O Zé, a Maria e as tascas portuguesas
Tascas portuguesas viraram moda em São Paulo. Embora o que está sendo chamado de tasca por aqui é bem diferente das tascas de lá. Ok, o bacalhau estará sempre no cardápio, aqui ou lá. Mas todo o resto…
Dê uma olhada no que escrevi sobre a Tasquinha do Oliveira, considerada uma das melhores casas de Portugal e, sem dúvida alguma, bela representante das tascas tradicionais do país. Em geral, são estabelecimentos pequenos, com poucas mesas, comida farta e excelente, com várias opções de entrada (que em geral já estão na sua mesa esperando quando você chega), administradas pela família. Não são exatamente baratas. Mas quando se considera o tal “custo/benefício” não tem como sair insatisfeito.
Aí domingo passado fui almoçar na nova Tasca do Zé e da Maria, em Pinheiros, São Paulo. Seus proprietários trabalharam em lugares como A Bela Sintra, La Brasserie Erick Jacquin e Antiquarius. Uniram-se para montar o novo restaurante e deram algumas entrevistas dizendo que a proposta era a de uma boa comida portuguesa, com preços mais baixos do que os praticados pelos portugueses tradicionais da cidade.
E é verdade. O lugar é simples e bonito, o serviço é o ponto forte da casa, a comida é gostosa, tem uma carta de vinhos bacana. E os preços realmente são mais baixos que os do Antiquarius ou do A Bela Sintra. Mas será que pratos individuais de bacalhau precisam realmente custar em média R$ 70? O Tonel, esse sim “a” cara de uma tasca portuguesa, na Chácara Santo Antonio, a 7,4 km do Zé e da Maria, parece provar que não. O restaurante familiar, com poucas mesas, serve um delicioso bacalhau à lagareiro a R$ 69. E dá tranquilamente para três pessoas. O mesmo prato na tasca do Zé e da Maria custa R$ 80 e é individual.
Provei bacalhau nos dois lugares e confesso que não consigo ver diferença na qualidade dos pratos. Sim, existe diferença na localização e também no visual de cada casa. O Tonel tem mais cara de boteco do que de restaurante. A Tasca do Zé e da Maria é um restaurante bem decorado e moderninho, sem dúvida, com mais conforto e também com uma equipe bem maior (quem atende no Tonel é a família). Naquele quesito “ver e ser visto”, dá de dez a zero no Tonel. Mas se estivéssemos na Europa, super cool seria mesmo ir ao Tonel, aquela tasca/bar escondidinha, um achado, para conhecedores, fora do eixo gastronômico, para depois contar aos amigos sobre a boa comida provada. Aliás, nesse ponto o Rancho 53, em Araçariguama, ou o Sr. Bacalhau, em Serra Negra, então, dão um baile nesses outros dois. Comida excelente, “experiência” deliciosa e um bom custo/benefício. Super indico.
Mas, enfim, vamos às comidas da Tasca do Zé e da Maria:

Começamos com o couvert (R$12), que além do tradicional pão com manteiga, inclui pequeninos bolinhos de bacalhau e…

Croquetinhos de carne. Ambos sequinhos e saborosos

Provei ainda como entrada um bacalhau com purê de batata, tipo um escondidinho (R$ 28)

O prato do dia era um bacalhau à Gomes de Sá (R$ 69), com cebola, ovos, batatas, azeitonas pretas, literamente nadando no azeite. Bem gostoso.

Comi também um arroz de pato (R$ 52) feito com arroz português Carolino, que estava gostoso, mas não assim sensacional…
Pulei a sobremesa.
Tasca do Zé e da Maria: R. dos Pinheiros, 434, Pinheiros, São Paulo. Tel.: 11 3062-5722.
Aliás, para continuar o assunto acima, outras tascas que seguem a mesma proposta (inclusive de preços) que a do Zé e da Maria é a Taberna 474 e a Tasca da Esquina. Entre as três, gosto mais da Tasca da Esquina, tanto pela boa comida quanto pelo lindo restaurante.
Notas relacionadas:
Autor: Alessandra Blanco Tags: bacalhau, comida portuguesa, Rancho 53, Sr. Bacalhau, Taberna 474, Tasca da Esquina, Tasca do Zé e da Maria, Tonel



