
Dilma recebe a faixa de Lula, com seu look comportado
Quem se acostumou a ver mulheres na rampa do planalto sempre fazendo figuração, e abusando de cores intensas para atrair um bocadinho de atenção (inesquecível, por exemplo, o vestido Walter Rodrigues amarelo ouro usado por dona Marisa Lula na primeira posse do ex-presidente), respirou aliviado ao ver Dilma Rousseff discreta em um comportado terninho off white, um branco mais apagado, digamos, para assumir a presidência da República. Depois de um mal sucedido “namoro” entre Dilma e o estilista Alexandre Herchcovitch, que foi cotado (e chegou até a tirar as medidas da então candidata o PT à sucessão de Lula) para o posto de primeiro costureiro, quem ficou com a missão de vestir Dilma na posse foi a estilista Luisa Stadtlander, que passa longe das panelinhas da moda e, segundo consta, é amiga da família. O modelo sem nenhuma afetação, na verdade composto de vestido e blazer delicado, surpreendeu mais pela discrição do que qualquer outra coisa.
Os que apostavam no vermelho PT para o momento talvez não tenham gostado. Mas, de certo, foi melhor assim. Uma mulher presidente não precisa de uma roupa que grite para mostrar poder. Ela é o poder. Ponto. O cabeleireiro e maquiador Celso Kamura, incumbido da beleza da presidenta, caprichou no penteado, e reforçou os traços de Dilma, com olhos e lábios bem marcados.
A presença de dona Marisa também mostrou que oito anos de poder mudaram um bocado o estilo da ex-primeira dama, que apareceu mais chique e discreta do que já foi um dia, também em tons claros, mais para o bege. A presença de Marcela Temer foi um caso raro de mulher linda, loira, magra e jovem entre os políticos do primeiro escalão. Ex-miss, a jovem senhora do vice-presidente Michel Temer (ele 70, ela 27 anos) roubou a cena com blusa marrom de ombro pregueado, saia rosa, cabelos em trança, saltos altos. Mas aí é covardia…
Na avaliação de Gloria Kalil, nossa parceira do site Chic, a cerimônia de posse revelou a sobriedade correta de Dilma e uma nova ´celebridade´para a imprensa, em referência à Marcela Temer. “Temos, enfim, a Carla Bruni que merecemos. Afiemos nossos ferrões”, disse Gloria ao iG Moda, por mensagem de celular.
Para as mulheres comuns, que fique a imagem da primeira mulher a assumir a presidência do País, com uma elegância conquistada a duríssimas penas (temos fé de que até o fim do mandato Dilma consiga andar com um pouco mais de desenvoltura com saltos altos), e que as peças que ela veste possam encher de orgulho todos os que gostam de moda, mas sem que isso se confunda, nunca, jamais, em tempo algum, com deslizes de conduta. Dos erros que podemos cometer, o de figurino é o menos importante. A roupa, afinal, é só uma casca. Que venha o conteúdo agora.