Jazz de sexta!!!
Para começar bem o fim de semana.
até
Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags: JazzPara começar bem o fim de semana.
até
Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags: JazzO mês de maio surpreendeu positivamente quem estava olhando de perto a Bovespa. Era esperada alguma alta, mas nada o que se compare aos 12,16% de alta até ontem (28/05/09). Em dólar a bolsa saltou 23,21% no período. No ano a alta é de espetaculares 41,25% em Reais e de 65,37% em Dólares.
E pensar que este não foi o melhor mês do ano. Em abril a bolsa fechou com alta de 15,55%, deixando para trás as quedas registradas baixas do início do ano.
Para coroar o mês o PIB dos EUA, divulgado hoje, veio melhor do que anteriormente previsto. A divulgação deste tipo de dado obedece uma certa cronologia: primeiro divulga-se uma previsão, depois uma estimativa e, por fim, o número final. A previsão era que o PIB cairia no primeiro trimestre em termos anualizados (ou seja; o 1° tri de 2009 sobre o 1° tri de 2008) um tombo de -6,1%. Porém a estimativa veio melhor e fechou em queda de -5,7%. O PIB do 4° tri de 2008 havia apresentado uma queda maior, em -6,3%.
Foi também apresentado os números da Confiança da Indústria no Brasil pela FGV. Foi detectado mais uma melhora no humor industrial e este é 5° mês consecutivo de alta.
O momento é extremamente positivo para a Bolsa, não há dúvida. Os motivos desta alta são muitos; entre eles a redistribuição das decisões de investimento uma vez que as taxas de juros básicas no mundo todo estão em queda.
Vale notar que, apesar de melhoras significativas na margem em muitos dados, é extremante arriscado acreditar que o “pior da crise” passou. Veja mesmo os dados do PIB dos EUA e da Confiança da Indústria no Brasil. Se é verdade que melhorarão em comparação ao período anterior, não deixa de ser menos verdadeiro que falta muito para retornar à normalidade.
A inflação estimada na Europa, divulgada hoje, reitera o cenário de desaceleração. A variação de preços ao ano chegou ao piso de 0%.
Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags:Quem faz a gestão de recursos diariamente no mercado financeiro sabe muito bem a dificuldade de estar a par de tudo. Afinal, são inúmeros os mercados transacionáveis entre si e, hoje em dia principalmente, a arbitragem entre estes é praticamente instantânea.
O preço de qualquer ativo reúne em torno de si as informações relevantes sobre a situação daquele dado mercado. O petróleo subiu? Isso é bom sinal para Petrobrás e, em questão de minutos, o preço da sua ação sobe. Em outras palavras: você opera um ativo observando outro.
Isso é prática usual e tenho certeza que todos vocês estão familiarizados com esta dinâmica.
A questão que fica na mesa agora é essa: qual o nome do jogo? Qual o ativo chave que reúne em torno de si as informações relevantes do mercado e, além disso, tem volume suficiente para efetivamente influenciar os mercados?
Nas últimas semanas correu muita boataria a respeito da qualidade da dívida americana. O estopim desta discussão foi a reavaliação da dívida soberana do Reino Unido por parte de algumas agência classificadoras. Isto bastou para que os olhos voltassem a atenção para os Treasuries, os títulos da dívida do tesouro norte-americano. Aparentemente o nome do jogo é esse, é entorno deste ativo que se concentram as informações mais relevantes do mercado.
Existem duas questões que alimentam esta desconfiança sobre a qualidade, e a capacidade, dos EUA. De um lado argumentam que a situação fiscal dos EUA é explosiva e, somando estes novos gastos para “resolver” a crise (mais US$ 3 trilhões de Treasuries serão emitidos neste ano fiscal), a conta simplesmente não fecha.
A segunda linha de argumentação é que, dado o volume estupidamente alto de recursos despejados no mercado financeiro, algum dia – no futuro – a inflação deve voltar com força.
Vamos tentar responder uma por vez.
