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Arquivo de setembro, 2009

16/09/2009 - 10:59

IPC-S apresenta estabilidade.

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A inflação brasileira teve uma certa reversão nas últimas medições. Estou me referindo especificamente aos IGPs da Fundação Getúlio Vargas que após ter apresentado deflação relevante puxado pelos índice de preços no atacado (IPA).

 

O IPC-S, que mede a variação de preço semanal ao consumidor, que havia apresentado certa alta nos últimos números, voltou a se comportar melhor.

 

 O motivo da recente alta foi impulsionado pela alta de Frutas, Hortaliças e Legumes e aos poucos devem voltar ao normal. Fora este aumento os outros grupos apresentaram um comportamento mais benigno.

 

Para ler o relatório da FGV, acesse:

http://www.fgv.br/mailing/IBREMKT/arq/temporario/1017685127.pdf

 

Ontem foi um dia de ótimas notícias nos EUA. Os Estoques diminuíram 1,1% (sugerindo assim que a indústria será incentivada a voltar a produzir), as Vendas no Varejo subiram 2,7% (se retirarmos as vendas de veículos, que foi turbinada pelo programa Sucata por Carro Novo, o crescimento mesmo assim foi expressivo, em 1,1%) e o Empire Manufacturing – que mede o nível de atividade na região de Novas York – também acelerando.

 

Em conjunto os dados foram positivos, mas o mercado não deu atenção aos resultados no período da manhã. Somente mais tarde, aos o discurso de Bernanke sobre a melhora econômica atual, é que os mercados reagiram com entusiasmo.

 

Hoje a bolsa brasileira já opera perto dos 60 mil pontos, apontando que o preço alvo de 62 mil pontos deve ser cumprido em muito pouco tempo. Chamamos a atenção de todos que em meados de outubro teremos a divulgação dos resultados das empresas listadas no 3° trimestre. Talvez aí teremos a verdadeira perspectiva do efeito da recuperação econômica recente sobre as empresas listadas.

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags:
15/09/2009 - 11:25

O ocaso casual da casa dos Lehman

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É uma história bonita. Em 1844, o jovem Henry migrou de Rimpar – uma modesta cidade alemã – para o então admirável mundo novo americano. Pegou o pouco que tinha e fixou a idéia que seria do outro lado do Atlântico que estaria seu presente e seu futuro. Como um espírito animal, farejou que ali, naquele território – então apenas um conjunto amontoado de fazendas – poderia fazer fortuna.

 

Seis anos, depois seus dois irmãos – Emanuel e Meyer – se juntaram na aventura de fazer a América e juntar algum troco no meio do caminho. No final daquele século 19, os irmãos Lehman (esqueci de mencionar?) possuíam então uma modesta quitanda onde vendiam, além de miudezas generalizadas, frutas secas e utensílios variados, de arados à martelos. O ponto da lojinha era no estado do Alabama e em pouco tempo o simplório negócio cresceu e se sofisticou.

Os irmãos Lehman avançaram sobre o mercado de algodão e viraram referência ao sul dos Estados Unidos quando se tratava da mercadoria, que, além de ser macia, forneceu o cenário ideal ao surgimento do soul, gospel e blues. Onipresentes, eles – os Lehman Brothers – ganhavam dinheiro em todas as fases do plantio do algodão: vendiam os insumos – sementes e maquinário -, compravam o algodão dos produtores e, por fim, vendiam para as tecelagens dos estados do norte. Viviam de intermediação e eram donos de tudo, menos da terra e dos escravos necessários.

E para que tanta aporrinhação? Capital financeiro não carece de concretude tão evidente; basta que haja mercado – e um preço – para que haja lucro, qualquer que seja o preço e qualquer que seja o mercado. Sempre haverá um lucro. Algodão, minério de ferro, bicicletas dobráveis, não importa. O que importa é a diferença entre os preços de lá e de cá.

Desse tipo de atividade para a criação de um banco foi um pulo. Eles já eram banco antes mesmo de serem banco: avaliavam riscos, davam crédito, financiavam a produção e tomavam garantias. Tudo que um banco faz, ou deveria fazer.

Histórias que nem essa tem aos montes no mundo, no Brasil inclusive. O surgimento de bancos a partir de mercados vigorosos (algodão, café, gado) é um fenômeno relativamente comum. Na verdade, é necessário, pois sem a intermediação financeira os produtores nunca conseguiriam crescer em escala. Alguém com conhecimento de causa no negócio acaba se especializando na “facilitação” e faz o que os Irmãos Lehman fizeram: facilitam mediante uma modesta comissão.

