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17/09/2008 - 21:18

Especial Sicília – comida de fazenda em Siracusa

Sempre tive vontade de conhecer um agriturismo italiano. São fazendas antigas e belíssimas, que foram transformadas em hotéis, com poucos quartos, muita mordomia, programas com visitas a plantações de vinho ou azeitonas. E, ouvia dizer, comida espetacular.
Por falta de conhecimento e organização, nunca consegui arranjar para ficar hospedada em uma delas. Mas, em minha viagem de férias para a Sicília, planejei um dia de passeio até Siracusa já “mal intencionada”. Imagine poder almoçar em uma fazenda no centro do domínio da máfia italiana? Eu tinha que ir…
Cheguei à cidade por volta de 13h30 e encontrei tudo absolutamente fechado. Nada, nada, nada aberto. Inclusive os restaurantes. Reabririam depois das 16 horas. Dei uma volta de carro pelo centro, vi de longe as ruínas do teatro grego e comecei a seguir as placas que indicavam fazendas de agriturismo.
Uma seta marrom que indicava a Case Damma chamou mais a atenção. Ficava a poucos quilômetros da cidade e a casa da fazenda era do século 15. Segui pela estrada. Já passava de 14h30 e achei que não iria encontrar mais nada em qualquer cozinha pela região. Cheguei a parar em uma fazenda antes e perguntar pelo almoço. “Já encerramos, agora só para o jantar”, disse a mulher do outro lado do portão fechado.

agriturismo do seculo 15

Decidi continuar mesmo assim. Três quilômetros depois, cheguei até a Case Damma. Estacionei o carro, dei uma espiada nos hóspedes tomando sol na piscina, outros deitados na grama sob a sombra das árvores.
Uma senhora veio atender. Perguntei se ainda poderia almoçar. Ela deu um sorriso, pediu para esperar meia hora e dar uma volta pela fazenda enquanto isso porque ela iria preparar uma mesa.
Pouco tempo depois, ela veio chamar. A mesa tinha quatro pratos, formando uma pilha, talheres, copos e já um decanter com vinho tinto. Sentamos (eu e o marido) por volta de 15 horas. E nas próximas duas horas iríamos entender por que os franceses na mesa ao lado riam tanto e até tentavam imitar Pavarotti, cantando trechos de canções italianas que eles não conheciam direito.
Primeiro, o antepasto:
- fatias finas de abobrinha marinadas em azeite e vinagre;
- fatias grossas de berinjelas empanadas e fritas, as mais crocantes que já comi;
- omelete cortada em quadrados, como uma pequena torta, com queijo branco no centro e uma fatia fina do ovo mexido por fora;

abobrinha berinjela omelete

- rodelas de lingüiça calabresa curada e apimentada;
- uma tigela com um queijo fresco branco inteiro, o mais saboroso que já provei, cremoso com um profundo sabor do leite;
- enormes e gorduchas azeitonas temperadas, quase doces;
- fatias de pão caseiro.

linguica queijo vinho pao

Quando vi tudo aquilo montado sobre uma toalha xadrez com “cara de vó”, eu não conseguia parar de rir. Eu estava em uma casa de pedras do século 15, que deixava do lado de fora o sol de 38 graus Celsius e se mantinha fresquinha dentro. Sentada em uma mesa, experimentado uma das melhores refeições da minha vida. E ainda só no começo.
O primeiro prato foi uma tradicional “pasta alle sarde”, macarrão com sardinha, tradicional da região. Só que o molho da sardinha… Era doce! Fui provando aos pouquinhos para tentar entender como era feito. Era apenas tomate, sardinha curada e azeite. E não tenho a menor idéia de como aquelas mulheres conseguiam deixá-lo com aquele sabor.

pastaallesarde2_agriturismo
pastaallesarde_agriturismo

Então, quando uma delas veio nos dizer que ainda tinha um outro prato de massa e perguntar se gostaríamos de provar, fizemos que sim rapidamente com as cabeças. Dessa vez, foi ela quem riu.
Veio então o segundo prato: um pequeno pedaço de lasanha recheada com ricota e com molho pesto. Simples e divino. O marido imediatamente falou: “Faz um desse em casa?” E eu respondi com aquele olhar: “Não sei se um dia vou conseguir reproduzir essa lasanha tão simples e deliciosa”.

lasanha_agriturismo

O terceiro prato foi na verdade mais uma ampla opção de escolhas:
- uma travessa com lingüiças envoltas em fatias finíssimas de cebolas cozidas. Eram picantes e doces ao mesmo tempo e tinham um sabor forte de funcho;

linguica_agriturismo

- pedaços de frango feitos com tomate, mas agridoces;

frango_agriturismo

- salada verde com tomate;

salada_agriturismo

- e batatas assadas, também com cebolas, servidas quase murchas, de uma forma parecida com a que a minha avó fazia.

Batata assada

Quando já não podíamos mais, ainda veio a sobremesa, o clássico tiramissu.

Depois o café e um cálice do vinho doce, feito com uvas passito, ali mesmo na fazenda que hoje é da dona Nora Chimirri. Mas desde o século 15 já passou por várias famílias. “Eu comprei da família do meu genro, mas essa fazenda era sempre usada como dote das moças que se casavam. Então, passava de mão em mão, mas sempre para algum parente. Agora está comigo e vou cuidar dela”, diz dona Nora, enquanto nos serve mais um cálice do vinho que ela mesma produziu.
Antes de irmos embora, ela oferece para nos “deitarmos um pouco na grama, sob as árvores e descansarmos do almoço”. Parece realmente a melhor idéia a fazer, mas agradecemos e partimos. Ou não conseguiríamos mais sair de lá.

Todo o almoço, com bebidas, custou 25 euros por pessoa
Azienda Agrituristica Case Damma: 9 km de Siracusa na strada per Canicattini Bagni. Tel. + 39 0931717405. www.casadamma.it.

Autor: Alessandra Blanco - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , , , ,
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