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Posts com a Tag Maradona

segunda-feira, 5 de julho de 2010 Frase do dia | 14:38

FRASE DO DIA

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FAZ BEM TER ALGUÉM QUE TRANSMITE CALMA E NÃO PÂNICO AOS SEUS JOGADORES. EU PREFIRO UM TREINADOR ASSIM AO LADO DO CAMPO A IDIOTAS COMO DUNGA OU MARADONA

Sneijder, da Holanda, sobre o técnico Bert van Marwijk em entrevista à revista “Helden”

Autor: Flavio Gomes Tags: , , , ,

sábado, 3 de julho de 2010 Copa 2010 | 18:05

PESADELO ARGENTINO

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Foi um verdadeiro massacre. Assisti ao jogo em Interlagos, boa parte antes de começar minha corrida, o final logo depois. A Argentina se entregou. Tomar um gol besta com dois minutos de jogo, e da Alemanha, arrebenta qualquer um. Não há o que contestar na vitória alemânica. O time enfiou quatro três vezes na Copa, na Austrália, na Inglaterra e na Argentina. O caminho da Alemanha rumo ao tetra tem sido duríssimo. Mas eles fazem ficar fácil. Porque jogam bola, sabem como é?

E a Argentina se despede com a tristeza e a melancolia das palavras de Maradona, o grande astro do Mundial até sua queda, dura, contundente. Para os argentinos, não basta uma derrota. Tem de ser trágica, como foi. Um vareio de uma molecada branquela de olhos azuis que não faz faltas, não reclama com o juiz, tem organização, método, objetivo.

É triste ver um time como o da Argentina de joelhos, como ficou hoje na Cidade do Cabo. Mas quando do outro lado tem uma turma tão limpa e confiante, e que joga um futebol tão, tão… tão futebol, não é o caso de lamentar.

E desconfio que Maradona, apesar da derrota, sai dessa Copa com uma imagem melhor do que a que tinha antes. Ele sofreu de verdade por seu país. Não curto muito essa mistura de esporte com patriotismo, mas é preciso reconhecer quando um sentimento é autêntico, legítimo.

Maradona, com seus charutos, suas beijocas nos jogadores, seu carinho pelo time, deu várias lições neste Mundial. A maior delas, talvez, de amor pelo futebol que ele aprendeu a amar nos campinhos de terra batida de sua Argentina querida.

Autor: Flavio Gomes Tags: , ,

domingo, 27 de junho de 2010 Copa 2010 | 19:04

SONHO ARGENTINO

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Estava impedido, mas e daí? Meu amigo Maurício Teixeira fez um elogio às arbitragens de hoje: ajudaram quem joga bola. É isso aí. Juiz erra, bandeirinha erra. Não sendo contra a Portuguesa, não dou a mínima. Fazem parte do futebol, as cagadas dos juízes. Por isso que tenho uma camiseta preta em que está escrito, somente, em letras garrafais: JUIZ LADRÃO. O dia em que juiz não for ladrão, o futebol perde totalmente a graça.

E não me venham com tecnologia. Chip na bola, telão, tira-teima. Não existe tira-teima na vida, nem chip nas nossas bolas, nem telões para que possamos rever (eu ia escrever “revejamos”, mas alguém iria achar que está errado, então sem “revejamos”) nossos erros.

O futebol é o jogo que mais se parece com a vida, escreveu Albert Camus. “O que eu mais sei sobre a moral e as obrigações do homem devo ao futebol.” O futebol é uma metáfora da vida. No dia em que se tornar preciso e infalível, deixa de ser. Conviver com o erro de um bandeirinha, com o capricho de uma bola na trave, com o gol perdido, com o frango, é aprender a viver.

Pronto, já filosofei o bastante por hoje.

Noves fora, a Argentina tem um time apaixonado por seu técnico, já escrevi isso no início da Copa, seus jogadores são devotos, não comandados. Maradona é um deus, não um sargento Tainha resmungão. Não, não é indireta alguma ao técnico do Brasil, é direta, mesmo. Jamais os jogadores brasileiros vão respeitar e admirar Dunga como os argentinos respeitam e admiram Maradona.

E é um time bom pacas. Pena que já na próxima fase uma das duas seleções que de fato jogam futebol nesta Copa vai cair fora. Alemanha e Argentina, pelo que se viu até agora, mereciam estar na final.