De lá pra cá, muito água passou por baixo da ponte da História. O empreendimento deles sobreviveu a muitos desafios, sobreviveu à Guerra Civil norte-americana, à Primeira Guerra Mundial, ao Crash de 1929, à Segunda Guerra Mundial, à crise do ‘Save and Loans’ na década de 80 nos EUA, a dois choques do petróleo e à bolha PontoCom. Não foi pouco. Eles financiaram desde as primeiras máquinas à vapor até a criação de softwares e vídeo games. Sabiam de tudo, os riscos envolvidos, as implicações financeiras, os detalhes das negociação, os preços de custo, os preços finais… Tudo! Só assim se ganha dinheiro na intermediação: sabendo mais dos que os participantes envolvidos.

Nunca erraram e, se erraram, erraram, menos do que acertaram. Uma história de 159 anos de sucesso.

Quer dizer… sobreviveram a tudo (guerras, crashs e choques), menos ao estouro da Bolha Imobiliária. E por quê? Porque perderam o foco no negócio deles que é, a rigor, o negócio dos outros.

Não sabiam o que estavam “facilitando” e acabaram se metendo num emaranhado de espelhos e sombras de que não conseguiram sair. Tombaram no dia 15 de setembro de 2008. Mais um cadáver para o cemitério dos heróis do capitalismo. Fica aqui minha abusada sugestão: a Fiesp deveria colocar uma estátua na frente da sua sede na paulista em homenagem ao Empreendedor Desconhecido, que tombou sem ser conhecido e levou para a frente as forças produtivas.

Homenagens à parte, e ironias de canto, voltemos ao defunto. O Lehman quebrou por um erro cada vez mais comum: num mundo extremamente sofisticado, onde a divisão social do trabalho chegou a um patamar alucinante, é praticamente impossível “saber de tudo”. Quando não se sabe de tudo sobre o negócio que se quer facilitar, você consegue só ver o lucro envolvido. Se este for grande quer dizer, indiretamente, que o negócio é bom. Afinal, se dá tanto dinheiro deve ser bom. Simples assim.

Nos idos de 1850, era fácil entender do negócio de algodão; você tinha escravos, terra, sementes, algumas máquinas, o preço do frete do navio, os armazéns e os seguros envolvidos. Era praticamente só isso. Nossos heróis capitalistas podiam ver quase tudo da janela do seu escritório: ali fica o porto, ali o armazém, e mais no canto a fazenda.

Tente fazer isso hoje. Eu nem sei se o sapato que eu uso é chinês ou brasileiro. Multiplice isso por alguns bilhões e depois eleve ao quadrado, e você terá uma idéia do que não tem medida.

Quando o mundo viu que o Lehman quebrou, todo mundo pensou: “estamos perdidos! Se eles não sabem do negócio, imagina eu. Vamos todos quebrar!”

Mas calma. O que aconteceu com a Casa dos Lehman não é exatamente uma novidade, nem algo catastrófico. Que o capitalismo é instável, qualquer um sabe. Que existem crises qualquer pessoa sabe.

Será que esta crise é maior que as outras? Que vai destruir a hegemonia americana? Que jogará o mundo no caos?

Acho difícil. O capitalismo não tem rabo preso com ninguém, as hegemonias são provisórias e os países que são potência são apenas a forma física eventual do grande monstro chamado “Acumulação de Capital”. A Inglaterra já foi grande, os EUA hoje são grandes; se amanhã a China ou o Brasil se tornar grande será apenas mais um.

Como lembra a música naquele charmoso cabaré marroquino com névoas de cigarro e mulheres lindas em vestido longo:

“It is all the same old story,
a fight for love and glory.

The word will always welcome lovers
As times goes by…”

Nada de novo sob o sol.

Em tempo: meu sapato é brasileiro com a sola feita 100% de couro de carneiro. Acho que nunca vi um carneiro na vida.

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags:
15/09/2009 - 10:45

Revisão PIB Brasil

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Após os dados divulgados na sexta-feira do PIB brasileiro no 2° trimestre, revisamos nossa projeção básica para o ano de 2009. Nossa expectativa para o 2° trimestre era de avanço de 1,24% (trimestral dessazonalizada), verificou-se um crescimento maior: de 1,9%.