A primeira questão, sobre a capacidade dos EUA em manter déficits recordes por mais tempo, é um tanto quanto incerta. A única hiper-potência do mundo possui uma série de prerrogativas, entre elas o controle da moeda mundial, que lhe colocam em posição estrategicamente vantajosa em relação aos todos os demais. Em resumo: algumas regras que valem para os outros países não funcionam de maneira idêntica nos EUA. Entre estas exceções está a situação fiscal daquele país.
Já a segunda questão, sobre a inevitabilidade de uma inflação nos EUA e por isso a necessidade futura de elevação da taxa de juros, vale a pena entrar um pouco mais em detalhe.
Em primeiro lugar, se a inflação subir lá na frente o FED pode também subir as taxas de juros, mas não só isso. O FED criou uma infinidade de novos mecanismos para enfrentar esta crise. Mais que criar novos mecanismos o FED fez algo muito mais eficiente no que tange a questão da inflação futuro e a resposta monetária adequada: ele flexibilizou uma série de dispositivos à patamares nunca vistos. Cito aqui para ilustrar o fato o aumento da Janela de Redesconto. Se por acaso o FED reduzir essa janela o efeito líquido será correlato à um aumento na taxa de juros.
O FED entrou no mercado fazendo outras coisas também. Criou a TAF (uma espécie de redesconto especial) e foi às compras de Dívida Privada (os Commercial Papers) através de um recente instrumento chamado de CPFF. Se o FED reduzir estas benesses o efeito seria, de novo, parecido a de um aumento na taxa de juros.
O FED tem usado seu Balanço de forma ativa, a tal ponto que alguns economistas acreditam que o Banco Central norte-americano deixou de fazer apenas política monetária e, agora, também está tomando decisões de política fiscal.
Uma outra questão importante é saber se a inflação é, de fato, um problema no caso dos EUA. Nos parece que o problema não é a inflação, mas sim a deflação. A explosão da bolha imobiliária criou uma espiral deflacionista de ativos que colocou em cheque os balanços bancários, de tal sorte que os próprios bancos ameaçavam (e ainda ameaçam) quebrar. No desespero de criar caixa para tampar a vala comum do Sub-Prime, os bancos saíram vendendo tudo que possuíam no seu Ativo que tinha ainda algum valor e o efeito disso foi mais uma volta rumo ao fundo na espiral deflacionista.
A bolsa Brasil sofreu bastante com este movimento ao ver – incrédula – a liquidação das posições de estrangeiros no mercado no ano passado. O resultado? A saída de R$ 24,6 bilhões e uma queda no Ibovespa da ordem de 40%. Isto se chama deflação de ativos.
O FED quer estancar este movimento. A melhor forma seria que alguns mercados voltassem aos patamares de preços anteriores, evitando assim a sangria generalizada do sistema.
Há quem advogue que a inflação vai voltar de qualquer forma, pois os dólares despejados nos EUA (e no mundo) são num montante expressivo demais. Esta linha de raciocínio se apoio na teoria quantitativa da moeda. Em resumo argumentasse que se a produção é dada, e aumentasse a quantidade de moeda em circulação, os preços desta mercadorias subiriam no mesmo passo.
A fórmula é mais extensa. Ela sentencia, na sua versão resumida, que:
MV=PQ
Onde:
M é a quantidade de moeda,
V é a velocidade de circulação da moeda
P é o preço e
Q é a quantidade de mercadorias existentes.
Logo, se há aumento da moeda em circulação (M), e a velocidade (V) e a quantidade de mercadorias (Q) ficam constantes, invariavelmente o preço (P) deve subir para manter o equilíbrio da equação.
A formula é consistente, mas a interpretação de alguns economistas sobre os desdobramentos da emissão monetária foram muito vulgares. Em primeiro lugar as outras duas variáveis, velocidade (V) e quantidade (Q), não estão constantes. Pelo contrário, estão despencando.
O PIB dos (no nosso caso a quantidade de mercadorias) está em franco declínio. Por sua vez a velocidade de circulação da moeda está travada. Isso que se chama de liquidez congelada, o dinheiro não circula, fazendo cair a velocidade do mesmo trocar de mão muito reduzida.
Outro ponto importante a notar é que, não importa a quantidade de dinheiro disponível numa economia, a inflação se dá por conta especificamente de dois mercados fundamentais: o mercado de trabalho e os insumos. São estes dois que constroem os custos das mercadorias.
