Existem algumas cidades no mundo onde a importância da colônia italiana é tão grande que seus consulados tendem a ser mais importantes que as embaixadas na capital federal. Isso acontece com São Paulo e também com Nova Iorque. Aproveitando a minha viagem na última semana para lá, resolvi preparar para os leitores do blog um roteiro com os principais restaurantes italianos da “Grande Mela”
Uma dica importante para quem pensa em jantar em NY é fazer a reserva antecipadamente. Praticamente todos os restaurantes visitados podem ter a reserva feita atráves do prático site OpenTable.
O primeiro restaurante da minha lista é um desconhecido dos brasileiros. Na verdade, acabei pesquisando o restaurante por uma lista do próprio OpenTable. Boas críticas, preços honesto e uma boa localização acabaram me convencendo a visitar o Alloro (307 East 77th Street $). O simpático chef, Salvatore Corea, é originário da Calabria, mas não é novato na cidade que não dorme. Já foi chef e proprietário de outros restaurantes, mas vendeu suas participações para tornar realidade o sonho de ter um restaurante no seu “bairro”. A família Corea mora a uma quadra do restaurante. O jantar começou muito bem com um prato onde são apresentadas duas versões da Parmigiana di Melanzane, uma bem tradicional e uma releitura do chef. Minha mulher pediu uma Vieira com Crosta de Pistache sobre Creme de Batata com Chocolate Branco e Alcaparra “passa”. Eu não podia deixar de provar. Sensacional. Seguimos com as massas. Ela pediu um certeiro Ravioli de Funghi com Creme de Mascarpone, Avelãs Tostadas e Caramelo de Vinho Tinto. Eu apostei na combinação de erva doce com laranja que guarneciam um leve ravioli recheado com anchova. Perfeita combinação do doce da casca de laranja “candita” com o salgado do peixe. Pulamos os secondi (os pratos eram bem servidos) e dividimos um Tortino de Chocolate com Azeite de Oliva, Creme Inglês Picante e Sorvete de Vanilla. Uma pena não terem disponível o Barolo Chinato, que constava no menu de vinho em taça. Ofereceram como cortesia um bom Nero D´Avola que acompanhou bem a sobremesa. Sai de lá feliz, com a impressão de que o roteiro começara com o pé direito.

Dois dias depois, enquanto pesquisava sobre o chef Andrew Carmellini, descobri que o nome dele estava relacionado a um novo restaurante, Locanda Verde (377 Greenwich St $$), e não ao que eu havia feito reserva, A Voce, cuja chefia fora entregue a não menos competente Missy Robbins, vinda do multi premiado Spiaggia de Chicago. Descobri então que Carmellini se desentendera com os sócios e abrira o novo restaurante em sociedade com o restauranteur/ator Robert De Niro em seu hotel The Greenwich no Tribeca. Foi dessa maneira que minha agenda teve que arrumar espaço para mais uma visita, que ocorreu no mesmo dia.
O Locanda Verde era bem perto do meu hotel. Aberto em maio, o restaurante estava lotado em plena segunda-feira. O ambiente era bem descontraido, assim como seu menu que trazia pratos bem tradicionais como o Ravioli da Nonna do chef. Simples e delicioso. Recheio de carne e ótimo molho de tomate. Mal sabia eu que ainda estaria por vir um dos melhores pratos que já comi na minha vida, sem exageros. Um magret de pato, cozido à perfeição com uma pequena crosta de gordura ultra crocante, couve italiana, batata Yukon e uvas “concord” (espécie americana de uva de mesa e usada para produção de sucos) em conserva. Comi rezando para não acabar. Minha mulher, pediu, por livre e espontânea pressão, um Guanciale di Vitello acompanhado de Risotto alla Milanesa. Muito bom, porém sem tanta emoção, ou talvez eu estivesse apenas sendo injusto comparando-o ao meu prato. De sobremesa minha mulher escolheu um bom bolo de pistache com o seu sorvete, artesanal, sem cor de kriptonita. Como o sorvete, delicioso, acabou antes do bolo, nos ofereceram outra bola, sem custo. Já eu não perdi a oportunidade de harmonizar a fantasia de chocolate com uma taça de recioto della valpolicella.

A visita seguinte foi feita durante o almoço. Estivemos no Il Mulino (86 West 3rd st $$$) por indicação da publicitária, cliente e amiga Ana Serra, que sabe tudo de Nova Iorque. Foi uma viagem no tempo. No mesmo instante me lembrei dos grandes restaurantes italianos tradicionais que a cidade de São Paulo já teve e que fecharam suas portas ou lutam para sobreviver. Garçons de smoking recitando, com um forte sotaque italiano, todos os especiais do dia, mesa com toalhas brancas, copos de cristal e porções bem servidas. Logo na entrada, somos saudados por uma enorme peça de parmigiano reggiano, que vem à mesa em pedaços acompanhado de uma série de antipasti e deliciosas torradas de alho. Pelo salão circulam peixes inteiros assados em crosta de sal, que vão ser porcionados e servidos. Na mesa ao lado, o maitre rala uma quantidade generosa de um belo tartufo bianco para um cliente italiano e sua acompanhante. Eu optei pela massa com ragu de javali, que era um dos especiais, enquanto minha mulher pediu o prato de camarão do menu, com queijo fontina e molho de vinho branco. Ambos deliciosos e enormes. Para quem resolver pedir massa e um secondo, sugiro dividir a massa. Saimos de lá sem sobremesa. Talvez eu tenha exagerado na quantidade de torradas de alho do couvert e nos antipasti…talvez não, certeza.

Na próxima semana, vou terminar o roteiro e falar sobre os restaurantes mais esperados dessa minha visita: Babbo, Scarpetta e A Voce.
Ciao a Tutti
Carlos (Twitter)
Preços:
$ – de U$ 35 a 50
$$ – de U$ 50 a 75
$$$ – acima de U$75
(por pessoa, sem bebidas e serviço)