O DataGomes, instituto de pesquisa recém-criado que usa papel e caneta em vez de computadores, acaba de concluir novo levantamento sobre a Copa, agora mercadológico. São os horizontes se ampliando para a empresa, que foi a primeira a detectar a superioridade sul-americana sobre todos os outros continentes do universo no Mundial.
Fomos contratados para apurar dados sobre as marcas de material esportivo que estão presentes na África do Sul. E concluímos que a adidas (não, não esqueci de colocar maiúscula, é que a adidas se trata assim mesmo, em minúsculas) é a que tem maior representação, com 12 seleções. Depois vem a Nike com 9, a Puma com 7, e quatro marcas com uma seleção cada: Joma, Brooks, Legea e Umbro.
OK, sei que vocês querem a relação, então lá vai, e depois eu continuo.
adidas – África do Sul, França, México, Argentina, Grécia, Nigéria, Alemanha, Dinamarca, Japão, Eslováquia, Paraguai e Espanha
Nike – Coreia do Sul, Eslovênia, EUA, Austrália, Sérvia, Holanda, Nova Zelândia, Brasil e Portugal
Puma – Uruguai, Argélia, Gana, Camarões, Itália, Costa do Marfim e Suíça
Joma – Honduras
Brooks – Chile
Legea – Coreia do Norte
Umbro – Inglaterra
Mas eu gostava mesmo era da Admiral. É uma marca inglesa muito antiga, que fazia as camisas da seleção da Bélgica, se bem me lembro. Bem me lembro, era isso mesmo. Sempre fui tarado por camisas de futebol e suas marcas. Tara que vem lá dos anos 80. Essa Admiral (li agora no site deles) nasceu em 1914 para fazer uniformes para a Marinha. Faz todo sentido. Hoje em dia (não li mais nada no site deles) não sei se ainda faz uniformes, nem para a Marinha, nem para times de futebol. Só sei que gostava da camisa da Bélgica.
Lembro também vagamente que a seleção do México usou camisas da Levi’s. Tenho certeza absoluta disso, mas não consigo achar uma foto sequer em lugar algum. Agradecemos colaborações.
A melhor seleção que o Brasil já teve, das que eu vi de verdade, era abastecida pela Topper. Foram três Copas, em 1982, 1986 e 1990. As três em que o escudinho da CBF tinha a Jules Rimet no meio. Em 1994, Umbro, feia pra cacete. Depois, Nike. Mas eu gostava mesmo era da Athleta, a das Copas de 1970 e 1974, com certeza, porque em 1978 foi adidas. A Athleta tinha desaparecido do mercado, mas parece que foi comprada por um japonês tarado por camisas de futebol e pelo Brasil, e agora está por aí, como mostra o site. Tenho uma camisa Athleta da Portuguesa, número 8, foi do Enéas.
Puma, Nike e adidas concentram 87,5% das camisetas, meias e calções desta Copa, sobrando migalhas para as outras. Sou um especialista no assunto, por isso falo de capela. Puma e adidas são alemãs e foram fundadas por dois irmãos, Adi Dasler e o outro que não sei o nome, talvez Puma Dasler.
Estou brincando. Mas diz que eles brigaram durante a Segunda Guerra, Adi não deixou Puma entrar no seu abrigo antiaéreo, possivelmente um mal-entendido, e Puma ficou pistola da vida e montou uma empresa para concorrer com a do irmão. Foi mais ou menos isso. Na final da Copa de 70, quando o juiz ia apitar, o Pelé pediu para esperar um instantinho e agachou para amarrar a chuteira. Era Puma. Dizem que ganhou uns cobres em dólares pela espertíssima ação de marketing, porque todas as câmeras se voltaram para aqueles pés de Puma.
A Nike é americana e ficou famosa graças ao Forrest Gump. Foi criada nos anos 60 por um cara que corria como o Forrest Gump, então é a mesma coisa. Hoje é dona da Umbro, que nasceu na Inglaterra e foi comprada há três anos.
A Brooks que veste o Chile é americana, a Joma de Honduras é espanhola e a Legea, essa eu tive de pesquisar, é uma pequena confecção italiana, instalada numa cratera do Vesúvio.
Licença poética, é que é de Pompeia. Vai entender como é que conseguiu convencer os norte-coreanos a usarem seus produtos.
A primeira fase ainda não terminou, mas as projeções do DataGomes indicam que teremos 6 adidas, 5 Nike, 4 Puma e 1 Umbro nas oitavas-de-final. Talvez 1 Brooks e 3 Puma, depende de o Chile se virar contra a Espanha e torcer contra a Suíça, vamos ver.
Por fim, o DataGomes também oferece relatórios estéticos aos seus clientes. E sobre esta Copa, tem a dizer que o uniforme mais bonito, o azul e marrom da Puma para as seleções africanas, não foi usado. Assim, elege as camisas pretas da Alemanha e do México, ambas segundas camisas, como as mais belas até agora. O resto está tudo meio normal.