12/11/2009 - 12:27
Prezada Mari !
Não me canso de ler todas as matérias do seu blog, nesse primeiro contato solicitarei uma indicação, mas saberei entender se não houver tempo para me atender.
Acabo de adquirir um terreno no Itanhangá, RJ, de fundos para uma mata fechada onde há um riacho e dentro de um arejado condomínio de 23 lotes. O meu é o menor, 1260 m², sendo 20 F x 47,5 E x 39 D e 32m de fundos, com declive acentuado. Começa com cota 45m e termina cota 20m.
Pretendo algo em torno de 120 m², talvez em tijolo ecológico, madeira e blindex ou vidros grandes para contemplar a área verde. Penso em dois andares internos acompanhando o desnível do terreno, para não acabar num precipício. Haveria algum projeto estilo rústico, com telhado diferenciado e vidros para clarear?
Atenciosamente
Jorge
Nossa Jorge, entendi bem? 25m de desnível? Veja se é isso mesmo!!
Como você pretende construir poucos metros, achei que deveria necessariamente utilizar dois níveis. Sendo o social em cima e com acesso mais fácil, e uma garagem vindo da rua e os quartos abaixo.
Pesquisando na internet, acabei topando com este projeto muito legal e simples para exemplificar um projeto interessante. Foi para um concurso da Empresa Masisa de compensados. O segundo colocado, o arq. André Eisenlohr, fez este projeto abaixo:

Com o conceito orgânico de integração com o entorno, o arquiteto optou por deixar a casa com toda sua estrutura aparente, composta por pilares de eucalipto e vigas de muiracatiara, espécies que vem sendo reflorestadas de forma sustentável.
A cobertura é composta por telhas de fibra vegetal. Situada em um terreno em declive acentuado, a execução da obra permitiu que o arquiteto usasse sua experiência em técnicas de alpinismo e montanhismo, como o uso de reduções de peso com cordas e polias.
A casa foi construída com maneira artesanal, além de mão de obra reduzida e especializada. Foram usadas placas de 15 mm de OSB para o fechamento das paredes, formando um “sanduíche” com 5 cm de distância entre elas, o que proporciona um melhor conforto e isolamento termo-acústico e possibilita a passagem da fiação elétrica de forma simples e racional.
A escolha do sistema de construção seca com OSB foi feita pela facilidade e rapidez de montagem, além de sua resistência, leveza e textura visual, que deixa aparente o conceito orgânico e o partido ecológico do projeto, visando o mínimo impacto ambiental e a máxima integração com a natureza.
O custo da obra foi reduzido em função do preço do material, da redução do tempo de construção, do sistema construtivo e da mão de obra.
www.iabpr.org.br
www.masisa.com/
arquitetandonanet.blogspot.com


Autor: arquiteta - Categoria(s): construção, desenhos, fornecedores para obra, pergunte que respondo, sustentabilidade
Tags: boas ideias em implantação no terreno, casas de madeira, casas ecologicas, implantação de casas
03/11/2009 - 16:52
Não achei o local para perguntas e dúvida por isso estou postando aqui.
Fiz um quarto TV para as crianças com toras de eucalipto, uma cima da outra criando paredes. O que usar para vedar as frestas grandes que ficaram entre uma tora e outra?
Olá Luciano.Atualmente, os movimentos ambientalistas e a conscientização popular sobre a finitude dos
recursos naturais pressionam para que as atividades na construção civil adotem soluções e
critérios construtivos menos impactantes, que garantam o manejo e o uso das edificações
alicerçadas em bases conceituais sustentáveis.Então é muito válido fazer uma cosntrução neste sentido, mesmo que seja pequena!