 

Esta diferença pode ser explicada em parte pela revisão dos dados do PIB. Anteriormente a queda registrada no 1° trimestre era de -0,80%, porém sua versão atual dá conta de uma retração na casa do 1%.

 

Levando em conta o rítimo atual da demanda (crescimento de 2%) e das exportações (com estonteantes 14%) refizemos nosso cenário prospectivo para mais dois crescimentos de 1,8% no terceiro e quarto trimestres, levando o PIB brasileiro fechar 2009 em elevação de 0,26%.

 

Altas de 1,8% não são tão comuns na economia brasileira, mesmo em períodos onde a base de comparação é defasada. Vale lembrar que os dados do terceiro semestre ainda serão revisados, uma vez que nosso modelo de PIB pondera este sendo funçõa de Vendas no Varejo e Produção Industrial.

 

Falando em Vendas no Varejo, os dados divulgados na manhã de hoje pelo IBGE são truncados. Apesar do resultado ter apresentado alta de 0,5% a.m. e 5,9% a.a. os dados Ampliados mostram retração importante na venda de Veículos e Materiais de Construção. Esse grupo retraiu -6% no mês (automóveis sozinho caiu -10,4%, materiais de construção -1,3%)

 

Para ler o informa à imprensa do IBGE, acesse:

http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/noticia_visualiza.php?id_noticia=1454&id_pagina=1

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags:
14/09/2009 - 09:21

Um ano essa semana.

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O tema onipresente na imprensa especializada será, ao longo dessa semana, o aniversário de um ano de morte do gigante Lehman Brothers. O banco que começou em 1850 a partir de uma modesta quitanda no estado de Alabama, se especializou no mercado de algodão vendendo sementes e maquinário e comprando e vendendo o algodão produzido; cresceu e tornou-se um expert na intermediação financeira.

 

Sobreviveu a Guerra Civil norte-americana, a duas Guerras mundiais, dois choques do petróleo, o crash de 29 e mais uma ou outra crise no meio do caminho. Acertou muito mais que errou, mas no dia 15 de setembro de 2008 tombou no emaranhado sub-prime e nunca mais se levantou.

 

O tema da saúde do sistema financeiro voltará às páginas dos jornais nessa semana e a controvérsia sobre se estamos melhorando ou piorando gastará muita tinta junto com o obituário do gigante de 158 anos.

 

Essa será também uma semana de divulgação de dados econômicos relevantes que podem – mais uma vez – apontar o fim da crise econômica propriamente dita. Se não o fim desta, pelo menos o fim da piora desta. Dados de Vendas no Varejo serão divulgados nos EUA, na Inglaterra e, mais importante, no Brasil.

 

Amanhã será a vez do Brasil e dos EUA mostrarem por quanta anda o setor varejista. Por aqui não devemos ter surpresas e as vendas devem avançar como previsto. Nos EUA o curso deve ser o mesmo, porém cabe notar aqui que tanto nos EUA quanto no Brasil, as Vendas no Varejo estão subindo puxados pela orelha do incentivo ao setor automotivo.

 

Peguemos como exemplo as expectativas para as Vendas no Varejo de agosto nos EUA. Os economistas de lá esperam que as Vendas cresçam 1,7% na variação mensal dessazonalizada. No entanto, se retirarmos da conta a venda de veículos, o resultado cai para menos da metade, fechando em módicos 0,4%. A ação do governo tem sido forte promotora do reaquecimento do setor que é, tal qual argumentado sobre os principais bancos de lá, Grande Demais Para Falir. Se a política monetária expansionista que mantém viva na UTI gigantes desidratados pelo colapso da liquidez internacional é a melhor política só o tempo vai dizer. Por ora tem surtido efeito positivo.

 

Dois outros dados chamam a atenção nos EUA. Na quarta-feira será divulgado a Produção Industrial por lá, juntamente com a Utilização da Capacidade Instalada. Na quinta-feira é a vez de dados do setor Imobiliário, em especial o Housing Starts (início da construção de novos imóveis). A expectativa é de melhora marginal para todos estes agregados.

 

No Brasil foi divulgado na manhã de hoje o Sinalizador da Produção Industrial de São Paulo (uma pesquisa conduzida conjuntamente pela FGV e AES) e os resultados são animadores. A indústria paulista avançou 2,3% na variação mensal dessazonalizada. Na comparação com igual período do ano passado deixamos de cair tanto, se antes o tombo era de -11,9% para -7,5%.

