Alexander McQueen | Erika Palomino

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quarta-feira, 31 de agosto de 2011 Sem categoria | 19:50

Custamos mas chegamos e/ou custamos mas voltamos (fashion is back)

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Colunista ou blogueiro que começa texto se desculpando pela ausência dizendo que anda super ocupado é uó, né? Então não vou fazer isso.

Começo dando um salve para setembro. Que tanto custou a chegar.

Não chego a desgostar de agosto, já que o mês me deu Lucas, luz do meu caminho (já julho me deu Pedro, que me tornou mais forte). Neste agosto tive, antes da temporada nova-iorquina de terremotos e furacões, uma semana de férias, algo que não via há muitos anos, agostos incluídos. Pois fui ver Nova York, desta vez com meu pai, algo que não fazia há coisa de muitas primaveras. E aproveitei para ver o penúltimo dia da mostra de Alexander McQueen no Metropolitan Museum, depois de quatro horas na fila e mais uma hora e meia de exposição.

Fila que peguei no penúltimo dia da mostra do McQueen, nas minhas férias em NY

Tudo já foi dito sobre a exposição, acho, como aliás tudo já foi dito na Internet. Mas pra quem se interessa pelo que penso: quando passei porta adentro, comecei a chorar. Sendo que emocionada estava desde o parque, fila adentro, vendo todas aquelas pessoas perfiladas para ver a obra de alguém por muitos agostos atormentado, encontrado morto naquele fevereiro de 2010. Claro que muitos nem sabiam porque estavam ali. Porém, o que se sabia era que valia a pena ficar naquele sacrifício (até mesmo para os mais fanáticos). Afinal, ali dentro veríamos a obra de um verdadeiro ARTISTA.

Fiquei silenciosamente feliz (nem é essa a palavra) pela alma de Alexander Lee McQueen. Fiz algumas preces. E também pensei que aquele momento era um marco para a moda. Para a relevância da moda e para seu significado.

Imagem icônica da exposição (já viu o livro? vale encomendar)

Volta e meia alguém pergunta: moda é arte? É que confunde mesmo. Podemos avaliar subjetivamente um desfile como analisamos um quadro ou um filme… Alguns vestidos preciosos como uma obra-prima. Nem toda moda, como se sabe, é arte. Ih, tem ainda modinha, tem ainda fast-fashion, tem roupitcha, basiquinho… Basicão.

Agora, sabe o que o povo da moda anda falando por aí? Tirando as fofocas, claro?

Fashion is back.

Claro, precisamos sobreviver. Mas tirando isso, também, essa é a notícia. A volta da moda. Caso nenhuma hecatombe, atentado, tragédia natural ou artificial, esta temporada de desfiles internacionais que vem por aí deverá celebrar o prazer da moda, de gostar de se vestir. Pra gente, no verão, aqui nos trópicos, significa que poderemos ter um verão histórico. Tomara, né?

Acho que estamos todos merecendo, depois daquele 2011 que queremos fingir que não aconteceu…

Junto com a moda, também voltei. Ah, e agora uso verde. ;-)

Vestido da coleção resort da Lanvin (já viram o filme com Raquel e Karen Elson?)

beijos

E.

PS: Deixo no final, ao menos, minhas desculpas.

PS2: Mais provas da volta da moda: filme da Lanvin

Notas relacionadas:

  1. Confissões de uma mídia junkie
Autor: Erika Palomino Tags:

quarta-feira, 4 de maio de 2011 Sem categoria | 13:10

Confissões de uma mídia junkie

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Nunca tivemos tanta informação disponível. TV, twitter, Facebook, Flipboard, Soundcloud, Pitchfork, Spotify, sites, blogs, jornais. Em algumas cidades, billboards, painéis… Um bombardeio. Fora a alta cultura. Literatura mesmo. E estudos? Para dar conta de tudo teríamos que ser múltiplos.

Só mesmo sendo o Karl Lagerfeld (aqui na deliciosa ação da Coca-Cola, a segunda que a marca fez com o estilista da Chanel)

Só o dia a dia já pode levar alguém ao esgotamento. Uma pessoa que for mídia junkie (como esta que vos escreve) pode até ter uma overdose.

Exemplo: A contagem regressiva para o “casamento real” tomou ares surreais _como se aqui nos trópicos só estivéssemos pensando nisso. De um jeito que parecia sempre que já era naquela semana. E ainda faltava mais uma.

O casamento real: alguém ainda aguenta falar (e ouvir) sobre isso???

