Don’t worry, be happy
A vida é dura pra todo mundo. Mas já reparou que tem gente que só conta desgraça? Você oferece um vinho, ele reclama do refluxo. Você pergunta do trabalho, ele reclama do chefe. Você elogia sua boa forma, diz que ele emagreceu, e ele vem com um relato lacrimejante das noites em claro que tem passado com o filho com bronquite. Na sequência, vem outro caminhão de problemas, tristezas, angústias, frieiras e outros “bichos”. Ok, como eu disse, a vida é dura mesmo. Este ano – o do Tigre – foi uma pedreira atrás da outra. Para mim, para você, para o resto do mundo. Mas a gente se esforça, toma um remedinho para o ânimo, reza, trabalha, faz análise, pratica Yoga, acende velas para o anjo da guarda, muda o visual, sacode a poeira e segue em frente. O que não dá é para ficar parado reclamando, reclamando e cansando os ouvidos de nossos amigos e parentes. Até porque, com o tempo e o volume de desgraças, a coisa perde a força – e o “reclamão” passa a não mais inspirar solidariedade nem pena, só raiva.
Não estou com isso dizendo que as pessoas queridas não mereçam ser ouvidas. Pelo contrário: é papel de um bom amigo escutar os problemas do outro, dar apoio, ajudar. Escutar o outro, aliás, é uma arte que tem se perdido no mundo de hoje – mas isso é assunto para outra coluna. O que estou dizendo é que reclamar demais da vida pode virar um hábito que não tem nada de construtivo. Pelo contrário, é capaz de destruir o que está bom. Quando eu mesma me pego afundada em crises, faço um exercício simples e óbvio, mas que funciona: penso que, no mundo, tem gente ainda pior.