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	<title>Comidinhas &#187; Mara Salles</title>
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	<description>Comidinhas por Alessandra Blanco – Restaurantes, receitas e dicas gastronômicas</description>
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		<title>Manhã de domingo com os amargos e as bruxas da gastronomia</title>
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		<pubDate>Mon, 08 Jun 2009 23:06:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alessandra Blanco</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[amargos]]></category>
		<category><![CDATA[Ana Soares]]></category>
		<category><![CDATA[Mara Salles]]></category>
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		<description><![CDATA[“Sem o ideal do amargo
Nunca saberemos quando
Somos felizes&#8221;
(Horácio Costa)
Passei boa parte do meu final de semana dentro do hotel Hyatt em São Paulo assistindo às palestras e workshops do “Paladar – Cozinha do Brasil”. Na sua segunda edição, o evento reuniu chefs importantes brasileiros e internacionais (o italiano Massimo Botura, o espanhol Andoni Luis Aduriz, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>“Sem o ideal do amargo<br />
Nunca saberemos quando<br />
Somos felizes&#8221;</em><br />
(Horácio Costa)</p>
<p>Passei boa parte do meu final de semana dentro do hotel Hyatt em São Paulo assistindo às palestras e workshops do “Paladar – Cozinha do Brasil”. Na sua segunda edição, o evento reuniu chefs importantes brasileiros e internacionais (o italiano Massimo Botura, o espanhol Andoni Luis Aduriz, o peruano Coque Ossio, por exemplo) e alguns dos jornalistas gastronômicos por quem eu suspiro: Jeffrey Steingarten, o “homem que comeu de tudo”, crítico da Vogue, Gael Greene, que entrevistei abaixo&#8230;</p>
<p>Mas  é o segundo ano que saio de lá e não consigo pensar nem falar de mais nada que não seja o encontro das chefs Mara Salles, Ana Soares e Neide Rigo. Assistir as três cozinhando juntas e falando ao mesmo tempo por cerca de duas horas num domingo de manhã faz minha vida mais feliz. E olha que o tema foi  “os amargos”:  jurubeba, guariroba, jiló, erva-mate&#8230; </p>
<p><a href='http://colunistas.ig.com.br/comidinhas/files/2009/06/maraneideana.jpg'><img src="http://colunistas.ig.com.br/comidinhas/files/2009/06/maraneideana.jpg" alt="mara neide ana" width="400" height="300" class="alignnone size-full wp-image-9276" /></a></p>
<p>Ano passado as três falaram de mandioca e parece que gostaram tanto do encontro que mantiveram conversas e experimentos o ano inteiro. Nesta edição, ficaram em dúvida sobre o que abordar. Pensaram em feijão, em gorduras e dezenas de outras opções até fecharem questão com os amargos. “Só 30% dos americanos e europeus ocidentais suportam sabores amargos”, contou Neide Rigo. E as três se identificam completamente com eles. E eu também. Tomo café sem qualquer açúcar, gosto de chocolates, laranjas e verduras amargos, jiló, feijão andu&#8230; Mas daí até a jurubeba tem uma longa distância, que foi se destruindo a cada prato que eu provei ontem pela manhã no workshop das “três bruxas”, como elas se identificaram logo de cara.</p>
<p>Começamos provando a jurubeba em conserva. Mesmo depois de ter sido fervida em água com sal cinco vezes, o amargo é o suficiente para dar aquela dorzinha de estômago que sentimos ao beber um chá de boldo (o verdadeiro, não o de saquinho).</p>
<p>Mas aí a jurubeba virou tapenade e também recheio de uma espécie de sushi feito com arroz empapado. E ficou ótimo. Depois vieram os jilós: em pasta, grelhado, confitado, com azeite e sal e servido com sardinha, sobre uma casca de pastel. E a gente salivou e pediu para repetir!</p>
<p><a href='http://colunistas.ig.com.br/comidinhas/files/2009/06/sardinhaejilo.jpg'><img src="http://colunistas.ig.com.br/comidinhas/files/2009/06/sardinhaejilo.jpg" alt="sardinha e jilo" width="400" height="300" class="alignnone size-full wp-image-9283" /></a></p>
<p>Depois, a guariroba, um palmito amargo, muito consumido no centro do país, sucesso no recheio do empadão goiano. Claro que a Ana Soares não podia ficar sem criar uma nova versão de espaguete.  E assim foi: espaguete feito com erva-mate (a mesma do chimarrão), servido com um refogado de guariroba e uma colher de nata por cima. Amargo, amargo, amargo. Mas totalmente maravilhoso!</p>
<p><a href='http://colunistas.ig.com.br/comidinhas/files/2009/06/massaervas.jpg'><img src="http://colunistas.ig.com.br/comidinhas/files/2009/06/massaervas.jpg" alt="massaervas" width="400" height="300" class="alignnone size-full wp-image-9279" /></a></p>
<p>A platéia estava encantada, e as três iam cozinhando, inventando coisas na hora. Rodrigo Oliveira, do restaurante Mocotó, que dava aula numa sala ao lado, enviou 3 copinhos de cachaça, e a conversa ficou ainda mais animada. Neide, completamente tímida, vai dando informações técnicas, nutricionais, sobre o amargor dos alimentos. Mara e Ana cozinham e falam, juntas, tudo no diminutivo: “uma salviazinha”, “esse caldinho”, “pega aquela carninha”, “e se a gente colocasse uma pimentinha?”, “um azeitizinho”&#8230; Adoroooo! E falam de comida e de alma. </p>
<p>“Amargo é comida pra alma na minha cabeça”, diz Ana. “A gente gosta dessas coisas que dão trabalho: carne com ossos, joelho de porco, gordura, amargos&#8230; Hoje em dia é só papinha, espuminha, tudo muito fácil”, diz Mara enquanto serve a sua “pancetta sob pressão”, com laranjas-lima, laranjinhas kinkan, sálvia, pimenta, limão&#8230;</p>
<p><a href='http://colunistas.ig.com.br/comidinhas/files/2009/06/pancetta.jpg'><img src="http://colunistas.ig.com.br/comidinhas/files/2009/06/pancetta.jpg" alt="pancetta" width="400" height="300" class="alignnone size-full wp-image-9281" /></a></p>
<p>“E o óleo de fígado de bacalhau? Eu adoro. Lembro que minha mãe servia uma colherinha junto com uma gema crua ou com uma colherinha de café”, fala Ana.</p>
<p>“Ai vamos colocar uns lindinhos aqui em cima?”, pergunta Mara. Os “lindinhos”, no caso, é o miolo do jiló cozido que lembra um caviar. “Com fé tudo vai dar certo”, completa. </p>
<p>“Massa com erva-mate é uma extravagância, mas hoje nós temos essa licença poética. Quando a gente cozinha, preciso desse universo de arte e poesia”, diz Ana, que prepara uma saladona de folhas amargas com fígado de galinha poché e molho de vinho tinto.</p>
<p><a href='http://colunistas.ig.com.br/comidinhas/files/2009/06/saladaverdesamargos.jpg'><img src="http://colunistas.ig.com.br/comidinhas/files/2009/06/saladaverdesamargos.jpg" alt="salada verdes amargos" width="400" height="300" class="alignnone size-full wp-image-9282" /></a></p>
<p>E por aí foi&#8230; </p>
<p><a href='http://colunistas.ig.com.br/comidinhas/files/2009/06/mesaamargos.jpg'><img src="http://colunistas.ig.com.br/comidinhas/files/2009/06/mesaamargos.jpg" alt="mesaamargos" width="400" height="300" class="alignnone size-full wp-image-9280" /></a> </p>
<p><strong>Massa fresca de erva-mate, ensopadinho de guariroba e nata</strong></p>
<p>Ingredientes<br />
300g de massa fresca (espaguete) de erva-mate<br />
300g de ensopadinho de guariroba<br />
150g de nata<br />
30 ml de azeite</p>
<p>Massa fresca de erva-mate<br />
30g de erva-mate (pó peneirado)<br />
4 gemas<br />
60g de semolina de trigo (farinha de grão duro)<br />
140g de farinha de trigo</p>
<p>Ensopadinho de palmito amargo<br />
350g de palmito amargo (guariroba) fresco ou em conserva<br />
75g de cebola laminada e repicada<br />
75g de salsão laminado<br />
100g de tomate (sem pele e sementes) fatiados<br />
30g de manteiga<br />
30 ml de azeite<br />
Salsa e cebolinha a gosto<br />
Pimenta fresca a gosto<br />
Folhinhas de tomilho fresco a gosto<br />
10 g de alho batido<br />
100 ml de caldo de ave ou legumes</p>
<p>Preparo</p>
<p>Massa fresca de erva-mate<br />
Bata a erva peneirada com os ovos no liquidificador. Incorpore delicamente às farinhas amassando bem para fazer uma massa homogênea e lisa. Deixe descansar por 10 a 15 minutos envolta em papel filme. Corte em fios a gosto.</p>
<p>Ensopadinho de palmito amargo<br />
Seque a cebola e o salsão na panela. Adicione a manteiga e o azeite. Doure o alho. Acrescente os tomates e refogue os palmitos. Tempere a gosto com sal, pimentas e ervas. Coloque o caldo. Ferva, retifique os temperos e reserve.</p>
<p>Finalização<br />
Aqueça o ensopadinho de guariroba e reserve no calor. Cozinhe a massa em abundante água fervente temperada com sal grosso. Escorra, passe em fio de azeite e coloque no prato de serviço. Regue com o ensopadinho e sirva com uma colherada de nata.</p>
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