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terça-feira, 6 de julho de 2010 Agenda | 10:31

ONTEM, HOJE, AMANHÃ

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Não podemos bobear, a bola volta a rolar (nossa, que original!) hoje na África do Sul. Prepare seu dia:

- ONTEM: Vasco 3 x 2 Coritiba e Avaí 3 x 2 Grêmio na Ressacada.

- HOJE, semifinal: Holanda x Uruguai, 15h30 na Cidade do Cabo, não há limites para sonhar, Celeste!

- AMANHÃ, semifinal: Alemanha x Espanha, 15h30 em Durban, e atenção! Paul, o Polvo, disse que dá Espanha, e os germânicos estão em polvorosa, e há quem diga que Paul, o Polvo, fez isso só para escapar da paella!

Autor: Flavio Gomes Tags: , ,

segunda-feira, 5 de julho de 2010 Copa 2010 | 16:56

DERRUBEM O PRESIDENTE

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Ricardo Teixeira é presidente da CBF há 21 anos. Não foi eleito por ninguém a quem devamos alguma consideração. Foi eleito pelos patetas dos presidentes das federações estaduais. São 20 e poucos, que podem ser comprados com jogos de camisas e bolas. É bem fácil ser eleito presidente da CBF quando se tem dinheiro para comprar jogos de camisas e bolas.

Ricardo Teixeira é um mau elemento. Não precisa me processar, presidente. Mau é antônimo de bom, e elemento é apenas um substantivo, como abacaxi ou jarra. Mau porque não é um bom presidente, porque na Copa de 1994 a Receita Federal o pegou no pulo trazendo muamba, não sou eu que acuso, não precisa me processar, presidente. Mau porque escolheu Lazaroni e Dunga, porque foi sacana com Falcão e Leão.

Mau porque preside uma confederação de um esporte, o futebol, e aqui quer realizar uma Copa do Mundo de futebol, e o país cuja confederação ele preside não tem um estádio decente onde se possa jogar futebol. Não precisa me processar, presidente, digo isso baseado no fato de que todos os estádios da Copa de 2014 estão por ser construídos ou reformados.

Em 21 anos como presidente da confederação de futebol, portanto, Ricardo Teixeira não conseguiu que seu esporte tivesse um palco sequer apropriado para a prática do esporte cuja confederação ele preside.

Não se trata, aqui, de tabular resultados. Foram seis Copas das quais o Brasil participou sob sua gestão, ganhou duas, chegou a uma final, em outras três se deu mal. Isso tudo é normal, no esporte ganha-se e perde-se, não importa. Mas foi sob sua gestão que o futebol do interior do Estado de São Paulo morreu, e isso me parece preocupante, foi na sua gestão que a Fonte Nova desabou, foi na sua gestão que o Campeonato Brasileiro virou Copa João Havelange porque os clubes estavam brigando com não sei quem, foi na sua gestão que as torcidas uniformizadas viraram gangues de criminosos, foi na sua gestão que as bandeiras foram proibidas nos estádios paulistas, foi na sua gestão que se viu o maior êxodo da história de jogadores para a Europa, para a Ásia, para o Oriente Médio, foi na sua gestão que desapareceu o futebol do Norte e do Centro-Oeste, foi na sua gestão que pegaram juízes vendendo resultados, foi na sua gestão que os empresários-urubus invadiram os clubes para tomar deles os garotos em começo de carreira.

Assim, sinto-me à vontade para dizer que Ricardo Teixeira é um mau elemento, ou um mau presidente, ou um mau dirigente, como queiram, e sinto-me mais à vontade ainda para não gostar dele e, portanto, de nada do que sai de sua cabeça, porque o futebol brasileiro, resumindo, é uma merda: não tem estádios, os melhores jogadores não ficam aqui, a violência das torcidas é uma mazela, os horários dos jogos são o fim da picada e mais um monte de coisas.

Para mim, está na cara que tudo é culpa do Ricardo Teixeira. É ele o presidente da confederação que cuida do futebol. Se o futebol está uma merda, dou-me o direito de achá-lo um m… um mau elemento que não cuida do futebol.

