Essa questão da tecnologia têxtil hoje em dia está evoluindo tanto que daqui a pouco ou todos os jornalistas tem de ir ao backstage do desfile para pegar na roupa para lhe conferir valor ou a consumidora precisa ganhar uma aula de tecelagem na hora de sacar o cartão de crédito da bolsa.
A tecnologia deve funcionar a serviço do homem. Ou não é pra isso que ela foi criada? Idem para as inovações têxteis. Uma mulher quando vai a uma festa (ou mesmo no trabalho) quer apenas se sentir apenas bonita.

Quem não quer ser se sentir bonita?
Tudo isso pra dizer que a roupa deve vestir, deve cair bem, a silhueta deve funcionar, as proporções devem conferir contemporaneidade, a peça deve ser confortável _ao toque e aos olhos.

Contemporaneidade nas proporções
Nem sempre isso acontece na Animale, sabemos. Nem mesmo nesta coleção de inverno 2011, em que a talentosa estilista Priscilla Darolt parece buscar ao máximo um certo minimalismo (com perdão do trocadilho). Ele ganha contornos geométricos, entretanto não se livra do decorativismo. Mas daí é minimalismo? Bem, ao menos não é aquele maximalismo pesado de outrora, das mulheres guerreiras, das armaduras urbanas e das glamazons. Etc.

Minimalismo geométrico
Trata-se de uma imagem mais limpa e mais feminina, principalmente na primeira parte do desfile, em que os tons claros das roupas sobre o carpete off-white nos deixam respirar na plateia. Principalmente com o delicioso sopro de moda e vida que foi a primeira entrada de Raquel Zimermann na passarela, com o trabalho de feltragem da fibra de lã.

Raquel, entrada 1: frescor e vida
Sob um subtil tema de montaria, interpretado de modo felizmente pouco óbvio, o inverno da Animale se aproxima mais da loja _para o bem. Entre os destaques desse segmento, o vestido frente-única de Debora Muller.

O vestido frente-única de Debora Muller
Outros pecadilhos, entretanto, continuam, como a verborragia de propostas na coleção, por vezes 500 ideias num só look, como se Priscilla Darolt precisasse mostrar sua criatividade com construções tão complicadas que chegam a truncar a silhueta (volte ao terceiro parágrafo deste texto).
1.Isso não combina com minimalismo.Ainda que se busque uma maior simplicidade.
2. Numa grande marca como essa, e depois de ter vendido a sua própria para o grupo Animale, esta etapa já pode ser superada por Priscilla Darolt.
3.Nem Raquel nem Isabeli mereciam os looks finais com que entraram na passarela.
Pensando bem, Martha Streck também não merecia aquele vestido-lenço meio verão, que bem poderia ter ficado de fora do desfile.

Martha Streck e o vestido-lenço meio verão
Diretora de estilo: Claudia Jatahy
Direção criativa: Agência Mint
Estilista: Priscilla Darolt
Styling: Luiz Fiod
Beleza: Max Weber
Trilha sonora: Hugo Frasa