Inovação | Consumo e Propaganda

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Arquivo da Categoria inovação

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013 Produção, Propaganda, Web, inovação | 15:34

“Não há inovação sem risco”

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Luciana Haguiara e Sandro Rosa são os nomes por trás (e pela frente, pelos lados…) do trabalho digital da agência AlmapBBDO, eleita a segunda agência mais premiada do mundo na área digital pelo tradicional levantamento do Gunn Report. Segundo eles, criatividade é o “peixe” que a agência vende, e o elemento essencial de todos os trabalhos. Conheça um pouco melhor a dupla:

- Por que a Almap teve tanto destaque em digital nas premiações internacionais em 2012?
Foi reflexo do dia a dia. Tivemos uma fase na qual produzimos muito e, quanto mais você produz, mais chances você tem de ter trabalhos que ganhem destaque.

- Hoje há mais trabalho digital que offline, ou é equilibrado?
O volume de jobs é praticamente o mesmo quando falamos de campanhas grandes. A diferença são as demandas específicas só para digital, assim como para print, design, TV etc. e alguns poucos clientes que não fazem digital com a gente.

- Como ser criativo sem tempo e com pouca grana?
A nossa equipe já é treinada para isso. São pessoas rápidas, objetivas, muito talentosas e quase mágicas.

- Grana é, de fato, ainda, um problema para realizar bons trabalhos na área de digital no Brasil?
O problema “tempo de produção” é bem maior que o problema verba. Qualquer trabalho digital demanda tempo de produção e de pré-teste e quase nunca temos esse “tempo”.

- Trabalhos criativos dependem de clientes dispostos a arriscar?
Com certeza. Não há inovação sem risco.

- Prêmios de criação são importantes para os negócios da agência?
Criatividade é o negócio das agências, sempre foi. E valorizar a criatividade não é propriedade publicitária. Inovação e criatividade são valorizadas em qualquer tipo de negócio.

- Vocês encontram dificuldades com fornecedores de serviços na área digital no Brasil? O que precisa melhorar, em que áreas, para a comunicação na área digital se desenvolver?
Temos ótimas produtoras de tecnologia, ótimas produtoras de animação. Mas faltam ainda produtoras de filme mais ágeis, baratas e que entreguem qualidade.

- O que diriam para um jovem que está começando e gostaria de ser criativo nessa área?
Acho que não tem mais “essa área”. Existe comunicação de marca que está em todos os lugares, todas as mídias. Não existe formato certo, mídia certa, etc. Para essa nova geração, digital já faz parte da vida e, por isso, fica mais fácil ter uma ideia muito boa que seja digital. O difícil é chegar na ideia muito boa.

Conheça alguns trabalhos premiados dirigidos pela dupla.

“Original Click” para Peças originais VW:

Site Automático para Amarok (VW):

“Love to Bingo” para Getty Images:

Autor: Claudia Penteado Tags:

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013 Ação de Presença de Marca, Marcas, Patrocínio, inovação | 18:08

Talento vale hospedagem no Oztel

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Uma ideia e tanto de economia criativa: em fevereiro, o talento do visitante será a moeda de troca para um fim de semana no albergue carioca Oztel. Ao invés de dinheiro, músicas, intervenções gráficas, dj-sets, performances, drinks e pratos criados pelos hóspedes servirão para pagar as despesas de ida e volta à cidade e mais três dias de hospedagem. Chamado de Hostel Smirnoff, a ação da agência Nossa! para a marca de bebidas ocupará o hostel de Botafogo durante dois fins de semana do mês.
Tudo será compartilhado: tanto hóspedes quanto o público em geral poderão conferir e experimentar as criações – seja um grafite em um dos cômodos, uma degustação de comidinhas ou uma balada no bar do albergue. Ao todo, quinze trabalhos serão mostrados. A curadoria foi feita por Andrea Franco, produtora cultural e uma das sócias do Oztel, e Fabio Batistela, proprietário do bar Meza, também no Rio. O projeto teve 846 ideias inscritas, e as 15 foram vencedoras vão para o hostel nos fins de semana dos dias 1 a 3 e 15 a 17 de fevereiro.

Autor: Claudia Penteado Tags:

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013 Design, inovação | 16:55

Lembrança triste transformada em ideia de futuro

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Estamos na Albania, e o ano é 1967. O ditador comunista Enver Hoxha, obcecado com o perigo de um bombardeamento ao país, inicia um projeto perturbador: a construção de 750 mil bunkers, pequenos iglus de concreto, para “proteger” uma população que naquele tempo não chegava a 2 milhões de pessoas. A Albania hoje, um país bem diferente, tem esses bunkers como a mais viva lembrança daqueles estranhos tempos. Mas estudantes albaneses decidiram dar a eles uma nova cara e um futuro bem animador: através do projeto “Concrete Mushrooms”, propuseram a reciclagem dos espaços em pequenos espaços de trabalho ou negócios. Os primeiros foram uma galeria de arte, uma loja de tatuagens e alguns clubs, dando lugar a cada vez mais espaços inusitados – de sapateiros a restaurantes. O projeto virou livro – que pode ser comprado na Amazon – e vem atraindo turistas ao país.
São três tipos de bunkers – do pequeno ao maior. Não custa mais do que uns 300 dólares transformar um espaço desses. E qualquer cidadão pode aderir, basta ter uma boa ideia.

Concrete Mushrooms Preview – Albania’s 750,000 inherited bunkers. from Concrete Mushrooms on Vimeo.

Autor: Claudia Penteado Tags:

terça-feira, 11 de dezembro de 2012 Estudo, Marcas, Sustentabilidade, Tendência, inovação | 10:08

10 tendências para o novo ano

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A empresa inglesa caçadora de tendências trendwatching.com divulgou a lista anual das principais tendências de consumo que impactarão negócios e estilos de vida em 2013. Entre elas, pela primeira vez, algumas tendências para a América Latina – as quatro primeiras listadas abaixo – como o novo nacionalismo (fruto do crescimento da autoestima nos países emergentes como o Brasil), a ampliação do comércio entre países latinoamericanos e a obsessão por smartphones.

Confira:


EMERGING2: embora o comércio entre países latino-americanos sempre tenha existido, o estudo aponta para o aumento criação de empresas de produtos e serviços inovadores, dentro e fora da região. O crescimento de consumidores com renda disponível e a fome de novas experiências resultarão em uma troca de novos produtos e serviços cruzando do Chile para a Colômbia, do Brasil ao Irã. São produtos de países emergentes para os países emergentes. Um dos exemplos: sandálias Amazonas, que anunciou planos de abrir uma loja na China no início de 2013.


MOBILE MOMENTS: Os consumidores da Classe C querem comprar as últimas novidades tecnológicas, independentemente dos problemas de infraestrutura de banda larga existente na região. Uma enorme gama de novos aplicativos e plataformas do México ao Brasil estão satisfazendo as necessidades de consumo e de informação instantânea das pessoas. É a era do hiper-tasking, das micro-conveniências, das mini-experiências, dos snacks digitais. O SnapChat é um bom exemplo: trata-se de um aplicativo que permite que se compartilhe fotos por apenas um curto espaço de tempo, até elas se autodestruirem. Em outubro passado, processou algo como 20 milhões de imagens por dia.


APPSCRIPTIONS: A tecnologia digital é considerada a nova medicina: médicos e profissionais utilizam aplicativos e serviços digitais para melhorar os resultados de exames e tratamentos. Esta é uma tendência especialmente forte na América Latina, onde as preocupações sobre a saúde e o bem-estar crescem a passos largos. O Cardio Emotion é um bom exemplo no Brasil. Na Australia, outro exemplo é o Antibiotics Reminder 9, que controla a ingestão de antibióticos monitorando resultados e evolução do tratamento.


CELEBRATION NATION: em 2013 se verá um aumento nos mercados emergentes do orgulho de exportar, e até mesmo exibir o patrimônio nacional e cultural. Símbolos, estilos de vida e tradições que eram minimizadas, se não negadas, se transformam em fonte de orgulho dos consumidores locais e globais. Com a Copa de 2014 e Olimpíadas de 2016 se aproximando, as identidades nacionais têm sido um grande tema de discussão na América Latina, e como resultado haverá, a reboque, muitos lançamentos de produtos e serviços. Novas culturas “it” na área. Um exemplo desse orgulho nacionalista é a celebraçao em torno do designer fashion Masaba Gupta, de Mumbai, e sua griffe House of Masab, queridinho das celebridades locais.

NEW LIFE INSIDE: Em vez de ter um produto que pode ser descartado ou mesmo somente reciclado (por qualquer pessoa), em 2013 haverá produtos que carregam em si projetos mais grandiosos, de eco-status e eco-histórias. Já existe um grande valor simbólico na criação de uma vida nova, ambientalmente benéfica por meio de um produto de consumo. Isso só vai aumentar com a popularidade de iniciativas como a Read Leaf Project, da Molson Canadian, que envolveu voluntários na criação de parques em várias regiões do Canadá em troca de ingressos para um festival de música. Chegou a hora dos produtos darem algo em troca.


DATA MYNING: A discussão sobre coleta de dados a respeito das pessoas tem tido foco excessivo na quantidade e no seu valor para o benefício das empresas. Em 2013, o olhar se volta na direção de consumidores mais experientes para reverter esse fluxo: buscando extrair o máximo de informação sobre seu estilo de vida, e eles poderão se virar para as marcas de forma proativa oferecendo ajuda e mostrando como facilitar suas vidas. Chegou a era dos “bons dados” e não dos “grandes dados”. Que gerem produtos como o aplicativo “Opower”, resultado do trabalho colaborativo entre o Facebook e o Conselho de Defesa dos Recursos Naturais norte-americano, que se conecta com a conta de energia dos consumidores para que eles visualizem seu uso de eletricidade durante o mês e possam comparar com os de amigos e outras casas nos Estados Unidos, participando inclusive de competições para reduzir o desperdício.


PRESUMERS & CUSTOWNERS: 2013 verá consumidores apaixonados abraçarem dois novos modelos de consumo: Presumers e Custowners. Os PRESUMERS gostam de se envolver, financiar e promover produtos e serviços antes de serem lançados, enquanto os CUSTOWNERS passam de consumidores passivos de um produto à posição de financiar e investir ou possuir ações das marcas que gostam. Em julho desse ano, a franquia de fast food saudável Leon criou o Leon Bonds, uma estratégia para reunir fundos com a ajuda dos consumidores para expandir para novas localidades. Investimentos receberam em troca os chamados “Leon Pounds” (créditos na própria loja).


AGAIN MADE HERE: para mercados maduros como os EUA, França e Reino Unido, 2013 verá uma recuperação na produção local. Conduzir esta tendência é uma resposta à busca dos consumidores por novos produtos e serviços (descrita em outra tendência, NEWISM) e o desejo de experiências mais interessantes (outra tendência, STATUS STORIES), tudo combinado com as novas tecnologias como as impressoras 3D e as criações “make-on-demand” – feitas por solicitação. Em outubro último, por exemplo, a plataforma de impressão em 3D Shapeways abriu sua “Fábrica do Futuro” em Long Island, estado de NY, com capacidade para imprimir de 3 a 5 milhões de objetos por ano. A produção local é a nova economia de serviços.


FULL FRONTAL: De acordo com um estudo da Edelman, o percentual de consumidores que confiam em negócios que fazem a coisa certa caiu de 56% em 2011 para 53% em 2012. A mega-tendência de transparência para as marcas é abandonar as declarações grandiosas sobre seus “valores” e”cultura” e passar , de forma proativa , a mostrar e provar que não tem nada a esconder, oferecendo evidência real, inequívoca e clara sobre os fatos reais. São exemplos disso o McDonald’s ao revelar as calorias nos menus, ou a Natura ao assumir falhas em seus objetivos no Relatório Socio-Ambiental. Transparência é pouco: agora se está nu e com muito orgulho.


DEMANDING BRANDS: no ano que vem, vamos testemunhar uma mudança ousada no relacionamento entre as marcas responsáveis e seus consumidores. Marcas altamente “ligadas” e conectadas, que estão embarcando na necessária jornada em direção a um futuro mais socialmente responsável, exigirão que seus clientes também contribuam junto com elas, como parceiros. Assim, elas ganham o respeito – mesmo dos mais exigentes consumidores. O esporte clube Vitoria, com seu ousado projeto de doação de sangue, é sem dúvida um bom exemplo desta tendência. E só valem projetos de envolvimento em causas verdadeiramente significativas e de longo prazo, e não factóides – não é fácil ser uma Demanding Brand.

Disponível também no http://www.trendwatching.com/pt/trends/10trends2013/.

Autor: Claudia Penteado Tags:

segunda-feira, 26 de novembro de 2012 Ação de Presença de Marca, Marketing, Música, Propaganda, Web, inovação | 09:40

Que tal não morrer de maneira idiota?

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Como chamar a atenção para os acidentes provocados pelos trens do metrô em Melbourne, na Austrália? A agência McCann-Erickson Melbourne criou uma música e um vídeo que se tornaram um verdadeiro fenômeno viral – com mais de 25 milhões de acessos no Youtube, rivalizando com o popular Gangnam Style. A trilha, da Tangerine Kitty, está à venda no iTunes por US$ 0,99. O filme mostra, basicamente, bonequinhos fazendo coisas arriscadas que resultam em mortes estúpidas. A intenção é mostrar os riscos de se brincar em plataformas de trens, trilhos e locais de passagem de trens na cidade. A campanha nasceu da conversa com condutores de trens e funcionários das estações que testemunharam pessoas brincando de arriscar suas vidas nessas circunstâncias.
O mérito não está na criação de um vídeo bacana e divertido para ser compartilhado, mas no que ele teve capacidade de realizar: promover de maneira impressionante uma mensagem de segurança entre os jovens, um recado que tornou-se uma verdadeira febre. Mais bacana ainda é o fato desse vídeo ter sido criado por uma agência de publicidade, o que prova que sim, é possível evoluir e captar o espírito do tempo (o Zeitgeist, como diria Hegel).

A agência também está distribuindo posters e materiais nas estações de metrô e escolas de Melbourne.

