Entre Políticas e Fiscais.
Desde o início desta atual crise financeira o governo brasileiro vem adotado uma série de medidas anti-cíclicas que visam estancar os efeitos mais deletérios da desaceleração econômica no país. As medidas foram várias e envolvendo todos os braços econômicos da administração federal; desde garantias à bancos pequenos pelo BC (para evitar o estancamento do crédito no sistema financeiro), passando pela redução do IPI para setores chave da indústria nacional.
Todo este esforço tem um preço, e se somarmos isso a desaceleração já em curso na economia, o resultado não poderia ser diferente. A arrecadação que havia registrado alta continuada, reflexo direto da economia aquecida no mundo puxado pelo vagão chinês, começou a cair. A tendência revertesse como podemos ver no gráfico abaixo da arrecadação (em preto, média móvel 12 meses).
Os resultados da queda do PIB e da arrecadação declinante acabam por influenciar algumas variáveis chaves da percepção de risco do país. Nos referimos especificamente a relação Dívida/PIB. A dívida líquida do setor público atingiu R$1.245 bilhões (42,5% do PIB) em maio, elevando-se 1,1 p.p. do PIB em relação a abril. A valorização cambial de 9,43% ocorrida no mês respondeu por aumento correspondente a 0,9 p.p. do PIB.
Este resultado inspira cuidados por parte do governo e não deve ser descuidado nunca sob pena de afetar a credibilidade do país e, por conseqüência, fragilizar ainda mais nosso front externo (que não fosse a queda desigual e combinada das importações a mais que as exportações, já teria nos dado enormes problemas).
No entanto, nem tudo parece ruim nos dados divulgados ontem pelo BC. O Superávit Primário, apesar do resultado pior que esperado, apresenta consistência se observarmos a série dessazonalizada (método X-12 Census multiplicativo).
A série acima mostra que, excetuando dezembro de 2008, todos os meses apresentam superávit efetivo. Um ótimo sinal.
O esforço anti-cíclico do governo deve continuar. Ontem em cerimônia realizada em Brasília o presidente Lula, juntamente com o Ministro da Fazenda e o Presidente do BNDES, anunciou a prorrogação do corte do IPI, da queda da TJLP (de 6,25% para 6,00%), além de uma série de isenções para incentivar o investimento privado no país. Não por menos: o crescimento do PIB nos últimos trimestres se deu, em grande medida, pela evolução da Formação Bruta de Capital Fixo. A crise financeira, e a desconfiança generalizada subseqüente, congelaram o crédito e as expectativas. Resultado? O empresário deixa para amanhã o que poderia fazer hoje, e adiam-se assim os gastos de investimento.
Mais gastos no horizonte do governo. Entre políticas anti-cíclicas, e parcimônia fiscal, o governo terá que conduzir um delicado equilíbrio, entre políticos e fiscais
Na Inglaterra somam-se as notícias ruins. Os dados do PIB do 1° trimestre de 2009 viram piores do que inicialmente previsto. Vale lembrar que a divulgação de informações das contas nacionais de qualquer país obedecem certa liturgia: primeiro é apresentada uma Previsão do PIB, depois uma Estimativa para, meses depois, ser apresentado de fato o número final. No caso da Inglaterra a Previsão era de queda de -4,1% anualizado; no entanto, a Estimativa apresentou uma queda ainda mais aguda, em -4,9% (recorde de queda na série desde o segundo trimestre de 1973).
A situação no Velho Continente continua a piorar, e não há no horizonte muitos sinais positivos.
