Entre as espécies de reflorestamento cultivadas, o eucalipto é um gênero de rápido
crescimento, com boa aparência, características físicas e mecânicas razoáveis e com
condição de melhoramento, facilitando o seu uso como matéria‐prima alternativa no
mercado madeireiro. No âmbito da construção civil, o eucalipto é amplamente utilizado de
forma transitória (escoras, formas e andaimes), na execução de obras de engenharia em
geral (pontes, pórticos, etc.) e em edificações comerciais e residenciais, na forma roliça,
serrada ou laminada e colada.
Abaixo algumas dicas importantíssimas para quem está pensando em construir em madeira toda a casa que pesquisei em dissertações de Cristina Steiner e Emanuella Sossai Altoé
ÁREAS CRÍTICAS – MEDIDAS PREVENTIVAS
Elementos estruturais dos pisos
térreos das edificaçõesUtilizar fundações de concreto tipo sapata corrida, com o piso elevado do
solo, provendo drenagem superficial ao redor da edificação.
Locais enclausurados, úmidos e
mal arejados, exemplo: espaço entre barroteamento
Propiciar ventilação do espaço entre o barroteamento e o solo, com o
envenenamento do solo.


Canalizações de água e esgoto
fixos na madeira
Propiciar o acesso fácil a rede de água e esgoto. Não deixar a madeira em
contato com a umidade, colocando uma interface de material impermeável.

Batentes de portas e janelas em
contato com paredes úmidas
Impermeabilização, emprego de espécies mais resistentes e proteção de
pintura a óleo.
Tacos, assoalhos, assentados
sobre pisos em que a água do solo tenha acesso por capilaridade
Impermeabilização do contra‐piso em argamassa e a utilização de sarrafos
de fixação com pintura impermeável, deixando espaços entre a última
tábua do assoalho e a parede.

Peças de madeira em áreas
úmidas como cozinha e banheiro.Receber revestimentos impermeáveis, tais como: tinta esmalte e tinta óleo,
tomando‐se cuidado nas extremidades das peças.
Lambris externos
Distanciamento mínimo recomendado do solo de 30 cm. Quando se trata
de dois pisos a transição dos lambris externos verticais deve receber
proteção metálica fazendo o papel de pingadeira. Emenda de topo dos
lambris devem sempre deixar espaço na sua junta.
Elementos estruturais em
contato direto com o solo ou embutido em concreto
Tratamento por processo de impregnação pressurizada. Sugere‐se que o
concreto não seja impermeabilizado, pois normalmente na sua interface
surgem frestas que permitirão infiltrações de águas de chuva. É importante
garantir a drenagem do concreto. Uma solução é utilizar dispositivo
metálico deixando a extremidade do pilar ventilado.
Peças de telhados, próximas a
rufos, calhas e telhas.
Devem receber atenção especial no seu detalhamento e as peças que
ficarão em contato direto com as telhas devem receber tratamento
químico, além de adotar medidas visando facilitar a substituição das
mesmas.
Os topos expostos das peças de madeira da cobertura (caibros,
terças) absorvem umidade com maior facilidade.

Detalhes construtivos para proteger estas extremidades; corte em ângulo
reto das extremidades dos caibros; colocação de peças como testeira que
evitam a exposição direta das extremidades possibilitar maior rigidez do
beiral.
Fendas, juntas e áreas ao redor de conectores como parafusos,
pregos, etc.
Além do desenho, pode‐se fazer uso de borracha como espaçadores de
maneira para não permitir a permanência de água.
Soleira inferior do diafragma e os topos inferiores dos
montantes verticais.
Necessitam de cuidados em relação à umidade do solo. Os usuários devem
receber uma orientação sobre a prática de limpeza interna da edificação,
como não lavar o piso por exemplo. Caso o piso for cerâmico, o rodapé
deve ser do mesmo material cerâmico (10 cm).
todas as imagens pertencem a:
http://www.fapes.es.gov.br/publicacoes/anexos/3-01/69/dissertacao_final.pdf
O Tratamento das frestas existentes em peças internas como foi citado pelo internauta podem ser seladas com mastique, produto espanhol à base de silicone,
que além de resgatar a estanqueidade da tora, possui como vantagem estética o tom
aproximado à cor da madeira (figura 100).
