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Arquivo de agosto, 2009

17/08/2009 - 11:25

Situação de margem.

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Os dados econômicos recentes – principalmente das economias industrializadas – não param de confirmar uma única tendência: o mundo parou de piorar. E é só; não estamos perto de apresentar melhora significativa nas principais variáveis macroeconômicas, se comparado aos antigos patamares. Exemplo disso é a Utilização da Capacidade Instalada dos EUA, divulgada semana passada.

A série acima é longa, remonta agosto de 1973, e deixa claro o momento deteriorado em que vivemos. Os patamares de utilização da indústria norte-americana nunca estiveram tão baixos o que é um claro indicador que os investimentos – a Formação Bruta de Capital Fixo – vai demorar a voltar.

É isso que nos diz os dados de PIB da Europa e EUA. Também está explícito isso nas pesquisas de PMI destes países e nos mais diversos setores. No entanto, é de se esperar que alguns dados econômicos venham positivos na margem, uma vez que a base de comparação está bastante depreciada.

Uma boa surpresa veio da economia japonesa na madrugada de ontem onde o PIB do 2° trimestre avançou 0,9% em termos dessazonalizado; na variação anualizada o produto da potência asiática foi de 3,7% após ter amargado uma queda de -11,7% no 1° trimestre.

Após 4 trimestres consecutivos de queda no PIB o Japão consegue reverter a tendência, de um lado por conta da base fraca de comparação, e, por outro, pela exportação para os países emergentes asiáticos que vem demandando seus produtos sofisticados.

No Brasil dados das Vendas no Varejo, divulgados também semana passada, merecem um pouco mais de atenção. A variação mensal surpreendeu os economistas e veio acelerando 1,7% em termos dessazonalizados. Na comparação anual estamos acumulando 5,6% de alta, o que, no mais, é um ótimo resultado.

Porém nos chama atenção que o resultado do mês anterior foi revisado para metade do que havia sido anteriormente anunciado, saiu de 0,8% para 0,4%. Nosso modelo para o PIB brasileiro pondera este sendo função da Produção Industrial e das Vendas no Varejo. Ainda não refizemos as regressões, nossa estimativa anterior é que o PIB brasileiro avance neste segundo trimestre – em termos dessazonalizados – em torno de 1,26%.

O IPC-S divulgado na manhã de hoje pela FGV aponta novo recuo da inflação, saindo de 0,36% para 0,26%. No Relatório Focus de hoje as expectativas continuam caindo para inflação. O IGP-M, por exemplo, saiu de -0,23% para 2009 e tombou, de uma semana para outra, para -0,63%. O IPCA para 2009 também registra nas expectativas e está hoje em 4,37%, caindo a três semanas consecutivas.

Para ler o relatório na íntegra, acesse:

http://www4.bcb.gov.br/pec/GCI/PORT/readout/R20090814.pdf

O Empire Manufacturing, que mapeia a situação econômica na região de Nova Iorque, veio surpreendentemente bem na manhã de hoje. O anterior tinha sido de -0,55, o esperado era que viesse em 3,00, porém o índice deu um salto e fecha em 12,08.

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags:
12/08/2009 - 22:44

Comprado na venda

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Não costumo fazer isso, talvez seja até uma boa, mas segue abaixo a reposta que fiz ao comentário do Alberto, crítico mordaz das bobagens que vez por outra publico aqui.

Abs

——————————————-

Alberto,

Vamos por partes. Em primeiro lugar estamos falando em prever o futuro. Certo? Logo, somente alguém muito ingênuo (não estou falando que é o seu caso) para acreditar 100% no que um economista, analista, ou quem quer que seja esteja falando sobre o futuro. O melhor que a gente pode fazer é assumir algumas premissas e construir um cenário em cima disso.

Tinha gente falando em 86 mil pontos? É claro que tinha. Tinha gente falando no colapso do capitalismo e na vitória do Chavismo na América Latina? É claro que tinha. Tinha gente falando que o Flamengo iria ganhar a Libertadores? É claro que tinha!

As pessoas falam de tudo e falam demais, eita mania. No entanto, opinião no mercado financeiro segue uma regra de ouro: se você gostou da opinião que ouviu você compra, se não gostou você vende. Simples assim. Se alguém achava que a bolsa ia até 86 mil pontos essa pessoa comprou bolsa, quem não achava isso vendeu bolsa pra ela.

