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sexta-feira, 31 de dezembro de 2010 Balanço | 13:18

31 de dezembro

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“Este ano voou”, diria, como naquelas conversas de elevador. Mas voou mesmo. Em 23 de dezembro de 2009, o iG Moda entrou no ar de roupa nova e, como não poderia deixar de ser, renovou o armário ao longo do ano. Parece que foi ontem que estávamos chegando ao Pier Mauá, Rio, 40 graus, recepcionadas por um navio de guerra francês e seus marinheiros a postos, como moldura surreal para o Fashion Rio. Backstages, reportagens, fotos, enquetes, vídeos, risadas, suor, diversão, pânico, a conexão, hein?, tu…tu…tu…, vídeos, soletra Herchcovitch, isso.. H E R C H C O V I T C H, have a good show, São Paulo Fashion Week, week?

Não… aqui é semana, mês e ano fashion… Moda de rua, vitrines, Paris, Milão, desfiles, Nova York, Barcelona, desfiles, Melbourne, Milão, mais desfiles, o que? morreu? twitter? Sério? É, o McQueen, my queen, queen? King! , Alexander, até breve,  e então houve o velório mais chique do mundo. E Gisele continou linda, sem perder o trono. E a moda perdeu Gabriella Pascolato. E a Blue Man fez o desfile mais bacana do ano, com Ney Matogrosso cantando ao vivo e Yamandú Costa ao violão. Sem falar nas estampas da moda praia mais brazucas do Brasil. Neon em SP fez também o seu show, piscinão de luxo.

Todo mundo resolveu fazer a H&M, a C&A, e a Riachuelo. Grifes poderosas descendo do salto atrás do consumidor de Havaianas. Todo mundo usa, todo mundo tem. E teve Lanvin para H&M. Como teve Amir Slama, Gloria Coelho, Espaço Fashion e Maria Bonita Extra para a C&A. Teve até Oskar Metsavaht para a Riachuelo. Oskarchuelo! Democratização da moda, enfim. Na paralela, o mercado do luxo ganha fôlego. Quanto mais o mercado baixa a guarda para o povo consumir, mais a galera do topo quer coisas ainda mais mega inacessíveis. E dá-lhe Chanel, Burberry, Pucci, Jimmy Choo, só gente fina rondando os corredores do glamour. E vem mais gente por aí, pode esperar…

E, do jeito que vai o calendário de moda brasileiro, daqui  a pouco a gente vai chegar aos eventos cariocas com o champanhe do réveillon debaixo do braço… Adeus ano velho, feliz ano novo, dia 8/1 começam os trabalhos no Senac Rio Fashion Business, Eloysa Simão à frente, Patricia Viera e Carlos Miele no Copacabana Palace. E serão 52 desfiles no total, entre Fashion Business, Fashion Rio e Rio-à-Porter. Acho que tá bom pra começar o ano, né?

bjs e feliz 2011 pra todo mundo!

db

Autor: Deborah Bresser Tags: , , , , ,

sábado, 16 de janeiro de 2010 Desfiles | 08:35

A linguagem dos desfiles

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Não gosto de ir ao backstage antes do desfile, como também não gosto de release de coleção e muito menos de explicações sobre quais foram ou quais deixaram de ser as inspirações. É como o escritor que tenta explicar seu livro. O livro tem de se traduzir sozinho. O desfile precisa falar por si.

Bom, para mim, é descobrir, a cada entrada, qual foi a viagem do estilista, que história será que ele quis contar e de que maneira procurou realizar esse percurso. Nenhuma escolha na moda é vã. Tudo tem, ou deveria ter, uma razão de ser. O botão, o aviamento, os tecidos, os acabamentos, as lavagens ou as misturas de materiais são selecionados com precisão para seduzir quem está ali, do outro lado da vitrine.

Quem vê uma coleção em primeira mão, como ocorre com quem vai a um desfile de moda, não deixa de ser uma cobaia fashion. Somos os ratinhos desse laboratório, e se saímos aguçados, querendo mais, é sinal de que aquela dose de moda nos alimentou, e vamos seguir sonhando com ela até que chegue às vitrines, quatro, cinco, seis meses depois.

Muitas vezes, e já ouvi isso muito, quem trabalha com moda cansa tanto das tais tendências, que, quando a estação chega, aff, já está detestando tudo o que foi mostrado. Outras pessoas juram que nunca vão conseguir usar o que viram na passarela, mas quando chega a hora de comprar, ui, olha lá, não resistem ao apelo dessa engrenagem.

Um bom exemplo são as calças boyfriend, ou as modelagens saruel (aquelas com o cavalo lá embaixo). Quando apareceram nos desfiles de verão, em junho, muita gente torceu o nariz, dizendo que não iria dar para usar. Aham… Basta uma olhadinha nas ruas para constatar que a modelagem pegou. O mesmo vale para os vestidos e sainhas muuuuuuuuuuito curtas. Estão nas ruas, não há dúvida, e, se depender do que vimos no Fashion Rio, vão continuar.

Para o inverno, pelo menos o proposto em terras cariocas, os curtíssimos vão ganhar a companhia de bermudas. Os brilhos, pedrarias, o veludo molhado, a saia tulipa (com quadril bem marcado, arredondado, e cintura alta), as sandálias abotinadas, algo de punk de butique (espinhos de metal, looks pretos pesadões), as peças de segunda pele estampada, a meia calça de vinil colorida, algo na cabeça (vale touca de cristal, turbante, chapéu, boné) e, para quem sentir muito frio, casacos e mais casacos com pêlos, também prometem emplacar na próxima estação.

Vamos ver o que a temporada de São Paulo vai trazer. Se vamos continuar com essas ideias, ou se seremos surpreendidos por algum neologismo, algum desfile que traga, de fato, uma palavrinha nova, uma roupinha nova, uma nova linguagem.

Autor: Deborah Bresser Tags: ,