Inflação?
Dados divulgados na manhã de hoje pela FGV referentes ao IGP-DI de julho deixam claro – de novo – que a inflação não é um problema no radar econômico brasileiro. A variação do mês de junho tinha registrado deflação de -0,32%, em julho a desaceleração foi o dobro e fecha em impressionantes -0,64%. O resultado superou nossa expectativa de queda de -0,43% e bateu até mesmo a previsão mais baixista do mercado de -0,56%.
O gráfico acima mostra a evolução da inflação acumulada no ano do IGP-DI entre os anos de 2006 e 2009. Fica evidente que o momento é favorável para “trajetória benigna da inflação doméstica”, como já sentenciou mais de uma vez o BC em ata. Hoje o IGP-DI acumula no ano deflação de -1,68%. O grupo que puxou para baixo o índice foi mais uma vez os preços no atacado que recuaram -1,16% frente -0,64% do período anterior.
O IPC (preços ao consumidor) registrou alta de 0,34%, mostrando aparentemente aceleração. No entanto, se observarmos o núcleo, vemos que houve pouca variação saindo de 0,23% em junho para 0,29% em julho. O vilão do preço ao consumidor foi o reajuste sazonal da tarifa elétrica residencial que saltou de -1,55% em junho para 3,89% em julho. Por conta disso o grupo Habitação apresentou alta de 0,66% no período.
O grupo que vinha dando dor de cabeça ao preço ao consumidor são os derivados de leite. Porém as pressões deste conjunto de produtos parecem estar se arrefecendo. Em junho a alta tinha sido de 12,42% do leite tipo longa vida, em julho o reajuste foi menor, em 4,34%.
Os motivos da queda da inflação são muitos, entre elas citamos existência de capacidade ociosa na indústria, desaceleração econômica e, principalmente, câmbio apreciado (em 2009 a moeda norte-americana retrocedeu 22,34% em 2009). Com o Real tão forte frente ao Dólar existe uma pressão constante para a acomodação dos preços em patamares mais baixos no plano doméstico, sob pena de tornar atrativa a importação destes mesmos bens no mercado externo.
Para 2010 já temos como certo alguma deflação no IGP-M de 2009, o que evita, logo no mês de janeiro, o reajuste de alguns contratos (aluguéis e tarifas) retirando um pressão inicial nos preços.
Na Europa as notícias do front econômico continuam apresentando melhora, ou, numa leitura mais sóbria, “menos piora”. A janela de tempo entre este ano e o ano passado favorece as comparações anuais uma vez que estamos entrando no período mais forte da crise.
Pedidos à Indústria na Alemanha surpreendeu os analistas que sentenciavam alta de 0,6% na variação mensal dessazonalizada, porém verificou-se estonteantes 4,5%. Na Inglaterra o Registro de Carros Novos volta a subir e fecha em 2,5% de alta a.a..
Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags:


André Perfeito, continue assim focando no que vc sabe melhor fazer que é nos presentear com essas análises econométricas. Evite entrar em debates de cunho político-ideológico, te confesso que tenho medo de me decepcionar com vc ao perceber que estais mais para um Reinaldo Azevedo do que um Nassif melhorado. Acredito que vc é um cacho de uva que bem engarrafado e adequadamente conservado se transformará em um excelente vinho no futuro próximo. Realmente precisávamos de um analista que focasse os indicadores econômicos e fugisse do cansativo mais às vezes necessário debate político (apesar de acreditar que falte vc dar mais importância aos indicadores sociais em suas análises). O único risco para vc é que dando ênfase a econometria e fugindo do debate político-ideológico, haja muito pouco o que falar principalmente para um leitor menos acostumado com a sua linguagem, afinal de contas a pouco o que se dizer quando se é respaldado por dados estatísticos e tabelas. Creio que as pessoas acabam lendo seu blog mais ficam inibidos em se pronuncia em temas que eles são pouco acostumados. Sendo assim, acaba sendo um blog mais de informação do que de debate de idéias.
Andre, parabens pelas analises. Nao me canso de comentar, que gosto muito de suas analises, quando tem um cunho mais frio e menos pessimista, pois quando voce decide ser pessimista, sai de baixo rsrsrrsrsrsrs.
Gostaria, tambem como o Eduardo comentou, um pouco de estatisticas de cunho social, para termos uma visao mais ampla de como estamos caminhando e assim termos uma nocao completa do pais, nao apenas no campo economico. Que pelo que parece, caminha relativamente bem.
Gostaria tambem de ver algumas analises mais setorizadas, para vermos aonde estamos indo bem e aonde nao. Este inclusive poderia ser um ponto de discussao interessante no seu blog, discutindo medidas setoriais, que precisariam ser priorizadas tanto pelo governo quanto pela iniciativa privada. Por exemplo, gostaria de saber como anda o nosso setor petroquimico e siderurgico e principalmente o peso das importacoes nestes segmentos, pois acho que esta deveria ser inclusive uma das prioridades da petrobras (falando especificamente do setor petroquimico).
Ja com relacao ao comentario do blog, excelente noticia o comportamento da inflacao, embora seja um dragao que nunca possa ser subestimado. Julgo que temos espaco, ainda este ano, para reducao de juros e gostaria, se possivel, de uma analise sua comparando os indices de inflacao de emergentes versus sua taxa de juros versus risco pais.
Grande abraco
André,
Primeiramente parabéns pelo trabalho.
Gostaria que fizesse uma análise do valor das ações PETRO E VALE. Maior valor alcançado em 2008 versus o valor de hoje.
Assim poderemos perceber se a defazagem ainda é muito grande, apesar da bolsa ter subido bastante. E, se possível, previsão para as duas ações neste ano e nos próximos.