Cada compra uma venda. O bacana do mercado financeiro é isso, para ter negócio duas pessoas têm que ter opiniões radicalmente diferentes sobre a mesma coisa (ativo) no mesmo momento do tempo. Se um acha barato, ele compra. Se o outro acha que está caro, ele vende.

E o melhor de tudo: valendo grana, na ponta do lápis. Não é simplesmente falar por falar, é pagar pra ver.

Se você acha que os analistas sempre erram, vai fundo, vende Petrobrás. Se acha que não pode sair comprando.

As discussões do tipo “economista erra” são, na minha humilde opinião de economista, pura bobagem. É discutir sexo dos anjos.

Pois bem, eu disse que nosso cenário é 62 mil pontos. Por que eu falei isso? Se você acompanhou o blog nos últimos tempos sabe que minha previsão para o PIB brasileiro, que é uma derivada de uma função linear de Mínimos Quadrados Ordinários e que pondera o PIB sendo dependente de Vendas no Comércio e Produção Industrial, é que este recua em torno -0,80% em 2009.

Levando em conta este nível de atividade (-0,8%), a queda no PIB dos países industrializados, somado ao setor externo brasileiro com saldos positivos, reservas em moeda forte, juros no patamar mais baixo da história do Real, bilhões de litros de petróleo descobertos e dois títulos de grau de investimento depois; eu acredito que é razoável supor que a bolsa feche o ano apenas 13% a menos do que o pico do ano passado.

Se você gostou do cenário compra. Se quiser vender é só me ligar.

Abs
André Perfeito

(em tempo estarei no Rio de Janeiro na quinta e na sexta, talvez não dê tempo para publicar posts novos.)

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags:
12/08/2009 - 14:09

Volatilidade volta ao cenário.

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O segundo semestre está mais para um período de fortes emoções do que um tempo de consolidação da calmaria pós-furacão financeiro. Bem, isso se olharmos com atenção os mercados financeiros, em especial o acionário.

O motivo deste aumento da temperatura é simples; o mercado precificou o fim da crise de forma muito rápida na esteira de resultados enganosamente positivos. O segundo trimestre, e o início deste terceiro trimestre, apresentaram dados econômicos positivos, mas estes mesmos dados não querem dizer – de forma alguma – recuperação econômica. Antes de tudo eles apontam para o “fim da piora”, e não o “início da melhora”, especialmente quando se trata de agregados econômicos dos países industrializados.

O mercado avançou com ímpeto sobre os índices, o que fez o Ibovespa saltar 50% em Reais em 2009, em Dólares o índice brasileiro subiu no rabo-de-foguete da desvalorização da moeda norte-americana e acumula estonteantes 90% de valorização no mesmo período.

Até quando o mercado acionário pode subir no país? De um lado temos boas notícias quando se trata de bolsa no Brasil. O novo patamar de taxa de juros no Brasil favorece a migração de recursos da renda fixa em direção à renda variável. O Brasil também está bem posicionado frente nossos pares emergentes. Para quem vê o Brasil sentado numa cadeira na Citi Londrina, ou de um arranha-céu em Manhatan, nosso país parece um paraíso: contas externas fortes (Reservas internacionais altas e saldos comerciais positivos), demanda interna robusta, abundância de fatores, e, finalmente, taxa de juros relativamente altas frente um risco relativamente baixo. Isso tudo explica a alta da bolsa esse ano.

Por outro lado estamos chegando ao limite do movimento de alta previsto para este ano. Acreditamos que o Ibovespa vai fechar o último pregão do ano em 62 mil pontos. Outros departamentos econômicos e de análise em outros bancos acreditam algo em torno de 65 mil e 60 mil pontos. Já estamos perigosamente perto destes patamares e nem passamos a metade do terceiro trimestre. Se confirmar nosso cenário de 62 mil pontos isso quer dizer que temos – de hoje até o final do ano – apenas 11% de prêmio.

Quanto mais chegamos perto deste patamar, menos o mercado caminhará junto na mesma direção, ou seja: o conjunto de opiniões começam a divergir demais, logo a volatilidade volta.

É verdade que a situação econômica no Brasil e no mundo tende a melhorar nesse segundo semestre, mas não é menos verdade que imaginar que a crise acabou é fazer o jogo do contente. Estamos apenas deixando de cair. Daqui pra frente será uma lenta, mas constante, recuperação até os patamares antigos de produto.

