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Arquivo de dezembro, 2008

17/12/2008 - 16:56

Adultério é crime?

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A Coreia do Sul é mesmo um país de contrastes.

Por um lado, é a décima-terceira maior economia do mundo, destaca-se por seu invejável avanço tecnológico em áreas como a robótica e a eletrônica. Também é uma das civilizações mais antigas do mundo, com uma história que remonta ao período paleolítico.

Por outro lado, pessoas acusadas de adultério são levadas a julgamento e podem, ainda que raramente, ir parar na cadeia.

Adultério é crime pela lei coreana – um dos poucos países não-muçulmanos a entender um assunto da esfera privada como um problema de segurança pública.

Descobri tudo isso graças à notícia de uma atriz sul-coreana chamada Ok So-ri, que foi condenada a oito meses de prisão por ter traído o marido. O marido, aliás, pediu a pena máxima: dois anos. Por ter se confessado culpada, ela pegou oito meses.

>> Leia a notícia aqui

Ok So-ri, que é bem famosa em seu país, perdeu a guarda da filha, de oito anos.

O mais estranho de tudo é que, embora uma pesquisa feita em 2007 tenha apontado que cerca de 68% dos homens coreanos e 12% das mulheres já fizeram sexo fora de seus casamentos, a lei que criminaliza o adultério, promulgada em 1953, continua firme e forte.

E você? Acha que adultério deve ser considerado crime?

 
* Lembretes: os comentários são moderados e podem demorar um pouco para entrar no ar. Comentários ofensivos, com palavrões ou fora do tema não serão aprovados.

Autor: Clarissa Passos - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , , ,
15/12/2008 - 17:39

Nós queremos homens ‘mandados’?

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Outro dia recebi um release sobre um livro chamado “O Guia das Garotas para Administrar Homens”. O subtítulo é “Coloque seu homem exatamente onde você quer e faça que fique lá!”. Assim, com exclamação e tudo!

Achei engraçado e fiquei pensando: a gente bem que adoraria fazer com que nossos maridos e namorados fossem mais isso ou mais aquilo — sendo que por “isso ou aquilo” pode ser substituído por “atencioso”, “gentil”, “carinhoso”, “sensível”, “firme”, “decidido” e todas os adjetivos possíveis e imagináveis.

Mas, no fundo, se eles fizessem *sempre* o que a gente quer e espera, seria legal? Desconfio que a resposta seja óbvia: não.

O que você acha? Você gostaria de ter seu namorado ou marido 100% do jeito que você espera?

Autor: Clarissa Passos - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , , ,
11/12/2008 - 12:18

Eutanásia: você teria coragem de ajudar alguém querido a morrer?

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Ontem li uma notícia muito tocante. Pela primeira vez na história, a televisão britânica vai exibir um documentário que mostra um suicídio assistido — ou seja, uma eutanásia.

O professor universitário americano Craig Ewert permitiu que sua morte fosse filmada. Sofrendo de uma grave doença neurológica incurável, ele escolheu morrer (o que é contra a lei na maioria dos países) a ficar sendo mantido por aparelhos.

>> Leia a notícia na íntegra aqui

Mas o que mais me tocou foi a atitude de sua esposa, Mary, que apoiou a decisão dele todo o tempo. Casados por 37 anos, pais de dois filhos, eles se despediram assim: ele escreveu que gostaria de continuar, mas não conseguia mais.

Ela então perguntou se podia lhe dar um beijo e disse: “Faça uma boa viagem. Ainda te vejo um dia”.

Não consigo imaginar o que eu faria no lugar dela.

E você? Acha a eutanásia válida? Teria coragem de ajudar um ente querido, como um companheiro de uma vida inteira ou um filho, a partir?

>> Leia as impressões de uma repórter que assistiu ao documentário aqui no Fronteira Livre

Autor: Clarissa Passos - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , , , ,
05/12/2008 - 17:15

Bater em crianças: abuso ou educação?

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A gente já fez uma matéria aqui no Delas sobre como lidar com os chiliques infantis — aqueles que nossos anjinhos, por mais educados que sejam, eventualmente aprontam no meio do restaurante ou da livraria, deixando todo mundo sem jeito.

Na matéria, a especialista determinou expressamente que bater na criança não é uma opção. Alguns leitores se manifestaram dizendo que isso é um absurdo, que bater é normal e faz parte da educação de uma criança. Um chegou a citar que fazia isso para que os filhos não “apanhassem da polícia” mais tarde.

Eu, particularmente, nunca apanhei. Nunquinha. Hoje trabalho, sou responsável, não tenho passagens pela polícia nem roubo velhinhos.

