China em ritmo chinês.
Ontem – no fim do dia aqui deste lado do mundo – a China divulgou as principais figuras da evolução da sua economia, e os resultados não poderiam ser melhores. O PIB cresceu estonteantes 8,9% na comparação entre o 3° trimestre de 2009 e o 3° trimestre de 2008, o Investimento (a Formação Bruta de Capital Fixo, ou FBKF) evoluiu 33,3% e a Produção Industrial já se recupera da queda durante o período mais agudo da crise e sobe na comparação anual 14%.
Em resumo: a China voltou a ser chinesa. Tanto crescimento joga no ar certa expectativa quanto a retirada de políticas de incentivo econômico; afinal, com a economia voltando ao crescimento acelerado, não faz sentido o poder público manter o pé no acelerador econômico.
Tanto lá como cá a retomada do nível de produção está associada a um nível de inflação bastante moderado. Na China há deflação de 0,8% em 2009. Por aqui os preços ao consumidor estão comportados e as expectativas ancoradas dentro da meta oficial de 4,5% ao ano.
Por este motivo que o COPOM decidiu, por unanimidade, manter a taxa SELIC inalterada. A nota divulgada junto com a decisão de manutenção deixa muito pouco espaço para especulações quanto à decisão do colegiado. Eis a nota:
“Brasília – Tendo em vista as perspectivas para a inflação em relação à trajetória de metas, o Copom decidiu manter a taxa Selic em 8,75% a.a., sem viés, por unanimidade. Levando em conta, por um lado, a flexibilização da política monetária implementada desde janeiro, e por outro, a margem de ociosidade dos fatores produtivos, entre outros fatores, o Comitê avalia que esse patamar de taxa básica de juros é consistente com um cenário inflacionário benigno, contribuindo para assegurar a manutenção da inflação na trajetória de metas ao longo do horizonte relevante e para a recuperação não inflacionária da atividade econômica.
Brasília, 21 de outubro de 2009”
O BC quis deixar claro que entende como razoável a atual taxa SELIC frente o conjunto dos eventos da economia brasileira neste momento, e mais: que não vê com preocupação a trajetória futura da inflação. Nota tão neutra sugere que a última reunião do COPOM neste ano (entre os dias 8 e 9 de dezembro) deve optar mais uma vez pela manutenção.