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags:
11/08/2009 - 10:41

Inflação confirma queda no país.

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A inflação no Brasil não se configura, de forma alguma, um problema relevante no front econômico durante este ano de 2009. Prova disso são os dois índices divulgados na manhã de hoje por dois institutos distintos. O IPC-FIPE veio dentro das expectativas e fechou em modestos 0,35%, nossa previsão era de alta de 0,38% ante 0,33% de variação da última quadrissemana.

As recentes altas foram estimuladas por algumas pressões típicas e sazonais de meio de ano. O grupo Habitação foi o que mais subiu (0,55%) representando sozinho 55% da alta do índice. O grupo Alimentação que vinha dando dor de cabeça recentemente por conta de altas no preço do Leite Pasteurizado e, por conseguinte, em altas disseminadas na cadeia dos derivados de leite, está sob controle agora e avançou apenas 0,39%.

A surpresa ficou por conta do IGP-M. Enquanto o mercado projetava mais uma queda de -0,46% em agosto ante uma outra queda de -0,23% em julho, nossa projeção dava conta de um tombo de -0,74%. Veio menos que nossa estimativa, no entanto desacelerou fortemente, em estonteantes -0,68%. Se comparado aos últimos três anos, a inflação de 2009 está abaixo dos patamares até então registrados e indicam forte retração nos preços em 2009 sob essa metodologia.

O grupo que puxou para baixo o IGP-M foi – de novo – o IPA com desaceleração de -1,09%. O destaque ficou pelo tombo nas matérias primas brutas, com desaceleração de -2,81%. O IPC (preço ao consumidor) fecha zerado, em 0,01% ante 0,12% do período anterior.

Como vemos a inflação não é o problema por ora. Antes de tudo esses dados confirmam o frágil estado de saúde da economia brasileira e mundial.

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags:
10/08/2009 - 11:24

Inflação para baixo da meta; automóveis estáveis.

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Após a divulgação do IPCA de julho em 02,4% ante 0,36% de junho, o mercado revisou suas expectativas de inflação para este ano. Nosso cenário base apontava que o IPCA acumulado em 2009 fecharia o ano em 4,40%, hoje a mediana das expectativas do Relatório Focus chegou neste patamar após 3 semanas consecutivas de revisões para baixo.

Esta revisão para baixo aparece para todos os índices cobertos na pesquisa semanal do BC. No caso do IGP-M a revisão das expectativas é ainda mais severa, está há 14 semanas sendo revisado para baixo e hoje se estima, para o acumulado do ano -0,23%. Nossa projeção é de -0,50%.

No caso do TOP 5, as instituições que mais acertam nas suas previsões, o IPCA esperado para o final do ano está em 4,42%, semana passada este mesmo grupo esperava 4,62%. Não importa sob qual grupo se observe a expectativa do IPCA para 2009 está abaixo da meta oficial de 4,50%. Em tempo: após o resultado de julho o IPCA acumulado está em 4,50%, exatamente no centro.

O risco país vem caindo de forma consistente desde a fase mais aguda da crise e já apresenta hoje valor proporcional a antes do furacão financeiro ter tomado conta dos mercados globais. Abaixo a evolução do CDS de 5 anos do Brasil, que mede a diferença entre o que é pago por um título de maturação de 5 anos da dívida brasileira frente um de igual maturação do governo norte-americano.

Nosso risco percebido, capturado pelo CDS, reitera um cenário benigno para a economia brasileira, e melhor: após meses de crise a percepção é que o Brasil está melhor posicionado que nossos pares emergentes, de tal sorte que, antes da crise, nosso risco era maior que nossos pares, hoje estamos num patamar inferior que nossos concorrentes (excetuada a Polônia, com quem estamos empatados, e da China que possui sólida reputação).

O risco país em patamares baixos contrastam com a taxa curta tão elevada. Peguemos o exemplo de Brasil versus Polônia. Os dois possuem o mesmo risco percebido, mas a taxa brasileira é o dobro do que do nosso par no leste europeu. Este tipo de sinal acaba abrindo margem para pesadas arbitragens e é o que, em grande medida, tem apreciado nosso câmbio. No ano o câmbio polonês se apreciou 2,15%, no mesmo período o Real avançou 21% sobre moeda norte-americana.

