Amapô | Erika Palomino

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terça-feira, 21 de junho de 2011 Sem categoria | 12:22

SPFW verão 2012: Alê Herch, André Lima, Amapô…

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Passada a correria da temporada de SPFW, quero compartilhar aqui alguns pensamentos sobre os desfiles… Serão várias notas, tentando alinhar tudo o que vimos… Vamos por partes, é bastante coisa…

Alexandre Herchcovitch

Uma coleção linda. Preciosa. De início, quase roupas de baixo de princesas e rainhas _transportadas para os dias de hoje. Depois, os passeios por silhuetas retrô feitos com técnicas de época, segundo o estilista, que foram se perdendo ao longo dos tempos e que ele e sua equipe decidiram pesquisar e recuperar. Como se sabe, nos desfiles de Herchcovitch, “o essencial é invisível para os olhos”.

Em seu autofágico e corajoso processo criativo, Herchcovitch destrói e nega o que foi feito antes (no caso, o sombrio inverno 2011) para disso fazer emergir o novo. Numa cartela de cores luminosa, em muitos cetins e bordados, matching escarpins, matching bonés (parceria do estilista com a New Era), matching shades (parceria do estilista com a Chili Beans), tudo era realmente belo. Mas não era um pouco wasp? Ou a trilha com Afrika Bambaataa resolveria essa sensação?

Não foi nos anos 1950 que vieram à tona a imagem da mulher ideal, da dona de casa perfeita? E aquelas modelos não eram perfeitas demais? Será que Herchcovitch estava com seu desfile de NY na cabeça? Será que ele virou “ladylike”? Será que ele não tem o direito de virar ladylike e ninguém tem nada com isso?

Muitas perguntas. Quase a capa do “Stop Making Sense”. Porém, confesso que cheguei a me ajeitar na cadeira quando entrou Aline Weber com seu vestido sem mangas, proporção danada de boa, comprimento levemente acima do joelho, boné. Pronto, pensei. Agora vão começar os looks matadores.

Mas não. Para Alexandre Herchcovitch,  as principais estocadas já haviam sido feitas, e por ali ficamos, quase mortos, em êxtase, diante de tanta beleza. Para a loja correremos o quanto antes _we few, we happy few, we band of brothers.

Amapô

Look do desfile da Amapô

Como um espremedor de frutas pós-tropicalista, a marca continua seu desafiador exercício de desconstrução, querendo chacoalhar as estruturas do SPFW, desfiando o olhar dos fashionistas para decodificar os tantos sinais emitidos das antenas sensíveis e psicodélicas de Pitty Talliany e Carô Gold. Ainda acerta mais no masculino e, no mínimo, enche a Bienal de bom humor. Esteticamente, seria algo como Rick Castro encontra Rei Kawakubo para pegar uma brisa ao som de Bob Marley, viajando com a cortina brilhosa do cenário da coleção, ou num bloco de rua carnavalesco do Rio de Janeiro. Em qualquer opção, despretensioso. Astral.

André Lima

Usando o bordão da temporada, neste verão André Lima resolveu fazer uma coisa diferente (apesar de vir fazendo looks praticamente atemporais). Exercitou sua extravaganza desta vez em preto e branco, refresco estético em sua trajetória.

Na luta diária da tesoura com o pano, o sempre ousado André Lima não aparenta sinais de cansaço para suas tantas roupas de festa. Muito menos suas clientes com o cartão de crédito sempre tinindo.

Fotos: Site Chic

Notas relacionadas:

  1. Amapô e Neon: loucura, loucura, loucura
  2. Herchcovitch inverno 2011: pra quem gosta
  3. Top 10 SPFW inverno 2011
Autor: Erika Palomino Tags: , , ,

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011 Sem categoria | 20:03

Top 10 SPFW inverno 2011

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Passada a tormenta dos últimos seis dias de São Paulo Fashion Week inverno 2011, segue um top 10 com os melhores desfiles, na modesta opinião desta que vos escreve. Como se sabe, gosto não se discute, mas fiquem à vontade para comentar, sempre com a elegância e a finesse que solicitam as boas maneiras na web. ;-)

1)   Reinaldo Lourenço

De tirar o fôlego esta coleção do estilista, que trabalhou o universo do luxo em proporções anos 30 e extremo bom gosto. RL criou de modo livre, com sacadas no vaivém do masculino/feminino que ele adora, ousando nas proporções, volumes e comprimentos. Vontade de ter tudo deste inverno em preto e branco. Destaque para os vestidos-t-shirt com degradê em tiras de couro e transparência, e para os looks com micropérolas bordadas.