Segundo informações cedidas pela empresa responsável o produto utilizado por ela
apresenta bom desempenho, mas não é encontrado no país. Quando não é feita a aquisição,
dependendo da situação de uso, utilizam o silicone transparente que, apesar de não
proporcionar um efeito estético favorável, mantém a estanqueidade da peça.

Figura 100 – Peça com a utilização de mastique
Autor: arquiteta - Categoria(s): construção, dicas, pergunte que respondo, sustentabilidade
Tags: casa; madeira, casas de madeira, casas ecologicas, madeira, projetos de casas, projetos sustentáveis
30/10/2009 - 15:30
Boa noite, gostei dos seus comentários e também necessito de uma opinião. Possuo um terreno de 1.981m², plano, retirado da cidade, tipo de casas de campo. O problema é que ele é desigual, parece um losango e ainda possui uma boa quantidade de árvores que me encantam. O que me sugere? Posso construir um sobrado, com a parte superior maior, apoiada sobre pilotis (area)? Por favor, emvie-me a resposta.
Olá Nelma, você tem um bom terreno e árvores nele…Que maravilha!Só resta aproveitar este visual da melhor forma possível.Construindo um sobrado você aproveita melhor o terreno para jardins e etc.Construir sobre pilotis é uma graça divina!Todo mundo sabe o que são pilotis?
Isso quer diser que você não precisa da área de baixo e pode dispor dela, talvez usando para garagens ou salão de festas ou lazer aberto.A casa fica leve, arejada e elegante.
maravilhoso este projeto em pilotis em madeira de Mauro Munhoz em Itu.
Autor: arquiteta - Categoria(s): construção, pergunte que respondo
Tags: casa alta, casa de madeira, casa em pilotis, casa; madeira, casas de madeira
22/10/2009 - 15:40
Bem, acho que acabei descobrindo o obvio!
Estou reformando uma casa que herdei dos meus pais. É uma casa antiga, mas muito acolhedora, precisando somente de algumas alterações, está ficando na medida certa para mim que estou sozinho ocupando a casa.
Há uma sala de 6,5×3,5 coberta com uma laje e em frente a sala um quintal enorme 6,5X5,2, que eu pretendia cobrir com laje,uma vez que já há toda uma estrutura em colunas e vigas, visto que na sala a laje está apoiada sobre uma parede de tijolinhos, e acima desta laje apenas uma area morta usada somente para estender roupas.
Pensei em derrubar a laje,aumentar as paredes (pé direito duplo), colocar um telhado com a estrutura de madeira aparente coberto com telhas romanas algumas delas transparentes para permitir a luminosidade , inclusive o telhado se estendendo sobre a nova estrutura que será como um mezanino podendo ser muito bem aproveitado, uma vez que a sala de tv está no andar de cima e ficará colada a nova edificação onde forçosamente eu terei que abrir uma passagem se quiser aproveitar melhor o espaço.
Qual deveria ser a altura da parede uma vez que o telhado teria também a função de cobrir a parte nova da construção com laje, que tipo de estrutura deve ter esta parede que será edificada, para que não caia. Será que posso fazer a estrutura do telhado em eucalipto?
Bem obrigado, desculpe-me pelo alongado da mensagem e espero ter me feito entender.
Jorge Benedito Ribeiro
Olá Jorge, vamos ver se entendi, você tem uma sala com uma laje, pretende demolir esta laje e fazer um pé direito duplo?Legal, vai ficar tipo um “loft”.
Para quem mora sozinho é uma solução muito agradável e amplia os horizontes.
A altura do telhado deverá o bedecer a de uma construção com dois andares.Normalmente um pédireito tem 2,70m livre, portanto considerando que serão dois andares serão 5,40m livres na parte mais baixa do telhado.
