PROPOSTA INDECENTE

Aldyr Garcia Schlee é gaúcho de Jaguarão, a 200 metros da fronteira com o Uruguai. Mora em Capão do Leão, perto de Pelotas, e torce para o Brasil. O Brasil rubronegro, o Brasil de Pelotas, bravo Xavante. Gosta de futebol, joga botão e em Copas torce para o Uruguai. Não importa que lhe encham o saco, torce para o Uruguai e acabou.
Schlee é jornalista e escritor, tradutor e desenhista, professor universitário e ex-preso político.
Não o conheço, mas deve ser uma figura, e quando for ao Sul em algumas semanas, possivelmente passarei por Pelotas, é rota, e se puder vou tentar encontrá-lo para tomar um café.
Aldyr Garcia Schlee foi o criador do uniforme “canarinho” do Brasil. Até a Copa de 1950, a seleção brasileira usava variações de branco e azul. Neste link aqui tem um histórico bacanérrimo (ui) dos fardamentos usados por nossos bravos rapazes desde a criação do universo.
Depois da derrota de 1950 no Maracanã, um jornal do Rio, o “Correio da Manhã”, criou um concurso nacional para mudar aquele negócio, que pelo jeito dava azar. Era o ano da graça de 1953 e Schlee contava 19 primaveras. Fez lá uns rabiscos, colocou no correio para o “Correio” e ganhou. Isso é liberdade poética minha. Nesta deliciosa entrevista feita pelo Paulo Passos, do iG, no começo do ano, ele conta que só mandou sua proposta para o Rio porque tinha um primo que trabalhava numa companhia aérea.
E ganhou: camisa amarela com gola e punhos verdes, calção azul e meias brancas.
Pois.
A história nem é tão nova, embora para mim tenha sido novidade descobrir, dias antes da Copa, que o criador dessa camisa, símbolo maior do futebol-arte-malemolente-moleque, ainda era vivo, e que torce para o Uruguai e para o Brasil que é outro, o de Pelotas. Também sou xavante, diga-se.
Feito o enorme preâmbulo, a notícia. Chegou-me pelo Twitter, atirando-me ao blog Amigos de Pelotas, editado pelo colega Rubens Filho. Ontem à noite, numa palestra, Schlee contou ao Rubens e a outro jornalista (temos testemunhas, não nos processem!) que recebeu um telefonema de um diretor da Globo propondo a ele que criasse um novo uniforme para a seleção brasileira usar em 2014.
Pode ser que entre para o folclore, pode ser que o cara que ligou não seja nada da Globo, tenha se identificado como tal, mas era trote, só que pode ser que seja, também. Tentei telefonar ao Schlee para obter mais detalhes, e o número só chama e não atende. A esta hora de uma noite de sábado ele deve estar na Mamma Pizza tomando um bom vinho e se divertindo com amigos, sem preocupação nenhuma em desenhar outro uniforme, ideia que considerou descabida e, de certa forma, mercantil. No que faz muito bem.
Mas se for mesmo alguém da Globo, identifique-se, please. E explique pra gente o que é que a Globo tem a ver com uniforme de seleção.





