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29/10/2009 - 14:52

COPOM: postura cautelosa.

A ata do COPOM divulgada na manhã de hoje aponta que o colegiado optou pela cautela na condução da política monetária. Que pese todos os indicadores de que a economia brasileira já está acelerando, o BC centrou sua atenção ao excesso de ociosidade ainda presente na economia e na perda do dinamismo da demanda doméstica derivados do choque ocorrido no país no final de 2008. Segundo esta ótica não há pressões na inflação doméstica nem pela ponta da oferta quanto da demanda. No item 22, no capítulo Implementação da Política Monetária, o colegiado do BC aponta que:

 

“O Copom entende que a perda de dinamismo da demanda doméstica ocorrida ao final de 2008 gerou ampliação da margem de ociosidade da utilização dos fatores de produção, ocasionando redução das pressões inflacionárias.”

 

E continua no item 24 no mesmo tom.

 

“O Copom avalia que, diante da margem de ociosidade da economia e do comportamento das expectativas de inflação para horizontes relevantes, continuaram favoráveis as perspectivas de concretização de um cenário inflacionário benigno, no qual o IPCA seguiria exibindo dinâmica consistente com a trajetória das metas.”

 

Já no item 25 a ata aponta algo interessante que pode dar uma pista sobre a evolução futura da taxa. (em negrito grifo nosso)

 

“O Comitê considera que a acomodação da demanda, motivada pelo aperto das condições financeiras e pela deterioração da confiança dos agentes, bem como pela contração da economia global, poderia estar sendo superada, ainda que persista sensível margem de ociosidade dos fatores de produção, que não deve ser eliminada rapidamente em um cenário básico de recuperação gradual da atividade econômica.”

 

Que a eliminação da capacidade ociosa não será rápida caso a recuperação seja gradual, não discordamos. Mas fica uma dúvida: e se a recuperação não for tão gradual assim? E se de fato – como os dados do IBGE apontam – a recuperação da indústria, do comércio e do emprego estejam já em curso? Nossos modelos para o PIB projetam que a economia brasileira deve avançar cerca de 2,25% neste terceiro trimestre, em 2009 devemos crescer cerca de 0,55%.

 

A inflação esperada para 2010 está muito comportada por conta de mais dois fatores, além da questão levantada pelo BC (da demanda comportada e da ociosidade dos fatores): o Câmbio e o IGP-M.

 

Os efeitos deflacionistas que a moeda valorizada traz são enormes, e o nosso câmbio neste patamar aumentou a renda real dos consumidores permitindo o acesso relativamente tranqüilo aos produtos importados.

 

Já o IGP-M em queda retira pressões típicas de início de ano nos preços de contratos (aluguéis, mensalidades escolares e preços administrados). O IGP-M divulgado hoje reafirma este cenário. O índice desacelerou de 0,42% em setembro para 0,05% na variação mensal (nossa projeção era de 0,03%). Em 12 meses acumula queda de -1,31%.

igp_m_10_09

 

Caiu sensivelmente os Preços ao Consumidor, saindo de 0,28% ao mês 0,03%.

 

No Europa notícias positivas se avolumam. O Desemprego na Alemanha caiu e dados de Ciclo de Negócios sugerem a retomada da atividade econômica.

 

sentimento_economico_europa10_09

 

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags:

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