SONHO ARGENTINO
Estava impedido, mas e daí? Meu amigo Maurício Teixeira fez um elogio às arbitragens de hoje: ajudaram quem joga bola. É isso aí. Juiz erra, bandeirinha erra. Não sendo contra a Portuguesa, não dou a mínima. Fazem parte do futebol, as cagadas dos juízes. Por isso que tenho uma camiseta preta em que está escrito, somente, em letras garrafais: JUIZ LADRÃO. O dia em que juiz não for ladrão, o futebol perde totalmente a graça.
E não me venham com tecnologia. Chip na bola, telão, tira-teima. Não existe tira-teima na vida, nem chip nas nossas bolas, nem telões para que possamos rever (eu ia escrever “revejamos”, mas alguém iria achar que está errado, então sem “revejamos”) nossos erros.
O futebol é o jogo que mais se parece com a vida, escreveu Albert Camus. “O que eu mais sei sobre a moral e as obrigações do homem devo ao futebol.” O futebol é uma metáfora da vida. No dia em que se tornar preciso e infalível, deixa de ser. Conviver com o erro de um bandeirinha, com o capricho de uma bola na trave, com o gol perdido, com o frango, é aprender a viver.
Pronto, já filosofei o bastante por hoje.
Noves fora, a Argentina tem um time apaixonado por seu técnico, já escrevi isso no início da Copa, seus jogadores são devotos, não comandados. Maradona é um deus, não um sargento Tainha resmungão. Não, não é indireta alguma ao técnico do Brasil, é direta, mesmo. Jamais os jogadores brasileiros vão respeitar e admirar Dunga como os argentinos respeitam e admiram Maradona.
E é um time bom pacas. Pena que já na próxima fase uma das duas seleções que de fato jogam futebol nesta Copa vai cair fora. Alemanha e Argentina, pelo que se viu até agora, mereciam estar na final.
Mas isso também faz parte do futebol e da vida.