Quando finalmente chegou a data, na mesma tarde eu já não aguentava mais análises de todas as formas sobre o vestido da noiva. Quando todos viram críticos de moda, não? (essa parte acho divertida). Curiosamente, tive mais uma de minhas insônias naquela manhã, e com pontualidade britânica liguei a TV às 6h _mais para ter assunto do que por excitação.

Diante do casamento real fico com a posse da Dilma, pode ser? Prefiro pensar no mérito de uma mulher que chega à presidência, por exemplo, do que uma bonitinha que se matricula numa universidade em busca de um bom partido. E pelo que ouvi das jovens entrevistadas pelos repórteres, eventos como esses reforçam a mítica daquelas que ou esperam por príncipes encantados ou esperam que seus namorados ou maridos sejam perfeitos. Hello.

E se eu gostei do vestido? Gostei que era da Sarah Burton / Alexander McQueen. Achei adequado. Qualquer brilho a mais teria sido criticado. O perfume vitoriano, para isso, foi perfeito. Achei que o próprio McQueen teria dado um pouco mais de personalidade, entretanto. Bem, por isso ele era o gênio, apesar do bom trabalho que Sarah, sua assistente direta por muitos anos, está fazendo na marca. Mas isso já é outro post…

E pegaram o Bin Laden. Os americanos armaram um Carnaval lá na frente da Casa Branca, e as imagens tomaram conta da TV, enquanto redes sociais bombavam e mensagens de texto rodavam o mundo. “Foi o momento Kennedy desta geração”, disse em seu twitter o correspondente da Al Jazeera em inglês, falando do que para a sua geração foi o 11 de setembro e a morte de Diana, segundo ele.

Na foto do NYT, americanos festejam a morte de Osama Bin Laden em frente à Casa Branca; a convocação se deu pelas redes sociais

Na tarde seguinte já se lia no twitter: “Mas vocês ainda estão falando sobre isso?”. (Adorei a foto da tal Sala da Crise, com Obama no cantinho e Hillary passada, com a mão na boca. Imagina o que eles estavam vendo. Foto histórica. Medo.)

O assunto agora é Obama/Osama; aqui a imagem da Sala da Crise (vou fazer uma em casa para TPMs)

A turma reclama mesmo quando a TL floda com determinado assunto (ainda mais se for final de BBB, de novela ou jogo de futebol). É que tem gente demais falando. Mandei via twitter uma pergunta para o Francisco Costa, estilista da Calvin Klein, numa entrevista feita por Renata Piza, da Elle. Perguntei como ele faz para se manter fiel a sua essência nesse fuzuê da alta moda. Ele respondeu: com silêncio e auto-conhecimento.

Francisco Costa no Metropolitan em NY (outro dos assuntinhos da semana)

Olhaí. #ficadica.

Fora que viver nas redes sociais dá aquela sensação de que a sua vida real é uma droga, e que a dos outros é pura festa e diversão. Todo mundo aparece sempre rindo, brindando, comemorando como se não houvesse amanhã. Um perigo para sua auto-estima. ;-)

E pra responder tudo? Tem que responder email, SMS, inbox, DM, viper, whattsup, instagram, tumblr, linkedin, mural, curtir, descurtir, cutucar… Eu que não tenho hábito de entrar na parte de eventos do Facebook cansei de perder festas, exposições… Ou achar que não fui convidada. Olha o que eu falei da auto-estima!

Hoje em dia temos que lidar com camadas e camadas de informação, de tempos, de plataformas de comunicação. Que elas sirvam para nos unir e nos fazer menos solitários.

A atriz de filmes B Yvette Vickers, no auge de sua beleza, nos anos 50; esta semana ela foi encontrada morta, mumificada

A atriz Yvette Vickers foi encontrada morta na última quarta-feira em Los Angeles. Seu corpo estava em estado de mumificação. Possivelmente porque ela deve ter morrido há coisa de um ano. Ninguém deu pela falta dela, ninguém a procurou. No auge de sua beleza, nos anos 50, ela estrelava filmes B como o supercult \”A Mulher de Quinze Metros\”, e chegou a posar para a “Playboy”.

Agora, aos 82 anos, vivendo sozinha, uma vizinha só achou estranho porque a correspondência acumulada na porta estava já amarelando e foi ver se estava tudo bem…

Será que sentiríamos sua ausência se ela sumisse do twitter?

Notas relacionadas:

  1. A modelo que abriu a Prada
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