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sábado, 3 de julho de 2010 Copa 2010 | 18:45

NOTA ZERO

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Me mandaram este vídeo pendurado num post do blog “Somos andando”, da jornalista Cristina Rodrigues. Um exemplo, agora, de “arrogância negativa”. A matéria pretensamente engraçadinha da Sportv não passa de uma peça desrespeitosa e de mau-gosto. O canal cujo slogan neste ano foi algo como “nosso esporte é torcer pelo Brasil” poderia descer do salto e olhar para o próprio umbigo antes de desfiar preconceitos ridículos contra um país vizinho.

Autor: Flavio Gomes Tags: ,

Agenda | 18:33

PESADELO GUARANI

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Vejamos… Foram quatro partidas nas quartas-de-final, como costuma acontecer desde a invenção da bola redonda, e até o jogo da tarde, Paraguai x Espanha, não deu para morrer de pena de ninguém. O Brasil caiu do alto de sua arrogância positiva, como definiu o técnico holandês; Gana caiu do alto de sua incompetência, pois não se perde um pênalti aos 15 do segundo tempo da prorrogação; a Argentina caiu diante de um time que vem deixando caídos vários queixos.

Mas o Paraguai… Foi valente, brigador, destemido diante da poderosa e badalada Espanha. Era o menor dos times destas quartas, o menos cotado, a derrota mais anunciada.

E como vendeu caro, essa derrota. Mais uma vez, um roteiro cinematográfico com os dois pênaltis perdidos e o gol chorado, da bola que teimava em não entrar, como se não quisesse fazer parte daquela injustiça histórica.

A Espanha tem um time hábil, talentoso, cheio de estrelas. O Paraguai entrou com sua alma. Não foi o bastante para ganhar, a doce Larissa deve ter chorado bastante, como lamenta muito, a esta altura, toda a América do Sul. Havia a chance de uma semifinal exclusiva de sul-americanos, no fim virou uma míni Eurocopa com as eliminações de Brasil, Argentina e Paraguai.

Mas ficou a imagem da valentia paraguaia. E o choro descontrolado de Cardozo, o que perdeu o pênalti que feriu de morte um pequeno mas, agora, orgulhoso país.

Autor: Flavio Gomes Tags: ,

Copa 2010 | 18:05

PESADELO ARGENTINO

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Foi um verdadeiro massacre. Assisti ao jogo em Interlagos, boa parte antes de começar minha corrida, o final logo depois. A Argentina se entregou. Tomar um gol besta com dois minutos de jogo, e da Alemanha, arrebenta qualquer um. Não há o que contestar na vitória alemânica. O time enfiou quatro três vezes na Copa, na Austrália, na Inglaterra e na Argentina. O caminho da Alemanha rumo ao tetra tem sido duríssimo. Mas eles fazem ficar fácil. Porque jogam bola, sabem como é?

E a Argentina se despede com a tristeza e a melancolia das palavras de Maradona, o grande astro do Mundial até sua queda, dura, contundente. Para os argentinos, não basta uma derrota. Tem de ser trágica, como foi. Um vareio de uma molecada branquela de olhos azuis que não faz faltas, não reclama com o juiz, tem organização, método, objetivo.

É triste ver um time como o da Argentina de joelhos, como ficou hoje na Cidade do Cabo. Mas quando do outro lado tem uma turma tão limpa e confiante, e que joga um futebol tão, tão… tão futebol, não é o caso de lamentar.

E desconfio que Maradona, apesar da derrota, sai dessa Copa com uma imagem melhor do que a que tinha antes. Ele sofreu de verdade por seu país. Não curto muito essa mistura de esporte com patriotismo, mas é preciso reconhecer quando um sentimento é autêntico, legítimo.

Maradona, com seus charutos, suas beijocas nos jogadores, seu carinho pelo time, deu várias lições neste Mundial. A maior delas, talvez, de amor pelo futebol que ele aprendeu a amar nos campinhos de terra batida de sua Argentina querida.

Autor: Flavio Gomes Tags: , ,

Agenda | 17:57

ONTEM, HOJE, AMANHÃ

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Hoje já foi, mas e daí? O dia não começa, nem acaba sem esta agenda. Vamos lá, apesar de tudo…

- ONTEM, quartas-de-final: Holanda 2 x 1 Brasil em Porto Elizabeth, era o primeiro teste para ambos, os holândicos passaram e os brasílicos bombaram; Uruguai 1 x 1 Gana em Joanesburgo, deu Celeste nos pênaltis graças ao louco do Abreu.

- HOJE, quartas também: Alemanha 4 x 0 Argentina na Cidade do Cabo, putz grila; Paraguai 0 x 1 Espanha em Joanesburgo, ah, Larissa…

- AMANHÃ: Santos x Ferroviária em Araraquara, 16h.

Autor: Flavio Gomes Tags: , , ,

sexta-feira, 2 de julho de 2010 Copa 2010 | 18:24

PESADELO NEGRO

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O roteiro deve ter matado alguns velhinhos do coração na mnha querida Montevidéu.

Sobreviveste, Galeano?

Roteiro inacreditável desse esporte tão belo quanto cruel. Decisão por pênaltis é uma crueldade sempre. É como mandar 22 pessoas ao paredão e colocar diante delas um soldado com um fuzil. Um sabe que morrerá. É aquele que perde o pênalti. O erro imperdoável que ninguém no futebol admite que o é, porque sabe que um dia pode perder, também.

Mas pior do que perder o pênalti na série de desempate é perder no último minuto do segundo tempo da prorrogação, como aconteceu com o rapaz de Gana. Aquilo sim é uma tragédia.

E da tragédia africana nasce a esperança celeste. Nossa pequena aldeia gaulesa ao sul está nas semifinais depois de 40 anos.

Eu queria ver o Uruguai de algum satélite neste exato momento. Deve estar pulsando em azul.

Autor: Flavio Gomes Tags: ,

Copa 2010 | 13:55

PESADELO AMARELO

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Sem querer tripudiar sobre o cadáver de ninguém, haverá quem o faça, na verdade há fila, é só pegar a senha, Dunga é uma figura quase épica para o futebol brasileiro. Teve duas eras batizadas com seu nome. Símbolo do mau futebol da Copa de 90, é, agora como técnico, o símbolo da intransigência, da intolerância, da teimosia e… do mau futebol.

Que no fundo é o que importa, personalidade do treinador à parte, a ela voltaremos daqui a pouco. Mau futebol porque seu conceito do jogo de bola é um pouco diferente daquele que leva a um bom futebol. Ele montou um time eficiente, sem dúvida, com números impressionantes, títulos, mas… mau futebol.

Mau futebol porque ele insistiu em formar um batalhão de soldados em vez de um time de futebol. O futebol, no Brasil, não encantava ninguém fazia muito tempo até aparecerem os meninos do Santos no começo deste ano, e eis que a luz se fez, e eis que as trevas seguiram no batalhão comandado pelo sargento.

É uma questão de gosto. Eu gostaria de ver o futebol dos meninos do Santos na África do Sul, esse é o futebol que, afinal, está sendo jogado no meu país.

Mas Dunga tem outras ideias, e tem todo o direito de tê-las. E não levou ninguém. Levou seus cabos e soldados, que lhe foram leais por anos a fio. Ocorre que futebol não é uma guerra e não carece de rechear um time de cabos e soldados armados com espingardas e trabucos. É preferível usar jogadores de futebol, bons, se possível.

O discurso da coerência, da lealdade, do patriotismo, do orgulho de vestir a camisa amarela, tudo isso pode ser muito bonito para consumo externo, e funciona, basta ver os índices de aprovação do técnico até ontem, 69% — amanhã caem a zero. Porque discurso não ganha jogo. É preciso bola. O time do Brasil jogou bola na Copa, de verdade, contra o Chile, uma seleção fraca, e no primeiro tempo contra a Holanda. No segundo tempo, foi engolida por um time melhor. De jogadores bons.

Dunga é um cara sem grande imaginação. Honesto nos princípios, aparentemente, mas limitado na criatividade e no trato com as pessoas. E um time de futebol é, via de regra, um reflexo daquilo que seu técnico pensa e de como age. Quando vi, no segundo tempo, o Dunga esmurrando o banco de reservas, pensei cá com meus botões o que estaria passando pela cabeça dos jogadores, que olham para o técnico atrás de respostas e só percebem cacetadas e descontrole.

Aí o time perdeu a cabeça, o Felipe Melo foi expulso e, claro, será o Roberto Carlos desta Copa. O cara que não abaixou para arrumar as meias, mas rasgou a do adversário. É fácil eleger vilões, no futebol.

Não há, porém. Futebol é um jogo, um jogo de bola encantador, que resume em 90 minutos tudo que uma vida inteira nos oferece, com seus erros e acertos, alegrias e tristezas, esperanças e frustrações.

Pausa para um textinho antigo, que escrevi no ano passado, numa das muitas eliminações da minha Portuguesa. Se quiserem pular, podem, não altera em nada o produto final. É que lembrei e não saberia escrever nada melhor. O título foi “O dono do tempo”.

O futebol tem o poder de aprisionar o tempo. Só um jogo de futebol, e somente ele, nos dá a noção quase imediata do que é passado, presente e futuro. Porque o passado a gente costuma esquecer, o presente nunca parece o suficiente, o futuro é algo tão distante e incerto que quando ele chega, a gente não percebe.

No futebol, não. Quando começa um jogo, aqueles minutos em que você ficou na arquibancada esperando começar passam imediatamente a fazer parte do passado, e você sabe disso. A bola na trave é passado, e você sabe disso no chute seguinte, aquele que o goleiro pegou. Esse é o presente, o goleiro pegou. E será passado de novo no próximo gol perdido, no impedimento mal marcado, na falta que não foi.

