Conviver: céu ou inferno?
Duas impressões sobre convivência harmoniosa, no mesmo feriado.
Cenário 1: 15h, restaurante japonês em Pinheiros, São Paulo. Três amigos – duas moças e um rapaz, de vinte e poucos anos – estão sentados numa mesa. Enquanto comem, falam sem parar. O problema não é a quantidade de assunto, mas o volume em que são discutidos: em voz alta, quase aos gritos. Uma das moças dá gargalhadas homéricas, em volume pra lá de exagerado. Atende várias vezes o celular, parece muito popular (ou muito desocupada). A proximidade das mesas faz com que o assunto dos três seja acompanhado por todo o público do restaurante que, constrangido, quase não fala.
Cenário 2: 20h, bar nos Jardins, em São Paulo. Desde a aprovação da Lei Antifumo, ali não se pode fumar. Para o conforto dos fumantes, o bar colocou bancos e cinzeiros na calçada. E mais: disponibilizou uma plaquinha para ser colocada sobre a mesa, que diz: “Fui fumar e já volto”. Assim, os garçons e outros frequentadores ficam sabendo que aquele lugar está ocupado.
Onde quero chegar? À constatação de que a convivência em grupo pode ser um céu ou um inferno e isso só depende de nós. No restaurante japonês onde se passa a primeira cena, o pequeno grupo de amigos fez da sua diversão um transtorno para os outros. Falar alto, em meio a outras pessoas, é talvez a mais comum demonstração de falta de educação. É invadir o espaço alheio. É achar que, já que você está se divertindo, o mundo que se dane. Chato, hein?
No bar dos Jardins a experiência é a oposta: a ocasião mostrou como é possível estabelecer a harmonia entre fumantes e não-fumantes, de forma simples e simpática. Eu sei, todo mundo sabe, que a Lei Antifumo não agradou nem um pouco aos fumantes, por razões óbvias: ninguém quer ser banido para a calçada. Mas resolveu uma questão que diz respeito à saúde das pessoas em volta – e isso é mais importante.
