Arquivo de junho, 2009
30/06/2009 - 11:42
Desde o início desta atual crise financeira o governo brasileiro vem adotado uma série de medidas anti-cíclicas que visam estancar os efeitos mais deletérios da desaceleração econômica no país. As medidas foram várias e envolvendo todos os braços econômicos da administração federal; desde garantias à bancos pequenos pelo BC (para evitar o estancamento do crédito no sistema financeiro), passando pela redução do IPI para setores chave da indústria nacional.
Todo este esforço tem um preço, e se somarmos isso a desaceleração já em curso na economia, o resultado não poderia ser diferente. A arrecadação que havia registrado alta continuada, reflexo direto da economia aquecida no mundo puxado pelo vagão chinês, começou a cair. A tendência revertesse como podemos ver no gráfico abaixo da arrecadação (em preto, média móvel 12 meses).

Os resultados da queda do PIB e da arrecadação declinante acabam por influenciar algumas variáveis chaves da percepção de risco do país. Nos referimos especificamente a relação Dívida/PIB. A dívida líquida do setor público atingiu R$1.245 bilhões (42,5% do PIB) em maio, elevando-se 1,1 p.p. do PIB em relação a abril. A valorização cambial de 9,43% ocorrida no mês respondeu por aumento correspondente a 0,9 p.p. do PIB.

Este resultado inspira cuidados por parte do governo e não deve ser descuidado nunca sob pena de afetar a credibilidade do país e, por conseqüência, fragilizar ainda mais nosso front externo (que não fosse a queda desigual e combinada das importações a mais que as exportações, já teria nos dado enormes problemas).
No entanto, nem tudo parece ruim nos dados divulgados ontem pelo BC. O Superávit Primário, apesar do resultado pior que esperado, apresenta consistência se observarmos a série dessazonalizada (método X-12 Census multiplicativo).

A série acima mostra que, excetuando dezembro de 2008, todos os meses apresentam superávit efetivo. Um ótimo sinal.
O esforço anti-cíclico do governo deve continuar. Ontem em cerimônia realizada em Brasília o presidente Lula, juntamente com o Ministro da Fazenda e o Presidente do BNDES, anunciou a prorrogação do corte do IPI, da queda da TJLP (de 6,25% para 6,00%), além de uma série de isenções para incentivar o investimento privado no país. Não por menos: o crescimento do PIB nos últimos trimestres se deu, em grande medida, pela evolução da Formação Bruta de Capital Fixo. A crise financeira, e a desconfiança generalizada subseqüente, congelaram o crédito e as expectativas. Resultado? O empresário deixa para amanhã o que poderia fazer hoje, e adiam-se assim os gastos de investimento.

Mais gastos no horizonte do governo. Entre políticas anti-cíclicas, e parcimônia fiscal, o governo terá que conduzir um delicado equilíbrio, entre políticos e fiscais
Na Inglaterra somam-se as notícias ruins. Os dados do PIB do 1° trimestre de 2009 viram piores do que inicialmente previsto. Vale lembrar que a divulgação de informações das contas nacionais de qualquer país obedecem certa liturgia: primeiro é apresentada uma Previsão do PIB, depois uma Estimativa para, meses depois, ser apresentado de fato o número final. No caso da Inglaterra a Previsão era de queda de -4,1% anualizado; no entanto, a Estimativa apresentou uma queda ainda mais aguda, em -4,9% (recorde de queda na série desde o segundo trimestre de 1973).

A situação no Velho Continente continua a piorar, e não há no horizonte muitos sinais positivos.
Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria
Tags: cerveja qunte, divda, peixe com baata, PIB, superávit primário
29/06/2009 - 10:39
O IGP-M de junho veio mais baixo que as expectativas de mercado. O índice de maio fechou em deflação de 0,07%, esperávamos algo em torno de -0,01% para junho, a mediana do mercado fechou em -0,03%. No entanto o índice fecha em -0,10%.