Você vai deixar as telhas aparentes?Eu não aconselharia devido ao conforto termo-acústico , goteiras e sujeiras.Você pode colocar sob a telha de cerâmica, a manta do tipo TYVEC, aquelas prateadas, e depois fazer um forro seguindoia a inclinação do telhado em “gypsum”.Onde colocar telhas transparentes vc faz uma caixa para cima.
A estrutura da parede poderá ser feita em tijolo maciço que você poderá deixar aparente ou em bloco cerâmico com colunas e vigas a serem “amarradas” nas existentes do andar de baixo.Já a estruttura do telhado pode ser de eucalipto roliço, mas faria só as tesouras e terças de eucalipto pois o resto ficaria sobre o forro que pode ser de madeira ou gesso pintado de branco.
arq Zinho e Daniel Paccaud
arq Jaqueline de Araújo
Zanchet madeiras
Autor: arquiteta - Categoria(s): miscelanea
Tags: casas de eucalipto roliço, casas de madeira, telhados, tijolo aparente
14/08/2009 - 13:24
Gostaria de saber custo médio de construção usando este material e se existe uma casa especalizada para fornecer o material.
Olá Hélio
O setor da construção civil também tem aderido ao consumo de madeira tratada. Entre elas os troncos roliços de eucalipto. A madeira de eucalipto na construção civil tem um custo bem menor que a madeira de florestas nativas. Para comparação de valores o m³ de madeira nativa tem um custo de R$ 1.200,00, com a utilização do eucalipto esse custo cai para R$ 500,00 o m³.
O uso do eucalipto tratado também significa economia na construção de cercas, chegando a uma diferença de 50% nos custos. A variação no tempo de vida útil entre a nativa e a tratada chega a uma média de 15 anos. O que contribui para isso são fatores como a alta resistência à ação das chuvas e a inibição à corrosividade dos metais em contato com a madeira.
Como é a estrutura de madeira para uma residência?As vigas e os pilares (encaixados, parafusados, pregados ou ligados por ferragens) formam o esqueleto da casa. Pode-se usar toras ou peças roliças (em geral pínus ou eucalipto), madeira serrada, aparelhada (aplainada) ou lavrada a machado. O valor de uma armação instalada no local custa de 15% a 20% do total da construção.
E vale a pena usar?
Algumas das vantagens são leveza (o que implica fundações menos robustas e caras) e limpeza na obra (sem formas nem mistura de cimento, por exemplo). O material é prático em terrenos acidentados, de difícil acesso ou onde o canteiro de obras é inviável. A montagem também pode ser bem rápida – especialmente se as peças forem previamente cortadas e chegarem ao canteiro com os encaixes preparados.
E em que casos deve-se evitá-la?
Sensível à umidade, a madeira não vai bem em construções enterradas, com subsolos ou porões. Portanto, no caso de haver contato com a humidade, usa-se uma conexão metálica entre o pilar de madeira e a fundação de concreto. Outra peculiaridade: não se acha madeira com mais de 6 metros – essa é a medida máxima encontrada no mercado. Quem deseja vencer grandes vãos precisa adotar peças industrializadas de madeira laminada colada (várias ripas unidas formando vigas e pilares longos).
Como fazer para ter uma?
O primeiro passo é ter em mãos um projeto detalhado da estrutura, feito por quem entende do assunto. Cabe ao arquiteto elaborar o projeto com um engenheiro calculista que o ajude a dimensionar as peças da armação. A execução fica a cargo de carpinteiros, empreiteiras ou construtoras especializadas. Também há empresas que assumem todo o processo: fazem o projeto de arquitetura, calculam e constróem o arcabouço de madeira.
E a mão-de-obra?
Artesanal, o trabalho de carpintaria responde por boa parte do custo dessa solução. “As toras exigem encaixe minucioso e, por isso, têm montagem mais trabalhosa e cara”, diz a arquiteta Miriam Inoue, da construtora paulista Habitate. “Inicialmente mais dispendiosas, as peças aparelhadas compensam pela montagem mais rápida e barata”, completa. “No final das contas, os custos desses diferentes sistemas podem se igualar.”
Essa é uma alternativa ecológica?
Causa menos impacto ambiental que o concreto, o aço e o alumínio, materiais que consomem energia ao serem industrializados. Também é um recurso renovável, apesar de a derrubada das florestas ameaçar várias espécies.
Alguns fornecedores que podem fazer orçamentos mais completos da construção ou lojas que vendem o material:
Ita Construtora
Orbital Estruturas
Edo Callia
Habitate
http://www.fahels.com.br/
Arte Eucalipto Comércio de Eucalipto Tratado em Curitiba
Rodovia Br-116, nº 1820 – Atuba (em frente à Divesa Caminhões)
CEP 82590-100 – Curitiba – PR
Fone: (41) 3256.3234
Autor: arquiteta - Categoria(s): construção, fornecedores para obra, pergunte que respondo, sustentabilidade
Tags: casas de madeira, eucalipto, madeira, madeira tratada
10/02/2009 - 19:07
Já que são tantas questões e curiosidades sobre construções em madeira, resolvi pesquisar mais. Lendo a revista Arquitetura e Construção, da Abril, me deparei com uma reportagem suscinta, mas que tem comparativos e valores médios e resolvi reproduzi-la aqui.
Para quem me perguntou o que é a espera metálica para os pilares de madeira, quais as vantagens, se é ecológica… Enfim é bem interessante para quem está iniciando a pesquisa.
Esta reportagem vai explicar mais a questão da estrutura em madeira, incluindo o telhado, de como e quando se fazer uso dela. Sobre a questão da vedação completa em madeira, já passei as dicas no post anterior.
Edição de setembro de 2005
Como é a estrutura de madeira?
Nesse jeito de construir, as vigas e os pilares (encaixados, parafusados, pregados ou ligados por ferragens) formam o esqueleto da casa. Pode-se usar toras ou peças roliças (em geral pínus ou eucalipto), madeira serrada, aparelhada (aplainada) ou lavrada a machado. “Também dá certo combinar mais de um tipo na mesma construção”, diz o engenheiro paulista Edo Callia. Quanto ao preço, “uma armação instalada no local custa de 15% a 20% do total da construção”, estima o engenheiro Maurício de Almeida, da Orbital Estruturas de Madeira, de São Paulo. “Vale observar que essa conta geralmente inclui a armação da cobertura – diferentemente de outras estruturas, como as de concreto”, acrescenta.
Quando vale a pena usar?
Algumas das vantagens são leveza (o que implica fundações menos robustas) e limpeza na obra (nada de fôrmas nem mistura de cimento, por exemplo). O material cai como uma luva em terrenos acidentados, de difícil acesso ou onde o canteiro de obras é inviável. “Numa pirambeira, a estrutura de madeira mostra-se uma escolha técnica e economicamente coerente”, avalia Edo Callia. A montagem também pode ser bem rápida – especialmente se as peças forem previamente cortadas e chegarem ao canteiro com os encaixes preparados. Detalhe: nem pense em adotar esse sistema sem incluir no projeto recursos para proteger a madeira de sol e chuva, como beirais largos. Um bom plano de elétrica também reduz a chance de curto-circuito, grande causador de incêndios.
E em que casos deve-se evitá-la?
Sensível à umidade, a madeira não vai bem em construções enterradas, com subsolos ou porões. “Exceto as tratadas quimicamente”, diz Marcelo Sacco, da empresa de preservação de madeira Preservam. O material natural até pode ficar em contato com a água, mas apodrece se molhar e secar sucessivas vezes. “Uso uma conexão metálica entre o pilar de madeira e a fundação de concreto” conta o engenheiro paulista Hélio Olga, da Ita Construtora, de São Paulo. Outra peculiaridade: não se acha madeira com mais de 6 m – essa é a medida máxima encontrada no mercado. Quem deseja vencer grandes vãos precisa adotar peças industrializadas de madeira laminada colada (várias ripas unidas formando vigas e pilares longos). “Mas o pínus laminado custa o dobro do comum”, estima Marcelo. Além disso, a junção de paredes de alvenaria (uma das possibilidades de fechamento) com os pilares e vigas é muito suscetível a trincas – causadas pela diferença de movimentação entre os materiais. Frisos de acabamento, cantoneiras metálicas e amarrações com pregos e ferros disfarçam o problema.
Como faço para ter uma?
O primeiro passo é ter em mãos um projeto detalhado da estrutura, feito por quem entende do assunto. Cabe ao arquiteto elaborar o projeto com um engenheiro calculista que o ajude a dimensionar as peças da armação. A execução fica a cargo de carpinteiros, empreiteiras ou construtoras especializadas. Também há empresas que assumem todo o processo: fazem o projeto de arquitetura, calculam e constroem o arcabouço de madeira. E lembre-se: um projeto minucioso reduz as ocorrências de erros comuns, como desperdício e empenamento da madeira.
E a mão-de-obra?
Artesanal, o trabalho de carpintaria responde por boa parte do custo dessa solução. “As toras exigem encaixe minucioso e, por isso, têm montagem mais trabalhosa e cara”, diz a arquiteta Miriam Inoue, da construtora paulista Habitate. “Inicialmente mais dispendiosas, as peças aparelhadas compensam pela montagem mais rápida e barata”, completa. “No final das contas, os custos desses diferentes sistemas podem se igualar.”
Essa é uma alternativa ecológica?
Causa menos impacto ambiental que o concreto, o aço e o alumínio, materiais que consomem energia ao serem industrializados. Também é um recurso renovável, apesar de a derrubada das florestas ameaçar várias espécies. “Cerca de 90% da madeira comercializada vem de desmatamento ilegal”, alerta Lineu Siqueira Jr., do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora). O ideal, então, é adotar madeira extraída em áreas de manejo, onde o corte ocorre de maneira criteriosa e permite que as florestas se recuperem (o selo do Conselho de Manejo Florestal, FSC em inglês, atesta isso; seu site traz a lista de fornecedores certificados). Mas o preço dessa opção supera em até 40% o da madeira sem o selo. Outra opção são os produtos oriundos de reflorestamentos (locais degradados destinados ao plantio de pínus e eucalipto). O porém, nesse caso, são os produtos químicos injetados na madeira para que ela resista a fungos e cupins – uma vez tratada assim, ela deixa de ser biodegradável e não pode ser queimada, ou libera produtos tóxicos no ar. “É encontrada em serrarias ou usinas de tratamento”, diz Sérgio Brazolin, biólogo do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT). E há ainda a madeira reciclada .
Simulação: apesar de muitas variáveis alterarem o preço dessa estrutura, é possível estimar seu custo tomando alguns exemplos. Veja o quadro. ”
Condição/
Empresa |
Estrutura de eucalipto citriodora roliço, tratado quimicamente
em autoclave.
Na Callia Estruturas de Madeira. |
Estrutura de espécies nativas (itaúba ou pequiá) serradas e aparelhadas.Na Habitate Projetos em Madeira. |
Pilares e vigas de madeira nativa serrada e aparelhada (peroba-rosa) e caibros de peroba-rosa de demolição. Na Orbital Estruturas de Madeira. |
Estrutura de madeira
nativa certificada
pelo FSC, serrada
e aparelhada. São usadas diferentes espécies, de cor
parecida. Na Ecolog. |
| Custo aproximado por m2 da obra. Inclui o projeto da estrutura (mas não o de arquitetura), material e montagem |
R$ 190. Com a estrutura do telhado
e a colocação das telhas (não inclui
as telhas). Usa conexões metálicas. |
R$ 280. Inclui a execução e o projeto do telhado (terças e caibros). Exclui os barrotes (esperas) no piso para o assoalho. |
A partir de R$ 300, com o frete e a estrutura do telhado (terças e caibros). Utiliza ferragens galvanizadas a fogo
nas conexões. |
R$ 350. Incluindo a estrutura do telhado (terças e caibros). Leva conectores metálicos nas junções. |
| Tempo de execução |
30 dias
para 140 m2 |
20 dias
para 150 m2 |
30 dias
para 150 m2 ou mais |
15 dias
para 100 m2 |
| Peculiaridades do sistema |
O preço varia conforme o clima, a época do ano, o nível do acabamento, a equipe de carpintaria, a sofisticação e as dificuldades do projeto arquitetônico
ou estrutural. |
Valor para terreno plano (em local acidentado, os pilares são mais longos
e usa-se mais material).