Ele cuida de contratos. Com a Nike, com a Globo, com o Itaú, com a Brahma, com a Seara, com a TAM, com a Gillette, com a puta que o pariu. Não me interesso por contratos. A CBF virou uma empresa que administra contratos e que tem um produto, a seleção brasileira. Não passa disso. Caga para o futebol. Agora há pouco, aliás, a CBF acabou de devolver o comando da gestão midiática de sua seleção à TV Globo, numa melosa entrevista no canal Sportv, conduzida por Galvão Bueno, Renato Maurício Prado, Paulo César Vasconcelos e Arnaldo César Coelho, que passaram uma hora lambendo Ricardo Teixeira, depositando toda a culpa da má Copa em Dunga (que, se bem me lembro, foi escolhido por Ricardo Teixeira), que só virou vilão na Globo porque não deu privilégios à Globo, a única coisa que prestou em sua gestão.

Por isso, enquanto Ricardo Teixeira for o presidente da CBF, nada vai acontecer. E ele será, enquanto quiser. A não ser que…

A não ser que as pesoas de bem que militam no futebol reajam.

É preciso que as pessoas de bem que militam no futebol se manifestem. Assim: Felipão é chamado para a seleção; não aceita, e diz porquê. Leonardo, o do Milan, idem: convoca uma coletiva e diz que não quer, porque não pode servir a alguém como Ricardo Teixeira. Mano Menezes é convocado: responde que não pelo Twitter, para todo mundo saber que não tem a menor intenção de ser funcionário de uma empresa que administra contratos e não liga para futebol.

E jogadores poderiam recusar convocações, e torcedores poderiam se recusar a comprar camisetas amarelas, e as emissoras de TV poderiam se recusar a transmitir os jogos do time da CBF, e aí o Ricardo Teixeira iria à falência, ou entregaria o cargo.

E aí o governo federal poderia baixar uma norma através de seu Ministério de Esportes proibindo qualquer confederação esportiva de ter presidentes que permaneçam no cargo por mais de duas gestões, algo fácil de se fazer, para que o futebol, quem sabe, caia nas mãos de gente boa, honesta, respeitada.

Para que um dia, quem sabe, a CBF possa ser presidida pelo Zico, ou pelo Sócrates, ou pelo Raí, ou pelo Rogério Ceni, ou pelo Marcos, ou pelo Paulo Autuori, ou pelo Mano Menezes, ou pelo Tostão, ou pelo Xico Sá, por gente que vive ou viveu do e no futebol, e não por alguém como Ricardo Teixeira, que só está lá há 21 anos porque era genro de João Havelange, outro elemento que adora o poder eterno, para que a seleção brasileira volte a ser formada por jogadores do Flamengo, do Corinthians, do Palmeiras, do Galo, do Inter, do São Paulo, do Santos, do Fluminense, para que a seleção brasileira use camisetas da Penalty ou da Lupo, jogue no Maracanã, no Morumbi, no Beira-Rio, no Couto Pereira, no Mineirão, e não em Londres, para onde não posso ir com tanta frequência assim.

Autor: Flavio Gomes Tags: , , ,

Frase do dia | 14:38

FRASE DO DIA

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FAZ BEM TER ALGUÉM QUE TRANSMITE CALMA E NÃO PÂNICO AOS SEUS JOGADORES. EU PREFIRO UM TREINADOR ASSIM AO LADO DO CAMPO A IDIOTAS COMO DUNGA OU MARADONA

Sneijder, da Holanda, sobre o técnico Bert van Marwijk em entrevista à revista “Helden”

Autor: Flavio Gomes Tags: , , , ,

Grandes Craques | 10:56

5 DE JULHO

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Barcelona, 5 de julho de 1982

Era isso que estava escrito sob esta foto de Reginaldo Manente na capa do “Jornal da Tarde” no dia seguinte à derrota do Brasil para a Itália no Sarriá.

É a melhor capa de jornal de todos os tempos. A foto, local e data, nada mais. Importa muito pouco o que estava escrito lá dentro, nas páginas do jornal que eu lia, e que não é mais o mesmo faz tempo. O “JT” foi um sopro de inovação na imprensa brasileira no final dos anos 60, e curiosamente nascido numa tumba do conservadorismo como é o grupo “O Estado de S.Paulo” com seu jornalão reaça e quatrocentão. Conservadorismo assumido, pelo menos. E, apesar disso, vítima do que de pior o conservadorismo deixou no Brasil, a censura tacanha, a invasão de suas redações por alcaguetes do regime militar. Não deixa de ser irônico. O mais conservador dos jornais teve no conservadorismo seu maior algoz. E foi uma de suas mais vibrantes peças de resistência.

