Um delírio chamado Alice
Das histórias infantis, dois personagens sempre povoaram minha imaginação de forma contundente: Peter Pan e Alice. Ele, por inúmeras noites, esperei com as janelas abertas para que me levasse para a Terra do Nunca. Tinha mesmo um janelão no meu quarto, e o delírio de sair voando em busca de aventuras contra o Capitão Gancho embalaram muitas insônias precoces. Ela, com seu vestidinho azul e laço no cabelo, imitei na tentativa de cruzar o espelho imenso que ocupava a sala de estar, queria saber o que havia do lado de lá, e, a cada soneca tirada encostada em uma árvore, vinha a certeza de que passaria um coelho de casaca que me levaria para o País das Maravilhas.
Ver o filme de Tim Burton foi a chance de vivenciar aquelas imagens, como se ele enxergasse aquela toca de coelho exatamente da mesma forma que eu a via. Interminável. Naquela queda alucinante em 3D, eu me joguei sem amarras. Me deixei levar por aquela Alice adulta, diferente da que conheci nos livros. Isso porque o filme se baseia no segundo livro de Lewis Carroll, a continuação chamada Alice Através do Espelho (E O Que Ela Encontrou Por Lá). Dizer que Alice ficou sombria é pouco. Isso ela sempre foi. Um pesadelo disfarçado de sonho de criança. A beleza de Mia Wasikowska, como Alice, ajuda a hipnotizar a plateia. Seu cabelo loiro e ondulado deve aposentar de vez as chapinhas do mundo.
Da mesma forma, o Chapeleiro Maluco de Johhny Deep é um deleite para a alma, com seu figurino circense e suas caras improváveis. São dele os momentos mais hilários e os mais dramáticos do filme. Os personagens todos são protagonistas neste cenário concebido nos computadores, da rainha de Copas (Helena Boham Carter), com seu corpo diminuto e cabeça imensa, à rainha Branca (Anne Hathaway), de movimentos exageradamente leves e vestidos alvos de doer os olhos.
Se nunca vi Alice em batalhas sangrentas como as propostas pelo cineasta, cansei de imaginar como seria a cena de ela desaparecendo sob os vestidos, ou rasgando a roupa, cada vez que biscoitos mágicos a encolhiam ou estendiam.Ver Alice imensa atrás dos arbustos do castelo da Rainha Vermelha sair dali toda trabalhada na print animal, em modelito improvisado pelos súditos, foi o melhor momento fashion, empatado com o micro vestidinho que o Chapeleiro faz para ela, quando está escondida dentro da chaleira. Tim Burton realizou a fantasia. Eu fui para o País das Maravilhas. Agora, só falta ir à Terra do Nunca.
Nenhum comentário, seja o primeiro.
Antes de escrever seu comentário, lembre-se: o iG não publica comentários ofensivos, obscenos, que vão contra a lei, que não tenham o remetente identificado ou que não tenham relação com o conteúdo comentado. Dê sua opinião com responsabilidade!