No caso dos EUA temos o desemprego em patamares recordes. Hoje a taxa está 8,9%, a maior dede 1987 pelo menos.
Isto aponta que a renda dos trabalhadores tende a declinar, aliviando os custos de produção.
Por outro lado o preço de importados, que em alguma medida captura alguns insumos importantes (entre eles petróleo), está em franca queda.
Mais um sinal deflacionista importante.
A leitura de que os juros futuros nos EUA vão invariavelmente subir por conta da inflação deve ser pensada com muita cautela. Caso contrário saberemos o nome do jogo, mas não saberemos de quem é a vez.
Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags:Os dados divulgados na manhã de hoje sobre o produto Alemão (ainda preliminares) não deixam dúvidas; o gigante europeu está passando no meio da maior tormenta em décadas. O PIB cai, na comparação anual e dessazonalizada, nada mais, nada menos, que 6,9%. O tombo trimestral foi de nada modestos 3,8%, configurando assim o quarto trimestre consecutivo da economia alemã.
Dos componentes da demanda, apenas o Consumo das Famílias apresentou algum alento e subiu irrisórios 0,5% na variação trimestral (1° tri de 2009 versus o 4° tri de 2008). O Consumo do Governo nem de perto compensou o efeito, com um crescimento na mesma comparação de apenas 0,3%.
Sob a ótica da demanda salta aos olhos o recuo expressivo do Investimento (Formação Bruta de Capital Fixo). Este componente despencou 7,9% e reafirma de forma clara que o produto da Alemanha deve continuar se arrastando por algum tempo até superar seus patamares anteriores.
Porém, o baque mesmo veio do setor externo da economia alemã. Uma vez que sua pauta de exportação é de alto valor agregado, a economia da Alemanha vem sofrendo sobremaneira – tal qual outros países industrializados – por conta da depressão econômica dos seus principais compradores. O recuo nas exportações tem sido fonte comum de estresse do produto interno das nações desenvolvidas, e ponto de intenso debate em círculos acadêmicos e empresariais. Muitos economistas vêm, por exemplo, como objetivo implícito do FED a desvalorização do dólar (através de uma política monetária francamente expansionista) frente outras moedas, numa tentativa de reverter o fluxo comercial e aliviar a recessão em casa.
A queda nas exportações chegou a colossais 9,7%.
Observando o setor externo alemão vê-se um incômodo cenário que aflige o Brasil de forma indireta. As importações do gigante europeu caíram de forma robusta (4,1% no 4° tri de 2008 e, agora, mais 5,4% de queda), denunciando assim a desaceleração do comércio mundial.
Cabe apontar também que não estamos falando apenas de volume, mas também de preço. Foi divulgado hoje também a inflação de importados naquele país e, em abril, recuou 8,6% ao ano. No último trimestre o tombo nos preços foi de 7,1%.
Vemos no gráfico acima o comportamento típico desta crise quando se trata de preços. Ao longo de 2008 o preço de importados explode na esteira da alta expressiva do petróleo e outras commodities, que se tornaram esporadicamente fonte de especulação no pós-derretimento do mercado imobiliário. Após um movimento de alta exarcebada, os preços das commodities recua frente a realidade econômica de desaceleração.
Os efeitos na nossa balança comercial é o recuo da Torrente do Comércio. No entanto, os superávit recente é resultado de quedas expressivas nas importações do Brasil; de um lado depreciadas pela queda no nível de atividade, e, por outro, da desvalorização do Real frente ao Dólar (cito especificamente o choque no câmbio verificado pós agosto de 2008 por conta da quebra da Lehman Brothers; de lá até hoje o Real caiu 30%).
Dá certo alívio, o que pode conduzir a erros de julgamento, a situação do emprego na Alemanha. Apesar de estar em franca expansão, ainda não apresenta os patamares históricos mais elevados. No entanto esta atual crise é histórica (tal qual foi o período de unificação daquele país), e a possibilidade de vermos uma deterioração no emprego é enorme.
