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Arquivo da Categoria Copa 2010

quarta-feira, 30 de junho de 2010 Copa 2010 | 14:42

PÍRULAS (1)

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Sim, estou entre os milhões de cidadãos alfabetizados em português que, quando criança, falava “pírula”, “célebro” e “imbigo”.

Como hoje é dia sem futebol na África do Sul e no resto do universo conhecido, vamos a algumas notinhas que merecem ser lidas.

Começando com a insanidade do presidente da Nigéria, que resolveu “suspender” a seleção por dois anos por conta da péssima campanha na primeira fase da Copa.

Como assim, suspender a seleção? O cara é doido? A Fifa, que é o que de mais próximo existe em termos de órgão planetário de normatização e controle de comportamento alheio, vai, provavelmente, ordenar algum tipo de invasão militar à Nigéria e sua eliminação da face da Terra.

Autor: Flavio Gomes Tags:

Copa 2010 | 10:24

A MALDIÇÃO

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A campanha da Nike, “Write the Future”, foi legal pacas. Mas todos os jogadores em quem a marca apostou para a Copa se deram mal: Drogba, Cannavaro, Rooney, Ribery, Cristiano Ronaldo e até Ronaldinho Gaúcho, que nem convocado foi. Baita pé frio, vai dizer alguém. Eu acho outra coisa. Acho que alguns jogadores próximos do normal são transformados em ídolos sem grandes motivos. OK, são todos bons, beleza, têm certo carisma e coisa e tal. Mas, cá entre nós… Drogba não é muito melhor que o Borges, do Grêmio, e entre Cannavaro e Domingão, fico com nosso zagueiro. Essas empresas de material esportivo elegem alguns caras e tentam enfiar goela do mundo abaixo que são os melhores do planeta, estampam seus rostos no Playstation, seus nomes nas camisas e vendem tudo que nem água. São os craques eleitos pelos marqueteiros. Marqueteiro não sabe nada de bola.

Autor: Flavio Gomes Tags:

terça-feira, 29 de junho de 2010 Copa 2010 | 19:59

PODE MUDAR?

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Então… Eu queria, mesmo, que o Uruguai ganhasse a Copa. Mas é que se o Paraguai cair fora nas quartas, desconfio que Larissa vai sumir…

Autor: Flavio Gomes Tags: ,

Copa 2010 | 19:43

SONHO ESPANHOL

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E eis que a seleção que os especialistas dizem que amarela não amarelou. Depois de tropeçar na Suíça, um país em que a gente tropeça, mesmo, pequetitico, encravado no meio da Europa, se bobear você passa sem perceber, engatou uma série de vitórias e, jogando bem, eliminou Portugal.

Ah, Portugal… Aquele Tratado de Tordesilhas… Foram dividir tudo pra quê? Chegaram primeiro!

Bem, já era. A Lusa do lado de lá não jogou nada. E Cristiano Ronaldo, seu maior ídolo e coisa e tal, menos ainda. Muito mascarado. Muito ineficaz. Muita onda, pouca bola. Lá no Canindé, não durava três rodadas de Paulistão. O dia em que tirarem os telões dos estádios, esse moço não consegue mais se mover. Em todos os lances de que participa, ergue os olhos para ver se saiu bem no telão. Vai caçar, vai.

E a Fúria segue. Segue porque tem um time bom, porque é a atual campeã do mais difícil torneio internacional pós-Copa 2006, a Eurocopa, dois anos atrás, porque tem uns caras habilidosos e dispostos a acabar de vez com a fama de time que não ganha nada.

É favorita contra o Paraguai. Todos os sul-americanos são favoritos, ou ao menos não são zebras, nas quartas-de-final. Menos os paraguaios contra os furiosos espetadores de cabeças de touro. A Espanha tem um dos mais fortes campeonatos do mundo — mais estrelados, talvez seja mais preciso dizer, porque ou ganha o Barça, ou o Real; mas muita gente boa joga na Liga.

E como é um futebol rico, seus melhores jogadores atuam por lá, mesmo. Isso ajuda, como vai ajudar a Alemanha, mas não é fator determinante para um país avançar ou não em Copas. Argentina e Brasil estão aí para desmentir a tese. O que acho é que pelo menos a identidade nacional do futebol local é preservada quando seus principais atletas jogam no país onde nasceram. Quando eles se aventuram por outros “futebóis”, alguma coisa se perde.

Autor: Flavio Gomes Tags: ,

Copa 2010 | 17:54

OS OITO

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Os moderníssimos computadores 286 do DataGomes acabam de fazer um espetacular levantamento segundos depois de concluídas as oitavas-de-final do torneio mundial da África do Sul.

Feitos os cálculos tridimensionais e perpétuos, concluiu-se que:

- Das oito seleções classificadas, quatro são da América do Sul.
- Isso significa que 50% das seleções classificadas são sul-americanas.
- Assim, coube aos outros continentes o miserê dos outros 50%.
- Três classificadas são europeias. E uma é africana.
- As semifinais poderão ser disputadas apenas entre sul-americanos se der Brasil contra a Holanda, Uruguai contra Gana, Argentina contra a Alemanha e Paraguai contra a Espanha.
- Apenas um jogo dos mata-matas foi para os pênaltis, Japão x Paraguai. Um foi resolvido na prorrogação, EUA x Gana.
- Nas oitavas, foram 22 gols em 8 jogos, média de 2,75 por partida.
- Na primeira fase, 101 gols em 48 jogos, média de 2,10 por partida.
- No total, 123 gols em 56 jogos, média de 2,19 por partida.