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags:
11/09/2009 - 11:01

PIB avança no Brasil

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O PIB brasileiro nesse 2° trimestre avançou além das expectativas e aponta alta (na variação dessazonalizada) de 1,9%. Um ótimo resultado que decreta o fim da recessão no país e reitera o bom momento da economia.

 

pib_brasil_2tri09

 

Essa alta foi puxada por dois motivos. No front externo as exportações avançaram 14,13% (no 1° trimestre haviam recuado -15,81%) e, domesticamente, o Consumo das Famílias avançou robustos 2%.

 

pib_brasil_aberto

 

Houve revisão dos dados de PIB, como é de praxe, e acabou-se verificando que o 1° trimestre de 2009 a queda foi mais expressiva do que inicialmente projetada. A medição inicial dava conta de uma retração de 0,8% no produto interno bruto, porém a revisão decretou uma queda maior: de -1%. Os dados do 4° trimestre de 2008 também sofreram alteração, mas agora para cima: ao invés de 3,6% de queda, a queda foi menor, em -3,4%.

 

Boas notícias também do outro lado do mundo. O Gigante Asiático chinês apresentou ontem uma série de dados que deixam claro o vigor daquela economia. As Vendas no Varejo avançaram 15,4% no acumulado do ano contra igual período do ano passado, a Produção industrial subiu estonteantes 12,3%, batendo assim as estimativas. Mais um bom sinal para os mercados emergentes, Brasil no meio.

 

O IGP-M do 1° decêndio de setembro registrou alta relevante fechando o período em 0,28%, em agosto foi apurada deflação de -0,68%. Após ter caído -1,09% no mês de agosto os preços no atacado (IPA) registrou em setembro avanço de 0,39%. Em 2009 em 6 das 9 apurações o índice apresentou deflação.

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags:
10/09/2009 - 11:13

Ata do COPOM: sem mais cortes.

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A ata da última reunião do COPOM sacramentou a visão reinante entre os economistas e analistas: a taxa básica ficará inalterada por um bom tempo. O BC enumerou uma série de movimentos da economia – doméstica e internacional – que corroboram para a trajetória benigna da inflação. No front externo o BC pondera no item 17 da ata que:

“… o efeito líquido da desaceleração global sobre a trajetória da inflação doméstica segue sendo, até o momento, predominantemente benigno.”

Ao se referir a dinâmica interna sob os estímulos externos o colegiado aponta no item 24 que:

“O Comitê considera que a acomodação da demanda, motivada pelo aperto das condições financeiras e pela deterioração da confiança dos agentes, ainda que nos dois casos continue se observando melhora na margem, bem como pela contração da economia global, que também parece estar arrefecendo, criou importante margem de ociosidade dos fatores de produção, que não deve ser eliminada rapidamente em um cenário básico de recuperação gradual da atividade econômica. O Copom assinala, também, que, em torno deste cenário básico, existem incertezas, com viés tanto positivo quanto negativo, sobre o ritmo de recuperação da atividade. De qualquer forma, esse desenvolvimento, contemplado no cenário básico, deve contribuir para conter as pressões inflacionárias.”

O BC faz questão de frisar – sempre que pode – que o movimento total de corte de juros deve ter seus efeitos sentidos de forma defasada, ou seja, em 2010. No item 25 o BC aponta isso e vai além.

“O Comitê entende que decisões sobre a evolução da taxa básica de juros têm que levar em conta a magnitude do movimento total realizado de janeiro a julho, cujos impactos sobre diversos indicadores econômicos ficarão evidentes ao longo do tempo, em contexto de retomada paulatina da utilização dos fatores de produção. O Copom considera, também, que uma postura mais cautelosa contribuirá para mitigar o risco de reversões abruptas da política monetária no futuro e, assim, para a recuperação consistente da economia ao longo dos próximos trimestres. O Copom avalia, adicionalmente, que a preservação de perspectivas inflacionárias benignas irá requerer que o comportamento do sistema financeiro e da economia sob um novo patamar de taxas de juros seja cuidadosamente monitorado ao longo do tempo.”

Em negrito grifo nosso.