Na Europa como um todo a situação não é diferente. Os Pedidos de Bens Duráveis recuaram em 12 meses 26,9%, jogando sombra sobre o futuro econômico europeu.
No Brasil o IPC-FIPE veio em linha com as nossas expectativas. Esperávamos que viesse em 0,33% na medição desta semana. Veio um pouco acima, em 0,34%.
O momento é muito grave no Velho Continente. Infelizmente não há sinal no nevoeiro, pelo menos um sinal convincente, de que o pior já passou por lá.
Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags:O atual comportamento da bolsa brasileira parece contrariar o bom senso econômico. Os sinais da economia doméstica mostram claros sinais de fraqueza e, no entanto, o mercado acionário continua de “bom humor”, fazendo a posição comprada vencer da vendida em 2009 de longe (a alta do iBovespa chega a 38% no ano, em dólar a bolsa brasileira acumula estonteantes 57%).
As razões deste movimento são muitas; entre estas cito a posição relativamente melhor do país em relação aos nossos colegas emergentes e industrializados, e, em especial, ao próprio Brasil de alguns anos atrás. Existem outros pontos relevantes que merecem atenção: a valorização do Real frente ao dólar e as reservas cambiais do Banco Central, que no último dia 18 contabilizavam US$ 203 bilhões (em tempo: o BC voltou as compras de dólar nas últimas semanas, o que deve aumentar nossas reservas).
A questão das reservas é controversa entre alguns economistas; muitos argumentam que é temerário acumular reservas num ativo (dólar) que tende a se desvalorizar nos próximos anos, uma vez que o FED vem conduzindo uma política monetária expansionista (inundando os EUA e o mundo com dólares) para combater a crise econômica aguda que aquele país passa. Estes mesmos economistas acreditam que estas reservas seriam melhores aplicadas se fossem destinadas à investimentos diretos, em especial financiando os planos de expansão de empresas brasileiras no exterior.
O fato novo é que, com reservas volumosas em moeda forte (se o dólar não é moeda forte, qual seria?) neste montante, o Brasil criou um mecanismo financeiro até agora eficiente de amortecimento de impactos externos, ficando comprado em dólar quando preciso, ou vendido se necessário. A estratégia deliberada do BC de acumular reservas tem tido sucesso e é bem vinda; imaginem se o país tivesse que, neste momento, aumentar a taxa de juros para fechar as contas externas como era de praxe anos atrás. Estaríamos hoje em franca depressão econômica.
Porém o objetivo deste comentário é avaliar um único aspecto da economia brasileira: a taxa de juros. Para falar de taxa de juros temos que ter em mente que hoje vigora no país o Sistema de Metas de Inflação. O instrumento por excelência da implementação da política monetária hoje é a manipulação de um elemento exógeno da economia, ou seja, a taxa de juros básica, a SELIC. Se não há perigo de inflação o BC abaixa a taxa básica; assim ele “libera” recursos para a economia, estimulando o desencaixe de moeda em posições menos líquidas (depósito a prazo, títulos e etc..) para posições mais líquidas. Desta forma ele incentiva o consumo, seja na forma de consumo final ou em investimentos.
Caso a inflação esteja alta o BC age no sentido inverso. No caso brasileiro, nosso BC tende a ver a inflação como resultado de demanda exagerada, pressionando assim os preços uma vez que a oferta é inelástica – não se altera – no curto prazo. Neste caso o BC aumenta a taxa de juros para retirar da forma líquida o dinheiro (moeda em poder do público e depósitos à vista), e evitar o consumo. É como se o BC criasse uma “recessão de laboratório” e jogasse no tecido econômico, de tal sorte que a demanda recue para um patamar adequado que pare de pressionar os preços.
O BC tradicionalmente também observa com atenção a evolução do câmbio, uma vez que o Real desvalorizado encarece as importações, fazendo que o país “importe” inflação. Foi este o medo da maioria dos economistas quando o câmbio disparou no final do ano passado: que a inflação viesse na forma de bens importados, que pressionam os custos das empresas (uma vez que muitos insumos são importados) e o consumo das famílias (alimentos e bens industrializados).