A modelo Débora Muller desfila para Reinaldo Lourenço: pérolas da noite

2)  Huis Clos

O desfile que os editores de moda mais amaram. Um inesperado mix de superfícies e materiais define o novo luxo da marca, que vem mais jovial nas mãos da estilista Sara Kawasaki, neste triunfal retorno da grife ao line-up do evento, após ausência na última estação. Desfile intenso e misterioso, com excelente trilha sonora garantindo a tensão necessária para se observar o requinte e os detalhes de cada look. Síntese perfeita entre o chic e o esportivo, oposição mais que adequada no peso dos materiais. Destaque para o uso da trama de pele, pontuando a coleção. [leia resenha completa em post anterior.]

A sport-couture em náilon da Huis Clos de Sara Kawasaki: os editores amaram

3)  Alexandre Herchcovitch feminino

Austeridade, sexo, rigor, experimentações formais. [leia a resenha completa no post anterior].

Lea T. @ Herchcovitch: a transex que veio para confundir, não para explicar

4)  Alexandre Herchcovitch masculino

Exercícios sobre o vestuário para sobrevivência e resgate em catástrofes naturais, com pegada pós-industrial e apocalíptica, mas muito fashion. As máscaras e óculos garantem o impacto necessário ao desfile, que não descuidou do comercial que atende aos fiéis consumidores do masculino do estilista. Fragmentos de diferentes tecidos conferem sofisticação aos looks, que trazem um delicioso xadrez desgastado e pretos com texturas diversas. Acessórios matadores, como coturnos, tênis com pêlo, luvas e botas em python já são hit. Os quatro últimos looks do desfile, elaborados e ricos, estão entre os melhores e mais amadurecidos já apresentados por Herchcovitch no masculino.

Pra gente grande: o masculino de Herchcovitch, desdobramento apocalíptico do feminino

5)  Cori

Surpresa da semana, a Cori entra no trilho com uma coleção moderna e mais jovial, conseguindo bom equilíbrio entre o comercial e o fashion, nesta coleção inspirada nas linhas da arquitetura de Frank Lloyd Wright. Ponto para Gisele Nasser e Andrea Ribeiro, no estilo da marca. [leia resenha completa em post anterior.]

Malu Bertholini na Cori com vestido de efeito de pastilhas metalizadas

6)  Osklen

A coleção é um verdadeiro playground para quem gosta do conforto fashion da marca de Oskar Metsavaht, em remix 2011. Deliciosas proporções aumentadas e máxi comprimentos. Destaque para as cores intensas em looks monocromáticos, e na sensível combinação de couro marrom com amarelo; do cinza mescla com bege… [leia resenha completa em post anterior].

Bruna Tenório em look da Osklen em lã cinza que já vem amarrado: fashion & cozy

7)   Maria Bonita

Danielle Jensen se despoja ainda mais de rebuscamentos estilísticos na coleção que se inspira no vestir simples dos operários que construíram Brasília, num desfile de pegada social e política, dirigido com maestria por Daniela Thomas. Destaque para os padrões geométricos na estamparia e para a silhueta alongada e confortável.

A modelo russa Uliana Tikhova com megaultra cárdigan em lã Maria Bonita

8)  João Pimenta

O estilista não decepciona em sua segunda participação no SPFW, com uma coleção que traz elementos do vestuário litúrgico com pitadas de militarismo e feminino numa coleção que trabalha a silhueta trapézio e lida com muita política sexual. Nada fácil juntar tudo isso. E se João Pimenta não conseguiu todo o tempo, ao menos se arriscou e tirou lindas imagens de passarela _e roupas muito bacanas também. Ponto pros meninos.

O inverno monástico e inteligente de João Pimenta, um dos destaques do SPFW

9)  Ronaldo Fraga

Na coleção inspirada na vida de Athos Bulcão, que adorna Brasília, o estilista mineiro acerta nas proporções e faz bom uso dos grafismos e da estamparia, emocionando mais uma vez a platéia. Destaque para os vestidos de padrões geométricos do início, remetendo ao famoso trabalho em azulejos do artista plástico, e para as calças confortáveis e cheias de personalidade, juntamente do uso de paetês e transparências. [leia resenha completa em post anterior.]