O nome do jogo – por assim dizer – não é mais inflação, mas antes de tudo o novo patamar de taxa de juros. O BC está muito atento aos desdobramentos no tecido econômico de taxas de juros tão baixas, o que pode desorganizar certos mercados chaves sob o efeito de juros tão baixos. Só para ilustrar o fato peguemos como exemplo a controvérsia entre a poupança e os fundos de renda fixa. A rentabilidade da poupança é por lei TR + 6%, ou seja: o piso da taxa de juros no país é esse sob pena de asfixiar boa parte do sistema financeiro caso a taxa oficial baixe além desta linha d´água. Este tipo de entrave (poupança remunerada a este patamar) que o BC observa com cuidado, e, que nem este, existe outra série de travas, frutos do período de inflação galopante.

Para ler a ata, acesse:

http://www.bcb.gov.br/?COPOM145

Falando em inflação o IPCA de agosto divulgado hoje de manhã nos surpreendeu e veio bem abaixo da nossa projeção. Esperávamos que o IPCA fechasse agosto em 0,28%, pressionado pelo reajuste de energia elétrica, tarifas de esgoto, do açúcar e do álccol combustível. No entanto caiu em relação ao mês de julho e ficou em 0,15%, abaixo da projeção do mercado em 0,18%. No ano o IPCA acumula 2,97%, sugerindo, mais uma vez, que a inflação deve fechar 2009 abaixo da meta.

Nos EUA o FED divulgou ontem o Livro Bege, a compilação dos relatórios recebidos pelo Banco Central norte-americano de suas filiais espalhadas pelo país. O nível de atividade reportado indica fim da deterioração e melhora na margem de alguns indicadores. Mais uma boa notícia vinda da principal economia mundial.

Para ler o Livro (em inglês), acesse:

http://www.federalreserve.gov/fomc/beigebook/2009/20090909/default.htm

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags:
09/09/2009 - 09:44

Inflação? Que inflação?

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Os dados divulgados hoje pela FGV e pela FIPE reiteram que, fora algumas pressões pontuais, a inflação segue sua trajetória benigna ao longo de 2009. O IPC-FIPE da 1ª quadrissemana de setembro apresentou variação de 0,47% (nossa projeção era de 0,48%) e continua acima das variações anteriores impulsionado pelo grupo Habitação, fatalmente por conta do reajuste de Energia Elétrica Residencial.

No caso do IGP-DI do mês de agosto, apesar de uma variação acima do esperado em 0,09% (nossa projeção era de deflação de -0,10%, o consenso de mercado era -0,12%) não nos parece – por ora – descabido. A alta se concentrou na reversão da queda do IPA (Índice de Preço do Atacado) que, após uma série longa de deflação, acabou sendo influenciado positivamente por conta de quatro grupos: hortaliças (tomate subiu 50,96%), frutas (mamão e uva em particular), açúcar cristal (alta de 5,62%) e óleo combustível.

O IPC (Preço ao Consumidor) apresentou queda no mês de agosto, saindo de 0,34% em julho para 0,20% na última medição, onde cinco das sete classe de despesas apresentaram retração. Mesmo o cálculo do núcleo do IPC (elaborado pela própria FGV) apresentou queda em relação ao mês anterior, reiterando mais uma vez que a inflação ao consumidor continua a não apresentar um problema no front econômico brasileiro.

Mesmo registrando esta alta inesperada de 0,09%, o IGP-DI acumula no ano uma deflação de -1,59%, a maior deflação num mês de agosto de 1944. Se comparado aos anos imediatamente anteriores fica ainda mais evidente a queda generalizada da inflação medida pelos Índices Gerais da FGV.

Levando em conta que o IGP-M reajusta uma série de contratos (em especial aluguéis e mensalidades) e que o câmbio deve continuar se valorizando frente à política monetária expansionista implementada pelo FED, não teremos muitas razões para temer um repique inflacionário no início do ano que vem.

Amanhã será divulgada a inflação oficial, o IPCA, e esperamos que este apresente leve alta, saindo de 0,24% para 0,28% em agosto.

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags:
08/09/2009 - 10:05

Produção Industrial na Europa: copo meio cheio.

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Há quem decretou o fim da crise econômica já nesse segundo semestre; afinal os dados sobre o nível de atividade estão se apresentando melhor que o esperado e – no mais – indicam o fim da deterioração continuada do tecido econômico. É exatamente isso que sugerem os números apresentados hoje sobre a Produção Industrial da Inglaterra e da Alemanha.

Os dados acima são as variações anuais percentuais das duas economias, onde SAZ significa que não houve ajuste sazonal e WDA que houve ajuste por dias úteis. É inquestionável que ambas as variações apontam para o fim do ciclo de queda.

