Eduardo Pombal procura para sua Tufi Duek uma identidade em praça pública, no caso, o São Paulo Fashion Week, neste primeiro dia de evento.
Aqui parte de uma viagem à Escandinávia, tentando trazer para suas roupas de inverno 2011 as linhas orgânicas e limpas dessa corrente que é uma forte tendência no design global.

Um dos melhores looks, em preto
Vemos então uma busca por uma coleção arquitetônica, migrando do minimalismo anos 90 que permeou o verão 2010 do estilista e que, diante deste inverno, soa quase esquizofrênico, nervoso. De certa forma, esta coleção conversa mais com o inverno 2010. O que também não deixa de ter lá sua ironia.

Uma cartela de neutros
A passarela de madeira esquentou a cartela em branco, off-white e neutros, incluindo couro opaco bege e ocre. Apenas um punhado dos pretos que fizeram a história da urbanidade da Forum de Tufi Duek encerraram o desfile, trazendo um pouco do que talvez fossem os antigos tempos do designer à frente de seu nome. E uma pitada de dourados amarfanhados que ficaram pelo meio do caminho.

O bom recurso dos paetês
O modo aqui é de calma, com leve perfume anos 50, com início de 60, numa colecção de calças encurtadas com túnicas alongadas; saias e vestidos pelo meio da coxa, braços de fora, poucos casacos. Colos se revelam em recortes geométricos, buscando arriscada oposição com o movimento de maxibabados nos quadris, como no vestido de Daiane Conterato. Ondas e godês completam este vocabulário.

O look de Daiane Conterato
As formas são longe do corpo, e aí o designer perde um pouco o controle sobre os materiais, no mix de texturas e superfícies que pede o momento na moda. Quando dá certo é na transparência bem usada (mas algo perdida no todo da edição) e nos interessantíssimos paetês, que funcionam como recortes e pontos de fuga. Coerentes, os vestidos-cadeira acompanham o desenho dos quadris e a história da coleção.Quando se arrisca nos looks coluna com grandes fendas (o arroubo de sensualidade da colecção), a roupa parece pesar, não flui, apesar de a ideia vir coroada de boa intenção.

Olha os longos aih, gente…!
Essa coisa do estilista que assina a coleção com o nome de outro não é coisa fácil, não. Daí a maestria de designers como Francisco Costa, por exemplo. O que é preciso daqui pra frente: foco, honestidade tanto na hora de mostrar a coleção quanto na hora de produzi-la, um grande exame de consciência da marca _e de autoconsciência por parte de Eduardo Pombal.
Styling: Flavia Lafer
Beleza: Daniel Hernandez
Trilha sonora: Max Blum
Iluminação: Maneco Quinderé
Direção do desfile: Ruy Furtado
Direção geral: Tubi Schiavetti e Equipe Mkt