Para ler o Relatório Focus na íntegra acesse:

http://www4.bcb.gov.br/pec/GCI/PORT/readout/R20090807.pdf

Foram divulgadas na manhã de hoje os dados da ANFAVEA sobre o desempenho da Indústria Automobilística nacional. Os dados apresentados apontam alguma piora marginal, mas nada que preocupe ou apresente uma reversão de tendência significativa. A produção de veículos em julho chegou a 281 mil unidades (em junho foi de 283 mil). Já as vendas caíram mais um pouco, saindo de 300 mil unidade em junho para 285 mil em julho.

As exportações continuam se deteriorando, e jogam pressão sobre a indústria. Sabemos que a recuperação destes mercados será lenta e não teremos boas notícias no front externo para exportação de produtos de alto valor agregado nos próximos meses. Voltamos ao patamar exportado de 2001 e 2002.

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags:
09/08/2009 - 18:06

Chat iG

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Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags:
06/08/2009 - 11:13

Inflação?

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Dados divulgados na manhã de hoje pela FGV referentes ao IGP-DI de julho deixam claro – de novo – que a inflação não é um problema no radar econômico brasileiro. A variação do mês de junho tinha registrado deflação de -0,32%, em julho a desaceleração foi o dobro e fecha em impressionantes -0,64%. O resultado superou nossa expectativa de queda de -0,43% e bateu até mesmo a previsão mais baixista do mercado de -0,56%.

O gráfico acima mostra a evolução da inflação acumulada no ano do IGP-DI entre os anos de 2006 e 2009. Fica evidente que o momento é favorável para “trajetória benigna da inflação doméstica”, como já sentenciou mais de uma vez o BC em ata. Hoje o IGP-DI acumula no ano deflação de -1,68%. O grupo que puxou para baixo o índice foi mais uma vez os preços no atacado que recuaram -1,16% frente -0,64% do período anterior.

O IPC (preços ao consumidor) registrou alta de 0,34%, mostrando aparentemente aceleração. No entanto, se observarmos o núcleo, vemos que houve pouca variação saindo de 0,23% em junho para 0,29% em julho. O vilão do preço ao consumidor foi o reajuste sazonal da tarifa elétrica residencial que saltou de -1,55% em junho para 3,89% em julho. Por conta disso o grupo Habitação apresentou alta de 0,66% no período.

O grupo que vinha dando dor de cabeça ao preço ao consumidor são os derivados de leite. Porém as pressões deste conjunto de produtos parecem estar se arrefecendo. Em junho a alta tinha sido de 12,42% do leite tipo longa vida, em julho o reajuste foi menor, em 4,34%.

Os motivos da queda da inflação são muitos, entre elas citamos existência de capacidade ociosa na indústria, desaceleração econômica e, principalmente, câmbio apreciado (em 2009 a moeda norte-americana retrocedeu 22,34% em 2009). Com o Real tão forte frente ao Dólar existe uma pressão constante para a acomodação dos preços em patamares mais baixos no plano doméstico, sob pena de tornar atrativa a importação destes mesmos bens no mercado externo.

Para 2010 já temos como certo alguma deflação no IGP-M de 2009, o que evita, logo no mês de janeiro, o reajuste de alguns contratos (aluguéis e tarifas) retirando um pressão inicial nos preços.

Na Europa as notícias do front econômico continuam apresentando melhora, ou, numa leitura mais sóbria, “menos piora”. A janela de tempo entre este ano e o ano passado favorece as comparações anuais uma vez que estamos entrando no período mais forte da crise.

Pedidos à Indústria na Alemanha surpreendeu os analistas que sentenciavam alta de 0,6% na variação mensal dessazonalizada, porém verificou-se estonteantes 4,5%. Na Inglaterra o Registro de Carros Novos volta a subir e fecha em 2,5% de alta a.a..

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags:
05/08/2009 - 10:59

Chegando ao fundo.

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Os últimos dados econômicos, não importa muito em qual economia estamos tratando, apontam – invariavelmente – que chegamos ao fundo da recessão, e que a partir de agora devemos ver a lenta recuperação rumo ao topo. Este movimento fica evidenciado nos dados de PMI ao longo do globo. Hoje de manhã foi divulgado o PMI Composto (que abrange o setor manufatureiro, serviços e construção) da Europa.

