De dispensa médica e postando do aconchego do meu lar.
Essa semana o Delas está sendo editado pelo nosso colega-editor do Atitude, Lucasof. Às vezes é bom sair um pouco da rotina e ter um olhar masculino sobre um site de comportamento feminino. Paulo Lima é editor da revista TPM e vem fazendo um belo trabalho, Lucasof também.
A dispensa médica veio depois de uma internação e pausa para antibióticos, descanso para dores abdominais e uma pequena crise da Doença de Crohn.
Em 2005, depois de algumas cirurgias, fistulas intestinais e intermináveis exames descobri que tenho Doença de Crohn.
O nome assusta, mas basicamente é uma doença auto-imune que ataca o aparelho digestório, ou seja, por alguma falha (ainda desconhecida) do sistema imunológico, o organismo reage contra ele mesmo e acaba agredindo partes que podem ir da boca até o ânus, em especial a região inferior do intestino delgado (íleo) e o intestino grosso (cólon).
Essas lesões podem aumentar a velocidade do trânsito intestinal, causar diarréia, esfoliação, sangramento nas fezes, dificuldade para absorver os nutrientes, enfraquecimento do organismo, perda de peso, além de possibilitar fistulas intestinais que podem se transformar em infecções sérias se não forem diagnosticadas e tratadas a tempo.
A Doença de Crohn não tem cura, mas tem controle, e em muitos casos é possível ter qualidade de vida normal. Acompanhamento médico, cuidado com a alimentação e exames periódicos são fundamentais para evitar complicações mais sérias.
Embora a causa ainda seja desconhecida, os médicos acreditam que tenha um veio emocional – e eu também. Períodos de estresse favorecem o aparecimento dos sintomas da fase aguda e crises.
Costuma-se dizer que a doença é UMA para cada pessoa. Cada organismo pode reagir de diferentes maneiras, já que o estágio de uma pessoa pode ser menos ou mais avançado do que o da outra. Enquanto algumas ficam tão enfraquecidas, outras levam vida normal ou enquanto umas passam por diversas cirurgias, outras não fazem nenhuma.
Eu, na maioria das vezes, nem lembro que sou “Doente de Crohn”. Faço acompanhamento médico periódico, como de tudo sem exageros (e às vezes com exageros), trabalho normalmente, corro no parque e tento lidar com os momentos de estresse sem tanto estresse assim.
Entre uma crise e outra, a gente vai levando, mas quem é que não tem problemas não é mesmo?
Enquanto isso, ficamos aqui torcendo pelo avanço dos estudos das células-tronco e Lucasof quebra o “nosso galho” na minha “ausência”.
Saiba mais sobre Doença de Crohn no site do Drauzio Varella