Mas isso também faz parte do futebol e da vida.

Autor: Flavio Gomes Tags: , , ,

quinta-feira, 17 de junho de 2010 Copa 2010 | 14:09

EM NOME DE DIÓS

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A Argentina joga por seu técnico. Que é um deus para sua gente. É meio bobagem esse negócio de endeusar quem quer que seja. Mas há que se respeitar, principalmente quando se conhece a Argentina e o jeito de seu povo, dramático, apaixonado, exagerado. Maradona ganhou sozinho uma Copa para seu país, em 1986. Depois, passou pelo drama da cocaína, da vida pessoal incontrolável, do doping na Copa de 1994. E quando parou de jogar, transformou-se num reality show muitas vezes deprimente, triste.

Pois a Argentina nunca condenou Maradona, o que já faz desta uma nação um pouco diferente das outras. Nós, aqui deste lado da Tríplice Fronteira, por exemplo, adoramos condenar todo mundo por qualquer coisa. Destruímos reputações, somos os reis do escárnio, achamos que é engraçado tirar onda da desgraça alheia. É o que se chama de “descontração” do brasileiro, o povo gentil.

Mas voltemos à Argentina e a esse time do Maradona que, como disse Sócrates outro dia na TV, está fazendo algo que poucas pessoas fariam: desceu do pedestal sagrado, colocou-se como gente, um ser humano apenas, diante do julgamento e da cobrança de todo um país e do mundo do futebol, que não é pequeno e adora uma tragédia, também.

E foi malhado nas eliminatórias, mandou a imprensa à merda, e o público assistindo a tudo aquilo com um misto de incredulidade e admiração, e eis que a Argentina chega à Copa com um time que venera seu treinador, a ele não presta nada menos do que devoção, algo raro de se ver.

Maradona fecha a primeira fase deste Mundial contra a Grécia, curiosamente a seleção contra a qual fez seu último gol, em 1994 (quem mandou o vídeo abaixo foi o blogueiro Rogério Magalhães). Isso depois de voltar a uma Copa, agora como técnico, enfrentando a Nigéria — curiosamente a última seleção que enfrentou com a camisa da AFA, naquela mesma Copa dos EUA, e depois daquele jogo explodiu o escândalo do doping.

A vida de Diego Maradona é mesmo inacreditável. Às vezes, acho que os argentinos têm uma ponta de razão quando olham para ele e veem algo parecido com o que deve ser uma divindade. Afinal, alguém aqui conhece alguma pessoalmente para dizer como é?

Autor: Flavio Gomes Tags: ,

sábado, 12 de junho de 2010 Agenda, Copa 2010 | 07:15

ONTEM, HOJE, AMANHÃ

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Bom dia, macacada. Em Copa do Mundo, todo dia é dia de acontecer algo que pode entrar para a história com H maiúsculo. Potencialmente, digo. Às vezes não acontece nada. Neste sábado, por exemplo, se a Al Qaeda implodir o estádio onde jogam EUA x Inglaterra, estaremos na história com H maiúsculo. Caso contrário, vamos torcer para Maradona acender um charuto no banco e ser repreendido pelo quarto árbitro da Fifa.

Assim sendo, vamos ao nosso tradicionalíssimo e indispensável resumo das atividades boleiras em solo sul-africano:

- ONTEM: grupo A – África do Sul 1 x 1 México no Soccer City, com os chicanos tendo jogado bem no primeiro tempo e mal no segundo, e sendo assim os Bafana aproveitaram que o goleiro adversário era anão, fizeram 1 x 0, mas depois tomaram o gol de empate porque não sabem fazer linha burra; na Cidade do Cabo, Uruguai 0 x 0 França, e sempre que vejo a França jogar me pergunto como é que chegaram a duas das três últimas finais de Copa, uma aberração, eles só tiveram Platini e Zidane, e quanto aos hermanitos lá de baixo, continuo firmemente torcendo para eles.