O custo sobe se o projeto de arquitetura não seguir as medidas de mercado para a madeira. |
Distância da obra, dificuldade de acesso, terreno acidentado e grandes vãos encarecem. Se o projeto arquitetônico for pensado para a madeira (com medidas modulares, por exemplo), o preço cai. |
Casas muito recortadas e cheias de detalhes, com mais de dois andares, ficam
mais caras. |
Autor: arquiteta - Categoria(s): construção, dicas
Tags: casas de eucalipto roliço, casas de madeira, casas ecologicas
28/01/2009 - 12:48
Prezados,
Muito interessante as casas mostradas, porém, seria muito bom informar: metragem, média de preços, tempo de construção etc. Existe algum site com essas informações?
Att,
Carlos Alexandre
Olá, Carlos
A pesquisa está muito grande, porém os modelos mais bonitos e feitos com parede dupla só encontrei no fornecedor de Portugal. Para a questão de térmica e acústica, não é suficiente. Estou agora em contato com fornecedores daqui, principalmente do sul do Brasil, para ver se consigo recomendar algum.
O que vejo são projetos muito padronizados e com cara de chalé suíço. Não temos projetos arrojados com um modelo moderno. O que tenho visto são casas com pé direito de no máximo 2,5 m e paredes simples. A infraestrutura ofertada é padrão, por exemplo com três tomadas na cozinha, o que é muito pouco. Imagino que o preço (estou aguardando cotação) seja interessante para os modelos padrões. Se houver muita personalização talvez fique o mesmo valor de uma de alvenaria.
Vou pesquisar mais a fundo e volto a falar sobre isso, já que tivemos muitos comentários pedindo valores e indicações de fabricantes.
Me aguardem!
Autor: arquiteta - Categoria(s): construção
Tags: casas de madeira, pre fabricadas
26/01/2009 - 11:38
Alguns modelos de casa de madeira que podem ser construídos no Brasil: casas com beirais largos, parte das fundações ou áreas com instalações hidráulicas da casa em pedra ou de alvenaria.
A madeira “absorve” calor ou frio do ambiente mais lentamente que outros materiais, sendo um excelente isolante térmico natural. A condutividade térmica da madeira é 1.300 vezes menor que a do aço, 10 vezes menor que a do cimento e 40 vezes menor que a do tijolo de barro, proporcionando uma poupança energética em climatização na ordem dos 30%.
Vejam o esquema deste fabricante que constrói a casa utilizando paredes duplas com isolamento termoacústico interno. Esta é uma dica para quem quer procurar uma solução assim, buscar fabricantes que façam a estrutura com paredes sólidas ou duplas.
A estrutura de madeira deve estar longe do contato do solo para que a humidade não apodreça a mesma. Mesmo se você estiver fazendo um terraço onde o piso é frio, os pilares de madeira devem ser protegidos ou devem estar sobre bases de pedra ou alvenaria. Existem soluções mais apuradas onde os pilares de madeira “nascem” de esperas metálicas, isso depende qual o modelo construtivo adotado e custos de obra.





Autor: arquiteta - Categoria(s): construção
Tags: casas de madeira
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