Vamos então supor que sejam apenas estes dois elementos que o BC observa, fora a inflação em si, para determinar a taxa de juros básica:
• Demanda
• Câmbio
Primeiro vamos observar a demanda doméstica. Os dados disponíveis apontam para uma deterioração da capacidade de compra dos indivíduos por duas frentes. Num primeiro momento a crise de crédito no país, um sub-produto da crise de confiança generalizada que o mundo enfrentou, diminuiu a capacidade de endividamento das famílias. O Brasil vivia até bem pouco tempo uma explosão no consumo de bens duráveis (carros, geladeiras, motos, TV´s, celulares, etc..) e este consumo tende a cair uma vez que o crédito enfraqueça. O governo se esforçou bastante para reverter esta tendência, reduzindo impostos e ajudando setores chave, em especial a indústria automotiva. Mesmo que o crédito esteja disponível, a confiança do consumidor está deprimida, fazendo este indivíduo ficar menos disposto a se endividar.
Observamos que desde novembro de 2008 a confiança está abaixo do valor verificado no início da série, apontando uma percepção muito ruim sobre a atual situação econômica, frustrando assim muitas decisões de consumo. Observamos também melhora da confiança na margem, no entanto ainda abaixo do início da pesquisa.
Outro determinante da demanda é a renda disponível. Para observar este fenômeno iremos abordar sob dois critérios: renda habitual e emprego.
A Renda Nominal habitualmente recebida pelos trabalhadores brasileiros está relativamente estável nos últimos meses segundo o IBGE, não apresentando dessa forma fonte de estresse aos preços.
Do lado do emprego vimos que a deterioração da economia chegou ao mercado de trabalho. È o que aponta os dados do CAGED divulgados essa semana e, como apontamos no Comentário Diário de ontem, a série dessazonalizada apresenta perda de empregos em abril em relação ao que é habitualmente observado (foram 106 mil vagas contra 140 mil vagas normalmente criadas). Em outras palavras: o desemprego deve aumentar, retirando mais uma vez fôlego da demanda (amanhã será divulgada a taxa de desemprego no Brasil, atualmente está em 9%).
Pelo que expomos aqui o problema não é do lado da demanda.
Agora vamos observar o comportamento do câmbio. O gráfico abaixo mostra a evolução da moeda norte-americana nos últimos meses.
Após a disparada em setembro/outubro de 2008 por conta do arrefecimento da crise de confiança, o Dólar volta a sua trajetória descendente e retira por completo receios de “importação de inflação”. O motivo desta valorização do Real frente ao dólar tem uma explicação mais ligada ao mercado mundial que a questões domésticas. O Dólar está perdendo força de forma constante frente às moedas do mundo.
Fora estes dois fatores (demanda e câmbio) a desaceleração econômica recente produziu mais um efeito desagradável do ponto de vista econômico, mas benigno do lado inflacionário: o aumento da não utilização da capacidade instalada. Isto indica que o país poderá crescer ocupando a capacidade instalada, evitando assim pressões de custo na inflação.
Em decorrência deste conjunto de fatores, onde a demanda, o câmbio e o nível de atividade econômica conspiram para uma inflação menor, a taxa de juros acompanha o movimento e cai frente a esta realidade.
Prova disso são os contratos de juros futuros. Pegamos para ilustrar o fato o DI futuro com vencimento em janeiro de 2010.
O BC, que habitualmente observa estes parâmetros, já demonstra interesse em continuar com a política de corte de juros. Por todos estes sinais que acreditamos que os juros no país devem continuar caindo no país.
Mas onde Juros e Bolsa se encontram? De diversas maneiras, mas neste momento vamos nos ater a apenas duas formas. Antes, porém, devemos reiterar o que significa uma ação negociada na Bolsa de Valores para termos claro o ponto de partida.
Ao comprar uma ação de uma empresa o indivíduo adquire a propriedade privada dos ganhos futuros desta empresa. Ou seja, ele vira sócio daquele negócio daquele ponto em diante. Se o histórico daquela empresa era bom ou ruim pouco importa sob esta perspectiva. O que importa é o futuro desta empresa, não seu passado.
