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terça-feira, 5 de outubro de 2010 Ensino, Jornalismo, Tendência | 21:17

Bom jornalismo pode sim, ser ensinado

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Há quem acredite que o bom jornalismo se aprende dentro das redações, no dia-a-dia, no corpo-a-corpo com os fatos, ao longo do tempo. Agora que o diploma foi abolido, a discussão se amplia. O fato é que os cursos de comunicação social, acredito, de fato não foram capazes de formar os bons jornalistas de hoje em dia. Ficou para as redações e nas mãos de mordazes editores o papel de ensinar na marra e aprimorar jovens “focas”, até o ponto de se tornarem jornalistas dignos de carregar o título.
Diante deste desafio – o de ajudar a formar bons jornalistas – e por acreditar que a Academia pode ter, sim, um papel importante na formação e aprimoramento dos profissionais de imprensa, a Escola Superior de Propaganda e Marketing lança, ao mesmo tempo, a Graduação em Jornalismo e a Pós-Graduação em Jornalismo com ênfase em Direção Editorial. O lançamento da Pós, nesta terça, em São Paulo, foi feita em meio a reflexões acerca de empresas de mídia como negócio e o ensino do jornalismo. Dois convidados internacionais abordaram os temas: John Rose, sócio e diretor do The Boston Consulting Group e David Klatell, presidente/reitor da escola de jornalismo da Universidade de Columbia, nos EUA.
Rose aponta mudanças profundas acontecendo na maneira com que as pessoas consomem a informação. No lugar de “reportar”, o jornalista é hoje convidado a estabelecer uma conversa com o leitor. Dar a ele um bom motivo para escolher ler sua matéria/reportagem. Oferecer algo de especial – seja na abordagem, na cobertura criativa, na opinião de quem teve acesso a informações privilegiadas. As palavras de ordem são autenticidade e transparência. Rose aposta que os Tablets vão revolucionar o mercado e garantir vida longa a jornais e revistas – e ao acesso ao conteúdo pago.
- É neles que o consumidor vai se dispor a pagar por conteúdo. Porque a experiência de leitura valerá à pena. No computador, ninguém quer pagar por conteúdo.- disse Rose.
Klatell, da Columbia, diz que no mundo de hoje há demanda cada vez maior por um “melhor jornalismo”. Ele propõe aos jornalistas, bem como às empresas, que sejam versáteis e flexíveis. Que tenham a capacidade de se adaptar “enquanto funcionários” das empresas de comunicação. Não basta que apenas os seus dirigentes procurem se adaptar. Segundo ele, o foco da Columbia é produzir líderes e profissionias capazes de inovar.
- Não faz sentido concentrar-se no ensino de tecnologias e ferramentas, porque elas mudam o tempo todo. Nem tudo se aprende na redação. Eu, em redação, aprendi a fumar cigarros, beber uísque e escrever realmente rápido – brincou.
A Columbia, parceira da ESPM nos cursos de jornalismo, diz que o foco do ensino do jornalismo deve ser preparar para uma carreira, e não para um emprego.
Um verdadeiro “dream team” começa a dar aula a partir de março na pós da ESPM. Entre eles, Alberto Dines, jornalista experiente e hoje pesquisador senior do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo da Unicamp, e Roberto Civita, presidente do conselho de administração do Grupo Abril e grande inspirador na implantação do curso. Na foto, Eugênio Bucci durante o lançamento da pós, em São Paulo. Responsável pelo curso na ESPM, ele é ex-secretário editorial do Grupo Abril, foi presidente da Radiobrás e escreveu o livro “Sobre Ética e Imprensa”.

Autor: Claudia Penteado Tags: