Para os jornalistas, o chão
O 66º Festival de Veneza está maltratando os jornalistas com a correria absurda do dia-a-dia. São 25 longas-metragens em competição, mais vários importantes fora de concurso, como “O Desinformante!”, “The Men Who Stare at Goats” e “South of Border”. Para os brasileiros, a carga foi ainda maior porque havia dois filmes nacionais na mostra paralela Horizontes.
Fora isso, Veneza promove coletivas de todos os filmes em competição, fora de competição e da mostra Horizontes, emendando sete, oito entrevistas. O resultado é que sobra muito pouco tempo para ver e para escrever. As sessões para imprensa às 22h também não ajudam em nada, já que a primeira sessão do dia acontece às 8h30 ou às 9h da manhã.
Para piorar, a sala de wireless foi ocupada pelos sempre truculentos fotógrafos de agências e jornais, que ocupam todos os espaços e ainda forram a mesa de garrafas de água, e a brigada chinesa, que parece se multiplicar a cada ano. Sobra para os jornalistas de texto que escrevem em seu próprio computador o saguão da sala de imprensa, desprovido de mesas.
Mas hoje uma nova regra entrou em vigor. Agora, os jornalistas obrigados a se sentar no chão – como esta que escreve – podem usar as almofadas que jaziam sem uso em cima dos estranhos pufes gigantes instalados no salão. Mas, ainda assim, o fiscal das almofadas esclarece: só podem ser utilizadas para encostar nas paredes onde estão as preciosas tomadas – elas são artigo mais raro do que tapioca aqui em Veneza. Esta repórter burlou a norma e está sentada sobre uma modernosa almofada de vinil.
O salão do Palazzo Del Casinò também é equipado com dois tablados inúteis com degraus de diferentes alturas, que provocaram duas quedas feias hoje.
