iG
iBest BrTurbo

Publicidade

Publicidade

13/01/2009 - 01:27

Idéias para criar uma casa com a sua cara

Ou sai o  papel de parede ou saio eu, teria dito o escritor Oscar Wilde, ao se registrar em um hotel de Paris. A bela Gisele Bundchen confessou: sou maníaca por ordem e Coco Chanel, enchia seus salões de ramos de trigo para atrair boa fortuna…sim, os ambientes nos afetam de muitas e poderosas formas e os lugares onde vivemos dizem muito sobre nós…

Mesmo assim, quanta gente não carrega a casa nas costas, como um fardo que vão arrastando entre choramingas e lamúrias pela estradinha sem graça da vida. E quantas outras abrem mão da possibilidade de expressar-se através do ambiente onde vivem e simplesmente delegam o assunto, condenando-se a viver em casas com almas emprestadas, em geral, do decorador mais fashion ou do arquiteto da moda. Que desperdício, hein?
 
Afinal, a imagem de casa está impressa na nossa imaginação, faz parte dos nossos mitos mais antigos. Casa: um lugar para onde voltar, um refúgio, um abrigo…e que seja aconchegante e nos proteja dos tumultos da vida.

”Do momento em que nascemos somos chamados a viajar de volta para casa”, ensina o arquiteto americano Anthony Lawlor, conhecido por trazer alma para o design arquitetônico, e continua “Nos lugares e nas pessoas a gente busca aquela sensação difícil de definir de ser bem-vindo. O lar é o objetivo das jornadas épicas do espírito humano”.

Por isso, aproveite esse clima de ano-novo, vida nova para criar um canto seu, com a sua cara, onde você possa “guardar os amigos, os livros e os discos, e nada mais”…assim, feito na música!

Reunimos algumas idéias aqui para inspirar você a criar seu canto…

Faça sua casa acompanhar o ritmo das estações
Tem coisa pior do que em pleno calorão de janeiro tentar se refestelar naquele sofá de veludo que é uma delícia no inverno? Ou mergulhar com o celular para horas de papo com a melhor amiga na cama linda, mas coberta com aquela manta de lã favorita? As casas são vivas, orgânicas, até. OK, exageros à parte, que tal deixar entrar o ar da estação na sua casa. No verão, capas de algodão nos sofás, colchas de piquet, almofadas coloridas, flores da estação. Mantas quentinhas jogadas nos braços das poltronas, cores de terra, tapetes fofos, luzes de velas…

Aprenda a criar cantos
Tenho uma amiga que é mestra nesta arte tão difícil: reunir objetos de modo a que eles formem um conjunto harmonioso, onde os olhos pousem, feito pássaros, um minuto e se encantem. O truque é agrupar objetos com tema ou cor ou forma semelhante em vez de deixá-los espalhados aqui e ali. Uma conchinha solta num móvel pode não ser nada, mas junte três, coloque-as numa cesta e veja elas surgirem diante dos seus olhos…

Ou divirta-se sendo minimalista
Os japoneses são mestres em explorar as possibilidades dos vazios. Mas, minimalismo sem alma é puro tédio. O segredo do despojamento é pura arte e muita experimentação. Vá com calma, experimente com detalhes. Gosto de colocar um único vaso imenso de vidro com uma flor amarela sozinha – uma gérbera, por exemplo, sobre um aparador encostado numa parede branca…parece que puxa o olho ou funciona como “ponto focal” no ambiente…

Não tenha tanto medo das cores
Siga as dicas da Noura e ouse na escolha das cores, afinal, o pior que pode acontecer é você ter que comprar outra lata de tinta e pintar tudo de novo. Brincadeira, é claro, mas sempre tenho a impressão de que para um povo, como nós, que vive debaixo do sol e rodeado por essa festança de cores, somos tão comedidos! De todo modo, mesmo se sua opção continuar sendo os beges e os brancos, liberte seu espírito Frida Kahlo e ouse brincar com as cores nos móveis e acessórios, almofadas, flores, penduricalhos e tapetes!

Sinta sua casa
Ambientes são feitos de luz, de sombras, de cores, da paisagem ao redor, dos ruídos em volta…antes de fazer qualquer mudança, passeie por sua casa tentando senti-la: em que canto está faltando luz, onde dá vontade de sentar e ler, e qual seria a janela ideal para você apreciar a vista enquanto escreve no seu diário, por exemplo.

Coisas que falam de você
Os objetos afetam nosso estado de espírito e interferem no nosso humor. Mesmo sabendo disso, a gente acaba guardando coisas que não nos dizem nada, não fazem nenhum sentido, como se pertencessem a outra pessoa. Guardamos até objetos que nos trazem más recordações, simplesmente porque não conseguimos nos ver livres deles….aproveite o ano-novo para mudar isso. Dê uma voltinha pela sua casa tirando todos os objetos, fotos e enfeites que por alguma razão – qualquer razão – você não gosta. Não precisa ser racional, ao contrário, tente ouvir o que sua intuição diz. Arrume tudo numa mala e deixe longe da sua vista por algum tempo. Depois desse tempo, aí sim você pode decidir o que vai manter e o que vai doar para alguém….e, acredite, em geral a gente acaba doando mesmo!

 

Autor: Adília Belotti - Categoria(s): Em casa Tags: , , ,
26/09/2008 - 11:39

Camas de sonho

Acordei querendo dormir numa cama nova, num quarto novo e ter sonhos com imagens novas, surpreendentes, talvez de um outro eu…consegui arranjar um cantinho para colocar uma almofada de meditação, troquei a colcha da cama, tirei os livros de um lado, coloquei no outro, pronto, só faltam os sonhos…

Lembrei de um ensaio que vi na versão mais “estilo de vida” da revista “The Economist“, “Intelligent Life“, chama-se e é excelente. O tal ensaio era sobre um fotógrafo francês que passou anos tirando fotos de camas. Sim, as camas e seus donos, é claro.

Thierry Bouet e´um parisiense, ex-advogado, que se define como alguém “que se infiltra nos acontecimentos e nas comunidades buscando nelas fraturas e possibilidades de sonhos”. Passou, segundo descubro, dois anos pedindo para ser convidado a conhecer a alcova das pessoas e fotografar o “teatro dos sonhos” mais inusitados, mais loucos.

O resultado são imagens que dão vontade de mergulhar, ninhos insolentes e coloridos, caixas mágicas que dão boas vindas aos sonhos mais absurdos.

E a gente fica aqui imaginando que seres estranhos somos nós que rodeamos a hora de dormir de tantos adereços, como se assim enfeitada a noite fosse menos assustadora e o dormir menos semelhante à morte.

“Morrer; dormir;
Só isso. E com o sono – dizem – extinguir
Dores do coração e as mil mazelas naturais
A que a carne é sujeita; eis uma consumação
Ardentemente desejável. Morrer – dormir –
Dormir! Talvez sonhar.” É a fala de Hamlet, na tradução de Millôr Fernandes.

Agora navegue pelas camas de sonho de Thierry Bouet

 

Autor: Adília Belotti - Categoria(s): Em casa Tags: , , , ,
Voltar ao topo