Ju Jabour e Cori: pequenos grandes passos
Domingo é um dia meio besta, no São Paulo Fashion Week também. Bate um pequeno bode, você fica pensando no que faria se não estivesse ali, vê as pessoas “normais” passeando pelo Ibirapuera… E os jornalistas, durante a tarde, já estavam se preparando para o pior (a confusão das celebridades da Colcci). Então o clima estava meio arrastado.
Talvez por isso ninguém tenha levantado muito a sobrancelha para duas coleções que, se não vão mudar o mundo, representam um momento importante dentro das trajetórias das marcas: Juliana Jabour e Cori.
Ju Jabour tratou com profissionalismo e respeito a estreia no line-up do SPFW, ela que desfilava no Fashion Rio. E a Cori mostra ainda mais vontade de acertar.
Numa coleção que se mantém fiel ao compromisso de agradar sua consumidora, Ju Jabour se limpa dos exageros anos 80 sem perder, entretanto, sua personalidade. Traz elementos do grunge (o xadrez, usado com parcimônia), as proporções alongadas, a busca pelo conforto, e mixa com looks mais urbanos e construídos, como os do início, em interessante estamparia animal print. Ela se vale de detalhes e bossas para reforçar seu estilo, que é comercial sem ser básico. Uma simpática estreia em terras paulistanas.
Na Cori, a parceria de Andrea Ribeiro e Giselle Nasser pareceu azeitada. Design e moda trabalhando lado a lado com a necessidade de vender, num equilíbrio difícil de ser alcançado _em outras apresentações da marca esse cabo-de-guerra emergia aos olhos do público.
O ponto de partida aqui foi a arquitetura de Frank Lloyd Wright, com linhas retas e proporções afiadas conferindo modernidade à coleção, com bonita cartela e combinações de preto com marrom, marinho com verde. Entre os destaques, a alfaiataria não previsível e até sensual, os mantôs e as peças feitas de pequenas janelas de organza cortadas a laser, com brilho e movimento.
O final deu uma pequena desandada, com os casacos volumosos demais, que saíram do controle das estilistas. Mas já tinha valido a pena estar ali.
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