SPFW verão 2012: Alê Herch, André Lima, Amapô…
Passada a correria da temporada de SPFW, quero compartilhar aqui alguns pensamentos sobre os desfiles… Serão várias notas, tentando alinhar tudo o que vimos… Vamos por partes, é bastante coisa…
Alexandre Herchcovitch
Uma coleção linda. Preciosa. De início, quase roupas de baixo de princesas e rainhas _transportadas para os dias de hoje. Depois, os passeios por silhuetas retrô feitos com técnicas de época, segundo o estilista, que foram se perdendo ao longo dos tempos e que ele e sua equipe decidiram pesquisar e recuperar. Como se sabe, nos desfiles de Herchcovitch, “o essencial é invisível para os olhos”.
Em seu autofágico e corajoso processo criativo, Herchcovitch destrói e nega o que foi feito antes (no caso, o sombrio inverno 2011) para disso fazer emergir o novo. Numa cartela de cores luminosa, em muitos cetins e bordados, matching escarpins, matching bonés (parceria do estilista com a New Era), matching shades (parceria do estilista com a Chili Beans), tudo era realmente belo. Mas não era um pouco wasp? Ou a trilha com Afrika Bambaataa resolveria essa sensação?
Não foi nos anos 1950 que vieram à tona a imagem da mulher ideal, da dona de casa perfeita? E aquelas modelos não eram perfeitas demais? Será que Herchcovitch estava com seu desfile de NY na cabeça? Será que ele virou “ladylike”? Será que ele não tem o direito de virar ladylike e ninguém tem nada com isso?
Muitas perguntas. Quase a capa do “Stop Making Sense”. Porém, confesso que cheguei a me ajeitar na cadeira quando entrou Aline Weber com seu vestido sem mangas, proporção danada de boa, comprimento levemente acima do joelho, boné. Pronto, pensei. Agora vão começar os looks matadores.
Mas não. Para Alexandre Herchcovitch, as principais estocadas já haviam sido feitas, e por ali ficamos, quase mortos, em êxtase, diante de tanta beleza. Para a loja correremos o quanto antes _we few, we happy few, we band of brothers.
Amapô
Como um espremedor de frutas pós-tropicalista, a marca continua seu desafiador exercício de desconstrução, querendo chacoalhar as estruturas do SPFW, desfiando o olhar dos fashionistas para decodificar os tantos sinais emitidos das antenas sensíveis e psicodélicas de Pitty Talliany e Carô Gold. Ainda acerta mais no masculino e, no mínimo, enche a Bienal de bom humor. Esteticamente, seria algo como Rick Castro encontra Rei Kawakubo para pegar uma brisa ao som de Bob Marley, viajando com a cortina brilhosa do cenário da coleção, ou num bloco de rua carnavalesco do Rio de Janeiro. Em qualquer opção, despretensioso. Astral.
André Lima
Usando o bordão da temporada, neste verão André Lima resolveu fazer uma coisa diferente (apesar de vir fazendo looks praticamente atemporais). Exercitou sua extravaganza desta vez em preto e branco, refresco estético em sua trajetória.
Na luta diária da tesoura com o pano, o sempre ousado André Lima não aparenta sinais de cansaço para suas tantas roupas de festa. Muito menos suas clientes com o cartão de crédito sempre tinindo.
Fotos: Site Chic
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