Neste momento é que temos a primeira relação entre Juros e Bolsa. Qual o preço justo de uma ação? O preço justo dessa ação é a valorização esperada deste papel de hoje até um futuro predeterminado (um ano, dois anos, vinte anos, tanto faz), comparado as outras opções possíveis de investimento. Para calcular o ganho potencial desta empresa temos que comparar a evolução esperada deste ativo (ação) contra a aplicação financeira livre de risco, no caso papéis atrelados a dívida pública que variam em torno da taxa básica de juros. Quando a taxa de juros cai, e as projeções futuras sobre essa taxa são de queda, o preço do ativo (ação) descontado a valor presente aumenta.
Para exemplificar isso vamos trabalhar com um exercício hipotético. Imagine que a taxa de juros básica seja de 10% ao ano e que no dia primeiro de janeiro você compre uma ação de uma empresa. Você espera, segundo sua expectativa, que esta ação valorize ao longo deste ano 15%. No dia primeiro de janeiro o preço desta ação era, vamos supor, de R$ 20,00. Este preço equilibra a expectativa de ganho com este ativo (ação) e a taxa livre de risco, que no caso é de 10% ao ano.
Se, por acaso, a taxa de juros começa baixar – e tudo indica que ela vai cair – o que acontece com aquele ativo (ação) que você tem em mãos? Ele começa a subir, uma vez que o ganho potencial entre o ganho esperado entre a valorização daquele ativo (ação) e os juros aumentou.
Este é o primeiro efeito, e quase que imediato, de alta que a bolsa sofre com a queda dos juros.
Se a primeira forma descrita representa uma dinâmica inscrita na própria esfera da bolsa, a segunda forma acaba relacionando a bolsa com outras formas de aplicação financeira.
Se os juros caem, e tudo indica que vai, a rentabilidade da Renda Fixa, atrelada a evolução da taxa básica de juros da economia, perde frente aos ganhos potenciais da Bolsa de Valores. A Renda Variável (Bolsa) fica mais atraente que a Renda Fixa (Juros) e isto faz que recursos que antes se encontravam numa dada aplicação sejam canalizadas para os investimentos em ativos (ações) na Bolsa de Valores.
Este movimento explica parte da volta dos estrangeiros para a Bolsa brasileira, uma vez que a taxa de juros em sues países de origem é praticamente nula (claro, devemos ponderar ainda nesta equação para os estrangeiros o risco cambial, que não é desconsiderável). Após um período em que o estrangeiro liquidou suas posições em países emergentes para tentar sanar os prejuízos em suas matrizes, o movimento agora é de volta destes capitais. O ano passado a fuga de capitais chegou a R$ 24 bilhões de reais. Neste ano o saldo até o dia 14 de maio é positivo em R$ 7,3 bilhões, praticamente o recorde histórico de 2003, que fechou o ano com R$ 7,5 bilhões.
Este movimento dos juros em baixa influenciando a bolsa também incentiva um novo investidor: a pessoa física. Após anos renegado ao segundo plano entre os grandes investidores do mercado, a pessoa física conquista um lugar de destaque no cenário. A busca é de uma rentabilidade maior que as aplicações financeiras tradicionais.
Hoje este segmento representa cerca de 32% do volume da bolsa (dez anos atrás era metade disso), trazendo mais estabilidade ao mercado acionário uma vez que as decisões deste tipo de investidor não é centralizada.
Só este dois movimentos, da volta do estrangeiro e do crescimento da pessoa física, já explicam boa parte deste movimento de alta da bolsa.
Esta explicação de alta na bolsa, como conseqüência da queda nos juros, é apenas uma das causas possíveis do fenômeno. Não há dúvida de existem outros motivos que interferem na alta recente das bolsas.
O objetivo deste comentário é deixar claro que as bolsas estão subindo impulsionadas, em grande medida, por um motivo negativo. A queda na taxa de juros neste momento representa a reação da autoridade monetária (BC) aos sinais ruins da economia.
Logo reiteramos nosso cenário de nível de atividade ruim este ano no país.
Nos dias 9 e 10 de junho o COPOM se reúne para determinar a nova taxa SELIC. No dia 9 de junho será divulgado o PIB do primeiro trimestre. É esperar pra ver.
Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags: