Já que são tantas questões e curiosidades sobre construções em madeira, resolvi pesquisar mais. Lendo a revista Arquitetura e Construção, da Abril, me deparei com uma reportagem suscinta, mas que tem comparativos e valores médios e resolvi reproduzi-la aqui.
Para quem me perguntou o que é a espera metálica para os pilares de madeira, quais as vantagens, se é ecológica… Enfim é bem interessante para quem está iniciando a pesquisa.
Esta reportagem vai explicar mais a questão da estrutura em madeira, incluindo o telhado, de como e quando se fazer uso dela. Sobre a questão da vedação completa em madeira, já passei as dicas no post anterior.
Edição de setembro de 2005
Como é a estrutura de madeira?
Nesse jeito de construir, as vigas e os pilares (encaixados, parafusados, pregados ou ligados por ferragens) formam o esqueleto da casa. Pode-se usar toras ou peças roliças (em geral pínus ou eucalipto), madeira serrada, aparelhada (aplainada) ou lavrada a machado. “Também dá certo combinar mais de um tipo na mesma construção”, diz o engenheiro paulista Edo Callia. Quanto ao preço, “uma armação instalada no local custa de 15% a 20% do total da construção”, estima o engenheiro Maurício de Almeida, da Orbital Estruturas de Madeira, de São Paulo. “Vale observar que essa conta geralmente inclui a armação da cobertura – diferentemente de outras estruturas, como as de concreto”, acrescenta.
Quando vale a pena usar?
Algumas das vantagens são leveza (o que implica fundações menos robustas) e limpeza na obra (nada de fôrmas nem mistura de cimento, por exemplo). O material cai como uma luva em terrenos acidentados, de difícil acesso ou onde o canteiro de obras é inviável. “Numa pirambeira, a estrutura de madeira mostra-se uma escolha técnica e economicamente coerente”, avalia Edo Callia. A montagem também pode ser bem rápida – especialmente se as peças forem previamente cortadas e chegarem ao canteiro com os encaixes preparados. Detalhe: nem pense em adotar esse sistema sem incluir no projeto recursos para proteger a madeira de sol e chuva, como beirais largos. Um bom plano de elétrica também reduz a chance de curto-circuito, grande causador de incêndios.
E em que casos deve-se evitá-la?
Sensível à umidade, a madeira não vai bem em construções enterradas, com subsolos ou porões. “Exceto as tratadas quimicamente”, diz Marcelo Sacco, da empresa de preservação de madeira Preservam. O material natural até pode ficar em contato com a água, mas apodrece se molhar e secar sucessivas vezes. “Uso uma conexão metálica entre o pilar de madeira e a fundação de concreto” conta o engenheiro paulista Hélio Olga, da Ita Construtora, de São Paulo. Outra peculiaridade: não se acha madeira com mais de 6 m – essa é a medida máxima encontrada no mercado. Quem deseja vencer grandes vãos precisa adotar peças industrializadas de madeira laminada colada (várias ripas unidas formando vigas e pilares longos). “Mas o pínus laminado custa o dobro do comum”, estima Marcelo. Além disso, a junção de paredes de alvenaria (uma das possibilidades de fechamento) com os pilares e vigas é muito suscetível a trincas – causadas pela diferença de movimentação entre os materiais. Frisos de acabamento, cantoneiras metálicas e amarrações com pregos e ferros disfarçam o problema.
Como faço para ter uma?
O primeiro passo é ter em mãos um projeto detalhado da estrutura, feito por quem entende do assunto. Cabe ao arquiteto elaborar o projeto com um engenheiro calculista que o ajude a dimensionar as peças da armação. A execução fica a cargo de carpinteiros, empreiteiras ou construtoras especializadas. Também há empresas que assumem todo o processo: fazem o projeto de arquitetura, calculam e constroem o arcabouço de madeira. E lembre-se: um projeto minucioso reduz as ocorrências de erros comuns, como desperdício e empenamento da madeira.
E a mão-de-obra?
Artesanal, o trabalho de carpintaria responde por boa parte do custo dessa solução. “As toras exigem encaixe minucioso e, por isso, têm montagem mais trabalhosa e cara”, diz a arquiteta Miriam Inoue, da construtora paulista Habitate. “Inicialmente mais dispendiosas, as peças aparelhadas compensam pela montagem mais rápida e barata”, completa. “No final das contas, os custos desses diferentes sistemas podem se igualar.”
Essa é uma alternativa ecológica?
Causa menos impacto ambiental que o concreto, o aço e o alumínio, materiais que consomem energia ao serem industrializados. Também é um recurso renovável, apesar de a derrubada das florestas ameaçar várias espécies. “Cerca de 90% da madeira comercializada vem de desmatamento ilegal”, alerta Lineu Siqueira Jr., do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora). O ideal, então, é adotar madeira extraída em áreas de manejo, onde o corte ocorre de maneira criteriosa e permite que as florestas se recuperem (o selo do Conselho de Manejo Florestal, FSC em inglês, atesta isso; seu site traz a lista de fornecedores certificados). Mas o preço dessa opção supera em até 40% o da madeira sem o selo. Outra opção são os produtos oriundos de reflorestamentos (locais degradados destinados ao plantio de pínus e eucalipto). O porém, nesse caso, são os produtos químicos injetados na madeira para que ela resista a fungos e cupins – uma vez tratada assim, ela deixa de ser biodegradável e não pode ser queimada, ou libera produtos tóxicos no ar. “É encontrada em serrarias ou usinas de tratamento”, diz Sérgio Brazolin, biólogo do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT). E há ainda a madeira reciclada .
Simulação: apesar de muitas variáveis alterarem o preço dessa estrutura, é possível estimar seu custo tomando alguns exemplos. Veja o quadro. ”
Condição/
Empresa |
Estrutura de eucalipto citriodora roliço, tratado quimicamente
em autoclave.
Na Callia Estruturas de Madeira. |
Estrutura de espécies nativas (itaúba ou pequiá) serradas e aparelhadas.Na Habitate Projetos em Madeira. |
Pilares e vigas de madeira nativa serrada e aparelhada (peroba-rosa) e caibros de peroba-rosa de demolição. Na Orbital Estruturas de Madeira. |
Estrutura de madeira
nativa certificada
pelo FSC, serrada
e aparelhada. São usadas diferentes espécies, de cor
parecida. Na Ecolog. |
| Custo aproximado por m2 da obra. Inclui o projeto da estrutura (mas não o de arquitetura), material e montagem |
R$ 190. Com a estrutura do telhado
e a colocação das telhas (não inclui
as telhas). Usa conexões metálicas. |
R$ 280. Inclui a execução e o projeto do telhado (terças e caibros). Exclui os barrotes (esperas) no piso para o assoalho. |
A partir de R$ 300, com o frete e a estrutura do telhado (terças e caibros). Utiliza ferragens galvanizadas a fogo
nas conexões. |
R$ 350. Incluindo a estrutura do telhado (terças e caibros). Leva conectores metálicos nas junções. |
| Tempo de execução |
30 dias
para 140 m2 |
20 dias
para 150 m2 |
30 dias
para 150 m2 ou mais |
15 dias
para 100 m2 |
| Peculiaridades do sistema |
O preço varia conforme o clima, a época do ano, o nível do acabamento, a equipe de carpintaria, a sofisticação e as dificuldades do projeto arquitetônico
ou estrutural. |
Valor para terreno plano (em local acidentado, os pilares são mais longos
e usa-se mais material).
O custo sobe se o projeto de arquitetura não seguir as medidas de mercado para a madeira. |
Distância da obra, dificuldade de acesso, terreno acidentado e grandes vãos encarecem. Se o projeto arquitetônico for pensado para a madeira (com medidas modulares, por exemplo), o preço cai. |
Casas muito recortadas e cheias de detalhes, com mais de dois andares, ficam
mais caras. |