Laís Ribeiro e o jogo de sombra com paetês na nova silhueta alongada de Ronaldo Fraga

10)  Amapô

O feminino é meio ingênuo, mas o masculino tem verdadeiras pérolas de moda anticaretice, essenciais ao line-up do São Paulo Fashion Week. Destacam-se o bom uso do tricô e de texturas e padronagens, a camisaria desconstruída,o styling loucurinhas com cachecol de cabelos. [leia a resenha completa em post anterior.]

Subversão fashion: tricô, paetês e python na deliciosa confusão da Amapô

* Duas marcas merecem menção honrosa: a Ellus, pela iniciativa tecnológica, e a Ghetz, pela junção da indústria com o talento de Lucas Nascimento.

fotos divulgação: agência FOTOSITE

Notas relacionadas:

  1. Printing: um inverno ultracolorido
  2. Amapô e Neon: loucura, loucura, loucura
  3. Herchcovitch inverno 2011: pra quem gosta
Autor: Erika Palomino Tags: , , , , , , , , , , , ,

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011 Sem categoria | 13:19

Amapô e Neon: loucura, loucura, loucura

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No sabadão fashion do SPFW, Amapô e Neon sugerem ao público abrir suas mentes. A Amapô de modo mais sombrio, a Neon de maneira mais lúdica.

Abertura do desfile da Amapô

No release (o melhor da temporada, so far), a coleção vem apresentada como Amapô Sombriah, com referências a David Lynch, princesas das trevas _elas apareceram de fato na passarela_ estudantes de magia, pesadelos, RPGs, florestas misteriosas e muita confusão mental. Tudo desfilado ao som de Linking Park e Evanescence.

A saudável insanidade da Amapô

Se o feminino vem de fato algo perturbado, é no masculino que as estilistas Pitty Taliani e Carô Gold marcam seus pontos, nesse desfile que mais uma vez energizou o São Paulo Fashion Week.

Duas camisas em uma na Amapô

São nerds desconstruídos em camisarias deslocadas sempre com inteligência e humor, com boas estampas (o jeans pintado a mão) e recursos de passarela como o cachecol de cabelos trançados, em tricôs rebuscados, paetês, e botinhas que vão fazer a festa dos meninos mais ousados da cidade, opondo volumes e sequinhos. Bem bom. Loucura total: os paetês tridimensionais.

Tricô mutcho lôko, paetês e bota rock'n'roll da hora na Amapô

Paetê tridimensional no look trevas ;-)

Na Neon a viagem é mais surrealista, de um lado, mais étnica do outro. Porém, a marca foi de certa forma prejudicada pelo fato de haver dois desfiles _um para a imprensa, outro para convidados/amigos da grife. A primeira rolou de modo frio, enquanto a dos brothers fluiu com glamour e energia. Essas coisas da moda.

Marina Dias brilha na viagem surrealista da coleção de inverno da Neon

E a Neon é muito sobre a apresentação. Avançar depois do histórico desfile à volta da piscina do último verão não era tarefa fácil. Sem uma cenografia mais complexa, numa sala larga, com as modelos entrando de uma em uma, sobrou tempo para a gente ter vontade de ver os desdobramentos daquelas ideias em mais roupa e menos performance.

Versão hollywood da coleção dos bichos

Individualmente, há bons momentos, claro. Mas o inverno 2011 da Neon se ressente de uma coerência maior como coleção, a mais do que conceitos como feminilidade e os grafismos, sobreposições e color blockings da segunda parte, batizada de Batucada e desfilada ao som de Paul Simon e Olodum.

Luana Teifke com vestido em paetês metálicos bordados

Samira com grafismos coloridos da seção Batucada, ao som de Olodum

Momento Rita Comparato: feminilidade girlie Neon, com sapatilha boneca fofa

Hora talvez de a Neon repensar seus formatos, ainda que seja isso o que o público espere de suas apresentações no São Paulo Fashion Week. Com o jogo ganho, que tal uma goleada?

Notas relacionadas:

  1. Cantão: mais artsy
  2. Tufi Duek é Eduardo Pombal? E/Ou vice-versa?
  3. Maria Bonita e Ronaldo Fraga: Brasília feelings
Autor: Erika Palomino Tags: , , , , , , , ,