Creio que tal análise vai interessar a muita gente!!!!!
Atenciosamente,
Edmar.
Qual o som de hoje? ‘Tou doidim pra saber.
Ah, André, uma curiosidade: voce fuma? Qual seu julgamento dessa lei do Serrote?
Edmar, enquanto o Andre prepara estas avaliacoes pra voce, de memoria, me lembro da bolsa ano passado, chegando a bater 73 mil pontos. Hoje esta em torno de 56 mil. Julgo que Petro e Vale, inclusive pela sua representatividade no indice, devem estar muito proximo disto.
Portanto, depende sob que olhar voce quer analisar o fato da bolsa estar cara ou barata.
Se analisar, que ja subiu mais de 50% este ano, pode ser que esteja cara. Porem se olhar que ano passado ja esteve bem mais cara, pode achar que esta barata, ainda depende do olhar…..
André não tanto Perfeito (brincadeirinha) assisti sua entrevista no Papo, e tenho alguns pontos de discordância com você, falar das concordâncias seria ficar lhe bajulando inutilmente, logicamente nesse espaço não poderei tratar todos os temas debatidos, farei em etapas, a começar pelo os indicadores de geração de empregos. Na sua entrevista você afirmou que o Indicador de desemprego do IBGE reflete menos a realidade que o CAGED. Ora entre Nov/08 e jan/09 foram eliminados 800 mil vagas. No mesmo período a taxa de desemprego do IBGE saiu de 6,8% dez/08 para 9% em março/ 09. Aumento percentual de 33% no indicador. A partir de Abril a taxa foi caindo lentamente até os atuais 8,1% em jun/09. No mesmo período a foram criados 400 mil vagas (dando um saldo positivo no ano de 300 mil vagas), conforme o Caged (fev-jun/09). Há claramente uma relação entre os dados do CAGED e do IBGE.
Vale salientar que o CAGED retrata apenas uma parte do mercado de trabalho, ou seja, os trabalhadores com carteira assinada e se me lembro bem os servidores públicos contratados. Que representam um pouco mais de 50% da força de trabalho. Ou seja, ao contrário dos EUA, esse indicador não reflete a realidade total do mercado de trabalho. Como você mesmo afirmou e os dados do próprio CAGED mostram isso, a demanda interna principalmente das camadas mais pobres sustentou o consumo. Conforme o CAGED o Saldo de 300 mil empregos foram fruto das contratações nas pequenas e médias empresas que atendem em sua grande maioria o consumo popular.
Como você bem sabe boa parte do trabalho gerado nas médias e principalmente pequenas e microempresas é informal, portanto não refletem no CAGED, mas é mais bem captado pelo IBGE. Ai está na minha humilde opinião, a possível diferença entre os resultados do CAGED e do IBGE (como já lhe disse se houve foram mínimas). O CAGED não consegue refletir o trabalho criado no mercado informal, que conforme inúmeros estudos demonstram cresceram imensamente no governo Lula devido o aumento do poder aquisitivo dos setores mais pobres da sociedade, como foi falado corretamente por você na entrevista.
Renovo os parabéns pela qualidade do blog (enfim uma luz e bom senso além de conhrecimentos técnicos).
Quanto à inflação: de jan. a jul. o IPCA acumulou 2,81% (deveria ter acumulado 2,6009 para ficar na meta). Isto em plena crise. Pense nos efeitos ainda não totalmente ocorridos referentes às quedas na Selic (partiu de 13,75 em dez. com um DI 360 de 12,17, para 8,75 e um DI 360 de 9,21 em jul). A pol. monet. mudou de contracionista para expansionista. Sabemos que os efeitos expansionistas ocorrem mais nos preços dos ativos do que na exconomia real (ao contrário dos efeitos contracionistas, que são reais). Como o Greenspan sempre falava temos 50% de chances para que a inflação fique sob controle (teremos que esperar os efeitos das quedas da selic). A curva de juros de mercado está muito inclinada, o consumo crescente, os investimentos caindo. Dólar e preços no atacado puxando para um lado, consumo para outro (o mercado em dúvida, varejistas testando preços).
Mas parabéns, suas análises são muito consistentes.
Não tenha receio de externar suas crenças ideológicas (devem ser muito lógicas).
Obrigado pessoal
Estou com muitos problemas para taulizar o blog (aqui na Corretora bloquearam vários sites, mas estão normalizando).
A Inflação no Brasil não sofre pressões adicionais e isso está claro. Acredito que quem apostar contra pode se dar mal.
O que me preocupa é este câmbio. Está escorchantemente perigoso. O real subiu 21% em relação ao dólar.
Vai ficando delicado o jogo….
Abs
ANDRÉ: sobre câmbio. Bal. Comerc. positivo; Trans. Corr. negativo; Conta Cap. e Financ. positiva (mas muito menos que o ano passado); Fluxo Cambial Comerc. neg. em jun. e jul. mas positivo no acumulado do ano; Fluxo Financ. pos. em jun. e jul. mas negativo no acumulado. O BC oferecendo liquidez ao mercado, sistema cambial flutuante (corrige-se), mov. de capitais livre. Preços internos mais altos que em paises mais ricos. A valorização da moeda pátria, nestas condições, não tem nada de ruim. A valorização, se consistente (conseguir manter-se no tempo) , tem o significado de redução ds pobreza do povo. Receitar medidas artificiais no câmbio (ir contra a flutuação) para proteger minorias, como acionistas estrangeiros de oligopólios exportadores, segmentos produtivos atrasados, indo contra o poder aquisitivo dos consumidores (= povo)?