O gráfico acima mostra a evolução do IGP-M nos anos de 2006 à 2009. Podemos ver que a série verificada em 2009 está sensivelmente abaixo dos anos anteriores, indicando que, fora um choque adverso de custos, não deveremos ter inflação significativa quando se trata do Índice Geral de Preços.
O grupo que puxou para baixo o IGP foi, de novo, o IPA (atacado). O índice havia apresentado deflação em maio de -0,30%. Em junho a queda foi maior: -0,45%. Os destaques de queda foram em dois produtos particularmente importantes para a atividade econômica no país. Minério de Ferro apresentou queda de 14,27%, já Adubos e Fertilizantes caíram 10,58%.
O Índice de Preços ao Consumidor também perde força no mês de junho e fecha em 0,17% contra 0,42% do mês anterior. Quatro das sete classes de produtos apresentaram variações menores em junho. Destaques de queda: Habitação, Despesas Diversas, Saúde e Vestuário.
Alguns impactos pontuais que contribuíram para o aumento da inflação ao Consumidor foram incorporados aos preços no país e já não apresentam maiores problemas. Entre estes o cigarro, que teve seu IPI aumentado pelo governo, já está absorvido em grande medida. A variação deste produto havia sido de 12,43% no mês anterior, agora, em junho, subiu apenas 3,14%.
Medicamentos também indicam trajetória semelhante e desaceleram de 3,17% em maio para 0,67% em junho, seguido de Eletricidade de 1,81% para -0,48%.
Contribuíram para alta o grupo Transporte, especialmente por conta do impacto da alta dos preços da gasolina que em junho deixou de apresentar deflação, saindo de -0,81% para 0,07%.
No item gasolina gostaríamos de ressaltar, mais uma vez, que o preço do Barril de Petróleo vem recuperando seu preço no mercado internacional. Após apresentar em meados de 2008 alta expressiva e, depois, uma correção abrupta, o preço do barril caminha de volta aos patamares de final de 2007.

Esse retorno do preço das commodities, mesmo que tímido se comparado à explosão de 2008, tem sido verificado na maioria das categorias de produtos, em especial agrícolas. Parte deste movimento de valorização é puramente nominal; com o enfraquecimento do dólar em escala mundial é natural que os preços sejam corrigidos. Por este motivo que colocamos no gráfico acima a variação do Dólar frente uma cesta de moedas (dos países que o EUA mais comercializam).
O Relatório Focus, divulgado na manhã de hoje, mostra estabilidade na inflação esperada para o fim de 2009 quando se trata de IPCA. Esperasse algo em torno de 4,40%, o seja, abaixo do centro da meta de inflação oficial. Quando observamos os IGP´s a expectativa é de um inflação ainda menor. No caso do IGP-M fechado em 2009 a expectativa é de modestos 1,20% a.a..
Para acessar o relatório Focus na íntegra, acesse:
http://www4.bcb.gov.br/pec/GCI/PORT/readout/R20090626.pdf
Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria
Tags: FOCUS, IGP, petróleo
26/06/2009 - 18:07
Bom fim de semana a todos.
Até.
Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria
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26/06/2009 - 11:17
Ontem o Banco Central divulgou nota sobre a situação da Política Monetária e as Operações de Crédito do Sistema Financeiro. O resultado aponta para direções opostas e mostra o momento ainda delicado da economia.
O crédito volta a subir e atinge hoje R$ 1,231 trilhão, uma alta de 0,9% no mês e de 20,1% em doze meses.

Os empréstimos de bancos à sociedade também voltam a subir em maio e atingem a cifra de R$ 779 bilhões, alta de 4,54% no mês. Os resultados são positivos, mas nem de perto chegam perto das taxas de crescimento do crédito verificadas anteriormente. O setor bancário havia aumentado o crédito disponível numa média de 11% ao mês em 2008 e 2007. Em 2009 a média mensal é de -0,7%, resultado da forte contração do crédito em fevereiro (-9,0%).
A relutância de emprestar de bancos tem razão de ser. Segundo o próprio BC a inadimplência subiu em maio; na média 5,5% dos financiamentos apresentam algum problema de pagamento, para Pessoas Físicas este percentual chega à 8,6%. Preocupa a evolução da inadimplência no setor privado. Em maio, 3,2% das Pessoas Jurídicas não conseguiram honrar em dia suas obrigações.
O Brasil apresentava uma trajetória de queda na inadimplência em 2008, mas a crise financeira atingiu em cheio os fluxos de caixa de famílias e empresas e deve, por mais algum tempo, interferir de maneira negativa na economia.
Para ler a nota do BC basta acessar:
http://www.bcb.gov.br/?ECOIMPOM
O BC divulgou hoje seu Relatório de Inflação. Na leitura preliminar nos chama atenção a revisão da previsão do PIB par 2009. Para os economistas do Banco a economia brasileira não deve crescer 1,2% anteriormente projetados, mas sim 0,8%. As Exportações devem recuar no ano -5,7% e as Importações -7,8%. Investimentos devem cair outros -5,1%.
Dos componentes do PIB, sob a ótica da demanda, o BC acredita que o Consumo do Governo (alta prevista de 2,8%) e Consumo das Famílias (1,5%) devem contrabalançar a desaceleração abrupta da economia brasileira que vinha crescendo a taxas de 5% ao ano.
Para ler o Relatório de Inflação acesse:
http://www.bcb.gov.br/htms/relinf/direita.asp?idioma=P&ano=2009&acaoAno=ABRIR&mes=06&acaoMes=ABRIR&id=relinf200906
Nos EUA boas notícias no front econômico. A primeira foi o anuncio pelo FED que alguns dos programas que ele criou para irrigar o sistema financeiro durante o auge da crise devem ser diminuídos, e um até mesmo instinto. Não está havendo procura por essas linhas de financiamento por parte das instituições bancária, indicando que não há necessidade para estas linhas especiais.
O FED vai manter muitas outras linhas especiais e até mesmo prorrogar outros programas. Desde o início da crise o banco central norte-americano tem usado de forma ativa seu balanço e o desativamento de alguns desses programas sinaliza uma melhora no sistema financeiro de lá.
Outra boa notícia econômica vem dos EUA. Dados da Renda Pessoal apontaram alta surpreendente em maio. Se esperava uma alta de 0,3%, mas registrou-se 1,4% no período.

A Confiança do Consumidor nos EUA, medido pela Universidade de Michigan voltou a subir e fecha junho em 70,8 (número índice, 1996=100).
Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria
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26/06/2009 - 09:45
O cara era o cara.
Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria
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25/06/2009 - 16:45

Tradução
“Vai doer.”
Senso de humor nunca é demais. Ótima a capa.
Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria
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25/06/2009 - 15:41

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria
Tags: agenda
24/06/2009 - 10:54
A inflação no país segue em trajetória benigna no Brasil. Dados divulgados na manhã de hoje confirmam nosso cenário base de preços sob controle. O IPC-FIPE da terceira quadrissemana veio em cima da nossa expectativa e fecha em 0,16% (a alta anterior foi de 0,19%).

O destaque de queda ficou por conta do grupo transporte, com deflação de 0,24%, a sexta deflação seguida. Já o destaque de alta foi o grupo Saúde, com alta de 0,75%.
O IPCA-15, a prévia do índice oficial de inflação, fecha junho em 0,38%, ligeiramente acima da nossa projeção de 0,34% (o índice anterior, de maio, ficou em 0,59%).

A inflação segue comportada por basicamente três canais. Em primeiro lugar, sob a ótica da demanda, temos menos apetite por consumo, seja por conta da deterioração na Confiança do Consumidor, seja pelo crédito mais difícil (dependendo do segmento).
Um segundo ponto importante é do lado da oferta. A desaceleração econômica forçou um movimento agressivo por parte dos empresários para manter suas fatias de mercado, e evitar ao máximo aumentos de preços. Sob a ótica dos custos empresariais também não está se verificando nenhum choque adverso; tanto insumos quanto salários estão estáveis. Soma-se a isso que a crise econômica criou capacidade ociosa na economia, o que permite que posssamos crescer sem incorrer em maiores gastos.
O terceiro ponto é que, apesar da queda nos juros em escala global, os capitais não migraram de forma agressiva para as commodities, como se verificou no ano passado. Este movimento fez a inflação repicar no mundo inteiro nos meados do ano passado.
A OCDE (Organização de Cooperação para o Desenvolvimento Econômico), uma entidade supra-nacional que reúne mais de trinta países membros, revisou para cima sua projeção para o PIB mundial. Seu Relatório Econômico, que está em discussão no seu fórum anual entre ontem e hoje, aponta que a economia Européia retraia 4,8% em 2009. Já a economia norte-americana deve desacelerar em torno de 2,8% (a previsão em março era de uma contração bem mais abrupta, em 4,0%).
Para o Brasil a expectativa da organização é de queda no PIB de 2009 em -0,8%, e, em 2010, um crescimento de 4,0%. Sem dúvida alguma um prognóstico muito positivo, que reacende a discussão sobre a recuperação na margem. Ontem o Banco Mundial havia revisado para baixo suas projeções de PIB no mundo. A OCDE melhorou sua projeção após dois anos revisando para baixo suas estimativas.
Em tempo: os Pedidos à Indústria nos EUA teve alta inesperada. A expectativa era de retração de -0,9%. Subiu 1,8%.
Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria
Tags: EUA, FIPE, IPCA-15, OCDE
23/06/2009 - 10:55
Os dados do CAGED, divulgados ontem, geraram comoção nos altos círculos do governo. Afinal, foram criados mais de 130 mil novos postos no mês de maio, sinalizando assim uma recuperação do mercado de trabalho.
Insistimos, no entanto, que os números do CAGED devem ser olhados com cuidado, e que apenas a série dessazonalizada pode fornecer o cenário efetivo do mercado de trabalho.
O motivo deste cuidado é simples. A evolução do emprego no Brasil, como em todas as economias do mundo, responde à um forte componente sazonal, muito vinculado ao calendário do comércio e à agricultura. O Brasil vinha desde 2003 criando novas vagas na economia se observarmos a série dessazonalizada, o que deixa claro o bom momento que o país passava.
No entanto, como todos sabemos, o efeito da crise financeira na economia foi violento e o emprego sofreu um forte baque entre novembro e dezembro, justamente os meses que tradicionalmente não temos crescimento tradicional de vagas.
Os números de maio viram muito bem, e, mesmo ao dessazonalizar a série, eles representaram aumento efetivo na criação de vagas no país. (CAGED_SA = série dessazonalizada)