O PMI é uma pesquisa conduzida junto aos administradores de grandes empresas onde estes são convidados a comparar o mês corrente contra o mês anterior. O questionário é categórico: sua empresa vendeu mais que o mês passado?, sua empresa exportou mais que o mês passado?, seus estoques aumentaram em relação ao mês passado? Se a situação permaneceu igual ao período anterior o resultado é 50, se melhor maior que 50, se pior, menor.

Vemos que a situação européia, descrita no gráfico acima, ainda está abaixo da linha d´água dos 50 pontos, ou seja, o mês corrente ainda foi pior do que o anterior. No entanto devemos caminhar para em breve estabilizar a desaceleração global. Em algumas economias européias, dependendo do setor observado, já estamos levemente acima dos 50.

Outro fenômeno interessante, que reitera a leitura de que a economia encontrou seu fundo, são os dados em termos anuais. No primeiro semestre vimos os dados marginais (na variação mensal) vindo melhores percentualmente. O motivo era prosaico: a base de comparação era depreciada, logo os resultados apresentavam variações positivas.

Agora o mesmo desdobramento ocorre em termos anuais. Estamos entrando numa janela de tempo onde se encavala este ano com o início do período mais severo de crise econômica do ano passado. Veremos ao longo deste 2° semestre isto ocorrer de forma cada vez mais freqüente.

Ilustra este movimento a Produção Industrial da Inglaterra divulgada nesta manhã no Velho Continente.

Dados de emprego nos EUA também sugerem o mesmo caminho para a economia norte-americana. Dados da ADP – um empresa que processa holerites e folhas de pagamento – divulgou há pouco os dados de Criação de Vagas nos EUA. O resultado veio pior do que previsto pelos economistas norte-americanos, porém sua evolução aponta, de novo, a presença de um fundo.

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags:
04/08/2009 - 11:25

Comparando com o início.

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Os dados econômicos divulgados nesta semana trazem uma característica interessante. Como estamos na primeira semana do mês de agosto é justamente neste período que são divulgados dados consolidados do mês anterior. Mais do que isso; dados mais robustos – entre eles Produção Industrial e Vendas no Varejo – de junho, o último mês do segundo trimestre, estão também sendo divulgados.

É interessante apontar que agora estamos entrando na janela de tempo que emparelha este ano com o início da fase mais aguda da crise do ano passado. Logo alguns dados que vinham apenas melhor na margem, na variação mensal, começam encontrar um fundo, uma vez que se compara o mês corrente com o resultado depreciado do ano passado. Este efeito é particularmente verdadeiro nas economias avançadas, onde a tormenta financeira infectou o tecido econômico antes que o Brasil.

No mais, dados positivos se avolumam no front econômico. Ontem o setor automotivo norte-americano demonstrou vigor surpreendente e apontou certa recuperação. Não por menos: o esforço da administração Obama, e até mesmo antes no apagar das luzes do governo Bush, o esforço do governo dos EUA tem sido brutal para reanimar a cambaleada indústria automotiva.

A Balança Comercial brasileira continua mostrando vigor surpreendente e registra superávits recorrentes. Isto é resultado de uma queda mais abrupta das importações frente as exportações, algo que não foi observado no mês de julho, mas está ainda longe de representar uma alteração de tendência.

No que toca o nível de atividade no país, ontem tivemos a divulgação de dois indicadores relevantes. A Produção Industrial medida pelo IBGE avançou 0,2% na série dessazonalizada mensal, menos que as expectativas de mercado. Outro dado relevante é o PMI brasileiro, pesquisa que tenta capturar o ritmo dos negócios no país. Se o índice vem igual a 50 isso significa que o mês corrente foi igual ao mês anterior, se pior vem abaixo, se melhor maior. Os dados são dessazonalizados para evitar distorções típicas da agenda anual.

Como vemos no gráfico acima ainda estamos abaixo da linha d´água dos 50 pontos, ou seja: os mês de julho foi pior que o mês de junho. No entanto, o gráfico denuncia que estamos cada vez “menos pior” e bem próximo de uma estabilidade, mesmo que num patamar mais baixo.

Em posse dos dados da produção Industrial de junho refizemos nossa projeção para o PIB brasileiro do 2° semestre. Este número é ainda uma versão preliminar que carece confirmação com os dados de Vendas no Varejo que serão divulgados dia 13 de agosto.