Autor: Claudia Penteado Tags:

sexta-feira, 23 de novembro de 2012 Campanha, Marcas, Produção, Promoção, Propaganda, Web, inovação | 11:52

Como transformar um Honda em uma mesa de som

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Como transformar o Honda Fit Twist numa mesa de som? Entre a composição no estúdio e a execução da música na pick-up gigante foram necessários 15 dias e mais de 70 profissionais entre técnicos de som, eletrônica, câmeras e produtores. Confira aqui como a F/Nazca Saatchi & Saatchi, a Santa Transmedia e a Dr. DD colocaram o N.A.S.A. para tocar dentro de um Honda na nova campanha publicitária do carro:

O resultado final foi o vídeo abaixo, que apresenta para o fãs do N.A.S.A a música inédita “Overdrive” composta pelo duo e com vocal de Derrick Green, do Sepultura.

A partir do dia 26 de novembro, 10 dos maiores blogs de música e entretenimento do país produzirão seus próprios remixes no site da marca em uma mesa que simula o painel do carro. Composições assinadas pelo Popload, UpdateorDie, Move that Jukebox, Rock’n’Beats, DeepBeep, My Cool, Don’tSkip, Oh My Rock, bem como pelos sites das revistas ViCE e Noize, competirão pelo posto de melhor remix. A batalha é pública e dependerá do voto dos leitores para o blog participante ter sua música escolhida e postada no Facebook da Honda. A votação da melhor faixa acontece no widget desenvolvido para o projeto dentro dos blogs participantes e ficará aberta entre 26 de novembro e 6 de dezembro.

Ficha Técnica do filme:

AGÊNCIA: F/Nazca Saatchi & Saatchi
CLIENTE: Honda Automóveis
PRODUTO: Novo Honda Fit Twist
TITULO: Drivemixer
DIREÇÃO DE CRIAÇÃO: Fabio Fernandes | Eduardo Lima | Theo Rocha
REDAÇÃO: Isaac Serruya
DIREÇÃO DE ARTE: Isabelle de Vooght | Roberta Harada
HEAD OF ART: João Linneu
FOTOGRAFIA: Luciana Dal Ri | Paula Turra
ART BUYER: Edna Bombini
ATENDIMENTO: Marcello Penna | Pedro Battesti | Florencia Lear
GERENTE DE PROJETOS: Mariana Ventura
MÍDIA: Lica Bueno | Sandro Cachiello | Bruno Storace
PLANEJAMENTO: José Porto | Dorian Dack | Marcus Nascimento
PRODUÇÃO GRÁFICA: Jomar Farias
PRODUÇÃO INTEGRADA: Juliana Hasegawa
PRODUTORA: Santa Transmedia
PREPARAÇÃO E PROGRAMAÇÃO DO CARRO: Jurema
SOFTWARE DE MÚSICA: Ableton Live
DIREÇÃO DE CENA: Filipe Zapelini
DIREÇÃO DE FOTOGRAFIA: Alziro Barbosa
PRODUTORA DE SOM: Dr. DD
MÚSICA: Overdrive
ARTISTAS: N.A.S.A. (Sam Spiegel + Zé Gonzales) | MaximumHedrum (Sam Spiegel + Derrick Green)
PRODUÇÃO DO VINIL: Polysom
ILUSTRAÇÃO VINIL: Fabio Vito
APROVAÇÃO CLIENTE: Sérgio Bessa | Diego Fernandes

Autor: Claudia Penteado Tags:

segunda-feira, 19 de novembro de 2012 Design, Evento, inovação | 23:19

O Design que vem da Favela

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Durante oito meses, os premiados designers cariocas Ricardo Saint-Clair e o Ricardo Westin percorreram 15 comunidades do Rio de Janeiro em busca de trabalhos criados pelos próprios moradores para melhorar suas vidas de alguma forma. Encontraram ao todo 125 soluções para moradia, alimentação, transporte, negócios. Os inventores e seus projetos estavam “escondidos” em comunidades como Rocinha, Vidigal, Maré, Alemão, Mangueira, Cidade de Deus e Santa Marta e agora farão parte de uma exposição “O Design da Favela” no Centro Carioca de Design, na Praça Tiradentes, no centro do Rio – entre 22 de novembro e 20 de dezembro.
Na mostra, peças decorativas, brinquedos, esculturas, um triturador de amendoins criado com peças de bicicletas ergométricas, um drive-in que funciona em uma caixa d’água antiga. Os criadores aparecem em vídeos – que serão exibidos na exposição – dizendo o que representa, para eles, o design. Confira alguns exemplos.