- HOJE: grupo B – Coreia do Sul x Grécia, 8h30 em Porto Elizabeth, no primeiro jogo oficial da Coreia sem acento, sob a nova gestão da reforma ortográfica, partida para fanáticos, deve ser ruim pacas; Argentina x Nigéria, 11h em Joanesburgo, e vamos ver a quantas anda essa estrelada seleção maradônica, que vai dar em tango, seja qual for o resultado; grupo C – Inglaterra x EUA, 15h30 em Rustemburgo, jogo que Bin Laden aguarda com enorme expectativa para assistir em sua caverna afegã comendo pipoca e tomando tubaína.

- AMANHÃ: grupo C – Argélia x Eslovênia, 8h30 em Polokwane; grupo D – Sérvia x Gana, 11h em Pretória; Alemanha x Austrália, 15h30 em Durban.

Autor: Flavio Gomes Tags: , , , ,

quarta-feira, 9 de junho de 2010 Copa 2010 | 08:25

OS INIMIGOS

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Já repararam que a imprensa virou a grande inimiga de todas as seleções? Que técnicos e jogadores não aguentam mais os jornalistas? Acham insuportáveis as entrevistas coletivas, as zonas mistas, as perguntas, os comentários?

É uma relação curiosa, e sempre turbulenta, esta da imprensa com as seleções. Na Argentina e na Itália, por exemplo, são históricas as guerras francas e abertas, como em 1982, naquela Copa que a Azzurra ganhou depois de fazer greve de silêncio contra a imprensa da Bota. Aqui do lado, Maradona, quando ainda não era técnico, deu até tiro de espingarda em jornalistas na frente de sua casa. Outro dia, passou com o carro sobre o pé de um fotógrafo. Acho que era fotógrafo. Nas eliminatórias, quando se classificou, mandou todos chuparem alguma coisa. Chupem! E, na África do Sul, deixa os caras do lado de fora da cerca e não quer nem saber.

Dunga ainda não chegou ao ponto de distribuir bordoadas de verdade em ninguém, nem atropelou colunistas ou repórteres, não se sabe se andou dando tiros de espingarda em alguém. São apenas verbais, seus petardos. Abre suas entrevistas, sempre, cuspindo marimbondos.

O resultado é que a cobertura da seleção brasileira nunca foi tão sem sal como nesta Copa. O exército de jornalistas que lá se encontra precisa se contentar com coletivas e mais nada. Não vê treinos, não conversa com ninguém. O goleiro titular está com dor nas costas faz uma semana e o médico ainda não apareceu para dizer o que está acontecendo. Na folga, o que de mais emocionante aconteceu, ontem, foi um passeio por um shopping. Não teve farra, noitada, puteiro, álcool e fumaça. Não há curandeiros, pais-de-santo, onde anda o Vicente Matheus?

É um verdadeiro seminário, essa seleção.

Aí a imprensa, coitada, é obrigada a apelar para as estatísticas mais inúteis do mundo para preencher espaço. “Kleberson só jogou 49 minutos na era Dunga!”, grita um pasquim. “Robinho já fez 19 gols em 49 jogos com o Dunga!”, berra outro. Putz, bela merda.

Dá pena dos colegas. São tratados como inimigos. E a maioria, Dunga que não se engane, torce desesperadamente para a seleção. Ou porque torce mesmo, ou porque “é bom para a imprensa” se o Brasil ganhar, ou porque se o time for eliminado a viagem fica mais curta. E esse comportamento besta vai para as entrevistas, claro. Os caras se acham no direito não de perguntar, mas de cobrar o técnico, perguntar opinando, essas coisas — com as exceções de sempre, claro.

E Dunga devolve com suas patadas dos pampas, porque é chato, mesmo, alguém apontar o dedo para você e dizer o que você tem de fazer, por que não coloca o Ramires?, por que convocou o Doni?, e essas perguntas são feitas não como perguntas, mas sim como acusações, e é por isso que o Dunga não aguenta a imprensa e ninguém aguenta o Dunga.

Em resumo, Dunga é um pentelho. Mas a imprensa também é chata. E, com isso, tem-se a fórmula ideal para se chegar ao que estamos vendo nestes dias de preparação da seleção: zero de notícia. “Saldo de gols depois das substituições é de 23 contra 15 dos titulares!”, me informam as folhas de hoje, desesperadas com a falta de assunto. Putz, caguei. Queria saber é se alguma loira gostosa invadiu o clube de golfe e catou alguém.

Autor: Flavio Gomes Tags: , ,