O novo anuário do D&AD (Design and Art Direction) publicado em Londres pela Taschen é um verdadeiro exemplo de publicação em massa sustentável. A criação teve parceria do especialista em sustentabilidade Nat Hunter, fundador do estúdio de design Airside, e do celebrado designer gráfico Harry Pearce, da Pentagram. O livro é o 49º da série e contém os trabalhos de propaganda e design premiados na edição deste ano do D&AD Awards. Trata-se da edição mais sustentável já produzida, com emissão de carbono é 82% menor do que a de 2010.
Foi usado na produção do papel uma polpa 100% reciclada vinda da Austria, de uma empresa com altíssimo padrão de sustentabilidade e detentora do certificado ISO 14,001. A polpa austríaca transformou-se em um papel de gramatura 80 que não utiliza madeira. A economia em peso foi de cerca de um quilo em relação ao Anuário de 2010. O papel não passou por qualquer produto de tratamento ou finalização, o que também reduziu seu peso. Da Austria – onde 70% da eletricidade é gerada pela água – o papel foi levado de carro até Trento, na Itália, para a impressão. As distâncias foram reduzidas em relação ao passado, quando o os pesados livros vinham da China de avião. As páginas foram presas a uma capa produzida com papel certificado pela FSC – Forest Stewardship Council, de origem responsável – e finalizado com celulose.
O design de Harry Pearce para a capa é uma homenagem à famosa logomarca do D&AD criada por Fletcher Forbes Gill, que praticamente não foi modificada desde 1962.
O Greenpeace acaba de completar 40 anos. O comercial acima comemora a data e foi criado pela DDB de Paris. Ao longo do tempo, a ONG mudou um bocado e hoje tem as redes sociais como ferramenta importante em suas estratégias de mobilização, que sempre miram em grandes empresas para servir de exemplo globalmente. Sobre esse e outros assuntos conversei com Dave Walsh, Andrew Davies e Ben Stewart, respectivamente responsável pela área de comunicação, o líder da área de mobilização digital do Greenpeace International, e o diretor da área de Media do Greenpeace na Inglaterra.
Acompanhe o papo:
As ações do Greenpeace se transformaram ao longo do tempo. Parece que hoje não só a ONG realiza mais pesquisas, como também obtém melhores resultado de suas ações. Confere?
Dave Walsh – O Greenpece está comemorando 40 anos esta semana e, durante esse tempo, claro que houve uma evolução nas ferramentas e métodos que usamos para conquistar nossos objetivos. Mas na essência, nossos princípios se mantiveram os mesmos. Usamos pesquisas, lobby e diplomacia silenciosa para conquistar nossos objetivos, assim como a provocação de conflitos não violentos para aumentar o nível e a qualidade do debate público. Enquanto houve várias vitórias ao longo desses 40 anos, é muito mais importante medir o impacto de nossas vitórias diárias. Pode-se acessar esta informação no link (http://www.greenpeace.org/international/en/about/victories/).
Como a força das redes sociais passou a ajudar, além do fato de que a sociedade em geral está se engajando mais em assuntos voltados para a preservação do planeta de maneira geral?
Andrew Davies – Para o Greenpeace, as redes sociais são apenas mais uma maneira de comunicar, organizar e compartilhar. Elas cumprem o papel de mobilizar pessoas ao redor de uma causa de maneira fácil. Algumas pesquisas indicam que as redes sociais encorajam uma participação e engajamento civil maior das pessoas (http://www.readwriteweb.com/archives/study_finds_the_internet_makes_youth_more_engaged.php). Outro efeito das redes sociais é que os clientes esperam que as empresas ouçam mais e se manifestem mais sobre tudo o que eles consideram importante, inclusive assuntos que afetarão o futuro do nosso planeta.