Relicário feito de alumínio – by Severino, Casa das Artes – Rocinha

Luminária de barbante – por Leandro Abrantes – Projeto Favela Mais Limpa, Cantagalo Pavão e Pavãozinho

Vaso Chuteira – por Edilson Palhaço – Santa Marta

Mesa de Aro de Bicicleta – Por Mauro Quintanilla, um dos fundadores do Sitiê – Parque Ecológico do Vidigal

Molde de Pipa – Por Pelé, da Mangueira

(na foto do alto, cortina de flores feita de Pet feita por Calixto – Cidade de Deus)

Autor: Claudia Penteado Tags:

sexta-feira, 19 de outubro de 2012 Propaganda, Revista, inovação | 15:31

Anúncio bom para acender churrasqueira

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Criado pela F/Nazca Saatchi&Saatchi, o novo anúncio de Skol 360º na edição de outubro da Playboy é um “anúncio acendedor”, feito com película de tecido e parafina que leva impressas instruções de uso bem simples: você lê o anúncio, amassa, põe fogo e acende o carvão de sua churrasqueira.
O exemplar especial chega apenas para assinantes da revista em São Paulo. Em breve, a churrasqueira da foto também estará disponível para os amantes do churrasco no site da marca: skol.com.br/churrasco.

Autor: Claudia Penteado Tags:

segunda-feira, 8 de outubro de 2012 Campanha, Marcas, Patrocínio, Produto/lançamento, Produção, Tendência, Web, inovação | 17:02

Astro ganha estratégia de Transmídia

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A primeira coisa que chama a atenção no trailer do filme “Astro, uma fábula urbana em um Rio de Janeiro mágico” é o oferecimento da Fiat, que aparece antes do crédito da produtora BossaNovaFilms. A montadora investiu fortemente no projeto, sem utilizar-se de leis de incentivo: seu Fiat500 aparece em um filme antes da exibição do longa. Dentro do longa, surge muito rapidamente no início da história. Mas este não é um patrocinio comum. Ganhará o mundo fora das telas do cinema, em um seriado para TV e web e um aplicativo chamado “Magical Guide of Rio” (guia turístico em breve na Apple Store e a ser lançado posteriomente impresso), além de diversas outras ações. O bar Astor, que deu apoio ao longa, está “travestido” de Astro em São Paulo e no Rio, com intervenções dos artistas plásticos que atuam no filme – e tem suas obras permeando a narrativa do longa. O nome desse conjunto de ações que falam entre si é estratégia de Transmídia. O portal do filme proporciona uma série de experiências.
O mundo mudou e, como costuma dizer Patrícia Weiss, consultora de Cultural Brand Strategy e sócia e diretora estratégica da agência Wanted, que desenvolveu o projeto de Transmídia do filme, “as marcas precisam fluir COMO conteúdo e não COM o conteúdo, garantindo maior envolvimento dos fãs, engajamento, participação, repercussão e resultado para o investimento.”

E o que é, exatamente, a Transmídia? O que ela não é? Decidi bater um papo esclarecedor com Patrícia Weiss. Acompanhe:

O que é Transmídia?
Patrícia Weiss - A definição de “Transmedia Storytelling ” surgiu como conclusão de anos de estudos de um grupo de acadêmicos do MIT, liderado pelo professor Henry Jenkins, sobre a evolução da relação do público com os conteúdos midiáticos do entretenimento nos últimos anos.
Estamos vivendo a Cultura da Convergência de pensamentos e conteúdos, onde as comunidades e a “Fandom Culture” (cultura de fãs) se espalham e as pessoas assumem mais o controle das mídias, exercendo o direito de participar mais plenamente de sua cultura. O fluxo de conteúdos se distribui através de múltiplos canais e mídias, em um tempo em que os consumidores evoluíram da função de espectadores para a intensa produção e participação nos conteúdos.
A Narrativa Transmídia representa a prática de uma potente “rede de experiências” de entretenimento que transpõe mídias. Um território fértil, participativo e envolvente, onde elementos derivados de uma determinada história, são dispersados através de diversos canais, funcionando de forma única e contribuindo como desdobramentos da ficção original.
A Narrativa Transmídia funciona como uma estratégia que potencializa a capacidade de um conteúdo (pode ser um longa, um seriado, etc.) se conectar com a cultura contemporânea, criando verdadeiros fãs em torno da história principal e das iniciativas periféricas que giram em torno dela. A Estratégia Transmídia tem o poder de expandir o significado e o tempo de vida de uma história, assim como o seu universo de ficção, a força de seus personagens e trama. O que pode ser relevante no contexto cultural é fundamental.

E o que as pessoas “pensam” que é Transmídia, mas está longe do conceito verdadeiro?
Weiss
- Não estamos falando de uma boa campanha que divulgue um novo seriado, uma viralização com distribuição de conteúdo, ou de um site “simpático” e criativo que oferece uma boa experiência relacionada com um seriado ou filme. O que muitos conhecem por Branded Entertainment/Branded Content está relacionado com isso? Sim, mas pode ser apenas parte de uma completa estratégia Transmídia.
Infelizmente, vemos hoje uma banalização do que é, na essência, o conceito de Narrativa Transmídia no Brasil. O termo não significa uma nova nomenclatura ou tendência. É profundo. Antropólogos contribuíram expressivamente para os estudos do MIT. A repercussão não depende só do impacto e frequência da mídia, mesmo porque não sera um único benefício de marca ou conceito que será lançado. O Transmídia funciona considerando uma ou as diversas formas de relacionamento que os fãs terão com a história, de forma independente. Isto é, a estratégia precisa funcionar mesmo que as pessoas não tenham contato com as todas as ações e mídias.

Já se faz Transmídia no Brasil?
Weiss
– O espírito de quem realmente desenvolve e implementa uma estratégia Transmídia, precisa ser desbravador e muito persistente. Poucos profissionais e poucas marcas entendem o que é exatamente isso, no Brasil. É fantástico, intenso, muito trabalhoso e demora para vermos todo o nosso trabalho pronto e finalmente solto no mundo.
Esta cultura inovadora e sem fronteiras para desenvolver iniciativas e experiências que conectem o conteúdo e as marcas com as pessoas hoje, precisa existir na agência desde o início, na sua vocação, na sua alma, na ambição genuina dos seus sócios e líderes. Por isso, as agências de publicidade do nosso mercado (cujo modelo de negócio e ganho é voltado para a mídia), não têm tempo para dedicar ao Transmídia, nem ao entretenimento de marca. Departamentos podem surgir sempre…

Como você entrou em contato com essa área e acabou desenvolvendo o projeto para o filme Astro?
Weiss
– Minha conexão com esses territórios, com outros “feras” do MIT, com os livros de Henry Jenkins (antes mesmo de serem traduzidos e chegarem por aqui), assim como minha intensa troca com antropólogos e sociólogos, me inspiram profundamente, todos os dias, e ampliam minha forma de enxergar e investigar o consumidor. Desde 2004/2005 tenho investido no desenvolvimento de experiências de marca em entretenimento. Mas, como trabalhei sempre em agências tradicionais do nosso mercado (incríveis, mas tradicionais), era tudo muito mais complicado. Acompanhei de perto a filmagem do longa Astro ano passado, e nos bastidores eu já dizia para a diretora que o universo do filme poderia “saltar da telona” e existir por muito mais tempo na cultura e na vida das pessoas. Que seria possível incrementar e intensificar a relação do público com os elementos da história, em outras frentes e telas. A Paula Trabulsi, visionária, corajosa e otimista que é, topou na hora. Ficou arrebatada com a força que a narrativa poderia ganhar através da Estratégia Transmídia. Tanto que já estamos trabalhando no Transmídia do próximo longa dela e outros projetos da BossaNovaFilms, que é um dos nossos clientes. Estamos trabalhando a Estratégia Transmídia de Astro e cada desdobramento na Wanted, há mais de um ano. O principal patrocinador do longa, a Fiat, através do Fiat500, foi inovadora mais uma vez (um dos principais atributos, traços da marca) e quis investir novamente na história de Astro, quando conheceu a nossa Estratégia Transmídia. O Transmídia de Astro foi desenvolvido e apresentado para a marca depois do longa ser filmado (uma das incríveis vantagens de uma Estratégia Transmídia: ela acontece antes, durante e também depois, como esta).
O seriado de internet e TV que criamos e está em produção com a BossaNovaFilms e direção da Paula, faz parte do Transmídia e conta com a participação do Fiat500 também.
As marcas podem investir em longas, curtas, documentários, seriados com o uso das Leis de Incentivo. E o Transmídia está incluido nisso, porque é entretenimento. Muito importante dizer aqui é que as marcas podem (e devem) usufruir do investimento feito em entretenimento indo muito além dos créditos no final do filme ou no pôster de divulgação. Pelo mesmo valor investido, uma parte se dedica à Estratégia Transmídia e o resultado é incomparável. As marcas rentabilizam e potencializam o investimento com o Transmídia. As marcas precisam contar histórias relevantes e com forte significado para o consumidor.

O mercado de produtoras no Brasil pode utilizar melhor os recursos do Transmídia?
Weiss
– Muitas marcas podem se interessar e investir em um projeto de entretenimento, se identificarem uma maior adequação e pertinência da ficção para o universo da marca e target. Precisa haver uma clara e tangível proposta dos diretores e produtores para valer realmente à pena o investimento, mesmo que através do uso das leis de incentivo. Vi mais de uma vez um cliente se interessar em investir em um longa (recusado antes), devido à Estratégia Transmídia apresentada e customizada para a atuação da marca.
O filme Astro chega ao mundo com uma Estratégia Transmídia potente e relevante, que vai gerar envolvimento com o público, naturalmente, pouco a pouco, através de uma narrativa paralela não linear, onde os elementos e os personagens do longa da cineasta ganharão forte ressonância na vida das pessoas, por muito mais tempo.

Veja o making of de Astro:

Em tempo: a produção é da BossaNovaFilms em associação com a Rojo, e tem como coprodutores a Asas da Imaginação e a Limite Produções. O filme conta com a parceria da Banda Sonora, Locall e Mistika. O longa será exibido em salas de cinema e, depois, no SundayTV/Terra e nos canais Sony Entertainment Television.

Autor: Claudia Penteado Tags:

quarta-feira, 3 de outubro de 2012 Design, Marcas, Sustentabilidade, Tendência, inovação | 13:42

Que tal viver a vida de um jeito mais…slow?

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A reboque de um movimento mundial em busca de maior qualidade de vida e em contraponto ao conceito de “Tempo é dinheiro”, nasceu o Slow Design, que propõe que se repense a concepção do tempo, mais lento que o tempo da máquina, e o como o “gastamos” ao longo da vida. Para entender melhor essa nova forma de ver o mundo, bati um papo com o especialista no assunto, Alvaro Guillermo, consultor do Mais Grupo, vem escrevendo sobre isso faz tempo. Confira:

Como começou o movimento do slow? Começou com o slow food?
Guillermo
– Sim, o movimento Slow foi uma reação que se iniciou com a chegada das redes de fast food a Europa, especialmente a Itália na década de 80. Desta forma, o Slow Food é o mais representativo e atuante, mas não exclusivo. De alguma maneira, naquele momento o fast food na Europa conseguiu atrair a atenção para fazer refletir sobre a velocidade que o século XX impôs. Na locomoção e em outras áreas a velocidade da máquina superando o homem não trouxe uma reação negativa tão grande quanto a que ocorreu na alimentação.

E como o conceito evoluiu?
Guillermo
– Na década seguinte 90, a popularização da tecnologia digital, primeiro nos relógios, (de pulso e em máquinas- microondas etc) impregnou no cotidiano um ritmo muito superior. Como tudo que é cultural, leva um tempo para as pessoas perceberem e terem noção do significado de mudanças. Acho que a longevidade também possibilitou que pessoas, hoje acima de 50, ainda vivas e ativas, pudessem contar histórias sobre suas infâncias. Desta maneira é possível fazer comparações e avaliar se isto é melhor ou não para nossas vidas.
Este fato não ocorreu 150 anos atrás, quando da inserção da máquina na sociedade, ou seja, na sociedade industrial. A geração que não viveu com máquinas não foi maioria, nem viveu o suficiente para vencer o seu conceito, assim a máquina se inseriu rapidamente na sociedade e encontrou respaldo nos jovens e nas novidades. A máquina foi potencializada pelas guerras mundiais e pelo consumo desenfreado do pós guerra. Hoje a sociedade ainda não tem noção do significado desta mudança, mas começa a sentir desgastes e aos poucos encontra pontos em comum. E este ponto comum é a percepção do tempo e a noção do que fazemos durante este tempo de vida.

O que significa exatamente o slow design?
Guillermo
– O Slow Design está em objetos e ambientes que permitem perceber que o tempo é mais lento do que o tempo da máquina, principalmente perceber o tempo.
Quando passamos por objetos e em ambientes que mal percebemos e admiramos, o fazemos no ritmo de velocidade da sociedade contemporânea baseada na máquina.
Quando percebemos estes ambientes ou objetos, só os percebemos quando diminuímos o ritmo, não precisamos parar, mas para haver percepção há necessidade de um ritmo mais lento.
Se isto estiver aí propositalmente, com uma intenção ou um desígnio, então há design. Este design que nos permite perceber objetos e ambientes no tempo certo são coerentes com o movimento Slow.
Se percebemos o tempo: então percebemos nossas vidas, e isso nos faz refletir.
Qual o ritmo de vida que queremos e como queremos viver nossa vida?
Qualquer reflexão se faz num ritmo mais lento que a máquina, pois a reflexão é individual, então é o tempo de cada um. O tempo humano, que é diferente em cada um de nós. Por isso é importante, pois tem a ver com cada um de nós. O tempo da máquina é igual para todos.
Nós somos seres singulares com percepções diferentes, e objetos e ambientes devem contribuir para esta percepção.

Outra visão é a da qualificação: no lugar de comprar cinco itens, o consumidor prefere um de excelente qualidade. Isso também é considerado Slow Design?
Guillermo
– Não exatamente assim. Não importa só a quantidade, pode ser um único objeto, mas se este não for usufruído, e não trouxer esta importância, então tampouco cabe. Tem a ver com comprar sim, pois quando compramos estamos importamos um objeto até nós ( M.S. Cortella), tornando-o assim importante.
No ato da compra ou da obtenção do ambiente é que deve haver um conceito Slow. Uma compra rápida, por impulso, é uma compra sem reflexão, por tanto não tiramos o tempo certo para a decisão desta aquisição. Durante esta reflexão, o tempo de vida do objeto deve ser levada em conta, e esta reflexão dará ao objeto outro valor, que é diferente de preço e poderá surpreender, tanto vendedor quanto comprador. Objetos em que se percebe a mão do homem, que carregam consigo a noção do tempo que levou para ser feito e apresentado tendem a ter maior valor para os que buscam estes conceitos.

Como aplicar esse conceito na vida, no dia a dia, no trabalho?
Guillermo
– As pessoas devem perceber que existem trabalhos e tarefas que podem ser executados por máquinas, e que podem substituir o homem.
Estas tarefas tendem a gerar ao executor a impressão de que ele é parte da máquina ( C. Chaplin em tempos modernos) e em geral a intervenção do homem parece “atrapalhar” aquilo que a máquina faria melhor sem sua influência. As pessoas precisam desempenhar tarefas que lhes demonstrem que sua passagem naquele momento de vida foi importante para todos os envolvidos. A melhor maneira de descobrir é na hora de acordar. Se tiver mais vontade de ficar na cama do que levantar para ir para a empresa, se faz necessário uma reflexão sobre seu cotidiano.
Muitas coisas podem contribuir para que as pessoas percebam que estão em ambientes onde o ser humano e o tempo de cada um é importante. Sempre lembrando que há profissionais adequados a gerar estes ambientes (arquitetos e designers de interiores).
Mas, posso dar algumas dicas:
Colocar plantas que tenham frutos, ou seja que mostrem o tempo natural.
Ambientes que vasos de flores são trocados sempre, e parece que as flores são de plásticos não contribuem para esta percepção.
Evitar espaços universais que para saber com quem está se falando há necessidade de ler a plaquinha com o nome na mesa.
Tentar criar um tempo de alimentação mais coerente com cada um e com objetos adequados a esta alimentação.
Espaços para conversas e leituras também contribuem.

As pessoas vivem falando que “não têm tempo”. Como falar de slow num mundo fast, como o nosso?
Guillermo
– Exatamente por isso, todo mundo está falando a mesma coisa: Não Tenho Tempo para Nada! Como não? Todos temos o mesmo tempo. Então o que estamos fazendo é ajudar a entender porque as pessoas se sentem assim.
No meu caso, não estou aconselhando as pessoas a levarem uma vida Slow, estou dizendo que é possível em alguns momentos de nosso dia perceber que valeu a pena ter vivido. Geralmente quando chegamos em casa. Nossa casa se tornou o lugar da oxigenação, onde recuperamos energias para seguir num mundo fast.
O problema é que a maioria traz este mundo de velocidade, com alta tecnologia, com muita tecnologia de comunicação. Somos uma das sociedades com maior número de celulares e televisores por pessoas do mundo. Vivemos em ambientes mal projetados, com dimensões inadequadas, com poucas áreas verdes. A maioria das casas são similares entre si, assim como nas empresas que repetem as salas e as mesas, nossas casas são assim repetem as casa e as salas dos outros. É importante a valorização do lar, como reconhecimento da alma dos seus habitantes. Alma em latim é anima, é este percepção de que existe algo meu nesse momento e nesse lugar que nos anima a viver.

Qual a relação do slow design com a sustentabilidade?
Guillermo
– Esta relação se dá pelo fato que a sustentabilidade é a possibilidade de que nós como seres humanos continuemos a existir num futuro.
Se o que fazemos não nos remete a isto, o fato se torna insustentável. Viver nesta velocidade não é sustentável, pois não vemos de forma viável uma vida melhor no futuro.
Esta relação entre o tempo do nosso agora e do futuro passa necessariamente por uma reflexão do tempo de cada um.

Que empresas e marcas já praticam o slow design, e de que maneira?
Guillermo
– Existem empresas que praticam estes conceitos sem necessariamente saber do movimento Slow. Muitas optaram por mudar seus hábitos para favorecer as relações humanas.
Mas existem empresas que buscam desenvolver produtos que sejam melhores para o ser humano, que tragam estes valores, principalmente aqueles que demonstram a existência do tempo. Eu poderia citar a Segatto, de móveis planejados de alto padrão.
A empresa utiliza revestimentos em algumas portas que levam muito tempo para atingirem o grau de qualidade desejado.
Muitas vezes no tempo de fabricação de uma única porta revestida em couro, leva o tempo que uma fábrica fast consegue produzir todo o armário.
Mas o resultado final é perceptível, o processo não.
Ou seja, pessoas que se enfrentam a estes produtos logo colocam a mão sobre eles, como se o objeto a estivesse convidando a este toque mais demorado, enquanto que em produtos fast o olhar rápido faz a função.
Existem muitas lojas, spas, restaurantes, é facil perceber que quando entramos nestes ambientes desaceleramos.
Todas as culturas que precisam do tempo certo também fazem isto. Principalmente a do vinho.
Quando se começa a apreciar vinhos é notável como o usuário vai adquirindo experiência para saborear com mais tempo os melhores produtos. Aos poucos nosso paladar nos dá a noção do tempo e consequentemente seu valor. Por isso que as palavras sabor e saber tem a mesma origem. Sabedoria tem a ver com o conhecimento do tempo e o tempo do conhecimento.

Autor: Claudia Penteado Tags:

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