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08/09/2009 - 14:34

Para os jornalistas, o chão

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O 66º Festival de Veneza está maltratando os jornalistas com a correria absurda do dia-a-dia. São 25 longas-metragens em competição, mais vários importantes fora de concurso, como “O Desinformante!”, “The Men Who Stare at Goats” e “South of Border”. Para os brasileiros, a carga foi ainda maior porque havia dois filmes nacionais na mostra paralela Horizontes.

Fora isso, Veneza promove coletivas de todos os filmes em competição, fora de competição e da mostra Horizontes, emendando sete, oito entrevistas. O resultado é que sobra muito pouco tempo para ver e para escrever.  As sessões para imprensa às 22h também não ajudam em nada, já que a primeira sessão do dia acontece às 8h30 ou às 9h da manhã.

Para piorar, a sala de wireless foi ocupada pelos sempre truculentos fotógrafos de agências e jornais, que ocupam todos os espaços e ainda forram a mesa de garrafas de água, e a brigada chinesa, que parece se multiplicar a cada ano. Sobra para os jornalistas de texto que escrevem em seu próprio computador o saguão da sala de imprensa, desprovido de mesas.

Mas hoje uma nova regra entrou em vigor. Agora, os jornalistas obrigados a se sentar no chão – como esta que escreve – podem usar as almofadas que jaziam sem uso em cima dos estranhos pufes gigantes instalados no salão. Mas, ainda assim, o fiscal das almofadas esclarece: só podem ser utilizadas para encostar nas paredes onde estão as preciosas tomadas – elas são artigo mais raro do que tapioca aqui em Veneza. Esta repórter burlou a norma e está sentada sobre uma modernosa almofada de vinil.

O salão do Palazzo Del Casinò também é equipado com dois tablados inúteis com degraus de diferentes alturas, que provocaram duas quedas feias hoje.

Autor: Mariane Murosawa - Categoria(s): Festival de Veneza Tags:
02/09/2009 - 13:00

Clima de obra em Veneza

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Equipe estende o tapete vermelho na véspera do festival

Equipe estende o tapete vermelho no Palácio do Cinema na véspera do início do festival / Getty

No Palazzo del Cinema e no Palazzo del Casinò, que abrigam há décadas o Festival de Veneza, parecia que não ia dar tempo, pelo que se via ontem: caminhões, tapumes e muita gente de furadeira na mão para conseguir terminar os preparativos para a 66ª edição, que começou nesta quarta. Mas até que deu.

Ainda assim, o clima é de obra, porque um novo Palazzo está sendo construído, mais moderno e adequado que o prédio de ares mussolinianos que abriga o festival hoje.

A imprensa está tendo certo trabalho para se localizar, porque as entradas e saídas foram modificadas, e algumas salas mudaram de nome. Mas a sala de imprensa continua a mesma, com seu saguão de pé direito altíssimo, agora adornado por grandes painéis com Woody, Buzz e companhia – a Pixar é a grande homenageada deste ano com o Leão de Ouro pelo conjunto da obra. E a falta de lugares para todos permanece igual, com gente caçando tomadas e se espalhando pelo chão – no ano passado, a atriz Alice Braga ficou passada com o que viu.

Desta vez, todos receberam um comunicado sobre a segurança, dizendo que não seriam permitidas mochilas grandes dentro das salas. Pode até ser que tenham barrado alguém, mas o que se viu neste primeiro dia foram vários seguranças com detectores de metal nas mãos que mais pareciam enfeites, de tanto que não eram usados. Tudo bem. As coisas em Veneza costumam ser mais relaxadas mesmo que em Cannes, onde todas as pessoas são revistadas. O ritmo aqui é bem mais sossegado – ontem, vários restaurantes fecharam para se preparar para a maratona. E as lojas, para desespero dos profissionais que vêm cobrir o festival, continuaram respeitando sua sesta, normalmente das 12h30 às 16h.

Ainda falta uma hora e meia para a primeira sessão oficial do festival, mas o bando de fotógrafos e curiosos já se aglomera debaixo do sol escaldante, na frente da Sala Grande. O tapete vermelho aqui não é comprido como o de Cannes, tem apenas alguns poucos degraus e por volta de cinco metros de comprimento.

Autor: Mariane Murosawa - Categoria(s): Festival de Veneza Tags:
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