Soma-se a isso o fato de que as redes sociais são baratas ou de graça (algo muito importante para permitir que organizações sem fins lucrativos se comuniquem com o público), e é muito bom ter uma ferramenta como esta quando se vai contra empresas com imensos orçamentos em Relações Publicas e Propaganda. É claro que as notícias nem sempre são positivas. Existem empresas que ao invés de usar essas novas ferramentas para melhorar e ouvir seus consumidores, ainda insistem em um discurso desonesto, como nesses exemplos:
Por que tão frequentemente vocês se utilizam das campanhas publicitárias das empresas em suas ações?
Dave Wash – Na verdade não usamos a propaganda e sim o branding deles para comunicar questões importantes, tanto para as empresas como para seus consumidores. Frequentemente focamos em grandes empresas, ícones da indústria, porque elas têm potencial para tornar-se líderes em questões ambientais em seus mercados. Por isso procuramos empresas como Nike e Adidas para que elas concordassem em cortar de sua linha de produção fornecedores que poluem o meio ambiente, ou a Nestle para mudar seu processo de produção de óleo de palma e a Apple para tornar seus computadores mais ecológicos. Fazemos isso para expor a diferença entre o que a marca promete para seus consumidores e aquilo em que ela de fato está envolvida.
É quase impossível para uma empresa ser verdadeiramente sustentável e ecologicamente correta. Como não se tornar um alvo do Greenpeace?
Andrew Davies – As empresas podem pelo menos não ser demoníacas, este é um começo. Não fazer promessas sobre uma marca que não tenham condições de manter. Se sua empresa for criticada por seu comportamento em relação ao meio ambiente, faça disso uma oportunidade para melhorar. As pessoas respeitarão uma empresa que se mostrar ágil o suficiente para enfrentar novos desafios e consertar seus erros. Algumas empresas parecem pensar que ao pagar uma boa assessoria de Relações Publicas, farão seus problemas irem embora. Os problemas profundos permanecerão.
Que empresas não são target para o Greenpeace?
Dave Walsh – Aquelas que se comportam de maneira correta em relação ao meio ambiente. O Greenpeace não tem inimigos ou aliados permanentes, e não consideramos nenhuma empresa intrinsicamente “legal”. Empresas que estabelecem que em sua busca por lucros não destruirão a natureza e o clima ficam em paz conosco. Empresas como Nike, Puma, Adidas e Nestle, que rapidamente aproveitaram uma oportunidade para modificar suas políticas destrutivas tornaram-se bem mais legais do que eram antes. Mas há sempre como evoluir.
O que você acha que acontecerá no caso da Volkswagen? Qual o objetivo de vocês ao criar um concurso de vídeos que falem mal da marca?
Ben Stewart – Esperamos que nossa campanha convença a Volkswagen de parar de usar seu poder de lobby para se opor às leis relativas ao clima. A empresa se auto-intitula “verde”, mas se opõe a medidas vitais para preservar o meio ambiente, como cumprir metas mais ambiciosas de redução de emissão de carbono e leis para obrigar automóveis a utilizarem menos combustível. Também queremos que a Volkswagen coloque sua eficiente tecnologia em todos os seus carros. Hoje, apenas 6% de sua frota tem a tecnologia Blue Motion, que reduz a queima de combustíveis.
Quem decide que estratégia será usada para atingir uma empresa e por que vocês se utilizaram do comercial “A força”, da VW?
Ben Stewart – A estratégia é decidida por um grupo de pessoas de vários países, onde a campanha será realizada. Neste caso específico, era importante utilizar uma mensagem que funcionaria em todos os mercados onde a VW está presente. Escolhemos o comercial “The Force” porque a empresa obteve muito sucesso com o tema. O comercial foi visto por mais de 40 milhões de pessoas e é claro que o tema Star Wars atinge um imenso percentual de homens de meia idade talvez interessados em tecnologia, muito provavelmente o público alvo que a Volkswagen queria atingir com sua mensagem. O mesmo se aplica ao Greenpeace, também procuramos uma maneira eficiente de atingir as pessoas com a nossa própria história a respeito do tipo de empresa que é a VW. E tem sido um enorme sucesso, com milhares de pessoas se cadastrando e ingressando na campanha. E o que é interessante, é que há um imenso número de consumidores da marca VW. Eles sabem que a campanha não é sobre eles, e sim sobre a empresa.
Entra no ar no dia 5 de agosto a campanha “Cada garrafa tem uma história”, que conta as histórias de cinco pessoas que, junto com a Coca-Cola, fazem a diferença em suas comunidades. Filmada por Breno Silveira, da Conspiração Filmes, foram registrados em forma de documentário os brasileiros Tião Santos (líder do movimento de catadores de materiais recicláveis e parceiro do programa “Reciclou, Ganhou”) e Marcos André França da Silva (instrutor das turmas de varejo do projeto Coletivo no Recife), a equatoriana Stephanie Romero (diretora de comunicação no Equador do programa “Um teto para meu país”, que constrói casas em comunidades), o argentino Sigfrido Moroder (presidente do Centro de Beneficiência El Alfarcito, centro de educação no noroeste da Argentina) e o mexicano Roberto Mejía (diretor do projeto Viveiros Florestais no México, dedicado à devolução de água ao meio ambiente pelo reflorestamento). Cada história terá versões de 30 segundos, um minuto e três minutos. Numa iniciativa inédita, as latas de 350 ml e as garrafas de 2 litros de Coca-Cola trarão as fisionomias de Tião Santos e Marcos André. Já as embalagens de 2L de Coca-Cola Zero destacarão a história de Roberto Mejía.
Os filmes foram assinados pela agência Ogilvy Rio, que também responde pela criação das artes das latas. A versão impressa da campanha foi adaptada pela DPZ. Os rótulos das embalagens foram desenvolvidos pela Oz Design. A versão online foi desenvolvida pela Possible. Assista ao filme do Tião:
Deu no Daily Mail: estudantes da Universidade de Newcastle, na Inglaterra, criaram um sistema para monitorar o que se joga fora nas latas de lixo da vizinhança. Câmeras especiais foram instaladas inicialmente em quatro latas de lixo, de quatro famílias britânicas, de forma que as imagens são postadas de tempos em tempos em uma página do Facebook intitulada BinCam para que se possa monitorar o que se joga fora. Um sensor especial faz com que uma nova foto seja tirada a cada vez que a lata de lixo é fechada. Em um primeiro momento, o projeto é caseiro e serve para ver o que os vizinhos jogam fora.
Mas parece ter potencial, à medida em que pode conscientizar a população em relação à coleta seletiva e a reciclagem. Outras três universidades da Grã-Bretanha e Alemanha devem aderir ao projeto, instalando câmeras em seus alojamentos. O assunto já gera discussões inflamadas acerca da invasão de privacidade que revelar o conteúdo das lixeiras das pessoas pode representar. Segundo a matéria no Daily Mail, alguns acreditam que esta situação expõe as pessoas ao ridículo. É uma boa discussão.
A turma do Instituto Pegada Carioca de Sustentabilidade, Cidadania e Educação realizou uma ação de “flash mob” nas ruas do Rio. A missão do Instituto é repensar a relação dos habitantes com o Rio, os cuidados com suas ruas, com o meio ambiente, a valorização da cultura, o consumo consciente. Instalando uma lata de lixo “viva” nas ruas, conseguiu atrair a atenção e estimular, quem diria, as pessoas a jogarem o lixo – no lixo.
Veja:
Os sócios da Pegada Carioca são Attila Albert, Rafael Brito Pereira e Ludmila Espindola. A produção contou com o apoio de colaboradores do instituto Pegada Carioca, da agência de mkt de guerrilha Worm, da produtora Avexi Filmes, do diretor Guilherme Azevedo, do Studio Attila e da Pólen Conteúdo de Transformação.
A Australia disse SIM à taxação de emissões de Carbono. Uma campanha publicitária divulga a idéia, reforçada pela participação da atriz Cate Blanchett, uma das 140 personalidades e organizações que assinaram a petição enviada aos parlamentares do país pela aprovação do imposto. Veja o comercial:
A aprovação do projeto está emperrada porque o Governo Trabalhista – que propôs o imposto – enfrenta problemas de popularidade na Australia. Segundo o projeto, os poluidores passam a pagar, a partir de julho do ano que vem, algo a partir de US$ 10,00 por tonelada métrica de carbono emitido. A campanha integrada usa várias mídias, como posters e um website. A criação é da Republic of Everyone com direção da Jungle Boys. Os atores que participam da ação são, além de Cate, Michael Caton, David Pysden (Global Carbon Systems), P. Penn, B. Walkerm e L. Bazzi.
Para ajudar a promover a consciência sustentável na rotina dos paulistanos, a Lew’Lara\TBWA abraça a causa da 1ª Virada Sustentável, que acontecerá em São Paulo nos dias 4 e 5 de junho. A agência criou comerciais para TV e peças de mídia impressa que funcionam como uma espécie de raspadinha em que objetos se transformam a partir da reciclagem. O comercial foi produzido pela Digital 21, com direção de cena de Rodolfo Patrocinio.
A Virada Sustentável contará com mais de 300 atrações gratuitas espalhadas por parques e diversos espaços culturais da cidade. Também foi criado um hotsite.
Este ano, a Coca-Cola Brasil criou uma novidade para a Semana Otimismo que Transforma. No site da campanha, o “Mural dos bons” reunirá fotos de todos aqueles que contribuírem com a ação. Entre 22 a 29 de maio – data da Semana do Otimismo – promotoras estarão nos pontos de venda fotografando consumidores, que, se preferirem, podem também mandar fotos de casa. A campanha do projeto, criada pela DPZ, estreará na mídia impressa neste sábado, 14 de maio.
Só para relembrar: durante a Semana Otimismo que Transforma, parte da venda de todo o portfólio da Coca-Cola Brasil é revertida aos projetos socioambientais do Instituto Coca-Cola Brasil.
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A Tok&Stok quer provar que os seus móveis são fáceis de montar. A empresa agora disponibiliza os manuais de instruções no Twitter, pelo perfil @manuais_tokstok. Os consumidores poderão ver, em apenas 140 caracteres, como montar o móvel e ainda baixar um diagrama de montagem se preferir seguir a figura. A ação foi criada pela DM9DDB.
A ação também mostra a preocupação da Tok&Stok com o meio ambiente: cada manual em 140 caracteres no Twitter economizou uma folha de papel.
A Script criou uma ação para a Surfrider Foundation Brasil chamada “Devolução” para conscientizar e alertar as pessoas sobre as consequências do lixo deixado nas praias cariocas – cuja quantidade assusta, diariamente.
A partir de um mailling de surfshops e ONGs conveniadas, foram enviadas para a casa das pessoas, via correio, 10 mil caixas contendo objetos despejados nas areias. Além de copos plásticos, papéis de picolé, latinhas e garrafas d´água, cada caixa também continha uma etiqueta com a seguinte mensagem:
“O lixo jogado no mar um dia volta. Pra todo mundo.”
A ação também foi realizada em bares da cidade do Rio de Janeiro.
Veja:
Ficha Técnica:
Agência: Script
Diretor de Criação: Ricardo Real
Redator: Felipe Machado
Diretores de Arte: João Paulo Medeiros e Thiago Manhães
Produtora: TCO Filmes
Produção Executiva: JP Braga
Direção: JP Braga
Direção de Fotografia: Nando Azevedo & Fernando Fernandez
Edição: JP Braga
Color Grading: Nando Azevedo
Trilha Sonora: Buena Música (Daniel Medeiros, Leo Cruz, Marcelo Frota)