Porém cabe notar dois pontos. O primeiro é que as comparações anuais estão, cada vez mais, sendo feitas sobre uma base depreciada, ou seja: estamos comparando o período atual com o início da crise, onde os dados de produção começaram a cair. Desta forma a variação percentual acaba encobrindo o real movimento da economia e diz pouco sobre a evolução econômica.

Prova disso, e este é nosso segundo ponto, é que os patamares atuais de produção retrocederam uma década na economia alemã. O gráfico abaixo fixou a base 100 em fevereiro de 1978 e fizemos os ajustes mensais tendo em vista a variação mensal dessazonalizada. Fica claro que ainda falta muito para a economia do gigante europeu voltar aos antigos patamares, e até lá teremos um longo e difícil caminho.

Este novo patamar deve persistir por algum tempo antes de ser superado, afinal as economias maduras estão ainda em pleno processo de revitalização do seu sistema financeiro e, haja vista a expansão econômica anterior foi turbinada pelo lastro imobiliário e no crédito farto, deveremos ver taxas mais módicas de crescimento nos próximos meses.

No Brasil dados do IPC-S sobem mais que o esperado. A variação semanal saltou de 0,21% para 0,56%. No entanto, o impulso nos preços foi extremamente localizado no grupo Horti-Fruti, caso estes produtos fossem isolados a inflação medida seria na verdade uma deflação de -0,12% segundo a FGV. Não nos preocupa por ora este aumento nas verduras e frutas, mas devemos manter atenção sobre a evolução deste grupo nas próximas medições.

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags:
03/09/2009 - 11:01

SELIC: sem novidades.

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Numa das decisões mais mornas da história recente do COPOM o colegiado do BC decidiu, por unanimidade, manter a meta para taxa básica nos atuais 8,75. Unanimidade dentro e fora do BC: foram pouquíssimos os economistas e analistas de mercados que não acreditavam que a taxa seria mantida.

O motivo para tamanha concordância se deve a leitura da última ata (da 144ª reunião que decidiu por um corte de 50 p.b.). No tópico “Implementação da Política Monetária” a diretoria do BC já deixava clara suas intenções de patrocinar a manutenção da meta por um bom tempo. No item 25 a ata entrega:

“O Comitê entende que decisões sobre a evolução da taxa básica de juros têm que levar em conta a magnitude do movimento total realizado desde janeiro, cujos impactos sobre diversos indicadores econômicos ficarão evidentes ao longo do tempo. O Copom considera, também, que uma postura mais cautelosa contribuirá para mitigar o risco de reversões abruptas da política monetária no futuro e, assim, para a recuperação consistente da economia ao longo dos próximos trimestres. O Copom avalia, adicionalmente, que a preservação de perspectivas inflacionárias benignas irá requerer que o comportamento do sistema financeiro e da economia sob um novo patamar de taxas de juros seja cuidadosamente monitorado ao longo do tempo.”

Em negrito grifo nosso.

Ontem foi divulgada a nota a imprensa sobre a decisão pela manutenção da Selic e o comunicado praticamente faz coro com o item acima citado. Eis o comunicado:

“Tendo em vista as perspectivas para a inflação em relação à trajetória de metas, o Copom decidiu manter a taxa Selic em 8,75% a.a., sem viés, por unanimidade. Levando em conta, por um lado, a flexibilização da política monetária implementada desde janeiro, e por outro, a margem de ociosidade dos fatores produtivos, entre outros fatores, o Comitê avalia que esse patamar de taxa básica de juros é consistente com um cenário inflacionário benigno, contribuindo para assegurar a manutenção da inflação na trajetória de metas ao longo do horizonte relevante e para a recuperação não inflacionária da atividade econômica.”

O BC avalia que já avançou até onde pode para conciliar a trajetória da inflação, o nível de atividade e a saúde do sistema financeiro. Não nos parece, por tanto, que devemos ter alterações na taxa básica por um bom tempo, salvo alguma indicação adicional seja ventilada na próxima ata do Comitê na semana que vem.

Vale notar que os economistas ouvidos pelo BC através do sistema de expectativas (o famigerado relatório Focus) vêem para 2010 o IPCA abaixo da meta (em 4,30%) e o PIB crescendo fortemente (em 4%). O cenário está muito positivo e o BC optou pela prudência nesse momento.

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags:
02/09/2009 - 13:49

Primeira prévia

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Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags:
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