No Mundial das Marcas, teremos, nas quartas-de-final:

- Duelo Nike entre Holanda e Brasil, ambas abastecidas pela marca americana do Forrest Gump.
- Duelo Puma entre Uruguai e Gana, ambas abastecidas pela marca alemã do irmão do dono da adidas.
- Duelo adidas entre Alemanha x Argentina, ambas abastecidas pela marca alemã do irmão do dono da Puma.
- Duelo adidas entre Paraguai x Espanha, idem.
- Desta forma, teremos nas semifinais, obrigatoriamente, Nike x Puma num jogo e adidas x adidas no outro.

No Mundial de Continentes, depois de 56 jogos, temos:

- AMÉRICA DO SUL: 13 vitórias, 5 empates, 2 derrotas (as duas do Chile)
- AMÉRICA DO NORTE/CENTRAL: 2 vitórias, 4 empates, 5 derrotas
- EUROPA: 18 vitórias, 10 empates, 17 derrotas
- ÁSIA/OCEANIA: 4 vitórias, 6 empates, 7 derrotas
- ÁFRICA: 4 vitórias, 5 empates, 10 derrotas

Para efeito estatístico, Paraguai x Japão conta como empate.

Na foto, nosso diretor de estatísticas on-line e real time deixa-se fotografar orgulhosamente no momento em que os primeiros relatórios deixavam nossos processadores de dados.

Autor: Flavio Gomes Tags: , , , , , , , ,

Copa 2010 | 15:40

SONHO PARAGUAIO

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Eles são pequenininhos, e foram covardemente massacrados pelo Brasil, pela Argentina e pelo Uruguai, com apoio da Inglaterra, em guerra nem tão distante assim. O Paraguai é um dos países mais sofridos deste lado de baixo da linha do Equador. De 1954 a 1988 foi governado por um general patético e sanguinário, Alfredo Stroessner. Pobre, sem saída para o mar, virou, para os brasileiros, sinônimo de coisa falsificada. Porque é para lá que correm os sacoleiros daqui para comprar produtos na fronteira e fazer contrabando. Como contrabandista não pede nota e quem vende a contrabandista não aceita reclamação, muita coisa falsificada, realmente, sai de lá e vai parar nas casas dos daqui.

É apenas uma visão superficial e rasa de um país que hoje, pela primeira vez, colocou seu time de futebol entre os oito melhores do mundo. Foi num jogo duro contra os destemidos Pókemons da terra de National Kid. Sem brilho na bola, mas com brilho nos olhos. Aguante hermanitos! E olha que pelo emparceiramento, se der Brasil contra a Holanda, Uruguai contra Gana, Argentina contra a Alemanha e Paraguai contra Espanha ou Portugal, eis que teremos, nas semifinais, uma míni Copa América.

Seria o máximo, não?

Autor: Flavio Gomes Tags: ,

Copa 2010 | 15:19

CALA A BOCA, VALDIVIA!

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Acho que nossos vizinhos fizeram Dunga perder a paciência. Eis a terceira parte da saga “Um Dia de Fúria”, a coisa mais genial e divertida desta Copa!

Autor: Flavio Gomes Tags: , ,

Copa 2010 | 12:00

EXTRA! EXTRA!

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Quem notou primeiro foi o Maurício Teixeira, o @mautex no Twitter, grande jornalista com quem dividi a cobertura dos Jogos de Pequim em 2008 no iG. O Extra, patrocinador oficial da seleção, aparentemente mandou o anúncio errado para a “Folha”. Ou a “Folha” publicou o errado…

Cabeças vão rolar. Em algum lugar. Enquanto isso, rolamos de rir.

Autor: Flavio Gomes Tags: ,

segunda-feira, 28 de junho de 2010 Copa 2010 | 18:46

SONHO AMARELO

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Quando Dunga foi para Natal andar nas dunas, o cara do buggy perguntou: com emoção ou sem emoção? Sem emoção, tchê, claro.

E é assim. Essa seleção não é emocionante, e verdade seja dita: ninguém exigiu muito dela até agora. O jogo de hoje foi o mais fácil do Brasil em Copas desde 1930. O que não é culpa de Dunga, nem de nenhum dos jogadores. Se todos têm medo de atacar o Brasil, azar de todo mundo.

Aliás, falando daqueles que passaram às quartas-de-final, a Holanda também passeou até agora. Não precisou suar muito, nenhum esforço extra foi necessário. E assim, descansadas, as duas se enfrentam sexta-feira que vem.

Jogo do Brasil sem nenhuma polêmica é coisa rara, e a vitória sobre o Chile foi assim. Sem lances duvidosos, faltas duras, expulsões. Bobeada foi a do Ramires, que é bem melhor que o caneludo do Felipe Melo, mas tomou cartão e não joga contra os laranjas. Desconfio que seria titular, não fosse a suspensão.