O jogo está zero a zero, e você sabe que dali a uma hora, 30 minutos, 15, o futuro terá chegado, e não será zero a zero, talvez até seja, mas você saberá que ele, o futuro, chegou, e não é um futuro distante, longínquo e imprevisível, não haverá incerteza alguma quando o juiz apitar, num jogo de futebol o futuro tem hora para chegar, e você pode, então, abraçar todas as dimensões do tempo que são incompreensíveis fora de um estádio.

Futebol não tem outra importância que não seja essa, a chance de viver uma alegria instantânea que dali a alguns minutos pode ser a maior das tristezas, esse jogo de passado-presente-futuro que se resolve em 90 minutos, com um intervalo para respirar.

Ontem fui o mais feliz dos seres humanos a cada gol do meu time, a cada gol do outro, e o pior dos miseráveis quando tudo acabou, quando o futuro chegou. É só um campeonato, uma bola e um gramado, já passou, é passado, mas na hora em que vi esse menino chorando no jornal, a dor voltou para o presente, porque a graça está aí: sorrir, chorar, sorrir, sofrer, e depois esquecer.

Porque a gente sempre esquece, daqui a pouco começa outro campeonato, o sorriso volta, as lágrimas ficam para trás, não há nada, mesmo, mais parecido com a vida do que um jogo de futebol. O menino da foto, os meus meninos que estavam do lado dele debaixo de chuva, todos os meninos do mundo aprendem a viver assim.

Seguindo…

Um time de jogadores não muito bons, com algumas exceções, dirigido por um técnico sem imaginação e em permanente estado de tensão e belicismo até poderia ir bem longe, porque o futebol brasileiro é forte e o time tinha lá suas qualidades defensivas e sua eficiência no ataque. E numa Copa, às vezes, isso é o suficiente, são apenas sete partidas.

Mas ainda bem que não foi. Seria a vitória da mediocridade. Do sem-graça, do que não nos cativa, do que não nos encanta.

É o fim da segunda era Dunga. Um sujeito que, sinceramente, não me é alvo de admiração. Não admiro quem levanta uma taça de campeão e xinga o mundo à sua volta. Não admiro quem adota como norma de comportamento a afronta, a agressão verbal, a militarização de um esporte. E tampouco admiro as pessoas que nos últimos anos se apossaram do futebol brasileiro através de sua entidade oficial, um balcão de negócios milionários que nada têm a ver comigo, com o futebolzinho que vejo todas as semanas nas arquibancadas duras do meu Canindé sem vuvuzelas, mas com bolinhos de bacalhau e tremoços.

Autor: Flavio Gomes Tags: ,

Agenda | 09:20

ONTEM, HOJE, AMANHÃ

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Podemos todos parar de tremer. Tem jogo hoje.

- ONTEM: torneio de tranca em Mogi das Cruzes, jogadores deixaram a comissão técnica ganhar.

- HOJE, quartas-de-final: Holanda x Brasil, 11h em Porto Elizabeth, canário come laranja?; Uruguai x Gana, 15h30 em Joanesburgo, o céu hoje está incrivelmente azul.

- AMANHÃ, quartas de novo e fim: Alemanha x Argentina, 11h na Cidade do Cabo, é o grande jogo da Copa, acho que os maradônicos, com sangue, suor e lágrimas, passam nos pênaltis; Paraguai x Espanha, 15h30 em Joanesburgo, somos todos Larissa F.C.

Autor: Flavio Gomes Tags: , , ,

quinta-feira, 1 de julho de 2010 Copa 2010 | 21:16

ESPERANÇA NEGRA

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E a musicalidade das Estrelas Negras de Gana? Dá para não simpatizar com esse time, representante único da África nas quartas-de-final? É que para este blogueiro, Celeste é Celeste… Mas não haverá tristeza em canto algum se Gana passar, exceto, claro, lá embaixo. Amanhã, 15h30, Joanesburgo.

Autor: Flavio Gomes Tags: ,

Copa 2010 | 21:12

SOY CELESTE!

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O terceiro vídeo de hoje, para esquentar as quartas-de-final. Acho simpaticíssimo o comercial da cerveja Pilsen e a música “Soy Celeste”. Imagino como está nosso vizinho do sul hoje… Na frente da casa do escritor Eduardo Galeano tem uma faixa onde está escrito “Fechado para futebol”. Galeano foi entrevistado pelo colega Vinicius Nicoletti, da ESPN Brasil, que faz um excepcional trabalho nesta Copa. Entre outras coisas, disse que Maradona tem usado frases suas para motivar os jogadores da Argentina.

Autor: Flavio Gomes Tags: ,

Copa 2010 | 20:20

IS LOSING FAILING?

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Me mandaram pelo Twitter, desculpem se não anotei o nome. É um comercial da Hyundai, desconfio que apenas para internet. Bem melhor que aquela coisa ridícula do tchá-tchá.

Autor: Flavio Gomes Tags:

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