Por outro lado, sei que algumas crianças são tão difíceis que literalmente tiram seus pais de órbita. Não acredito que bater eduque – para mim, é um ato de violência bastante abusiva, visto que é praticado por um adulto, muito maior e preparado, contra uma criança, menor e indefesa. Há outras maneiras de impor limites.

Mas entendo que, às vezes, um adulto pode sair do sério e acaba tendo uma reação desmedida, mesmo que ela não seja nada educativa e que o adulto se arrependa depois.

O problema é estabelecer os limites para essa reação. Numa pequena cidade da Espanha, uma mãe de 37 anos acaba de ser condenada a 45 dias de prisão por ter batido no filho de 10, quando este não fez a lição de casa. Leia a notícia na íntegra aqui.

E você? Acha válido bater em crianças?

E a sentença do tribunal espanhol, foi correta?

* Atenção: comentários com palavrões, ofensas gratuitas e baixarias serão apagados. Assim como observações que não tenham nada a ver com o tema. A casa agradece!

 

Autor: Clarissa Passos - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , , ,
02/12/2008 - 14:04

Mulher ao volante, machismo constante

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Ser mulher hoje em dia não é fácil, principalmente se você escolheu, como eu, trabalhar em uma área dominada por homens.

Sou jornalista automotiva e fui convidada a participar do Audi Driving Experience, realizado no dia 27 de novembro em uma fazenda em Indaiatuba. Pilotos profissionais tinham a responsabilidade de ensinar aos jornalistas convidados algumas manobras de pilotagem e de direção defensiva.

Já acostumada a ouvir que mulher não entende nada de carro, me sinto bem entre os colegas que profissão, que raramente demonstram preconceito com as mulheres que atuam na área. Por isso, qual não foi a minha surpresa quando, assim que os jornalistas desceram à pista para assumir o volante dos modelos da Audi, um dos instrutores perguntou para a outra mulher no grupo: “Você também vai dirigir?”

Imagino que milhões de respostas passaram pela cabeça dela naquele momento, assim como aconteceu comigo. Se existia alguma dúvida se todos os jornalistas na pista iriam dirigir, por que perguntar exatamente para uma das mulheres, que eram só duas entre onze homens? Ok, posso estar exagerando, ele não quis ser preconceituoso, apenas perguntou para a primeira pessoa que viu. E ela apenas respondeu “sim”.

Seguimos em direção a outro instrutor para a primeira série de exercícios. Pois não é que ele perguntou para as duas mulheres do grupo se nós íamos dirigir também? Peraí, o primeiro pode ter sido coincidência. Mas acontecer duas vezes? Sim, todos dirigiram. Seguimos para o segundo e depois para o terceiro exercício de direção defensiva. Mais uma vez, o instrutor perguntou às duas mulheres: “Vocês vão dirigir?”. Ah, por favor, três vezes não dá pra ser coincidência.

Com tantas mulheres conquistando seu espaço no automobilismo e provando que podem ser tão boas quanto os homens – veja o exemplo da americana Danica Patrick na Fórmula Indy -, me surpreende ver pilotos brasileiros demonstrarem esse tipo de preconceito com as mulheres. Será que passa pela cabeça deles que não somos capazes de guiar ou avaliar um carro como eles? Lastimável!

De volta aos “boxes”, os acontecimentos renderam uma breve discussão entre os jornalistas participantes. Pra não dizerem que sou feminista e também estou sendo preconceituosa, deixo claro que até mesmo os homens do grupo acharam machistas as perguntas. A impressão que ficou é que, para eles, as mulheres só poderiam ser a “acompanhante” de algum dos homens presentes.

Uma revista levou uma modelo à fazenda para fazer fotos ao lado dos carrões, o que me fez pensar que, talvez, eles pensassem que estávamos lá para fazer produção. Claro, porque eu não tenho cara de modelo e não consigo imaginar que ele pensou que esse fosse o meu caso também. Acho que seria até pior: mulher só serve pra posar?

De volta ao meu lar doce lar, comentei com um amigo sobre o acontecido e ele me contou que uma vez estava no carro com sua namorada quando ela parou para abastecer. O frentista, ao invés de perguntar para ela, se dirigiu a ele, no banco do passageiro.

Quando penso que a sociedade está evoluindo e ficando menos machista, enfrento situações como essa, que me fazem enxergar que o machismo não morreu. Na verdade, ele está em todo lugar e com força total.

Mulher ao volante... machismo constante

Autor: Aninha - Categoria(s): Sem categoria Tags: , ,
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