O Chile foi o responsável, até agora, pelas duas únicas derrotas sul-americanas na Copa. É um time muito fraco. Se a Lusa pegasse esses caras no Canindé, Bielsa seria demitido no intervalo.

Para Brasil e Holanda, a Copa começa para valer no jogo de sexta. Será o primeiro teste sério para o Brasil e o primeiro teste sério para a Holanda.

Faltam dois jogos para o fim das oitavas. DataGomes informa que a primeira fase teve 101 gols em 48 jogos, média de 2,1 por partida. As oitavas tiveram 21 gols em seis jogos, média de 3,5. No geral, 122 gols em 54 jogos, média de 2,25 por partida.

O que isso quer dizer? Nada. Em geral, esses números apenas vão surgindo. E quem quiser que teorize sobre eles. As oitavas deveriam ser mais apertadas, estão sendo mais folgadas. Uruguai e Gana foram as únicas seleções que sofreram para eliminar seus adversários, Coreia do Sul e EUA. Alemanha, Argentina, Holanda e Brasil não passaram por dificuldade alguma. As duas partidas de amanhã, Portugal x Espanha e Paraguai x Japão, devem ser mais equilibradas.

Assisti ao jogo numa padaria. Pouca gente, duas TVs, pouca vibração nos gols do Brasil. Era meio que cumprir tabela, despachar um rival local que nunca vence, mesmo. Depois, passei pela avenida Paulista. Vi dois carros buzinando e com bandeiras. Nenhuma grande comoção. A TV mostrou algumas multidões reunidas em praias e praças, em eventos oficiais montados justamente para juntar multidões e gerar boas imagens. “O povo brasileiro foi às ruas para comemorar”, vai informar hoje o apresentador do jornal nacional da Inglaterra.

Eu não diria que é a mais pura expressão da verdade. Mas as pessoas estão felizes, o time vai ganhando, vai passando, e pode muito bem espetar uma sexta estrela na camisa. Todos que chegam entre os oito melhores do mundo podem, não?

Autor: Flavio Gomes Tags: ,

Copa 2010 | 14:39

SONHO LARANJA

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Acho que a primeira vez que a crônica esportiva brasileira se tocou que futebol tambem tinha tática, esquema, preparação, essas coisas, foi em 1974. Foi quando apareceu a Holanda, de quem ninguém tinha ouvido falar. Arrebentando, jogando um jogo diferente, prato cheio para a criação de expressões que acabaram sendo incorporados ao léxico ludopédico: futebol-total, carrossel, laranja mecânica.

Aquilo ali só podia ser fruto de alguma ciência maior, quem sabe trazida por ‘marcianos, resultado de anos e anos de treinos, estudos, laboratórios subterrâneos, seriam os holandeses astronautas, robôs, androides?

Picas. Parece que tem um livro do Cruijff, eu não li, mas o Roque leu e disse que é muito bom, que aquele time não teve preparação alguma, ciência nenhuma, era um bando de caras bons de bola, e o técnico Rinus Michels jogou as camisas para cima, quem pegou entrou de titular.

E começou a dar certo. Corriam feito doidos, não guardavam posições, saíam todos juntos atrás da bola, ninguém entendia nada, o 7 não era ponta-direita, o 11 não era ponta-esquerda, o 6 não era lateral-esquerdo, uma confusão dos diabos, o craque do time era o 14, não o 10, e a Holanda foi indo, foi “fondo”, até eliminar o Brasil e cair diante da Alemanha na final.

Na Copa seguinte, todo mundo já sabia o que era a Holanda. E chegou à final de novo, desta vez contra a Argentina, quis o destino que os holandeses enfrentassem em finais justo os donos da casa nas duas vezes, e depois, em mata-mata, pegaram o Brasil mais umas duas, não lembro quantas, lembro de um jogo em 1994 e um gol de falta do Branco, e de uma decisão por pênaltis em 1998, o Zagallo descabelado, e acho que foi isso, não sei se teve mais.

Enfim, a Holanda virou time grande a partir de 1974, ganhou uma Eurocopa, fez a fama de ter um futebol bonito, e tem mesmo, e nos deu a oportunidade de externar certa erudição quando chamados somos a explicar o laranja da camisa, já que a bandeira é azul, branca e vermelha, e a explicação é que todo mundo na família da rainha gosta de suco de laranja, são doidos por Fanta (há uma parte da família que prefere Crush), e gostam tanto que resolveram adotar o sobrenome Orange, e como a Fanta patrocina secretamente essa seleção (a Crush tenta todos os anos e não consegue), a camisa é laranja.

Os laranjas passaram fácil pelos eslovacos hoje e na próxima fase é possível que peguem o Brasil de novo. Ganharam seus quatro jogos até agora sem esforço, nem arte, nem futebol-total, nem carrossel, nem laranja mecânica. Por enquanto, um time igual a qualquer fanta, sukita, crush, é gostoso, mas não inesquecível.

Autor: Flavio Gomes Tags: , , ,

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