Porém, assumindo uma alta de 1% nas Vendas no Varejo de junho frente a maio (dados dessazonalizados) teríamos uma variação do PIB no 2° trimestre de 2009 frente ao 1° trimestre do mesmo ano em 1,26%. Se assumirmos um crescimento homogêneo do PIB – nas variações trimestrais – de 1 % no 3° e no 4° trimestres fecharemos o ano de 2009, aí sim na variação anual, de -0,86%.

Gostaríamos de salientar que nossas expectativas, apesar de mais baixas que a mediana do mercado (o Relatório Focus aponta pra -0,34% para 2009), estão se tornando mais altas na medida que 2009 se desenrola, mo início do ano nossos modelos apontavam uma retração de cerca de 1,56% do PIB este ano. Hoje acreditamos que seria quase metade disso. Reitero aqui que estes são dados preliminares e que ainda carece confirmação e estresse dos modelos usados.

O IPC-FIPE de julho veio rigorosamente dentro da nossa expectativa e fecha o período em 0,33% de alta. O vilão tem sido o grupo Alimentação que foi turbinado por altas nos derivados de leite.

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags:
03/08/2009 - 11:06

Produção Industrial reitera recuperação marginal.

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Os dados da Produção Industrial, divulgado hoje de manhã pelo IBGE, reafirmam a recuperação marginal (ou seja, na variação mensal) positiva. O motivo é simples: em junho do ano passado a economia brasileira caminhava a passos largos, o PIB estava crescendo acima de 6%, logo qualquer comparação se perde frente a base apreciada. Segundo a s palavras do próprio IBGE:

“No confronto com o mês anterior, descontados os efeitos sazonais, essa taxa (0,2%) representou o sexto acréscimo consecutivo ao longo de 2009, confirmando a sustentação no ritmo da atividade fabril. Assim, de janeiro a junho deste ano, a produção industrial acumula uma expansão de 7,9%.”

“Entretanto, frente aos mesmos períodos de 2008, quando a trajetória do setor era crescente, os resultados permaneceram negativos: -10,9% na comparação com junho do ano passado, com o índice acumulado para o primeiro semestre de 2009 chegando a -13,4%, o menor da série histórica, iniciada em 1975. No confronto com iguais trimestres do ano anterior, a produção total passou de uma retração de -14,6% no período janeiro-março para -12,3% no trimestre seguinte. A taxa anualizada, indicador acumulado nos últimos 12 meses (-6,5%), acentuou o ritmo de queda frente a maio (-5,0%).”

Este movimento fica visível ao observarmos a evolução da Produção Industrial em termos anuais.

Após uma queda abrupta o gráfico encontrou um fundo, e deve nos próximos meses apresentar altas consecutivas. Vale lembrar que o Brasil “entrou na crise” no 4° trimestre de 2008, quando o tombo do PIB chegou a 3,6%. Quanto mais nos aproximarmos do final do ano os resultados voltarão a apresentar resultados cada vez melhores por conta da base de comparação depreciada.

Para ler o informa à imprensa do IBGE na íntegra, acesse:

http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/noticia_visualiza.php?id_noticia=1426&id_pagina=1

Na Europa sinais não tão ruins voltam à cena. Foi divulgado o PMI do Velho Continente e os sinais de reversão são incontestáveis à essa altura. O PMI é uma pesquisa conduzida junto aos administradores de grandes empresas onde estes são convidados a responder se os resultados do mês correntes são tão bons quanto o mês anterior. Se for igual ao mês anterior acusasse 50, se pior abaixo de 50, se melhor acima de 50.

Após uma piora significativa no ciclo de negócios, a situação do tecido econômico europeu parece estar se estabilizando e isto fica claro na evolução abaixo

Vale notar que a situação apenas está se estabilizando, não quer dizer que esteja melhorando de fato. A Inglaterra já atingiu o nível de 50, ou seja, o mês de julho foi tão ruim quanto o mês de junho que já tinha sido muito ruim (as séries são dessazonalizadas).

Este tipo de melhora marginal devem continuar aparecendo nos radares econômicos, e, na medida que avançamos no 2° semestre, os resultados anuais vão melhorando também. Ainda falta muito para as economias mundiais, Brasil no meio, voltarem a se recuperar, mas estamos – de fato –deixando de piorar.

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags:
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