Em maio o CAGED apontava de um aumento de 131 mil vagas, a série dessazonalizada aponta um aumento de 23 mil vagas.
Queremos ressaltar que o momento é de desaceleração econômica, e que os efeitos deletérios da crise econômica ainda vão persistir por mais algum tempo. Por isso mesmo que os dados do emprego ainda vão demorar a apresentar a evolução anterior.
O IGP-M divulgado hoje pela FVG reitera nosso cenário base de inflação comportada no Brasil. O Índice anterior havia registrado deflação de 0,14%. Nossa projeção era de alta de 0,06%, e o efetivamente observado foi de 0,07%. Os IGPs são formados pela ponderação de três índices: IPA (atacado), IPC (consumidor) e INCC (construção civil). Dos componentes do IGP o que está apresentando alta são os preços do atacado e da construção civil, porém o IPC está se comportando bem, e fecha junho em 0,15%.

No geral ambos os dados divulgados, CAGED e a prévia do IGP-M, vem no sentido positivo, mas não devemos deixar nos enganar pela leitura trivial dos dados.
Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria
Tags: CAGED, IGP
22/06/2009 - 09:21
O ano de 2008 caracterizou-se por uma sangria profunda no Ibovespa, tanto em pontos quanto em saldo estrangeiro. O ano passado a bolsa tombou 41,2% e perdeu impressionantes R$ 24,6 bilhões na conta de não residentes.
Em 2009 houve reversão nesta tendência. Após um janeiro negativo no saldo (posição comprada menos a vendida), os meses seguintes apresentaram forte entrada de capitais estrangeiros e, junto com a Pessoa Física, impulsionou a bolsa brasileira. Porém este movimento virtuoso parece ter encontrado um limite e, em junho, reverteu a tendência inicialmente observada.

O saldo de estrangeiro em 2009 permanece fortemente positivo, em R$ 10,3 bilhões um valor recorde até então (o melhor ano até então neste quesito foi 2003 com um saldo de R$ 7,5 bilhões).
O movimento de valorização da bolsa brasileira, e de boa parte das emergentes, pode ser entendida, prioritariamente, como um movimento de realocação de portifólios frente a nova realidade dos juros reais extremamente baixos no país e no mundo. Esta queda nos juros força a fuga dos capitais à ativos reais, entre eles à bolsa, que é uma proxi do nível de atividade (afinal, esta reflete os lucros empresariais das empresas listadas).
O momento é de cautela. Em 2009 a bolsa já subiu 35,5% em Reais, e nada mais, nada menos, que 60,7% em Dólar. As pressões são elevadas para um movimento de realização, ou de calmaria, fazendo a bolsa andar de lado por algum tempo. Nosso Departamento de Análise tem como preço alvo para Bovespa, para o fim do ano, em 55 mil pontos. Logo, boa parte do movimento de alta já foi realizado (sexta-feira a bolsa fechou em 51 mil pontos).
Esta semana uma agenda poderosa promete movimentar os mercados. Dados de nível de atividade nos EUA dão o tom (quinta-feira será divulgada mais uma prévia do PIB do 1° trimestre por lá). No Brasil dados de emprego (CAGED e Taxa de Desemprego) darão uma noção mais exata da desaceleração por aqui.
(ESTÁ COM UM PROBLEMA O WORD PRESS E NÃO CONSIGO COLOCAR OS GRÁFICOS. MAIS TARDE EU TENTO DE NOVO)
Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria
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