenos grandes passos
Autor: Erika Palomino Tags: , , , ,