Comportamento | Descomplique - Part 2

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Arquivo da Categoria Comportamento

quarta-feira, 24 de novembro de 2010 Comportamento | 14:14

Presente de grego

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Todo ano é a mesma coisa. Com a proximidade do Natal, os colegas de escritório começam a planejar o tradicional jogo do Amigo Secreto. Para alguns, a ocasião é das mais agradáveis. Para outros, um verdadeiro martírio. Afinal, quando não se tem muita intimidade com os colegas, o ato de presentear fica mais difícil e arriscado. Mas não há motivo para pânico. Com algumas atitudes simples, o jogo pode mesmo transcorrer em clima de diversão entre amigos.

- Não faça comentários após o sorteio: não gostou de quem você tirou, nem pense em se manifestar. A menos que você queira que o desafeto se torne público, o que não é uma boa política no ambiente de trabalho. Fique na sua e presenteie o desafeto de forma elegante.

- Insista para que se estabeleça um patamar de gasto: desta forma, equilibra-se o jogo e ninguém sairá com a sensação de ter ficado no prejuízo.

- Esqueça os vales-presente: eles são impessoais demais. Por menos intimidade que se tenha com o Amigo Secreto, vale fazer um pequeno esforço para agradar. Dar presente é uma arte, mesmo nessa hora.

- Não dê lingeries, cuecas, camisolas ou pijamas: agora a razão é inversa: esses são itens íntimos demais. Imagine sua colega de escritório tendo que exibir, para todo o almoxarifado, o sutiã vermelho de rendas que você deu para ela. Além disso, o gesto pode ser interpretado como sedução.

- Cuidado ao presentear colegas que estão acima do peso: evite dar roupas, principalmente se for uma mulher. Ela (ou ele) pode ficar sem graça que descubram o número do seu manequim. Prefira presentear com acessórios ou outros objetos.

- Cuidado ao presentear superiores: tirou o chefe de Amigo Secreto? Ótimo. Mas nem pense em aproveitar a ocasião para impressioná-lo. Melhor agir com naturalidade (na medida do possível), respeitar o patamar de gasto e não exagerar no discurso, no momento da entrega. O que impressiona chefe são comprometimento e eficiência – e isso deve ser mostrado ao longo do ano.

- Saiba receber: mesmo que você tenha ganhado algo de que não gostou, mantenha a pose e seja gentil, agradeça. Essas ocasiões existem para enturmar a equipe, quebrar o gelo no escritório e não para realizar os seus sonhos de consumo. Não espere pelo presente da sua vida, pois dificilmente ele virá.

Autor: Vanessa Barone Tags: , , , , ,

sexta-feira, 19 de novembro de 2010 Comportamento | 14:20

Vendedor-amigão

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Você ainda está observando a vitrine, mas ele já está de olho em você. De repente, surge do nada e diz: “Ooooooi, posso te ajudar?”. Ainda sob efeito do susto, você não tem tempo de pensar. Diz qualquer coisa como: “ah, não…. obrigada, eu estava só olhando…”. Sua vontade é pedir desculpas, dizer que não fez por mal, que na verdade nem sabe por que parou para olhar aquela vitrine. Sai rapidinho de lá, ainda envergonhado.

Essa cena lhe é familiar? Então benvindo ao clube das pessoas que já foram vítimas do vendedor(a)-amigão. Ele (ou ela) é figurinha carimbada nos shoppings da vida. Habitam, principalmente, lojas de calçados, roupas e joias. Ele (ou ela) tem uma estratégia muito manjada – mas alguém jurou que ainda funciona. Consiste em virar seu chapa num curto espaço de tempo. Isso inclui, para começar, saber seu nome. Para quê? Para no minuto seguinte te chamar por um apelido carinhoso – tipo Van, no meu caso. Nem minha mãe me chama de Van, mas o vendedor-amigão me chama. Depois ele vai querer saber um pouco da sua vida – “procura algo para uma ocasião especial? É pra você ou é presente?”. Daí para frente, as coisas só vão piorar. Se você decidir experimentar alguma coisa, vai ter de desfilar depois, para ele dar sua opinião (suuuuperisenta claro). Na sequência, vai sugerir alguns complementos para aquela calça ou saia que você gostou – e sair em busca deles antes que você tenha a chance de dizer “não obri…..”.  

Para chegar a sua parte mais sensível – seu bolso – ele conta com alguns aliados. O mais acintoso deles parece inocente, mas não é: a música alta. Sim. As lojas que contratam vendedores-amigões também investem em músicas irritantemente altas. Para quê? Fazer você esquecer de que um dia teve bom gosto e discernimento. Na batida da música animada, talvez você não repare na qualidade ruim do tecido ou no caimento sofrível da roupa. E não conte com o vendedor-amigão para chamar a atenção para o que interessa. Ele está ocupado demais tentando seduzir você – no mau sentido.

Autor: Vanessa Barone Tags: , , ,

quarta-feira, 10 de novembro de 2010 Comportamento, Sem categoria | 13:10

Manual do ídolo-gracinha

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Ontem, eu escrevi sobre como abordar celebridades sem bancar a tiete com “afliceta”. Hoje, vou falar de como ser um ídolo bem educado. Sim, você famoso que acha que pode tudo porque é famoso. Estou falando com você. Saiba que o mundo não surgiu quando você atingiu o estrelato. Nem ficou melhor porque você está ganhando milhões. Então, por favor, tente agir de forma civilizada. Seguem algumas dicas para não bancar o famoso casca-grossa:

- Respeite a fila. Aquelas pessoas não estão ali para fazer figuração para você.

- Fale baixo. Já repararam que você está ai. Não precisa tentar chamar a atenção.

- Seja, pelo menos, educado com seus fãs. Você não queria ser famoso? Agora aguenta.

- Não chegue atrasado a shows, entrevistas, noite de autógrafos e afins. Deixar pessoas esperando não é sinal de prestígio.

- Cuidado com o que postar nos sites de redes sociais. Você não precisa transformar cada pensamento vazio em palavras. Não, você não é genial só porque é celebridade.

- Tire os óculos escuros em ambientes fechados. Óculos não são máscaras. Está todo mundo te vendo, acredite.

- As pessoas sempre vão estar de olho no que você faz, veste, fala ou demonstra. Cuide de sua imagem. Não adianta reclamar da “imprensa marrom” depois.

Autor: Vanessa Barone Tags: , , ,

terça-feira, 9 de novembro de 2010 Comportamento | 15:08

Solte esse ídolo que ele não te pertence!

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Responda com sinceridade: você consegue ficar completamente indiferente diante de uma celebridade? Não se sinta mal se respondeu “não”. A maior parte de nós não consegue mesmo – eu me incluo nessa. Pois ontem eu fiquei observando as fotos das pessoas que faziam figuração durante as filmagens do longa “Amanhecer” (continuação da saga juvenil “Crepúsculo”) no Rio de Janeiro. Meu pensamento: será que o mulheril ali presente não ficou alvoroçado para dar um beliscão naquele vampiro-galã? Aposto que sim, mas teve de manter a pose para ganhar o cachê. E o que dizer do poder de encantamento que ainda tem o ex-Beatle Paul McCartney – que do alto dos seus 68 anos inspirou uma estudante de 18 anos a fazer uma tatuagem com o formato de seu autógrafo? Imagina o que essa moça faria se encontrasse Sir Paul andando pela rua? Sim, as pessoas ficam mobilizadas pela sedução emanada por uma celebridade.  Eu mesma, preciso admitir, um dia puxei papo com o jogador Kaká, no shopping Cidade Jardim. Logo eu, que odeio futebol! Mas banquei a tiete para que minha filha de 7 anos pudesse ganhar um beijo de seu ídolo.

Quem ganha dinheiro com a própria fama deve estar acostumado à abordagem dos fãs. Mas não é por isso que tudo é permitido. Há uma linha divisória entre o que é de bom tom e o que é abusar da paciência alheia. O ideal é observar – discretamente – se um pedido de autógrafo ou de foto é benvindo. Às vezes, não é. Isso porque celebridades também brigam com o cônjuge, ficam de mau humor, têm TPM e dor no ciático. Se o seu ídolo der sinais de sofrer de algum desses males, melhor contentar-se em olhar de longe. Mas se ele parecer bem disposto, não custa abordá-lo de forma educada. Uma última dica: seja rápido. Não tem nada mais chato do que fã que acha que é íntimo do ídolo e engata um papo furado sem fim. Lembre-se: o ídolo pode até ser seu, mas ele não te pertence.

Autor: Vanessa Barone Tags: , , , , , ,

quarta-feira, 3 de novembro de 2010 Comportamento | 10:25

Conviver: céu ou inferno?

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Duas impressões sobre convivência harmoniosa, no mesmo feriado.

Cenário 1: 15h, restaurante japonês em Pinheiros, São Paulo. Três amigos – duas moças e um rapaz, de vinte e poucos anos – estão sentados numa mesa. Enquanto comem, falam sem parar. O problema não é a quantidade de assunto, mas o volume em que são discutidos: em voz alta, quase aos gritos. Uma das moças dá gargalhadas homéricas, em volume pra lá de exagerado. Atende várias vezes o celular, parece muito popular (ou muito desocupada). A proximidade das mesas faz com que o assunto dos três seja acompanhado por todo o público do restaurante que, constrangido, quase não fala.

Cenário 2: 20h, bar nos Jardins, em São Paulo. Desde a aprovação da Lei Antifumo, ali não se pode fumar. Para o conforto dos fumantes, o bar colocou bancos e cinzeiros na calçada. E mais: disponibilizou uma plaquinha para ser colocada sobre a mesa, que diz: “Fui fumar e já volto”. Assim, os garçons e outros frequentadores ficam sabendo que aquele lugar está ocupado.

Onde quero chegar? À constatação de que a convivência em grupo pode ser um céu ou um inferno e isso só depende de nós. No restaurante japonês onde se passa a primeira cena, o pequeno grupo de amigos fez da sua diversão um transtorno para os outros. Falar alto, em meio a outras pessoas, é talvez a mais comum demonstração de falta de educação. É invadir o espaço alheio. É achar que, já que você está se divertindo, o mundo que se dane. Chato, hein?

No bar dos Jardins a experiência é a oposta: a ocasião mostrou como é possível estabelecer a harmonia entre fumantes e não-fumantes, de forma simples e simpática. Eu sei, todo mundo sabe, que a Lei Antifumo não agradou nem um pouco aos fumantes, por razões óbvias: ninguém quer ser banido para a calçada. Mas resolveu uma questão que diz respeito à saúde das pessoas em volta – e isso é mais importante.

Autor: Vanessa Barone Tags: , , , , , ,

segunda-feira, 1 de novembro de 2010 Comportamento | 13:22

Saia justa política

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A eleição para presidente está definida. Mas a discussão sobre a preferência por esse ou aquele candidato está longe de acabar. Por um bom tempo, a pergunta fatídica ainda será feita: “Em quem você votou para presidente?”. A curiosidade é natural. Mas a pergunta faz parte daquela lista de questionamentos a ser evitada ou, pelo menos, usada com parcimônia. Não que seja proibido discutir política. É até muito saudável. Ruim é invadir um território que é íntimo e sagrado para muita gente. Quem tomou uma decisão de votar num candidato teve suas razões – e nem sempre está disposto a dividir seus argumentos. Ainda mais porque, muitas vezes, quem faz esse tipo de pergunta está pronto para dar uma bela lição de moral em quem tiver opinião contrária a sua. É muito chato aturar quem tenta enfiar, goela abaixo, suas certezas políticas. Então fica combinado: em ambientes sociais, onde se convive com pessoas com diferentes graus de intimidade, melhor evitar explanar ideais políticos. Da mesma forma que não se pergunta a uma mulher gordinha se ela está grávida ou a um senhor de cabelos brancos se aquela criança que ele tem nos braços é seu neto. A resposta pode ser diferente do esperado – e haja jogo de cintura para amenizar o “climão” que vai se instalar depois.

Autor: Vanessa Barone Tags: , , ,

quinta-feira, 28 de outubro de 2010 Comportamento | 10:04

Don’t worry, be happy

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A vida é dura pra todo mundo. Mas já reparou que tem gente que só conta desgraça? Você oferece um vinho, ele reclama do refluxo. Você pergunta do trabalho, ele reclama do chefe. Você elogia sua boa forma, diz que ele emagreceu, e ele vem com um relato lacrimejante das noites em claro que tem passado com o filho com bronquite. Na sequência, vem outro caminhão de problemas, tristezas, angústias, frieiras e outros “bichos”. Ok, como eu disse, a vida é dura mesmo. Este ano – o do Tigre – foi uma pedreira atrás da outra. Para mim, para você, para o resto do mundo. Mas a gente se esforça, toma um remedinho para o ânimo, reza, trabalha, faz análise, pratica Yoga, acende velas para o anjo da guarda, muda o visual, sacode a poeira e segue em frente. O que não dá é para ficar parado reclamando, reclamando e cansando os ouvidos de nossos amigos e parentes. Até porque, com o tempo e o volume de desgraças, a coisa perde a força – e o “reclamão” passa a não mais inspirar solidariedade nem pena, só raiva.

Não estou com isso dizendo que as pessoas queridas não mereçam ser ouvidas. Pelo contrário: é papel de um bom amigo escutar os problemas do outro, dar apoio, ajudar. Escutar o outro, aliás, é uma arte que tem se perdido no mundo de hoje – mas isso é assunto para outra coluna. O que estou dizendo é que reclamar demais da vida pode virar um hábito que não tem nada de construtivo. Pelo contrário, é capaz de destruir o que está bom. Quando eu mesma me pego afundada em crises, faço um exercício simples e óbvio, mas que funciona: penso que, no mundo, tem gente ainda pior.

Autor: Vanessa Barone Tags: , ,

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