Mas este não é um blog sobre jornalismo, e sim sobre futebol. Ou deveria ser.

O Brasil perdeu da Itália no dia 5 de julho de 1982 e Manente flagrou o menino na arquibancada do Sarriá. Nada expressa melhor aquela derrota de exatos 28 anos atrás. O fim do sonho de criança de ver a bola bem jogada levantando uma taça. Nem o Sarriá existe mais. Virou condomínio de luxo em Barcelona.

Valdir Perez; Leandro, Oscar, Luizinho e Júnior; Falcão, Cerezo, Sócrates e Zico; Serginho e Éder. Telê no banco. Todos, exceto Falcão, jogavam no Brasil. Já falei dessa Copa e desse time dias atrás, aqui mesmo. Mas hoje faz 28 anos, e é data que não deve passar em branco quando, mais uma vez, está na boca do povo o eterno duelo futebol-arte x futebol-de-resultados. Discussão eterna que nunca vai ter fim. Mas se a gente olhar para a foto do moleque (quem será ele, por onde anda?), dá pelo menos para entender um pouco por qual tipo de time se chora no futebol.

Outros não merecem uma lágrima sequer.

Autor: Flavio Gomes Tags: , , , ,

Agenda | 10:30

ONTEM, HOJE, AMANHÃ

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Um grande vazio vai-se apossando desta boba agenda. Falta quatro jogos, quatro!, para acabar a Copa. O que faremos depois?

- ONTEM: Inter 0 x 0 Peñarol em Rivera, Inter 2 x 1 nos pênaltis; Vitória 1 x 0 Botafogo-PB; Sergipe 1 x 1 Santa Cruz; Náutico 4 x 1 Fortaleza; Treze 2 x 2 Confiança; América-RN 1 x 2 CSA; Ferroviária 0 x 3 Santos; XV de Piracicaba 1 x 3 Palmeiras; São José 0 x 1 Portuguesa.

- HOJE: Vasco x Coritiba, 19h30 na Ressacada.

- AMANHÃ, semifinal: Holanda x Uruguai, 15h30 na Cidade do Cabo, é esse e mais um, Celeste!

Autor: Flavio Gomes Tags: ,

domingo, 4 de julho de 2010 Copa 2010 | 21:16

O TREINEIRO

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Quando joguei bola profissionalmente, dos 14 aos 18 anos, meu técnico no Rigesa era o Toninho. Toninho Evangelista, ex-goleiro da Ferroviária. Eu era goleiro, também, e por isso o Toninho gostava de mim, apesar de eu ser nanico e, evidentemente, não ter futuro algum no futebol.

O Rigesa é um time forte, lá em Valinhos. E na região toda de Campinas, também. Ganhei muitos campeonatos regionais. A maioria como reserva. Mas sempre entrava no fim dos jogos no lugar do Gilmar, que era  titular e catava pacas. Quando ele mudou de faixa etária, virei titular, mas foi por pouco tempo, logo veio a faculdade, voltei a São Paulo e acabou o futebol.

Fiz alguns bons jogos. Por ser baixinho, o Toninho me mandava treinar com um colete de areia para ficar mais pesado e ganhar impulsão. Assim, tive lá minhas pequenas glórias. Tomamos do Guarani uma vez no Brinco de 3 a 0, mas metemos 4 a 1 no returno. Empatamos com a Ponte numa preliminar do profissional em 0 a 0, o que era uma vitória, jogando em Moisés Lucarelli.

Enfrentei o São Paulo e o Palmeiras em jogos de entrega de faixas. Eu só jogava de azul: camisa, calção e meias. De vez em quando, por causa do outro time, usava uma camisa verde, ou uma amarela, ou uma vermelha. A gente amarrava as meias com cadarço, porque elas perdiam o elástico logo. Chuteiras e luvas eram minhas. Só usava adidas no pé e Uhlsport nas mãos.

Eu era um bom goleiro. Mas não tinha força para bater tiro de meta. O Toninho, por isso, mandava sempre o beque central chutar para a frente. E me treinava exaustivamente para sair jogando direito.

