Europa: falta muito ainda.
Hoje pela manhã foram divulgados os dados das Vendas no Varejo no Velho Continente e as notícias não são muito animadoras. Fazendo coro com o rol de dados econômicos ruins recentemente divulgados, em particular com a revisão do PIB das principais economias européias para baixo, o volume de vendas por lá continua a cair de forma robusta; em maio as vendas tombaram 3,3% a.a..
A situação por lá é, como já está amplamente anunciado, de severa deterioração econômica. Esta atual crise econômica, que começou em casa, virou financeira e agora está na rua, está sendo particularmente severa com as economias maduras. O FMI, por exemplo, projeta para a Europa Ocidental queda no seu produto interno de 4,1% em 2009, e, em 2010, mais um tropeço de -0,4%. Para o mundo a instituição prevê, para os mesmos períodos, queda de -1,3% e crescimento de 1,9%. O Brasil segue colado com a média mundial, com -1,3% em 2009 e 2,2% em 2010.
Outro dado que reitera a deterioração do tecido econômico europeu é o PMI. Apesar de ter revertido a tendência de queda, o movimento ainda não foi suficiente para ultrapassar a linha d´água dos 50 pontos (que indicaria que a situação dos negócios está igual ao mês anterior), e mesmo que chegasse nisso ainda demoraria meses até retornar à um patamar pré-crise.
A atual crise econômica já mostrou que será mais severa nas economias maduras que nas emergentes. Um sinal interessante deste quadro é a notícia de que as bolsas dos países emergentes atingiu seu maior valor bursátil da história. Só para ilustrar o fato: as empresas listadas nas bolsas chinesas valem hoje, a preço de mercado, cerca de US$ 3 trilhões.
A atual crise deverá mudar o mapa econômico do mundo. Se de um lado os riscos são enormes, não deixa de ser menos verdadeiro que as oportunidades também o são.
Porém, cautela ainda é necessária. A bolsa brasileira subiu feito foguete com queda dos juros mundiais e domésticos, forçados para baixo justamente pela deterioração econômica e da inflação na camisa de força da demanda reprimida. A alta, coisa de 35% em 6 meses, pode ter sido um pouco exagerada. O mercado está repensando seus cenários futuros, que ainda são otimistas, mas não a mesma velocidade que se verificou até agora. O mês de junho devolveu parte dos ganhos no Brasil e no mundo; e os estrangeiros mais venderam do que compraram neste fim de semestre.