Eu treinava, treinava e treinava. Toninho falava baixo com a gente no vestiário antes dos jogos. E no intervalo também. Não me lembro de tê-lo visto levantar a voz. Nem de mandar bater, pegar firme, chegar junto. Nossos times eram bons, tinham sempre dois pontas abertos e o 8 e o 10 eram sempre bons de bola. Os beques eram altos e os laterais, rápidos. O volante, 5, não saía muito. Cobria os laterais. Quando um subia, o outro ficava.

Futebol era, é, simples.

O Toninho gostava que a gente acertasse os passes. Treinava, treinava e treinava. Não berrava na beira do campo. A gente olhava e ele sabia quando tínhamos dúvidas. Então, chamava alguém na beira do campo e dava instruções. A gente entendia tudo. Quando substituía alguém, falava apenas “você espera um pouco”, e colocava outro no lugar. Quando eu entrava, e como já disse fui quase a vida toda reserva, me pedia para ter calma e tomar cuidado para não ficar adiantado, porque os caras chutavam de longe.

Não me lembro, nesses quatro anos, de ter alguém de nosso time expulso. Nem de brigas em campo. Era duro jogar fora, no Rocinhense, no Círculo Militar, em Sousas. Mas éramos todos garotos, e os vários Toninhos que dirigiam esses times queriam apenas nos ver jogando bola.

Dunga foi dispensado hoje, e a CBF promete uma nova comissão técnica até o fim do mês.

Os nomes começaram a aparecer: Felipão, Mano Menezes, Muricy, Leonardo, Ricardo Gomes.

Meu candidato é o Toninho.

Autor: Flavio Gomes Tags: , ,

Copa 2010 | 19:56

AS DIFERENÇAS

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Se tiverem tempo, deem uma olhadinha aqui, no site do Olé argentino. Vejam como foram recebidos seus jogadores e seu técnico em Buenos Aires. Vieram em voo de carreira, não em avião fretado. Oito lugares na Executiva para a comissão técnica e a boleirada toda na Econômica.

Vejam o que é idolatria e devoção de verdade. E, sobretudo, admiração e respeito a alguém como Maradona.

Enquanto isso, como aconteceu em 2006, a seleção brasileira e seus comandantes, como gostam de se definir, voltaram ao Brasil escondidos. Recebidos por meia-dúzia de gatos pingados. Mais dispostos a uma vaia do que a um aplauso. No mais, indiferença total. E chegaram cheios de vergonha.

Vergonha de quê? De perder? Ora, a Argentina perdeu também. E tomou de quatro.

Mas eles não têm vergonha do futebol que jogam.

Essa seleção dúnguica tem. Não só do futebol jogado, mas de seu jeito besta de ser.

Autor: Flavio Gomes Tags:

Frase do dia | 18:47

FRASE DO DIA

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(…) OS HOLANDESES FIZERAM UM GRANDE FAVOR PARA TODOS NÓS, NÃO PERMITINDO QUE VINGASSE UMA FILOSOFIA DE JOGO E DE VIDA NO CONTRAFLUXO DO PRAZER E DA LIBERDADE. (…) TOMARA QUE O DUNGA TENHA PELO MENOS CHORADO ESCONDIDO. É O MÍNIMO QUE SE ESPERA DE UM HOMEM.

Xico Sá, colunista da “Folha de S.Paulo”, escritor e macho sem frescuras

Autor: Flavio Gomes Tags:

Agenda | 18:25

ONTEM, HOJE, AMANHÃ

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Olá. Tem alguém aí?

Esta agenda, boba e desnecessária, está cada vez mais isolada, abandonada. Também, não acontece nada…

Mas sempre arrumamos algo.

- ONTEM, quartas, todos já sabem: Alemanha 4 x 0 Argentina na Cidade do Cabo, e os argentinos querem que Maradona fique; Paraguai 0 x 1 Espanha, e Larissa salvou nossas vidas.

- HOJE: Portuguesa 1 x 0 São José, Palmeiras 3 x 1 XV de Piracicaba, Santos 3 x 0 Ferroviária, acho que foi isso.

- AMANHÃ: dia de pagar salários, para alguns, e de receber, para outros.

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Copa 2010 | 18:15

PELO MENOS ISSO

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Larissa, Larissa… Nada como a generosidade nestes momentos difíceis para nosotros sul-americanos. Muchas gracias, é tudo que temos a dizer.

Autor: Flavio Gomes Tags: ,

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